Margaret Thatcher (1925-2013)

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Há quem lamente a morte dessa mulher. Prefiro lembrar os protestos que fizeram contra ela – e ainda acho que foi pouco. Primeiro os Specials constatando o que aconteceu com Londres sob sua sombra, na clássica “Ghost Town”:

Depois vêm o Beat pedindo pra ela renunciar:

O Crass a homenageou após as centenas de mortes inglesas na Guerra das Malvinas em “How Does It Feel to Be The Mother Of A Thousand Dead”:

Roger Waters previu seu fim num asilo de tiranos (com Reagan, Brejnev, “o fantasma de McCarthy e as lembranças de Nixon”) em “The Fletcher Memorial Home”, do Final Cut:

Elvis Costello também pediu sua renúncia:

E Morrissey (e “the kind people”) sonhou com a ministra na guilhotina:

E o Hefner também cantou sobre sua morte – mais especificamente sobre o dia de hoje:

E não é porque ela morreu que virou boazinha. O diretor Ken Loach se pronunciou sobre a morte da “dama de ferro” inglesa:

Margaret Thatcher was the most divisive and destructive Prime Minister of modern times.

Mass Unemployment, factory closures, communities destroyed – this is her legacy. She was a fighter and her enemy was the British working class. Her victories were aided by the politically corrupt leaders of the Labour Party and of many Trades Unions. It is because of policies begun by her that we are in this mess today.

Other prime ministers have followed her path, notably Tony Blair. She was the organ grinder, he was the monkey.

Remember she called Mandela a terrorist and took tea with the torturer and murderer Pinochet.

How should we honour her? Let’s privatise her funeral. Put it out to competitive tender and accept the cheapest bid. It’s what she would have wanted.

Morrissey também:

Thatcher é lembrada como A Dama de Ferro somente porque possuía traços negativos como uma teimosia persistente e recusa determinada a escutar os outros.

Cada gesto seu era carregado de negatividade; ela destruiu a indústria britânica, ele odiava os mineiros, as artes, os Irish Freedom Fighters a ponto de permitir que eles morressem, ela odiava os pobres ingleses e nada fez para ajudá-los, ela odiava o Greenpeace e os ativistas ambientais, ela foi a única líder política europeia que se opôs a proibir o comércio de marfim, ela não tinha sagacidade nem cordialidade e seu próprio gabinete a expulsou. Ela deu a ordem para explodir o (navio) Belgrano ainda que estivesse fora da zona de exclusão das ilhas Malvinas = e estavam navegando para LONGE das ilhas! Quando os jovens garotos argentinos a bordo do Belgrano sofreram a mais estarrecedora e injusta morte, Thatcher acenou com um joia para a imprensa britânica.

Ferro? Não. Barbárie? Sim. Ela odiava as feministas apesar de ter sido graças à progressão do movimento feminista que o povo britânico se permitiu aceitar que uma premier. Mas, graças a Thatcher, não haverá jamais outra mulher com tanto poder na política britânica, e em vez de abrir a porta para outras mulheres, ela a fechou.

Thatcher será lembrada afetuosamente apenas por sentimentalistas que não sofreram sob sua liderança, mas a maioria do povo trabalhador britânico já a esqueceu, e o povo da Argentina estará celebrando sua morte. Só para registrar: Thatcher era terror sem um átomo de humanidade.

Se alguém traduzir, publico aqui. Valeu pela tradução, Droit!

Johnny Marr: “I am the son and the heir”

E, de bobeira, Johnny Marr me aparece com Ron Wood noutra guitarra pra tocar um clássico dos Smiths no NME Awards na noite desta quarta, em Londres:

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O mais engraçado desse teórico encontro “aluno-mestre” é que o mestre no caso é o caçula: a importância de Johnny Marr para o rock inglês é muito maior que a de Ron Wood, coadjuvante da história do rock que deu a sorte de virar protagonista na história dos Stones.

Mas aê: se o Marr pintar daqui uns meses e mandar um David Gilmour, puxando uma turnê dos Smiths sem o Morrissey, você não iria? Ah iria… Ainda mais que Johnny tá lançando disco solo e não tem nenhum pudor ao voltar à obra da banda que lhe consagrou, como podemos ver no vídeo abaixo (e a história que ele conta – a origem de “Heaven Knows I’m Miserable Now” – é de cair o queixo):

Enquanto isso, o Morrissey continua apavorando na contramão da Fox News dizendo coisas como “não haveria guerras se mais homens fossem homossexuais“. Calma lá, bicho…

Morrissey x Ramones

E por falar em Morrissey, vale citar a carta que o jovem autor, na época com 17 anos, enviou para o Melody Maker em 1976 desancando um hype de Nova York que começava a ser comprado pela imprensa londrina. Ela foi desenterrada pelo Dangerous Minds e a tradução foi feita pelo blog Tenho Mais Discos Que Amigos (dica dum certo XyZ, valeu):

Os Ramones são a mais recente banda de presunçosos degenerados e sem talento cuja realização mais notável até hoje é a habilidade de passar das fronteiras de Nova York, e puramente pela força de uma enxurrada de textos convincentes que projetam os Ramones como um presente de Deus ao rock.

