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Pessoal Do Ceará, Meio Século Depois

Joia esquecida da música brasileira, o disco Meu Corpo Minha Embalagem Todo Gasto na Viagem, lançado em 1973, consagrou o surgimento de uma nova safra de artistas cearenses que ficou conhecida como Pessoal do Ceará. Esse grupo de artistas foi instigado a gravar um disco-manifesto sobre geração, mas como dois deles já tinham contratos com outras gravadora, coube a Ednardo, Rodger Rogério e Teti registrar suas canções em um dos discos mais importantes daquele período, que infelizmente não tornou-se popular como poderia, embora seja um favorito de colecionadores de discos e especialistas em música brasileira.

Desde que o disco completou 50 anos venho pensando em celebrar sua importância no palco e finalmente podemos anunciar o espetáculo Pessoal Do Ceará, Meio Século Depois, que idealizei ao lado de uma geração de artistas cearenses que, nascida sob a égide desta cena dos anos 70, recria e saúda o clássico álbum no palco do teatro do Sesc Pompeia no dia 21 de fevereiro. Liderada pelo trio de vocalistas formado por Paula Tesser, Soledad e Jonnata Doll, a apresentação tem a direção musical de Klaus Sena, que toca ao lado do grupo Ondas Dy Calor (formada pelos multiinstrumentistas Allen Alencar, Xavier, Davi Serrano e Igor Caracas), e conta com a participação do próprio Rodger Rogério, um dos autores do clássico álbum, que sobe ao palco para recriar o disco de 1973 e cantar músicas dessa geração tão importante para a música brasileira. O figurino da noite é assinado pela Trama Afetiva (Jackson Araújo e Thais Losso), Catarina Mina e ITO, o som fica por conta de Gustavo Lenza e luz com Camille Laurent, além das belas fotos feitas por José de Holanda.

Meu Corpo Minha Embalagem Todo Gasto na Viagem é um joia da música brasileira pós-bossa nova que não deve nada a clássicos como Tropicália, Acabou Chorare e Clube da Esquina. Como estes discos, o álbum cearense tenta soar regional e universal ao mesmo tempo em que conversa com o pop rebuscado do início dos anos 70 e conecta a nova música brasileira à canção que vinha do Ceará. O álbum reúne clássicos da canção daquele estado como “Beira-Mar”, “Terral”, “Ingazeiras” e “Cavalo-Ferro”, entre outras. Arranjado pelo maestro paulista Hareton Salvanini, que nunca havia trabalhado com música popular, o disco é exuberante e épico ao mesmo tempo em que delicado e desconfiado, como preza a própria cultura cearense. O espetáculo liderado por Paula Tesser, Soledad e Jonnata Doll retoma essa geração com outra safra de artistas do estado, reforçando a importância da música do Ceará na cultura brasileira. Os ingressos já estão à venda.

Inaugurando o Inferninho 2026 no Picles!

A primeira edição do Inferninho Trabalho Sujo no Picles em 2026 começou com um show assertivo de Leon Gurfein, que cada vez mais toma conta do percurso que está disposto a recorrer, seja com suas canções próprias, tocando guitarra e baixo ou músicas alheias. Acompanhado do guitarrista Marcos M7i9 (que depois seguiria no palco acompanhando Lauiz) e do beatmaker Charles Tixier, Leon derramou sua carga dramática em canções “Escândalo” imortalizada por Ângela Ro Ro, “Little Trouble Girl” do encontro de Kim Deal e Kim Gordon no Sonic Youth em uma versão em castelhano, a argentina “Viento Helado” da líder da banda Suárez Rosario Bléfari e até David Lynch, quando cantou “In Heaven (Lady in the Radiator Song)” do filme Eraserhead para encerrar sua apresentação, seu melhor show até aqui.

Depois foi a vez de Lauiz assumir o palco do Picles e pela primeira vez fazer um show tocando guitarra, apontando os rumos para seu próximo álbum, inevitavelmente mais rock. Mais uma vez tocando ao lado da cozinha do Celacanto (Giovanni Lenti na bateria e Matheus Costa no baixo) e do eterno compadre Marcos M7i9, que havia acabado de tocar com Leon Gurfein e se revezava entre os eletrônicos e a guitarra. Além de tocar músicas antigas (cantadas a plenos pulmões por seus fãs enlouquecidos), Lauiz preferiu mostrar algumas novas e exibir-se na guitarra, chegando até a usar um slide para deixar o som mais Estados Unidos, como foi a tônica da noite. Que encerrou com outra música do mesmo país, quando resolveu encarnar os White Stripes na clássica “Fell in Love With a Girl”. Depois coube a mim e a Fran a segurar uma pista de quinta até quatro e pouco da manhã, mas o que não é uma festa em janeiro, né?

