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Entre a música, a física e a matemática

Quando Guilherme Held e Kiko Dinucci subiram ao palco do Centro da Terra apenas com seus instrumentos, todos os presentes sabiam que íamos, como nas segundas anteriores de sua temporada Abriu o Fuzz (quando recebeu Fernando Catatau e Lúcio Maia para duelos da mesma natureza), mergulhar no universo da guitarra elétrica sob os auspícios de dois magos das seis cordas. O encontro, porém, foi muito além dos timbres, solos e riffs característicos no manejo daquele instrumentos, quando os dois usaram suas guitarras para explorar os limites e possibilidades da eletricidade sonora, usando a guitarra mais como um cajado sobrenatural do que condutor de melodias e indutor de harmonias e ritmos. Enquanto Kiko enfiava objetos entre as cordas – tocando-a até com um arco de viola – e trabalhava com texturas fantasmagóricas e bordoadas rítmicas, Held repetia loops de notas sequenciais que acelerava ou desacelerava de acordo com as vibrações sísmicas no palco. Na maior parte do show as guitarras não soavam como guitarras, refletindo a reverberação elétrica dos efeitos e texturas manipulados pelos dois, mas em alguns momentos soava como uma conversa alienígena, uma linguagem robótica testando as fronteiras de possibilidades entre a música, a física e a matemática. A ausência do laser de Paulinho Fluxuz, que não pode participar desta única apresentação da temporada, deixou a iluminação mais estática e pensativa, reforçando a transposição sonora da dupla. Tá doido!

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Beck sozinho

Beck prometeu e eis como ele começa essa semana, com a melancólica e solitária “Ride Lonesome”, em que evoca o espírito folk de discos lançados com o espaço de doze anos – primeiro Sea Change em 2002, depois Morning Phase em 2014 e agora, doze anos depois, esse single acústico e ensolarado, embora ao mesmo tempo triste e pensativo. Não há nenhum anúncio de disco… por enquanto.

Ouça abaixo:  

Como Assim? e Earl Greys @ Aurora (19.4)

O fim do Estúdio Aurora também encerra um ciclo para a Como Assim?, banda que montamos eu, Pablo, Carlão e Mateus durante a baixa pandemia em 2021, usando o estúdio, que estava parado por motivos de quarentena e isolamento social, como ponto de partida para um passatempo que aos poucos cresceu e tornou-se público, fazendo até shows primeiro no Aurora e depois além. Por isso não tinha como não encerrar essa fase fazendo mais uma apresentação no próprio Aurora, ao lado dos nossos velhos camaradas do Earl Greys. O show acontece no próximo domingo, dia 19, no próprio Aurora e não espere música autoral: enquanto os Earl Greys passeiam por décadas de pop britânico, nós sintonizamos a rádio na madrugada voltando da noite entre a Alpha FM e a Kiss FM. O Aurora fica na Rua João Moura, 503, sala 12, em Pinheiros, a noite começa a partir das 18h e os ingressos já estão à venda. Onde vamos ensaiar? Quando será o próximo show? Não temos a menor ideia, mas por enquanto venha comemorar o morto com a gente!

Inferninho Trabalho Sujo apresenta Lara Zanon e Joni @ Redoma (1º.5)

O próximo Inferninho Trabalho Sujo acontece na sexta que vem no Redoma, quando a cantora Lara Zanon mostra seu primeiro álbum, Venusa, com influências de Fiona Apple e Hayley Williams, antes de seu lançamento. E para começar a noite, ela chamou seu amigo Joni, que vem do R&B, para fazer o show de abertura. Como sempre, discoteca antes, entre e depois dos shows. O Redoma fica na Rua Treze de Maio, 825-A no Bixiga e a casa abre a partir das 21h. Quem vem? Os ingressos já estão à venda.

Charli XCX via shoegaze

Enquanto a Charli XCX fica dando entrevista por aí falando sobre o fim da pista de dança e como ela vai cair no rock, Becca Harvey, que também atende pelo codinome Girlpuppy, já atirou uma das músicas do Brat (a triste balada “I Might Say Something Stupid”) num pântano shoegaze que só peca pela curta duração. A faixa é um dos extras da versão deluxe do disco Sweetness que ela lançou no ano passado e que chega encorpada às plataformas digitais no fim do mês que vem. Ficou joia.

