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Quinta quente

Mesmo com a chuva chata que caiu no fim desta quinta-feira, o Porão da Casa de Francisca estava cheio para assistir aos dois shows que reuni em mais uma edição do Inferninho Trabalho Sujo ali. A noite começou com Valentim Frateschi mostrando as faixas de Estreito, seu disco de estreia, muito bem acompanhado por uma bandaça formada por Nina Maia nas teclas e vocais, Amanda Camargo na guitarra e teclados, Quico Dramma na bateria e Thiago Pucci no baixo, enquanto o dono do show, tradicionalmente baixista, assumia guitarra e vocais, sempre transformando suas canções em groovezeiras que não deixavam ninguém parado. A novidade da noite foi quando ele chamou Francisca Barreto para acompanhá-lo nos vocais da única versão da noite, quando dividiram a mágica “Grilos” de Erasmo Carlos. Bom demais!

Depois foi a vez de Francisca Barreto se soltar no Porão da Casa de Francisca. Seguindo com a mesma banda que a vem acompanhando – formada por Bianca Godói na bateria, Valentim Frateschi no baixo, Victor Kroner na guitarra, Thales Hash na viola e Melifona no trompete -, ela tocou seu violoncelo em menos canções, deixando soltar-se como cantora num repertório em que a maioria das canções eram de sua autoria, inclusive mostrando músicas novas, como a que fez para sua irmã gêmea. Das canções alheias, ela manteve sua já clássica versão para “Teardrop” do Massive Attack, “Habana” de Yaniel Matos (seu primeiro single solo) e “Gosto Meio Doce” de Felipe Távora, que dividiu com sua amiga Nina Maia, que subiu como convidada surpresa da noite. Foi demais!

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Inferninho Trabalho Sujo apresenta Valentim Frateschi e Francisca Barreto @ Porão da Casa de Francisca (26.2)

Maior satisfação receber dois queridos em início de carreira em mais uma edição do Inferninho Trabalho Sujo no Porão da Casa de Francisca. Valentim Frateschi e Francisca Barreto dividem a noite desta quinta-feira, 26 de fevereiro, quando Tim abre a noite mostrando seu recém-lançado álbum Estreito, enquanto Chica faz seu show mais autoral à medida em que começa a pensar em seu primeiro álbum. A casa abre às 20h e quem chegar antes das 20h30 não paga pra entrar. Se não conseguir chegar antes, melhor garantir os ingressos antecipados por aqui.

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Vamos lá, meu Ceará!

Entendo que escrever sobre um show que dirigi pode parecer redundante ou cabotino, mas primeiro tenho que deixar registrado que o espetáculo que apresentamos neste sábado no teatro do Sesc Pompeia não apenas culminou um trabalho que venho desenvolvendo com esses artistas há dois anos como também materializou uma vontade de celebrar a importância deste disco ímpar na música brasileira que coloca o Ceará no mapa de uma geração que depois passou a ser conhecida como MPB desde que Meu Corpo Minha Embalagem Todo Gasto na Viagem completou meio século, há três anos. Esta celebração de um disco que infelizmente segue fora das plataformas digitais e que há muito tempo não é reeditado em nenhum formato físico conversa tanto com minhas raízes nordestinas – que embora brasiliense tenho pais cearenses que até hoje reforçam a importância dessa naturalidade – quanto com meu interesse pela cultura desse estado. Tanto que já havia trabalhado com todos os envolvidos nesta nova apresentação – todos cearenses da nova geração -, com shows no Centro da Terra, Centro Cultural São Paulo e no Picles. Mas ao reunir Soledad, Jonnata Doll e Paula Tesser à frente deste show também estava chamando artistas que têm a plena consciência de sua relação com a geração homenageada, algo rapidamente abraçado pelo grupo Ondas dy Calor (formado pelos ases Allen Alencar, Xavier, Igor Caracas e Davi Serrano) e pelo diretor musical Klaus Sena. Com produção de campo da maravilhosa Alexandra Thomaz e figurino da Trama Afetiva de Jackson Araújo (outros dois cearenses) e Thais Losso, o espetáculo ainda contou com som do Gustavo Lenza e Danilo Cruvivel, luzes da Camille Laurent, fotos de José de Holanda e teve Phil Santos como roadie, além da produção executiva da própria Paula – e a nobre participação do mestre Rodger Rogério, um dos autores do clássico disco, que não só nos deu sua benção para o show como participou de vários momentos da apresentação. É muito bom fazer um trabalho em que todos os envolvidos estão comprometidos, mas sem que esse compromisso não se traduza em rigidez ou estresse. Desde que comecei a dirigir shows entendi que a atividade reúne qualidades que aprendi no jornalismo e em curadoria musical e que ambas têm a ver com pessoas. A escolha de parceiros – tanto em termos de exigência técnica e comprometimento com o assunto, como quanto em astral e transparência no trato – é parte essencial do processo e abrir-se para as interferências alheias também é fundamental para que tudo flua bem. Dirigir é menos sobre hierarquias e mais sobre rumos e ao fechar a primeira parte deste espetáculo Pessoal do Ceará: Meio Século Depois (outras virão!) só posso agradecer a essa equipe maravilhosa que aceitou o convite para recriar o disco Meu Corpo Minha Embalagem Todo Gasto na Viagem no teatro do Sesc Pompeia neste sábado. A presença – e a felicidade – de Rodger Rogério apenas traduziram essa frequência que habitamos desde que comecei a rascunhar o show como ideia. Obrigado de coração a todos e vamos aos próximos! E mais do que ter feito uma apresentação precisa, terminamos o fim de semana felizes não só por estar mostrando o maravilhoso repertório desse disco e representando a cultura cearense neste novo milênio. É só o começo de uma história que ainda devemos contar outras vezes. Vamos lá, meu Ceará!

