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Noites Trabalho Sujo de volta às sextas-feiras

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Há mais de seis anos o Ivan me procurou para assumir as sextas-feiras na casa noturna que tinha na Avenida São Luís, o Alberta #3. “Mas é uma noite de rock”, ele reforçava, escorado em um dos painéis da casa, com uma enorme foto de Mick Jagger, ciente do meu apreço pelas castas mais baixas da dance music e da música brasileira. Falei que não dava pra tocar só rock, que tocaria o que eu tivesse vontade de tocar, que não conseguia ficar preso em um só gênero musical. Ao mesmo tempo, queria uma festa em que eu pudesse tocar a noite toda, ao contrário das festas da época, com quinze DJs por noite e cada um com 35 minutos de set, todos tocando o hit lançado naquela semana. Ao me prender no set longo, passei a convidar chapas e conhecidos para dividir a cabine comigo, muitos deles estreando pela primeira vez no controle das músicas de uma festa. O resultado eram noites mutantes, que atiravam para todos os lados mas sempre frisavam os hits, as músicas conhecidas, o pop com pê maiúsculo, o alto astral, o bom humor – era o início das Noites Trabalho Sujo. Aos poucos, três destes compadres (Danilo, Luiz e Babee) permaneceram e passaram a dividir a festa comigo, atacando em grupo nas eventuais reuniões mensais na Trackers. Aos poucos migramos para este último endereço, a festa deixou de ser semanal e ganhou aspectos quase ritualescos – e outra proporção. Por isso quando o Ivan me chamou de novo para retomar as sextas-feiras de seu novo estabelecimento (o Clube V.U., na Barra Funda, com uma bela carta de drinks) e, vejam só, me pedindo para tocar até funk, me veio uma sensação de novo ciclo, de retomar a festa do zero e buscar a preferência da sexta-feira como o grande desafio da vez. Retomo os trabalhos a partir desta sexta, dia 2, e a entrada é de graça até à 1h da manhã. Vamos lá?

Noites Trabalho Sujo no Clube V.U.
Toda sexta-feira, a partir das 22h
Rua Lavradio, 559, Barra Funda
R$10 ou R$50 de consumação
Entrada gratuita até à 1h da manhã nesta primeira edição (2 de março)
Tel. 3661-2095
Aceita todos os cartões.

Revirando o Baú

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O pessoal do Selo Sesc me chamou para escrever para a sessão Baú da recém-lançada revista eletrônica Zumbido, em que convidados lembram de apresentações marcantes nas unidades da rede e eu lembrei não só de shows clássicos do Yo La Tengo, Stereolab e Tom Zé com Tortoise, Ornette Coleman, William “Bootsy” Collins, Flying Lotus, Mogwai, Jurassic 5, De La Soul, Sabotage, Bombino, Bob Mould, Television, Sebadoh e tantos outros, como de um bate-papo do Damo Suzuki com o Kode9 que fiz a mediação, do 2012 em que fui curador do saudoso Prata da Casa e outros tantos momentos épicos nos diferentes palcos da rede.

Tenho uma enorme dívida com o Sesc. Eu e pelo menos umas duas gerações próximas à minha. Porque foi graças à rede de centros culturais espalhada por São Paulo que pude assistir a alguns dos shows da minha vida — desde turnês internacionais de bandas estrangeiras minúsculas às primeiras vindas ao país de titãs da música não-comercial — e também a participar de momentos cruciais para a evolução da música brasileira.

Sou de Brasília, estudei na Unicamp e passei parte de quase todos os anos 90 em Campinas, bebericando da vida cultural de São Paulo em doses curtas. Quando me mudei para cá no início do século, já tinha noção da importância do Sesc para a cultura da cidade, mas uma sequência de shows no Sesc Pompeia, um dos melhores lugares de São Paulo, cristalizou a importância destes centros culturais na minha vida.

Não recordo com precisão as datas (aconteceram exatamente na virada do século), mas foram três shows duplos que tive a oportunidade de ver extasiado no teatro daquela unidade: dois Stereolab, dois Yo La Tengo e dois Tortoise com a participação de Tom Zé. Os shows cruzavam uma série de tendências que seguiriam unidades anos depois: organizados pela produtora mineira Motor Music, eles conectavam a cena independente brasileira à rede internacional underground e ajudavam a reunir pessoas desconhecidas com o mesmo tipo de pensamento no mesmo lugar. Parte do público destas noites seguiu ferrenho seus caminhos no meio independente brasileiro, criando bandas, selos, sites, zines, produtoras e gravadoras que ajudariam a aumentar a auto-estima do incipiente indie brasileiro ao mesmo tempo que mostravam que seus equivalentes estrangeiros não eram rockstars esnobes e que gostavam de colocar a mão na massa.

A íntegra do texto você lê aqui.

