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Desaniversário | 4.4.2026

Começamos abril já com o pé na pista de dança, quando eu, Claudinho, Clarice e Camila nos reunimos mais uma vez para fazer todo mundo se esbaldar na Desaniversário de abril, que acontece neste sábado, dia 4, no Bubu. Como sempre, começamos cedo (às 19h) para terminar cedo (meia-noite), assim todo mundo aproveita o fim de semana direitinho. O Bubu fica na marquise do estádio do Pacaembu. Vem dançar com a gente!

Conheçam Mayara, Iara e Dimitria

Começou como uma “jam de minas”, mas logo virou uma amizade e finalmente uma banda. Batizada com o prenome de suas integrantes, o trio recifense Mayara, Iara e Dimitria apareceu no final do ano passado e aos poucos começa a colocar as asinhas de fora. “Nosso primeiro contato foi num evento de improviso só para mulheres, mas só quase dez anos depois de muita risadagem, kikiki e companheirismo, o projeto musical nasceu, por um alinhamento de astros”, lembra Iara Adeodato, que toca guitarra no trio, que ainda conta com Mayara Menezes tocando baixo e synthbass e Dimitria pela primeira vez tocando bateria. “No final de 2025, Mayara foi convidada para um evento com seu projeto solo, e falou para gente: ‘e se fosse a nossa banda?’ ‘que banda?’, perguntamos e ela: ‘a que a gente finalmente vai fazer, oxe'”, lembra Iara. “Depois de cinco ensaios em duas semanas, preparamos um repertório com um improviso e uma música de cada e nessa apresentação dividimos a noite com Terraplana do Paraná, Áiyè do Rio e Test e Deaf Kids de São Paulo.” A noite estava sendo produzida pelo goiano radicado no Recife Benke Ferraz, dos Boogarins, que sugeriu produzir algumas músicas para elas que também pudessem ter uma versão audiovisual. E assim, elas gravaram três novas composições no estúdio Casona no mês passado e começam a lançar estas versões aos poucos, a primeira delas vem neste domingo, quando elas mostram “MID#1”, que antecipam em primeira mão para o Trabalho Sujo – e é o primeiro lançamento do novo selo de Benke, chamado de Precarian Tapes. O som é uma boa amostra do trio, em que cada uma delas traz uma veia musical principal – Mayara vem pelo experimentalismo, Iara via indie e Dimi vem pelo pós-rock. Elas citam outras referências musicais. “Warpaint é uma referência que nesse projeto tem vindo naturalmente, com timbres de guitarra massa, e todas cantando e fazendo lindas harmonias vocais”, lembra Iara, citando também Sonic youth – e o vocal de Kim Gordon -, Stereolab, Yo La Tengo, PJ Harvey, Hurtmold, Ema Stoned, Mercenárias, Clube da Esquina e Caetano Veloso como influências em sua música.

Ouça abaixo:  

Mostra John Waters no MIS de São Paulo

E essa mostra maravilhosa em homenagem aos 80 anos do John Waters que entra em cartaz no MIS de São Paulo a partir do dia 21 de abril? Tirando os primeiros filmes dele nos anos 70 e o mais recente (O Clube dos Pervertidos, de 2004), tem todos os outros: Multiple Maniacs (1970), Pink Flamingos (1972), Problemas femininos (1974), Viver desesperado (1977), Polyester (1981), Hairspray – e éramos tão jovens (1988), Cry-Baby (1990), Mamãe é de morte (1994), O preço da fama (1998) e Cecil bem demente (2000). Os ingressos já estão à venda. Puro delírio!

Confira a programaçao completa abaixo:  

Punks paulistanos em uma novela da Globo – nos anos 80!

Foi o Bruno Saito que pinçou em sua conta no Instagram a fatídica cena que toda uma geração jurava que havia acontecido mas ninguém tinha provas além da própria memória, quando parte da primeira geração do punk paulistano foi parar numa novela da Globo. No dia 17 de fevereiro de 1984 foi ao ar o último capítulo da novela das oito Eu Prometo, a última escrita pela sumidade do gênero Janete Clair (que morreu no final de 1983, deixando a novata Gloria Perez incumbida de terminar sua primeira novela). E nesse episódio, a noiva Daise (vivida por Fernanda Torres) resolvia se vingar do noivo Albano (vivido por Ney Latorraca) em pleno casamento, quando convidou seus amigos punks de São Paulo para a festa. Como não conseguiam fazer punks convincentes, a produção da novela resolveu chamar os punks de verdade para fazer figuração na cena e assim nomes como João Gordo, Clemente e integrantes das bandas SP Caos, Olho Seco e Kaos 64, entre outros, foram parar no horário nobre da Globo ao som de “X.O.T.”, do Cólera. Gordo lembrou da situação às gargalhadas em uma entrevista ao canal do André Barcinski no YouTube.

