Despedindo-se do Rastilho

Na semana passada, Kiko Dinucci apresentou seu terceiro disco solo, chamado de Medusa e previsto para agosto desse ano, no palco do Centro da Terra e, nesta quarta-feira, no Bona, começou o processo de despedida do disco anterior, o ótimo Rastilho, lançado há seis (!) anos e que funcionou não apenas como trilha sonora do pior período da pandemia em 2020 (abrindo novas camadas de leitura para um disco que, como disse o próprio durante o show, soa originalmente como um faroeste à brasileira) como consolidou a reputação de Kiko como um dos principais nomes da música brasileira contemporânea. E nestes shows de despedida ele escolheu tocá-lo sozinho ao violão, sem o coro das pastoras que o acompanhava nas versões ao vivo anteriores, enfatizando a natureza percussiva do instrumento, que também bebe na música brasileira instrumental dos anos 70. E no embalo do show que fez sobre Medusa há uma semana, aproveitou para comentar quase todas as canções, explicando os títulos, os contextos e a história do álbum, incluindo algumas músicas alheias ao trabalho no repertório. Entre elas, duas que evocam entidades que ele pode conviver, como Jards Macalé (puxando “Coração Bifurcado”, parceria dos dois) e Elza Soares (de quem cantou a sua “Pra Fuder”, antes de contar um causo que aumenta ainda mais a lenda de Mulher do Fim do Mundo). E depois de terminar o show com a retumbante faixa-título, puxou um bis instantâneo em que cantou sua antiga “Roda de Sampa” (da época do Bando Afromacarrônico) e a épica “São Jorge”, encerrando a noite com sua versão para “Ronda”, de Paulo Vanzolini. Bom demais.
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