Emicida responde à polêmica sobre “Trepadeira”: “Mulheres devem ser livres!”

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E foi assim, citando várias músicas próprias, que Emicida respondeu à polêmica sobre sua música “Trepadeira” no primeiro dos dois shows de lançamento de seu novo disco, nesta terça-feira, no Sesc Pinheiros:

O BlueBus transcreveu o poema/discurso:

Mulheres devem ser livres, pra escolha feliz, a sós ou não, como cantei em “Ela disse”
Mulheres devem ser livres, aqui ou onde for, bem cuidadas, mas eu já disse isso em “Vou Buscar Minha Fulô”
Mulheres devem ser livres, pra ser feia ou ser bela, ser tudo, mas eu falei sobre isso em “Eu gosto dela”
Mulheres devem ser livres, sem esculacho, livre mermo, se quiser, até pra ser macho
Mulheres devem ser livres, de rocha, mãe, forte, daquelas que eu cantei em “Rotina”
Mulheres devem ser livres – pra ser puta, ser santa, das que atraem, das que traem, mas também das que cantam
Mulheres devem ser livres, pra dizer quanto custa, mandar, seja na presidência ou na Rua Augusta
Mulheres devem ser livres, das que inspiram o cântico, tipo as mulher preta, que eu lembrei em “Crisântemo”
Mulheres devem ser livres, pra ser mina, mana, e ser respeitada, pois antes de tudo é humana
Mulheres devem ser livres, soltas no mundo, jamais pra virar brinquedo de vagabundo
Mulheres devem ser livres, pra ser alma gêmea, candura, ou pra descer do salto, igual a Dona Jura
Mulheres devem ser livres, pra escolher, viu, es-co-lher, jamais pra encolher
Mulheres devem ser livres, pra ser fraca ou guerreira, pra ser o que quiser, INCLUSIVE trepadeira”

O vídeo acima é do Bracin. Abaixo, o mesmo discurso, seguido da música referida, com Wilson das Neves:

A foto é do Instagram dele.

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22 Resultados

  1. Michelle disse:

    Ouvi teu poema com som de canção
    Mas esta melodia não alivia meu coração
    Não adianta dizer que disse outrora
    Se o que me maltrata é o que cantas agora.

    Eu, assim como todas as mulheres, como você diz
    Mereço respeito, mereço uma vida feliz
    Por que cantastes então censurando nossa liberdade
    Vestindo de macho recalcado seu personagem?

    Por que cantas que merecemos apanhar ? Me diz?
    Por que cantas que merecemos ser envenenadas?
    Por que cantas que a mulher livre merece ser depreciada?
    Por que cantas se não acredita nesta moral infeliz?

    Não me venha com poeminha cheio de demagogia,
    Discurso bonito? Qualquer um pode fazer sobre a laje fria.
    O homem que nos romanceia, é o mesmo que nos mata,
    Queremos respeito, não suas rimas dissimuladas.

    Disseste que tens o direito de cantar sobre o quiser…
    Cantas! Grite ao mundo todo teu direito de oprimir!
    Deslize em suas melodias a opressão contra a mulher,
    Só não tente com hipocrisia do que cantas se redimir.

    • tula disse:

      EXATAMENTE ISSO!
      Lindo poema, parabéns!
      Depois que viu a polêmica e a repercussão negativa aí vem com mimimi dizendo que respeita as mulheres e apoia sua liberdade, mas faz isso quando? Todo tempo ou quando lhe convém?
      Me poupe de hipocrisia KIRIDINHO!

      • Neminem disse:

        “[…] mas faz isso quando? Todo tempo ou quando lhe convém?” [sic].

        Algum dia ‒ que não estiver com preguiça, claro ‒, por curiosidade, procure pesquisar e encontrará com facilidade a resposta para a sua pergunta.

        Se reparar, verá que o poema do EMICIDA ajuda nisso, ao citar títulos de algumas músicas que demonstram que ele “respeita as mulheres e apoia sua liberdade” [sic] há um bom tempo.

        Pra mim, até o momento, a análise mais sensata que eu li sobre essa polêmica foi a seguinte:

        http://arvoresdenatal.wordpress.com/2013/08/23/o-desamor-a-critica-e-o-sansevieria/

        De qualquer forma, é sempre bem vindo um debate sobre o machismo na sociedade e a violência contra a mulher; então, toda essa polêmica gerada está tendo o seu lado positivo.

    • Raphael disse:

      Ele não cantou para todas. cantou para uma específica. mais se a carapuça serviu podem usar mulherada!