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Profusão de possibilidades

O Picles ficou pequeno nesta sexta-feira quando reuni duas bandas intensas e novíssimas em mais uma edição do Inferninho Trabalho Sujo. Shows distintos de duas bandas que estão em momentos parecidos de suas carreiras, mas em vidas paralelas ao vivo. Enquanto o Nigéria Futebol Clube está vindo num crescendo de shows épicos, a Tubo de Ensaio fez o primeiro show em meses, hiato em que eles têm se dedicado a pensar no próximo álbum, o sucessor de Endofloema que lançaram no ano passado. Assim, trouxeram vários fãs para reencontrá-los ao vivo com toda a psicodelia prog que está em seu DNA. Além da energia contagiante do grupo, dos tempos quebrados e jogos de vocais e da forte influência do jazz, a Tubo ainda se dá ao luxo de meter eletrônica com synths caseiros que eles mesmos fazem – e que poderiam ter mais presença! O show ainda trouxe música inédita e no bis chamaram Bernardo Puyol para cantar a canção que ele compôs com a banda, “Taioba”. Bom demais!

Depois foi a vez do Nigéria Futebol Clube seguir sua escalada de shows fodas na primeira apresentação que fizeram no Picles. E, como têm feito, eles pegaram todo mundo de surpresa. Além de ter colocado a banda Vinco para dividir o palco com eles, foram montando o show músico a músico, fazendo com que cada um dos nove participantes da noite entrassem no palco à medida em que iam construindo um groove só – mecânico e hipnótico – com duas guitarras, duas baterias, baixo, teclado, flautas e vocais. Um atordoo sonoro que deixou a casa abarrotada de gente em êxtase, clamando pelo grupo aos gritos. Dois shows fodaços que marcaram a sexta, que terminou com eu e a Fran fazendo todo mundo dançar até alta madrugada.

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Desaniversário | 14.2.2026

Chegou o sábado de Carnaval e com ele a Desaniversário deste mês! Vamos se acabar de dançar com muita música brasileira no Bubu, que fica na marquise do estádio do Pacaembu (Praça Charles Miller, s/nº), a partir das 19h. Mas chega cedo que a festa também acaba cedo e vai só até a meia-noite. Vem dançar com a gente!

Pessoal Do Ceará, Meio Século Depois

Joia esquecida da música brasileira, o disco Meu Corpo Minha Embalagem Todo Gasto na Viagem, lançado em 1973, consagrou o surgimento de uma nova safra de artistas cearenses que ficou conhecida como Pessoal do Ceará. Esse grupo de artistas foi instigado a gravar um disco-manifesto sobre geração, mas como dois deles já tinham contratos com outras gravadora, coube a Ednardo, Rodger Rogério e Teti registrar suas canções em um dos discos mais importantes daquele período, que infelizmente não tornou-se popular como poderia, embora seja um favorito de colecionadores de discos e especialistas em música brasileira.

Desde que o disco completou 50 anos venho pensando em celebrar sua importância no palco e finalmente podemos anunciar o espetáculo Pessoal Do Ceará, Meio Século Depois, que idealizei ao lado de uma geração de artistas cearenses que, nascida sob a égide desta cena dos anos 70, recria e saúda o clássico álbum no palco do teatro do Sesc Pompeia no dia 21 de fevereiro. Liderada pelo trio de vocalistas formado por Paula Tesser, Soledad e Jonnata Doll, a apresentação tem a direção musical de Klaus Sena, que toca ao lado do grupo Ondas Dy Calor (formada pelos multiinstrumentistas Allen Alencar, Xavier, Davi Serrano e Igor Caracas), e conta com a participação do próprio Rodger Rogério, um dos autores do clássico álbum, que sobe ao palco para recriar o disco de 1973 e cantar músicas dessa geração tão importante para a música brasileira. O figurino da noite é assinado pela Trama Afetiva (Jackson Araújo e Thais Losso), Catarina Mina e ITO, o som fica por conta de Gustavo Lenza e luz com Camille Laurent, além das belas fotos feitas por José de Holanda.

Meu Corpo Minha Embalagem Todo Gasto na Viagem é um joia da música brasileira pós-bossa nova que não deve nada a clássicos como Tropicália, Acabou Chorare e Clube da Esquina. Como estes discos, o álbum cearense tenta soar regional e universal ao mesmo tempo em que conversa com o pop rebuscado do início dos anos 70 e conecta a nova música brasileira à canção que vinha do Ceará. O álbum reúne clássicos da canção daquele estado como “Beira-Mar”, “Terral”, “Ingazeiras” e “Cavalo-Ferro”, entre outras. Arranjado pelo maestro paulista Hareton Salvanini, que nunca havia trabalhado com música popular, o disco é exuberante e épico ao mesmo tempo em que delicado e desconfiado, como preza a própria cultura cearense. O espetáculo liderado por Paula Tesser, Soledad e Jonnata Doll retoma essa geração com outra safra de artistas do estado, reforçando a importância da música do Ceará na cultura brasileira. Os ingressos já estão à venda.

Inaugurando o Inferninho 2026 no Picles!

A primeira edição do Inferninho Trabalho Sujo no Picles em 2026 começou com um show assertivo de Leon Gurfein, que cada vez mais toma conta do percurso que está disposto a recorrer, seja com suas canções próprias, tocando guitarra e baixo ou músicas alheias. Acompanhado do guitarrista Marcos M7i9 (que depois seguiria no palco acompanhando Lauiz) e do beatmaker Charles Tixier, Leon derramou sua carga dramática em canções “Escândalo” imortalizada por Ângela Ro Ro, “Little Trouble Girl” do encontro de Kim Deal e Kim Gordon no Sonic Youth em uma versão em castelhano, a argentina “Viento Helado” da líder da banda Suárez Rosario Bléfari e até David Lynch, quando cantou “In Heaven (Lady in the Radiator Song)” do filme Eraserhead para encerrar sua apresentação, seu melhor show até aqui.

Depois foi a vez de Lauiz assumir o palco do Picles e pela primeira vez fazer um show tocando guitarra, apontando os rumos para seu próximo álbum, inevitavelmente mais rock. Mais uma vez tocando ao lado da cozinha do Celacanto (Giovanni Lenti na bateria e Matheus Costa no baixo) e do eterno compadre Marcos M7i9, que havia acabado de tocar com Leon Gurfein e se revezava entre os eletrônicos e a guitarra. Além de tocar músicas antigas (cantadas a plenos pulmões por seus fãs enlouquecidos), Lauiz preferiu mostrar algumas novas e exibir-se na guitarra, chegando até a usar um slide para deixar o som mais Estados Unidos, como foi a tônica da noite. Que encerrou com outra música do mesmo país, quando resolveu encarnar os White Stripes na clássica “Fell in Love With a Girl”. Depois coube a mim e a Fran a segurar uma pista de quinta até quatro e pouco da manhã, mas o que não é uma festa em janeiro, né?

