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Desbravando o deserto

, por Alexandre Matias

As paisagens musicais desenhadas pela música são entendidas de formas diferentes por cada um dos ouvintes, mas é impressionante como o quarteto de rock tuaregue Etrain de L’Air consegue fazer todo o público sintonizar numa mesma frequência, que desenha horizontes desérticos e caravanas em movimento ao mesmo tempo em que põe todos para dançar. O fato de subirem ao palco vestidos com suas túnicas, taguelmustes e lithams inevitavelmente aciona o inconsciente coletivo que nos leva ao norte da África, em que povos nômades cruzam o Saara em longas e pacientes travessias. Mas a junção de duas guitarras, baixo elétrico e bateria inevitavelmente nos leva para o território do rock, o que ajuda a traçar conexões tão distintas entre rockabilly, surf music e heavy metal buscando origens que podem estar mais perto do Equador do que se pensa. O quarteto do Níger foi uma das atrações do último fim de semana do Sesc Jazz e manteve o alto nível que pode ter tornar esta a melhor edição do festival. E não teve dificuldades de envolver o público em uma dança que, apesar de movida a guitarradas, era essencialmente impulsionada pelo ritmo e pelo groove dos quatro instrumentos atacando em uníssono. Um longo transe elétrico de mais de uma hora e meia transformou a comedoria do Sesc Pompeia em um bailão intenso, suor pingando do teto e o público completamente entregue ao grupo. Delírio.

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