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Longa linhagem

“Mick Jagger was introduced to pot by Paul McCartney, who was introduced to pot by Bob Dylan, who was introduced to pot by Al Aronowitz, who was introduced to pot by Allen Ginsberg, who was introduced to pot by some Puerto Rican sailors in a brothel in New Orleans in 1945”

Barry Miles, Paul McCartney: Many Years From Now

#t-boys

Demorou, já tinha sido até cogitado pelo Vinícius, mas finalmente foi oficializado pela Bia. Começa agora a era dos T-Boys, a versão masculina do jogo de celebridades pop vestindo camisetas com estampas mais pop ainda. E ela começou com uma carta meio baixa, sem acreditar nem mesmo na estampa de seu modelo escolhido, aquele tal John Mayer – um músico maizena desses que só americano gosta – vestindo uma roupa do Mickey. Mas posso te dizer uma coisa, motivada até pela minha busca incansável de gatas conhecidas vestindo camisetas com estampas conhecidas pela internet – tem muito material por aí. Foi nessas que eu encontrei o t-boy acima, que, por uma estranha coincidência, veste a mesma estampa que o t-boy escolhido do Vinícius (que é justo o código pro machista utópico, o apaixonante cafajeste one-liner McGyver bretão – Carlos Gustavo Jung sorri no inferno).

Paul cantando “Birthday” pro Ringo

Caralho, invejei o Diego, que filmou ontem o vídeo acima. Dá pra imaginar a emoção do cara – e até pra desculpar ele cantando por cima do Paul. E ainda teve uma seção de “With a Little Help from My Friends” com a Yoko fazendo dancinha e tudo.

Que foda…

Ringo Starr, 70 anos

Are you a mod or a rocker?
– No, I’m a mocker

É hoje que o Beatles mais velho entra na sétima década de existência.

Ringo, pra mim, é a essência do que é ser um Beatle. John era o beatle espertinho, Paul o beatle bonitinho, George o beatle tímido (ou, anos depois, o beatle revolucionário/chato, o beatle playboy/bon vivant e o beatle místico/rancoroso, respectivamente). Ringo, não. Ringo era só um Beatle, ponto. Os outros três olhavam para ele e viam a essência do que eram enquanto grupo – vejam a cara de Pete Best e veja se Brian Epstein não teve razão em trocá-lo:

É cruel, mas é o showbusiness – e os Beatles não só reinventaram o rock’n’roll para o resto do planeta como reinventaram o showbusiness para uma geração recém-chegada, os adolescentes. E, por mais triste que a saída de um integrante de banda possa ser, a medida foi crucial. Com Pete Best, os Beatles tinham uma âncora que os limitava como meros imitadores de um som norte-americano. Com Ringo, eram uma banda inglesa pronta para engolir o mundo. Se a cara de Best contrastava com o dos outros três, isso era só reflexo de quem ele era na banda. Com Pete, eles ainda não eram um grupo, uma turma como queriam ser.

Ringo deixou-se levar e liberou-os para um tipo de humor que não era permitido no rock americano – mas que é próprio do pop inglês. Com um baterista disposto a fazer o papel de bobo (tolo, “fool” – não é a mesma coisa que burro ou idiota, perceba), os Beatles liberavam-se para brincar e se divertir junto com o público. A geração de Elvis tinha que ser cool e suave o tempo todo, os risos eram de canto de boca, as brincadeiras eram manobras de palco (a dança do patinho de Chuck Berry, o piano em chamas de Jerry Lee). Nos Beatles, tudo era permitido, até mesmo fazer bobagem, rir sem parar, sair pulando por aí feliz da vida.

O Terron separou uns melhores momentos do cara num post lá no With Lasers e diz que poderia continuar “com muitos outros exemplos – todos dedicados aos ignorantes que insistem em dizer que Ringo não era bom o suficiente para os Beatles”. Assino embaixo e linko portanto outros grandes momentos do cara nos Beatles no decorrer deste post, encerrando com meu o momento Ringo favorito, abaixo, na introdução de “A Day in the Life” – repare na bateria logo após John cantar “He blew his mind out in a car…”

Sem o Ringo, não preciso nem pensar muito pra saber que o mundo seria bem mais chato hoje em dia. Parabéns, mestre, muitos anos de vida.