Jair “Gatto” Fonseca (1958-2026)

Morreu um dos grandes antiheróis da música mineira. Jair “Gatto” Fonseca veio das letras e participava do coletivo Cemflores, em que estudantes da UFMG lançavam publicações independentes e faziam intervenções artísticas no final dos anos 70. Deste mesmo núcleo artístico surgiu o projeto punk – que depois virou a banda de mesmo nome – Divergência Socialista, liderado pelo saudoso Marcelo Dolabela, que também reunia John Ulhoa (futuro Pato Fu) na formação, e que trouxe Jair para a música. Ele seguiu no grupo seguinte de John, o Sexo Explícito, surgido em Belo Horizonte em 1982, mas dois anos depois criou seu próprio conjunto, o pós-punk O Último Número, reforçando suas raízes poéticas desde o nome, título de um poema de Augusto dos Anjos. Com este lançou dois discos independentes que marcaram a cena mineira do período e são joias pouco ouvidas do pós-punk brasileiro, O Strip-Tease da Alma (de 1987) e Filme (do ano seguinte), que marcaram a curta carreira do grupo e mostraram o trabalho de Jair para o resto do Brasil. A banda ainda lançou um terceiro álbum (Museu do Mundo), quando tentou voltar em 2001, mas Jair seguiu carreira nas letras, como professor formado e pós-graduado na mesma UFMG que começou e há vinte anos atuava como professor de literatura comparada da UFSC, em Florianópolis. As letras sempre foram seu principal habitat, tanto que se considerava mais “escritor de canções” do que compositor.
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