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Samba épico

, por Alexandre Matias

Há menos de um mês pude ver Douglas Germano mostrando as músicas de seu ótimo Branco, disco que lançou no meio do ano passado e mantém a maestria de sua discografia. Na ocasião, no Bona, o mestre sambista vinha acompanhado apenas do violoncelista Thiago Faria, fazendo o clima descontraído do disco um pouco mais austero naquela ocasião, deixando Douglas à vontade para contar histórias sobre as canções e as parcerias que fez nesse novo trabalho que se tornaram a principal característica do disco. Mas ao trazer o mesmo show para o Sesc Vila Mariana em duas noites neste fim de semana, ele pode reunir simultaneamente o time que preenche a ficha técnica de Branco, transformando o palco do teatro numa grande celebração da música. Além da banda base que o acompanha – formada, além de Thiago, pelos percussionistas Rafael Toledo e Danilo Moura e coro dos vocalistas Tania Viana, Rita Bastos e Rodrigo Morales -, ele pode reunir o bandolinista João Poleto, o flautista Henrique Araújo, a pianista Juliana Rodrigues, a cantora Loreta Colucci e a dupla de metais Bicudos (formada pelo trombonista Pedrinho Moreira e pela trompetista Grazi Pisani) e começou o show com todo mundo no palco, ao mesmo tempo apresentando cada um dos convidados como espalhando o astral de celebração logo no início, ao recuperar sua clássica “Padê Onã”. Depois seguiu o roteiro do show do Bona, só que com time completo, convidando cada um dos músicos que chamou para participar da faixa que tocou no álbum, sempre deixando a vibração nas alturas. Ele terminou o ótimo show puxando dois de seus clássicos modernos: a maravilhosa “Vias de Fato”, uma das minhas canções favoritas desse século, e a urgente ‘Maria de Vila Matilde”, eternizada por Elza Soares e agora numa campanha do governo federal contra o feminicídio, esta tocada com todos os convidados novamente no palco. Foi épico!

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