Prontos para o próximo passo

É muito ver uma banda crescer e é nítido perceber como cancha de palco e a convivência mútua contínua fizeram a Boia tornar-se um dos melhores segredos da nova cena paulistana. Com os dois pés fincados na MPB, o sexteto se conheceu na Unicamp e há pouco mais de um ano assumiu o primeiro show autoral, quando ainda traziam na manga versões para músicas de Moacir Santos e Hermeto Pascoal. De lá pra cá, não só azeitaram melhor o próprio repertório como lançaram um primeiro EP e consolidaram sua reputação em shows contagiantes. Mas ao tocar nesta quinta-feira numa das salas do Cine Belas Artes dentro de mais uma sessão Trabalho Sujo Apresenta que realizo no local, eles deixaram o clima de festa em segundo plano para abraçar a atmosfera da sala de cinema, temperada pelos visuais assinados por Rosa Albergaria, preferindo quase não conversar com o público, que lotou a sessão. E assim, sem conversa entre as músicas e exercitando os silêncios que os shows que normalmente fazem não permitem existir, o flautista e saxofonista Renato Quirino, o guitarrista Murilo Costa Rosa, o baixista Murilo Kushi, do baterista João Decco e os principais compositores e vocalistas Leo Bergamini – que também toca violão – e Luli Mello usaram aquela apresentação como uma espécie de marco final de uma primeira fase do grupo, entre a indecisão sobre como assumir uma assinatura musical própria à consolidação desta mesma, materializada com música ao vivo. Já andando com as próprias pernas, a Boia parece pronta para um próximo salto: o primeiro álbum. Está tudo ali.
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