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Inferninho Trabalho Sujo apresenta Lauiz e Leon Gurfein @ Picles (29.1)

Não para, não para, não para! Nesta quinta-feira tem mais uma edição do @inferninhotrabalhosujo, a primeira de 2026 no querido Picles, que quando trago dois shows daqueles: estreando no palco da casa e da festa vem o drama pop performático de Leon Gurfein, seguido de uma apresentação experimental do programador dos Pelados Lauiz, que mostrará novas músicas! O Picles fica no número 1838 da Cardeal Arcoverde, no canteiro de obras chamado Pinheiros, e a festa começa às 20h – quem pegar o ingresso online não paga pra entrar se chegar antes das 21h30. Os shows começam às 22h! E depois, eu assumo a discotecagem da noite ao lado da querida Francesca Ribeiro. Vai ser daquele jeito, vamos lá!

Inferninho Trabalho Sujo apresenta Infinito Latente, Schlop e Turmallina @ Porta Maldita (23.1)

O primeiro Inferninho Trabalho Sujo de 2026 acontece no dia 23 de janeiro, quando, em mais uma noite na Porta Maldita, reunimos as bandas Infinito Latente, Schlop e Turmallina para esquentar a sexta-feira da próxima semana apontando os nomes que estão formando a nova cena independente nos anos 20. A Porta Maldita fica na rua Luís Murat, 400, entre os bairros de Pinheiros e Vila Madalena e abre a partir das 20h. Os ingressos já estão à venda e eu toco entre os shows de cada banda. Vamo lá que o ano tá só começando…

Desaniversário | 17.1.2026

Aproveito a primeira Desaniversário de 2026 para comemorar meu aniversário em São Paulo, já que estava no Ceará quando entrei na 51ª casa do tabuleiro. Por isso espero todos no Bubu para me dar um abraço quando, mais uma vez, me reúno à Camila, à Clarice e ao Claudinho pra esquentar aquela pista de dança que fazemos todo mês ali na marquise do estádio do Pacaembu. O Bubu fica na Praça Charles Miller, s/nº, e lembro que a festa começa cedo – às 19h – e acaba cedo também – à meia-noite – pra gente aproveitar o fim de semana direitinho. Vem dançar com a gente!

Encerrando 2025 com os olhos em 2026!

Encerrando a programação de 2025 do Inferninho Trabalho Sujo pegando fogo, com duas bandas novíssimas no Redoma apontando para um 2026 que promete! A noite começou com o sexteto instrumental Pé de Vento, que começou a tocar há pouco mais de um ano em uma pizzaria clássicos do jazz brasileiro e que há menos tempo ainda passou a compor as próprias músicas, apresentadas num primeiro show apenas autoral nesta sexta-feira. São jovens cobras em seus instrumentos que tocam em outros grupos: o tecladista Pedro Abujamra toca na Orfeu Menino ao lado de Tommy Coelho, que deixa a bateria para tocar guitarra e percussão, enquanto Antônio Ito, da Saravá, segura o groove da banda, acompanhado do baixista Tom dos Reis, do saxofonista e flautista Leonardo Ryo e do novo integrante Arthur Scarpini, no violão. O encontro feroz dos músicos mostra que o jazz à brasileira segue à toda nas novas geraçõe e além das próprias composições, o grupo encerrou a noite com dois standards do gênero, “Dedicada a Ela” do Arthur Verocai e “Vera Cruz” de Milton Nascimento, ambas em versão instrumental. Coisa fina.

Depois foi a vez de uma banda ainda mais nova, formada neste semestre, a Monolitos, encerrar a noite, mostrando uma amplitude de gêneros que também passa pelo jazz brasileiro, mas com foco maior no cancioneiro típico da MPB, no soul, na psicodelia e no rock nacional, bebendo tanto dos anos 70 e 80 quanto de contemporâneos do novo indie daqui. Igualmente formada por integrantes de outras bandas da nova geração, a banda conta com a vocalista Bru Cecci toca no Devolta ao Léu e o baixista Roberth Nelson também toca na Saravá, além da presença do tecladista Miguel Marques, do baterista Gui Dias e Arthur Jé na guitarra, que divide os vocais e as composições com Bru. E além de suas próprias composições, que também passeiam por gêneros tradicionais brasileiros, como baiões e forrós, encerraram a noite evocando a fase prog dos Mutantes ao tocar “Uma Pessoa Só” no bis.

