Letrux deita e rola… mesmo na tristeza

“Feliz Páscoa para todo mundo”, disse Letícia Novaes ao saudar o público que lotou o teatro do Sesc Pinheiros no domingo depois de enfileirar, sem conversa, as três primeiras músicas do novíssimo quarto álbum de seu Letrux, SadSexySillySongs, “e se vocês olharem embaixo da cadeira de cada um… não vai ter nada!”, arrematou arrancando gargalhadas. E não tem como. Apesar de ser um disco de fossa, a versão ao vivo de seu novo álbum não consegue fugir do território do humor, que ela sempre passeou com fluidez – até brincou que havia começado no stand-up comedy junto com Paulo Gustavo, Marcus Majella e Fábio Porchat, “podia estar milionária”. Mas as brincadeiras rápidas entre as músicas eram só o conforto momentâneo para um repertório que é uma faca no coração – e além das músicas do novo álbum, ela ainda visitou faixas de seus discos anteriores (“Leões”, “Abalos Sísmicos” e “Flerte Revival”) que também caminham no mesmo território pensativo e triste do novo disco e outras de outros autores, como a eterna “Pra Dizer Adeus” (de Edu Lobo e Capinam, pinçada via Maria Bethânia, a quem ela rezou para cantar sua música seguinte, “Ornamentais”), uma Alanis Morissette em versão brasileira (“You Learn” que virou “Tu Aprende”) e a clássica latina “Piel Canela”, além de outra música sua de outra encarnação, quando cantava no Letuce, “Seresta Quentinha”. Mas a principal mudança deste novo universo musical não é lírica – embora ela tenha aberto uma faixa no final da noite para enfatizar sua ênfase na letra – e sim o fato que Letícia não conta mais com a mesma banda que a acompanhou nos três primeiros discos. Ela segue solta no meio do palco, mas em vez de liderar uma banda com guitarra, teclado, baixo e bateria, vem ladeada de dois músicos – o guitarrista (e produtor do disco) Thiago Rebello e a violonista Cris Ariel -, que a erguem entre beats e camas pré-gravadas de áudio e suas cordas, que por vezes estão na raiz da música brasileira, outras conversam com o blues, noutras com o rock e em outras com o jazz. Assim a apresentação ganha ares de cabaré (principalmente pelas belíssimas luzes de Felipe Leo Pardo), algo que é escorraçado cenicamente de cara, quando vimos, logo que sobe a cortina, uma cama de casal no meio do palco, em que ela, literalmente, deita e rola..
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