Eles foram recebidos pela bajulação instantânea de um exército de fãs enganados. Musicalmente, eles não lidam com detalhes ou variações de nenhum tipo, a regra da banda é ser tão incompetente quanto o possível.

Para uma banda que diz projetar a juventude da América, a vida suburbana de Nova York, anti-conformismo, sexo e lutas, ou seja lá o que for, eles falham miseravelmente. E na luz sóbria do dia, suas imperfeições têm uma chance.

Os Ramones fazem o Stooges soarem como mestres da música clássica e eu sinto que o único lugar para sua música contraditória é o centro rico de Manhattan com o qual eles, sem dúvidas, estão acostumados.

O New York Dolls e Patti Smith provaram que há alguma vida pulsando nos pântanos e entranhas de Nova York, e eles são os únicos grupos surgidos da cena underground de NY que merecem reconhecimento. Os Ramones não têm absolutamente nada a adicionar em relevância ou importância e deveriam ser esquecidos.

O original, em inglês, segue abaixo:

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Morrissey + Colbert: “Are you ready to rock… Yourself back and forth in the shower while crying?”

Morrissey sendo entrevistado pelo Stephen Colbert sobre os temas de sempre – a família real inglesa, vegetarianismo e a volta dos Smiths -, se saindo bem como sempre, embora muitas vezes sem conseguir segurar o riso das piadas de Colbert, que cai com sangue nos olhos. Só a cara que ele faz depois Colbert responde à respeito da família real norte-americana já vale todo o vídeo:

Muito bom.

“There is a Light that Never Goes Out”: a volta dos Smiths

Ontem foi o Johnny Marr que disse nem pensar sobre a possível volta dos Smiths aos palcos no ano que vem e hoje veio o Morrissey, através de seu representante, divulgar que:

“The Smiths are never, ever, ever, ever, ever, ever, ever, ever going to reunite – ever,”

Então tá, né.

Todo o show: Morrissey ao vivo em São Paulo, em 2012

Eu não gostei, mas teve quem gostasse, portanto…

Morrissey em São Paulo

Só fui porque minha mulher havia comprado ingresso, mas lá pelo meio do show ela me olhou com uma cara de “vamos embora” que encontrou meu sorriso aliviado. Já tinha visto o Morrissey ao vivo no ano 2000 e não tinha achado nada demais – pelo contrário, a impressão que fiquei do show do ex-vocalista dos Smiths foi tão ruim que quando começou o auê sobre sua segunda vinda ao país, nem pensei em consultar o calendário para ver que dia o show cairia. Doze anos depois, restava-me exercitar expectativa – cogitei a possibilidade de curtir um show que, talvez por má vontade, cogitaria que fosse chato.

Mas há de ter muita boa vontade. O show foi tedioso e sem graça, a maior parte das músicas de sua carreira solo são chatíssimas e as músicas dos Smiths foram tocadas com preguiça. “There is a Light That Never Goes Out” – a deixa perfeita para ir embora (veja o vídeo abaixo) – parecia ser o momento “Yellow Submarine” do show de Ringo Starr no ano passado, caso Ringo tivesse algum remorso de um dia ter sido um beatle. Nem as brincadeiras com o público (“gracias?”, para com isso…) fizeram jus à reputação do ídolo dos anos 80. De que adianta alertar o público que o príncipe Harry está no Brasil querendo nosso dinheiro em um show em que os ingressos chegavam a 400 reais?

Além disso, o Espaço das Américas devia ser interditado para shows de médio porte para cima – aquele lugar insalubre só deveria funcionar para eventos de fim de ano de empresa ou festas de formatura. Pobre do público que vai assistir aos Los Hermanos ali.


Morrissey – “There Is A Light That Never Goes Out”

Fiz mais vídeos, se alguém tiver alguma curiosidade…

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Morrissey no Brasil


A foto veio daqui.

Eu até vou no show, mas tou sem um pingo de convicção…

Quatro vezes Morrissey no Brasil

É o Lucio que levanta a lebre sobre quatro shows de Morrissey por aqui, ainda em fevereiro.

E ao que parece o Portishead vai pro Sonar mesmo… Que deve aumentar consideravelmente seu número de atrações – e, talvez, roubar a cena de melhor festival de 2012.

Portishead na Argentina e Morrissey no Chile: 2012 tá foda

Os boatos estão correndo soltos: o show seria no dia 7 de maio, no Luna Park. E com a história de que o Morrissey tá vindo pro Chile na mesma época, não duvide que os dois desembarquem por aqui no Brasil… Eu vi o Portishead ano passado e talvez seja o único show que rivalize com o do Radiohead no quesito “show mais importante do mundo hoje em dia”.


Portishead – “Wandering Star”

Além desses dois, tem mais vídeos que eu fiz aqui.


Portishead – “Over”

O Morrissey eu já vi ao vivo nos anos 90, não me apetece, não vou com a cara da carreira solo dele. Se ainda fosse o tal revival dos Smiths…