Assista abaixo:  

Roda de samba sem percussão

Finalmente consegui ir ao Quinta Lapa que a Anna Vis está organizando na galeria Lapa Lapa (no bairro paulistano de mesmo nome), quando Douglas Germano e Thiago França se encontraram para uma noite de violão e sax sobre os sambas do primeiro. Apesar da entrada discreta – uma escadaria que dá para uma sobreloja em uma rua pouco movimentado -, o espaço é pequeno e ao mesmo tempo amplo, permitindo que umas quarenta ou cinquenta pessoas se reunissem para assistir ao encontro, tocado sem amplificação, pressuposto da noite, e com uma iluminação indireta e colorida, criando uma sensação que tendia a um silêncio temeroso, logo quebrada pelo balanço dos sambas e sintonia entre os dois músicos – Douglas criando um chão sempre firme e constante para os voos de Thiago, por vezes melancólicos e taciturnos, outras completamente audazes e vertiginosos. No repertório, a sequência de novos clássicos paulistanos passeou por pérolas dos discos de Douglas (“Àgbá”, Guia Cruzada” e “Golpe de Vista”), algumas de seu novo disco, o ótimo Branco (como “Zelite” e “Bala Perdida”), parcerias dele com Kiko Dinucci (“Oranian” e “Por Favor”), outras imortalizadas pelo Metá Metá (“Damião”, “Sozinho”, “Canção Para Ninar Oxum” e “Oba Iná”, que encerrou a noite como bis) e outros clássicos imbatíveis como “Tempo Velho” e a definitiva “Vias de Fato”. E o que começou quase como uma missa quieta regida pelos dois, terminou como uma roda de samba sem percussão, despida da aura sacra original, pronta para cair na gandaia – mas sem exagerar. Grande noite.

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Courtney Barnett ♥ Paul McCartney

A Courtneyzinha lançou um discaço na semana passada (o excelente Creature of Habit, vai ouvir agora!) e está tocando-o por aí sem parar, mas quando passou pelo estúdio da Rádio Sirius, em Los Angeles, nos EUA, no fim do mês passado, tirou essa versão de “Let Me Roll It” do Paul McCartney que faz qualquer um ficar de queixo caído. E o sorrisão enquanto sola? Ela é demais!

Assista abaixo:  

Strokes vindo aí?

Os Strokes publicaram esse stories em seu Instagram e não falaram mais nada. Uma fita cassete puxada por cavalos sobre um link que vai parar num site que pede seu telefone e manda um SMS para você entrar em outro link que deverá “compartilhar algo em breve”. Há fãs achando que é primeiro de abril e outros apostando em música nova vindo aí. O grupo nova-iorquino está com várias datas de shows marcadas para 2026, o que aumenta a possibilidade da banda vir com algum novo lançamento, o primeiro desde o bom The New Abnormal, lançado em 2020. Façam suas apostas…  

Estreia em transe

Sem dirigir nenhuma palavra ao público até o final da apresentação e emendando canções instrumentais próprias com a de autores tão distintos e improváveis quanto o coletivo islandês ADHD, Milton Nascimento, o sueco Peter Sandberg e o trio dinamarquês Hvalfugi, Victor Kroner transformou o palco do Centro da Terra em uma paisagem de contemplação ambient que flertava tanto com o folk quanto com o jazz, o blues e a melancolia que atravessa a solidão nórdica e a saudade latina. Dividindo-se entre efeitos eletrônicos, a guitarra e até uma kalimba, ele abriu a noite acompanhado de uma banda formada por velhos colaboradores como o guitarrista Gabriel Quinto, a violoncelista Francisca Barreto e o baterista Gabriel Eubank, até receber os convidados Pedro Bienelmann no baixo e vocais (quando fizeram a música “Feather” do Ishmael Ensemble) e depois a cantora Nina Fernandes (com quem primeiro dividiram “Habana” do cubano Yaniel Matos, gravada por Francisca e depois “Hey Who Really Cares” de Linda Perhacs). Com a casa lotada para acompanhar sua estreia autoral, Kroner disfarçou bem a timidez ao preferir um show sem texto e hipnotizou o público com uma apresentação que está pronta para correr por outros palcos.

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Victor Kroner: Entrepulso

Muita satisfação ao receber o primeiro show autoral de Victor Kroner no palco do Centro da Terra nesta terça-feira, ele que já trabalha há anos como guitarrista e produtor resolveu tirar as próprias composições da gaveta e reuniu um time de músicos de confiança para essa apresentação Entrepulso, título tirado dos intervalos entre um pulso e outro. Ele vem acompanhado de Gabriel Quinto (violão e guitarra), Francisca Barreto (violoncelo) e Gabriel Eubank (bateria), além de contar com visuais de Bruna Braga para esse primeiro ato de sua carreira autoral. O espetáculo começa pontualmente às 20h e os ingressos já estão à venda no site do Centro da Terra.

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