Ouça abaixo:  

Sabrina Carpenter ♥ Madonna

Na primeira noite do segundo fim de semana do Coachella, Sabrina Carpenter subiu o sarrafo e tirou onda ao chamar ninguém menos que Madonna para dividir o palco com ela, quando cantaram juntas “Vogue”, “Like a Prayer” e a inédita “Bring Your Love”, que pode estar no recém-anunciado novo disco da madre superiora, Confessions II, que será lançado em julho.

Assista abaixo:  

Cine Imaginal Disk

A dupla Magdalena Bay anunciou há algum tempo que sua obra-prima de 2024 – o soberbo Imaginal Disk – tornaria-se filme, mas só agora cravou a materialização deste sonho, quando estreia seu longa, dirigido por Amanda Kramer, estreia na edição deste ano do festival nova-iorquino de Tribeca, que acontece no próximo mês de junho. “That’s my floor! I’m coming up to the party and I want more!”

Assista abaixo:  

Centro da Terra: Maio de 2026

Vamos chegando em maio e essas são as atrações musicais no Centro da Terra neste próximo mês. Quem toma conta das segundas-feiras é o trio fluminense Crizin da Z.O., que baixa um mês em São Paulo para fazer a temporada Acontecimento, em que exploram novas fronteiras trazendo diferentes convidados a cada nova apresentação, reunindo Kiko Dinucci (dia 4), Deaf Kids (dia 11), MNTH, Lcuas Pires e Mbé (dia 18) e Juçara Marçal (dia 25). Nas terças-feiras, a programação começa dia 5 com o coletivo Enchante, formado por Gylez (viola), Anna Vis (voz e ruídos), Mari Crestani (sax alto e contrabaixo), Sue (guitarra e eletrônicos), que convida a percussionista Valentina Facury para a apresentação chamada de Sombras N’Água. Na terça seguinte, dia 12, é a vez de Gibaa apresentar seu álbum-player no espetáculo batizado com o nome deste seu projeto-objeto: Fagogo, um tocador de áudio digital open source que é uma das únicas formas de ouvir este novo trabalho, que não será publicado nas plataformas de streaming. Nas duas últimas terças do mês, o pianista Chicão Montorfano apresenta dois formatos distintos no palco do teatro: no dia 19, ele se une a André Abujamra em uma noite chamada de Verséculos, em que celebra a fraternidade siamesa de vidas passadas entre ele e Abu; e no dia 25, ele vem com o trabalho batizado de CAT, sigla para Chicão Acústico Trio, em que, ao lado da vocalista e percussionista Marcela Helena e do percussionista e vocalista Nicolas Farias, ele reveza-se entre o piano e o violão com suas próprias canções. Os espetáculos começam pontualmente às 20h e os ingressos já estão à venda através do site do Centro da Terra.

Massive Attack com o dedo na cara!

Lançada dias após a prisão em Londres de um de seus líderes por protestar contra o genocídio na Palestina, “Boots on the Ground”, a nova canção do grupo Massive Attack coincide em ser a primeira canção inédita de Tom Waits em quinze anos. “Um dia, há muitos anos, aceitei o convite do Massive Attack para colaborar”, escreveu Waits sobre o lançamento do single. “O longo atraso no lançamento nunca me preocupou. Hoje, como em toda a história da humanidade, é garantido que esse tipo de música nunca sairá de moda e que a tolice humana de cometer fracassos é um banquete para as moscas”, explicou antecipando que o grupo inglês ainda lançará o single em vinil com outra música, chamada “The Fly”, como seu lado B. O clipe ainda traz uma série de imagens maravilhosas do fotógrafo estadunidense @thefinaleye, que vem cobrindo protestos em seu país desde o assassinato de George Floyd aos protestos contra a milícia de Trump contra os imigrantes daquele país, mostrando que, mesmo que as tensões políticas do mundo pareçam pairar sobre a Europa, a América Latina, os países árabes e a Ásia Central, o pau anda comendo nos Estados Unidos há muito tempo… Detalhe: a música não está no Spotify.

Assista abaixo: