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Yma maior

, por Alexandre Matias

Finalmente consegui assistir ao show do novo disco de Yma, Sentimental Palace, um dos melhores discos indies brasileiros do ano passado, na apresentação que fez nesta quinta-feira na Casa Natura Musical. Deu pra ver como ela subiu um degrau considerável em relação aos shows que fazia anteriormente, mesmo mantendo a mesma banda-base e com a expertise de anos de estrada regulada para este novo trabalho. Da direção de arte no palco – desde o castelo de papelão que traz na cabeça à primeira música ao figurino de todos os integrantes da banda – à direção musical, com direito a dois saxofonistas (com a entrada de Melifona na banda, que ainda esmerilhou no vocal na música do bis) e à presença do produtor do disco e companheiro Nando Rischbieter no palco, revezando-se entre vocais, teclado e violão. O resto da banda – Uiu Lopes no baixo (que também arrasa quando faz o dueto vocal em “Summer Lover”), Leon Perez (teclados), André Luiz (guitarra), Marco Trintinalha (bateria) e Vinícius Rodrigues (o saxofonista original) – tem uma cumplicidade de palco inabalável e acompanham Yma por seus devaneios dramáticos, ajudando-a a pintar o gótico lynchiano multicolorido que caracteriza seu universo musical. A mudança do novo trabalho é de escala: se em Par de Olhos ela pisava no mesmo chão do público, no novo álbum ela o eleva para o palácio sentimental do título, que tem um quê de conto de fadas e outro de hotel decadente. E o show acompanha essa nova escala, em que ela não só tocou quase toda íntegra do disco (só “Dentro de Mim” e “Passageira S.” ficaram de fora), um punhado considerável com as melhores do disco de estreia e canções intermediárias como o single “No Aquário” e “Meredith Monk”, que compôs para o disco que gravou com Jadsa. E essa escala se refletiu quando convidou o público para subir no palco para fazer a já clássica dancinha em fila em “Pequenos Rios”, que ficou para o final da noite. Muito bem.

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