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Inferninho Trabalho Sujo apresenta Lauiz e Leon Gurfein @ Picles (29.1)

Não para, não para, não para! Nesta quinta-feira tem mais uma edição do @inferninhotrabalhosujo, a primeira de 2026 no querido Picles, que quando trago dois shows daqueles: estreando no palco da casa e da festa vem o drama pop performático de Leon Gurfein, seguido de uma apresentação experimental do programador dos Pelados Lauiz, que mostrará novas músicas! O Picles fica no número 1838 da Cardeal Arcoverde, no canteiro de obras chamado Pinheiros, e a festa começa às 20h – quem pegar o ingresso online não paga pra entrar se chegar antes das 21h30. Os shows começam às 22h! E depois, eu assumo a discotecagem da noite ao lado da querida Francesca Ribeiro. Vai ser daquele jeito, vamos lá!

Começando bem

Bons presságios do primeiro Inferninho Trabalho Sujo nessa sexta-feira, começando o ano com uma série de sinais que dão uma ideia de como o ano promete. A começar pela casa anfitriã da noite, quando o compadre Arthur Amaral mostrou sua Porta Maldita após uma pequena mas agradável reforma que deixou a área do bar mais espaçosa – e propícia pra virar uma pistinha. A noite abriu com a banda do Vale da Paraiba Infinito Latente, que lança seu primeiro álbum bem nesse início de ano, aproveitando a festa para mostrar as músicas ao vivo pela primeira vez desde o lançamento. Baseada na harmonia da dupla que lidera o grupo, a vocalista Maira Bastos e o violonista João Dussam, o grupo ainda conta com Igor Sganzerla nos teclados, Pedro Sardenha no baixo e Caio Gomes na bateria, mostrando as canções de seu Sem Início Nem Fim na fronteira entre o indie rock e a MPB que tão bem caracteriza essa nova geração.

Depois foi a vez da Schlop aproveitar a oportunidade para mostrar a versão física e palpável do ótimo projeto “O Mapa da Música Autoral de SP”, concebido pelo companheiro da vocalista e líder da banda, Isabella Pontes, Alexandre Bazzan. O levantamento de Bazzan (que pode ser encontrado digitalmente em sua newsletter) reúne tanto casas de show quanto novas bandas e depois falo mais sobre esse ótimo projeto. E o show da Schlop também trouxe novidades: além de consolidar a formação com Lúcia Esteves no baixo e o aniversariante Antonio Valoto (na bateria), a banda começa a mostrar as músicas que lançarão em seu próximo disco, em que regravaram as músicas que Isabella lançou quando a banda ainda era um projeto de uma garota só em seu quarto. A apresentação terminou com Isabella entregando a guitarra para Gustavo Esparça (que toca em bandas tão diferentes quanto Apenas Animais, Onda Quadrada, Elipsismo, Miragem, entre outras) para o momento mais grunge da noite.

A edição terminou com a primeira apresentação da banda Turmallina na festa, com o quinteto paulistano comemorando dois aniversários na banda, quando a baterista Paula Janssen e o baixista Eduardo Campos ganharam parabéns no palco da Porta Maldita. O grupo caminha por essa improvável vertente da nova cena indie de São Paulo que mistura emo com shoegaze e aproveitou a oportunidade para mostrar músicas novas que estarão presentes em seu primeiro álbum, que está gravado agora. À frente da banda está o guitarrista Caio Silva, que, mesmo sem chamar atenção, equilibra-se entre duas duplas, dividindo os vocais com Gabe Jordano e as guitarras com Marcos Marques, dando uma personalidade específica o grupo.

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Inferninho Trabalho Sujo apresenta Infinito Latente, Schlop e Turmallina @ Porta Maldita (23.1)

O primeiro Inferninho Trabalho Sujo de 2026 acontece no dia 23 de janeiro, quando, em mais uma noite na Porta Maldita, reunimos as bandas Infinito Latente, Schlop e Turmallina para esquentar a sexta-feira da próxima semana apontando os nomes que estão formando a nova cena independente nos anos 20. A Porta Maldita fica na rua Luís Murat, 400, entre os bairros de Pinheiros e Vila Madalena e abre a partir das 20h. Os ingressos já estão à venda e eu toco entre os shows de cada banda. Vamo lá que o ano tá só começando…