Baile à Fantasia Noites Trabalho Sujo | 13.2.2018

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Exatamente um mês após a celebração inaugural de 2018, repetimos o experimento festivo ao cubo, multiplicando as possibilidades de excitação e energia positiva ao convocá-los para mais um evento anual, encerrando tradicionalmente os festejos mominos ao transformar o laboratório Trackertower em um baile à fantasia, abrindo caminho para testes estéticos que vão para além da música. E, como de praxe, os célebres pesquisadores e exploradores sonoros Alexandre Matias, Luiz Pattoli e Danilo Cabral reúnem-se em sua egrégora mental dispostos a transformar a última noite do Carnaval em uma cerimônia de expansão de consciência para além da visceralidade carnal típica desta época do ano. Manuseando ondas sonoras para manipular sensações e químicas mentais em fontes de prazer e boas vibrações, os três dominam o auditório azul da torre de concreto em frente ao Largo do Paysandu conclamando todos para a dança. No auditório negro, no mesmo andar, os três recebem velhos cientistas que há muito coordenam experimentos de natureza semelhante, quando parte do coletivo rítmico Veneno Soundsystem entra em ação. Desfalcados do maestro Maurício Fleury, os doutores Ronaldo Evangelista e Peba Tropikal recebem o laureado Ramiro Zwetsch para uma noite de puro delírio melódico, harmonizando sambas e outros embalos de eras passadas. Como de hábito, a única edição do experimento realizado fora do sábado, abre as portas para aqueles que querem soltar seus anjos e demônios em trajes ousados ou recatados, de acordo com suas vontades. Só não esqueça que o passeio rumo ao raiar da quarta-feira de cinzas é voluntário e só pode ser realizado com o envio do nome para o correio eletrônico noitestrabalhosujo@gmail.com até às 20h do dia da realização do evento. Evoé, Carnaval!

Noites Trabalho Sujo @ Trackers
Terça-feira, 13 de fevereiro de 2018
A partir das 23h45
No som: Alexandre Matias, Luiz Pattoli e Danilo Cabral (Noites Trabalho Sujo), Peba Tropikal, Ronaldo Evangelista e Ramiro Zwetsch (Veneno Soundsystem).
Trackers: R. Dom José de Barros, 337, Centro, São Paulo
Entrada: R$ 40, só com nome na lista pelo email noitestrabalhosujo@gmail.com. Aniversariantes da semana não pagam para entrar (avise quando enviar o nome no email, por favor). Os cem primeiros a chegar pagam R$ 25.

Creme no Clube V.U.

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Abro o carnaval discotecando rock clássico no novo clube do Ivan Finotti e do Claudio Medusa, o Clube V.U., que fica na Barra Funda, na festa Creme, nesta sexta-feira, a partir das 22h (eu começo a tocar às 23h e vou até a uma – mais informações aqui).

Vamo lá, Recife!

portomusical2018

Criado no início do século, o Porto Musical, no Recife, antecipou uma série de tendências e questionamentos sobre o mundo da música quando o país ainda engatinhava nestes temas e entrou para o mapa nacional como uma das principais referências sobre estas discussões. Depois de um tempo parado, o evento volta a acontecer neste início de fevereiro e mais uma vez participo desta conversa, pela quarta vez, desta vez representando o Centro Cultural São Paulo em uma série de encontros com artistas e produtores que acontece nesta sexta-feira. Mais detalhes sobre a programação aqui.

Toca pra Fortaleza!

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Terminei 2017 no Ceará e é no Ceará que começo 2018, desta vez em Fortaleza, participando da Conversa de Proa, que o Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura organiza como parte de sua convocatória Porto Dragão Sessions. O papo é sobre posicionamento de carreira e audiência na música e acontece gratuitamente nesta segunda-feira, a partir das 19h, de graça, no Auditório do centro cultural, e além de mim também estarão presentes os queridos Pena Schmidt e Roberta Martinelli.

Noites Trabalho Sujo | 13.1.2018

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Começando mais um ano e mais um verão, sintonizamos nossos transformadores de frequências positivas para ativar o calor que deveria estar pairando sobre a maior cidade deste continente no mesmo dia em que o fundador de nosso simpósio de sintetização de bons fluidos completa 43 voltas ao redor do sol. E para isso, o instituto Noites Trabalho Sujo vem em formação completa: além do cientista-sênior e aniversariante Alexandre Matias teremos a presença do explorador-mestre Danilo Cabral e do doutor antropólogo Luiz Pattoli, trabalhando juntos para transformar uma madrugada fria em um delírio coletivo no auditório azul. No outro lado da antena de concreto Trackertower, quem começa os trabalhos é a pesquisadora Vanessa Gusmão, do centro de estudos Missin Link, que agora atua sozinha devido à transferência de seu dupla Daniel Prazeres para o velho continente, seguido do sempre célebre palestrante Carlos Costa, que vem exibir sua destreza em transformar ondas sonoras em fontes de energia. O experimento, sabemos, só ocorre plenamente com a presença voluntária de participantes, que devem se inscrever pelo correio eletrônico noitestrabalhosujo@gmail.com até às 18h do sábado vigente. Contamos com vossa presença.

Noites Trabalho Sujo @ Trackers
Sabado, 13 de janeiro de 2018
A partir das 23h45
No som: Alexandre Matias, Danilo Cabral e Luiz Pattoli (Noites Trabalho Sujo), Vanessa Gusmão e Carlos Costa.
Trackers: R. Dom José de Barros, 337, Centro, São Paulo
Entrada: R$ 40, só com nome na lista pelo email noitestrabalhosujo@gmail.com. Aniversariantes da semana não pagam para entrar (avise quando enviar o nome no email, por favor). Os cem primeiros a chegar pagam R$ 25.

17 de 2017: 14) Rock in Rio

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Meu quarto Rock in Rio, não tão intenso quanto o primeiro, não tão empolgante quanto o de Las Vegas, mas sem dúvida uma experiência e tanto – principalmente por já conhecer a lógica e as artimanhas do festival e, claro, por finalmente conseguir assistir ao Who ao vivo.