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Rebecca Black ♥ Addison Rae

Se você perdeu o bonde da história talvez tenha passado batido do fato de que Rebecca Black – dona do irresistivelmente insuportável hit viral “Friday” do começo da década passada – seguiu vida na música e tornou-se uma artista de dance music séria com uma carreira estável e bons discos lançados. Semana passada ela passou pelo programa Triple J e, como de praxe, foi convidada a fazer uma versão para alguma música alheia e ela saudou o trabalho da novata sensação Addison Rae ao escolher uma das melhores músicas de seu disco de estreia, “Fame is a Gun”.

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Começou o Hanukkah do Yo La Tengo!

Tradição é tradição – e mais uma vez o Yo La Tengo começa sua comemoração contínua ao celebrar o hannukah com uma série de sete shows consecutivos no Bowery Ballroom, em Nova York. A festa começou neste domingo, quando o grupo fez seu primeiro show desde o arrebatamento acústico que fizeram em Sâo Paulo no Cine Joia e veio com o grupo que já é presença fixa no evento anual ao receber mais uma vez o jazz intergalático da Sun Ra Arkestra para acompanhá–los por nove canções, algumas do trio de Hoboken e outras da própria Arkestra. O show começou comentando 2025 ao escolher a novíssima “Big Crime” de Neil Young para criticar a situação política atual dos EUA e a versão que o recém-falecido guitarrista do Kiss, Ace Frehley, fez para “New York Groove” da banda glam inglesa Hello. O primeiro dia da residência do grupo teve um bis cheio de pérolas, com versões para “The Kid With the Replaceable Head” do Richard Hell, “This Ain’t the Summer of Love” do Blue Öyster Cult e a clássica “Be My Baby”, das Ronettes. Veja alguns vídeos abaixo:  

1975 foi um ano central para o cinema norte-americano

Eis o trailer de Breakdown 1975, documentário de Morgan Neville que mostra como o meio da década de setenta foi um ano crucial para o cinema produzido nos EUA, quando os estúdios cederam à nova geração de cineastas – todos influenciados pelo cinema europeu e asiático da década anterior – e deixaram eles fazerem os filmes que queriam. Assim, 1975 assistiu ao lançamento de obras-primas que eram socos no estômago, além de abandonar regras tidas como pétreas da indústria do cinema daquele país. E assim surgiram Tubarão, Rede de Intrigas, Todos os Homens do Presidente, Nashville, Taxi Driver e Um Estranho no Ninho, entre outros, todos desafiando convenções e desenhando um novo estilo de se fazer cinema, ao mesmo tempo em que diagnosticavam a paranoia psicótica que havia se tornado o dia-a-dia daquela década, quando o sonho americano revelou-se um pesadelo e o cinismo ultrapassou o otimismo dos anos 60 como principal tônica do período. Mais do que um documentário em si, o filme é um ensaio sobre a mudança de narrativa desta mídia cuja indústria quase falira anos antes para ser reinventada com sarcasmo, ironia, mau humor e sem medo de encarar o abismo que os EUA começaram a se revelar. Neville é conhecido por ótimos documentários sobre música (em especial 20 Feet from Stardom sobre vocalistas de apoio de artistas clássicos e o belo Keith Richards: Under the Influence sobre o guitarrista dos Rolling Stones) e o Breakdown 1975 vai ser lançado pela Netflix agora mesmo, no próximo dia 19.

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O Animal Invisível de Guri Assis Brasil começa a se materializar!

2025 está quase no fim, mas ainda não acabou – e o guitarrista gaúcho Guri Assis Brasil aproveita o finzinho do ano para anunciar o primeiro single de seu projeto solo instrumental Animal Invisível, projeto pandêmico que finalmente tem data marcada de lançamento, quando o selo nova-iorquino Nublu lança o disco completo no dia 17 de abril. A assertividade da data de lançamento de um projeto que já vinha pairando por alguns anos animou o guitarrista a estrear nas plataformas digitais nesta terça-feira com o single “Didi”, que ele antecipa em primeira mão para o Trabalho Sujo. Última canção do projeto a surgir em sua incepção, ela, como conta o próprio Guri, “surgiu de forma despretensiosa em uma noite regada a cerveja na casa do amigo Rafa Rocha, que assina toda a parte visual do disco”. No violão Del Vecchio do diretor de arte, Guri foi burilando acordes e resolveu homenagear outro amigo que estava presente, o ex-VJ da MTV Didi Effe, pois a inspiração original veio da clássica “Dindi”, quando o guitarrista cantarolou o refrão trocando os nomes. “Ela foi daqueles casos raros em que a música faz o download quase automático, com harmonia e melodia criadas em tempo real”, lembra o guitarrista, que gravou a ideia no celular e depois a arranjou em seu estúdio caseiro, fazendo referências a clássicos da música instrumental brasileira dos anos 70, como Azymuh e Marcos Valle, sonoridade que filtra quase todo o disco. Guri explica a demora de um projeto que tem quase cinco anos: “Queria ter o mínimo de estrutura e não somente colocar ele no mundo”, continua, explicando que foi sondado pelo capo da Nublu, o músico turco-sueco radicado em Nova York Ilhan Ersahin. “Tocamos algumas vezes juntos com o Otto e sempre tivemos uma afinidade musical muito grande, até que um dia comentei sobre o disco, ele pediu para ouvir e pirou”. Na gravação que chega às plataformas nessa segunda e no vídeo gravado em estúdio que ele antecipa para o site, ele reuniu um time da pesada, com Big Rabello na bateria. Thomas Harres na percussão, Meno Del Picchia no baixo, Antonio Neves no trombone e Edu Santana no trompete, além das guitarras, synths e Wurlitzer tocado pelo próprio Guri.

