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Lydia Lunch na madrugada

Ainda tive disposição pra ir no meu querido Centro Cultural São Paulo pegar um gostinho da Virada Cultural, quando a monumental Lydia Lunch apresentou-se na Sala Adoniran Barbosa. “Deus foi o primeiro polícia!”, começou a noite cuspindo sua tradicional verborragia violenta, confrontando os senhores da guerra, governos, o sistema, o patriarcado e o capitalismo em fluxos de consciência transformados em textos, que guardava em um envelope que deixava junto a uma poltrona. A cada série de golpes de palavras, ela voltava para esta poltrona e folheava seu próximo ataque, enquanto o baixista Tim Dahl e o saxofonista Matt Nelson, usando muitos pedais e microfonia, adensavam o palco para cada novo esporro da matriarca do spoken-word do punk nova-iorquino. Enquanto ela falava, todos os olhos estavam grudados nela, silêncio solene que só se rompia quando ela encerrava o parágrafo da vez, voltando-se para sua poltrona. Um grito de alerta, um dedo na cara e um sermão pelo clima de fim de mundo que vivemos – todos saíram eletrizados.

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Sobre a Virada Cultural de 2026

Vou cobrir o C6Fest e por isso não vou conseguir ir na Virada Cultural deste ano, mas lamento perder duas atrações: a monstra sagrada Lydia Lunch e o mago Jorge Mautner. Lunch, nome importante do pós-punk dos EUA e central na cena no wave de Nova York faz show no CCSP ao lado do baixista Tim Dahl e do saxofonista Matt Nelson à uma da madrugada. E logo depois, às 2h30, o documentário Artists – Depression, Anxiety & Rage da própria performer será exibido no mesmo local. O filme volta a ser exibido horas depois, às 14h, quando o curador de cinema do CCSP Carlos Pegoraro conversa com Lydia, que também participa de outro bate-papo, às 17h30, na Sala Mário de Andrade, no encontro com Sandra Coutinho das Mercenárias chamado No Wave Agora. Mautner, por sua vez, é um dos vários homenageados que farão shows celebrando seus legados no Theatro Municipal (como Eduardo Araújo, Evinha, Claudya, Fausto Fawcett, Mundo Livre S/A, Mercenárias e Di Melo). O mestre pós-tropicalista toca às 15h, acompanhado de Ava Rocha, Negro Leo, Rubinho Jacobina, Celso Sim, José Miguel Wisnik, José Roberto Aguillar e Cecília Beraba, numa apresentação que certamente emocionará a todos. E já que estamos falando de Virada Cultural, vale dar uma sacada na reportagem que Agência Pública sobre os gastos bizarros e artistas desconhecidos bancados pela atual gestão durante as três edições mais recentes do evento.