Lydia Lunch na madrugada

Ainda tive disposição pra ir no meu querido Centro Cultural São Paulo pegar um gostinho da Virada Cultural, quando a monumental Lydia Lunch apresentou-se na Sala Adoniran Barbosa. “Deus foi o primeiro polícia!”, começou a noite cuspindo sua tradicional verborragia violenta, confrontando os senhores da guerra, governos, o sistema, o patriarcado e o capitalismo em fluxos de consciência transformados em textos, que guardava em um envelope que deixava junto a uma poltrona. A cada série de golpes de palavras, ela voltava para esta poltrona e folheava seu próximo ataque, enquanto o baixista Tim Dahl e o saxofonista Matt Nelson, usando muitos pedais e microfonia, adensavam o palco para cada novo esporro da matriarca do spoken-word do punk nova-iorquino. Enquanto ela falava, todos os olhos estavam grudados nela, silêncio solene que só se rompia quando ela encerrava o parágrafo da vez, voltando-se para sua poltrona. Um grito de alerta, um dedo na cara e um sermão pelo clima de fim de mundo que vivemos – todos saíram eletrizados.
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