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Orra, Zaho!

A espoleta jovem francesa Zaho de Sagazan encerrou sua breve passagem pelo Brasil ao mesmo tempo em que finalizou a extensa turnê de seu disco de estreia, La Symphonie des Éclairs, lançado há dois anos. Depois de arrebatar plateias no Recife (quando tocou no festival Coquetel Molotov) e no Rio de Janeiro (em passagem pelo Circo Voador), ela encantou o público que lotou o Cine Joia em mais uma apresentação feita pela marca Indigo, que realizou o festival de mesmo nome que trouxe Weezer e Mogwai para o Brasil em novembro, além de viabilizar a vinda do Massive Attack e de Nilüfer Yanya no mesmo mês. Francófono por opção do público (que respondeu “oui” quando ela perguntou se preferia ser ouvida em inglês ou francês), o show equilibrou-se entre duas escolas musicais aparentemente díspares, mas que Zaho casou-as sem dificuldades – de um lado a chanson française, com direito a baladas ao piano e letras intermináveis sem refrão; do outro o tecnopop que começou deliciosamente retrô, soando bem oitentista (vide os gigantescos sintetizadores que seus músicos tocavam), mas que logo veio para o século 21. O público heterogêneo misturava pessoas mais velhas aos contemporâneos de Zaho, nascida no ano 2000, todos cantando as letras em francês da compositora, que nem precisava ter apelado para o hit “Modern Love” de David Bowie, que a tornou famosa no ano passado, para deixar a plateia em êxtase. Ela nem está mais tocando essa música em seus shows, mas como foi sua primeira vez no país, voltou-se para o sucesso eternizado por Bowie em 1983 que viralizou no início do ano passado, quando ela o cantou na abertura do festival de Cannes em homenagem à diretora Greta Gerwig. A música fez tanto sucesso que ela a lançou como um single (além de viabilizar sua vinda ao país ao ser incluída na trilha sonora do remake da novela Vale Tudo) e terminou a noite dançando no meio do público, num showzaço que pegou a todos de surpresa. Que maravilha!

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Sai da frente que lá vem o Bananada!

2026 não começou ainda mas já começou quente: o festival goiano Bananada acaba de anunciar sua volta triunfal em agosto do ano que vem. Os ingressos começam a ser vendidos na próxima segunda, confira mais informações no Insta deles: @festivalbananada. Bora!

Paul Thomas Anderson ♥ Cameron Winter

O diretor Paul Thomas Anderson também deixou-se levar pela Geesemania e esteve filmando a apresentação de piano e voz que o vocalista da banda sensação nova-iorquina, Cameron Winter, fez nesta quinta-feira no Carnegie Hall, em sua cidade. Será que vai pro cinema?

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Encerrando 2025 com os olhos em 2026!

Encerrando a programação de 2025 do Inferninho Trabalho Sujo pegando fogo, com duas bandas novíssimas no Redoma apontando para um 2026 que promete! A noite começou com o sexteto instrumental Pé de Vento, que começou a tocar há pouco mais de um ano em uma pizzaria clássicos do jazz brasileiro e que há menos tempo ainda passou a compor as próprias músicas, apresentadas num primeiro show apenas autoral nesta sexta-feira. São jovens cobras em seus instrumentos que tocam em outros grupos: o tecladista Pedro Abujamra toca na Orfeu Menino ao lado de Tommy Coelho, que deixa a bateria para tocar guitarra e percussão, enquanto Antônio Ito, da Saravá, segura o groove da banda, acompanhado do baixista Tom dos Reis, do saxofonista e flautista Leonardo Ryo e do novo integrante Arthur Scarpini, no violão. O encontro feroz dos músicos mostra que o jazz à brasileira segue à toda nas novas geraçõe e além das próprias composições, o grupo encerrou a noite com dois standards do gênero, “Dedicada a Ela” do Arthur Verocai e “Vera Cruz” de Milton Nascimento, ambas em versão instrumental. Coisa fina.

Depois foi a vez de uma banda ainda mais nova, formada neste semestre, a Monolitos, encerrar a noite, mostrando uma amplitude de gêneros que também passa pelo jazz brasileiro, mas com foco maior no cancioneiro típico da MPB, no soul, na psicodelia e no rock nacional, bebendo tanto dos anos 70 e 80 quanto de contemporâneos do novo indie daqui. Igualmente formada por integrantes de outras bandas da nova geração, a banda conta com a vocalista Bru Cecci toca no Devolta ao Léu e o baixista Roberth Nelson também toca na Saravá, além da presença do tecladista Miguel Marques, do baterista Gui Dias e Arthur Jé na guitarra, que divide os vocais e as composições com Bru. E além de suas próprias composições, que também passeiam por gêneros tradicionais brasileiros, como baiões e forrós, encerraram a noite evocando a fase prog dos Mutantes ao tocar “Uma Pessoa Só” no bis.

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