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Inferninho Trabalho Sujo apresenta Pé de Vento e Monolitos @ Redoma (12.12)

O último Inferninho Trabalho Sujo do ano acontece nessa sexta-feira, dia 12 de dezembro, quando reúno duas bandas novíssimas para apresentar-se pela primeira vez na festa. A primeira delas é a instrumental Pé de Vento, ancorada no jazz brasileiro dos anos 70 e com integrantes das bandas Orfeu Menino e Saravá, que tocará suas músicas autorais pela primeira vez na festa. Depois é a vez de outra banda formada por integrantes de bandas que já passaram pelo palco do Redoma (como a própria Saravá e a Devolta ao Léu), quando recebemos pela primeira vez um dos primeiros shows da banda Monolitos. O Redoma fica no número 825-A da rua Treze de Maio, no Bixiga, a casa abre às 21h e a partir das 22h começam os shows. Os ingressos já estão à venda!

Garotas Suecas, 20 anos: “Não há nada mais bonito do que ser independente”

“Não há nada mais bonito do que ser independente” – citando (e tocando) Sérgio Sampaio os Garotas Suecas começaram a gravação de seu disco ao vivo nesta quinta-feira, quando passaram mais de vinte músicas em pouco mais de uma hora e meia no palco personalizado do Porta Maldita, que recebe o quarteto em duas datas para a gravação do disco que comemora duas décadas de atividade, sempre no meio independente. Visitando canções de diferentes álbuns, com direito a um punhado de versões de músicas alheias que fizeram neste mesmo período, além da já citada “Sinceramente”, que abriu a noite. É muito bom ver o entrosamento da banda, cujos músicos só se olham para confirmar sua dinâmica instrumental, azeitadíssima para essa apresentação. Falando pouco com o público, deixaram a música falar por si e tal entrosamento logo conquistou todos os presentes, com canções que bebem tanto da história da MPB como de joias da soul music, clássicos da história do rock e pérolas do rock brasileiro. E além de faixas de seus quatro álbuns, eles ainda passearam pelo Ronnie Von psicodélico (“Sílvia 20 Horas Domingo”), pela Gal tropicalista (“Vou Recomeçar”), pelo rock de garagem (com “I Can Only Give You Everything” do Them e a versão brasileira para “Psychotic Reaction” dos Count Five, que virou “Caminho de Dor”), pelo soul de Luiz Melodia (“Pra Aquietar”), de Tim Maia (“Não Vou Ficar”) e de Aretha Franklin (“Respect”). Mas essas versões eram mais uma zona de conforto para a banda relaxar e entregar tudo em suas músicas autorais, passando por músicas dos primeiros anos (como “Eu”, “Não Se Perca Por Aí”, “Banho de Bucha”, “Codinome Dinamite”), outras de seu ótimo Feras Bucólicas (como minhas favoritas “New Country”, “Bucolismo” e “Pode Acontecer”), de sua fase de transição (“Objeto Opaco”, “Me Erra” e “Ananás”) e do disco pós-pandemia (“Gentrificação” e “Não Tá Tudo Bem”). Mas o melhor era ver como o grupo se divertia enquanto voltava na própria história. Showzaço que deve se tornar um discaço – e sexta-feira tem mais, pra quem perdeu.

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20 anos de Garotas Suecas!

Discoteco antes da gravação do primeiro disco ao vivo dos Garotas Suecas, que acontece nessa quinta-feira na Porta Maldita. Eles vão gravar na quinta e na sexta, mas só vou discotecar no primeiro dia, antes do show. Depois quem assume o som é o mister Tatá Aeroplano. Chega mais pra comemorar os vinte anos dos Garotas!

Desaniversário | 6.12.2025

Dezembro chegou e com ele a data da última Desaniversário do mês, quando mais uma vez nos reunimos para transformar o Bubu na nossa pista de dança favorita. A festa acontece neste sábado, quando eu, Clarice, Claudinho e Camila colocamos geral pra dançar aquelas músicas que todo mundo conhece – e umas que vocês passam a conhecer na própria festa. Lembrando que a festa começa cedo (19h) e termina cedo (20h) pra todo mundo conseguir aproveitar bem o fim de semana e que o Bubu fica na marquise do estádio do Pacaembu (Praça Charles Miller, s/nº). Não perde essa porque depois só ano que vem!