      • Marcelo disse:

        Boa concordo…..essas mulheres que estão se doendo pela música do Emicida são trepadeiras…porraa vai caça o que fazer!!!! Emicida é um poeta!!!!

        • Laura disse:

          Eu sou feminista e não acho que o cara foi machista! Ele falou uma verdade! A mulherada está se doendo do que, de uma cultura que invoca as mulheres a serem iguais homens? Eu não sou pela Marcha das Vadias, sou pela Marcha das Damas, acho que a mulher precisa encontrar sua identidade e o que ela realmente quer.

    • Levi disse:

      Não estamos numa ditadura nega…Já passou viu…Música é livre…Poesia é livre,exerça democracia,pq vc´s não reclamam da baixaria do funk?da podridão do sertanejo e outras músicas?Aí quer embaçar com o Rap?Mina se vc é de fé não se importa se é pomba suja aí sente…Mulher de verdade ñ precisa se incomodar com tudo…Ela sabe o que é.

    • Monica disse:

      PERFEITOOOOOOOOOO!!!!!!!! NÃO TERIA MELHOR RESPOSTA AO MACHISMO!!!!

  2. maria disse:

    A letra é demais, já passei experiências sangrentas como uma navalha na carne, ouvindo um merdinha me admirar por ser livre e independente na hora de trepar e tirá-lo do atraso ,dizendo-me: você é demais, você me tratou com tanto carinho etc.. Mas quando soube de fatos de minha vida que supostamente prá nossa sociedade machista do sec xx anos 80 eram coisas de homem por exemplo morar sózinha, bater boca defender direitos e etc.. vinham comentários tipo : pôxa você se mete em cada uma vive em sujeira e coisa e tal……. e não me procurava mais. A letra demonstra o quanto nós podemos, o tudo que podemos, e nem sempre queremos e lutamos.

  3. Pedro disse:

    tanta polêmica gerada em torno de uma música,
    o cantor da letra doce, agora é o cantor da boca suja.
    engraçado que quando exalta as mulheres não tem esse ibope
    liberdade de expressão agora virou arma de gente esnobe

    Feminismo é bonitinho, machismo é crime né?
    letra de música é igual sapato, não serve para qualquer mulher
    Viva o RAP nacional, e aqueles que acompanham todo dia
    pergunta lá se foi machismo para as fãs do EMICIDA!

    Salve! //

    • rato rataria disse:

      Exalta as mulheres as rotulando? Faça meu favor e se ligue.
      “liberdade de expressão virou arma de gente esnobe?” Isso faz tanto sentido qnt dizer: os ratos viraram comida na casa de pessoas que usam camisa azul!
      O feminismo NÃO É e NÃO PRECISA ser bonitinho, para ficar bem aos olhos dos opressores. O machismo não é crime em sua totalidade, apenas os atos machistas podem vir a ser criminalizados, PIA BURRO!
      Letra de música é igual inteligencia, nem todos têm (você é um deles, só para avisar) e ainda tentam se pagar de intelectuais…
      VIVA AO RAP NACIONAL, VIVA!
      pergunto, pergunto pra que for. A resposta será a mesma, foi machismo SIM!

  4. Trepadeira disse:

    Concordo com o Pedro, quem critica não esta nenhum pouco ligado na caminhada do cantor. E muito menos nas outras letras que ele fez exaltando a capacidade da mulher em ser livre, assim como a mãe dele mesma foi!
    Certamente a intenção não foi oprimir direito algum… Muito pelo contrario é um dos rappers que mais apoia e incere mulheres em umcenário visto como predominantemente masculino, sendo assim sugiro que se informem antes de criticá lo.
    Pseudo-feminismo não tem fundamento. #procuresaber

    • rato rataria disse:

      Por acompanhar a história dele vi que realmente era machista.
      Ser oprimido não te isenta de ser opressor – só torna o fato pior; o oprimido que oprime é justamente o que me enjoa. O pior é ver um monte de cegos correndo atrás, tentando justificar ou ainda pior, apenas apoiando, dizendo que está tudo certo – que o que ele disse e o que ele é, é o jeito que todos devemos ser -, é disso que sinto nojo!
      Pseudo-comentário, procure saber do que fala
      e principalmente, procure saber o que é o feminismo!

  5. Helena disse:

    Engraçado!! Dos vários e vários funks que denigrem muito mais a imagem das mulheres ninguém abre a boca pra criticar… O que é pior, ainda sai rebolando!! Ô gente hipócrita não?!

    • rato rataria disse:

      vou ignorar seu comentário e fingir que você nunca escreveu isso.

  6. Carla disse:

    O ato de ler e interpretar nao ficou p td mundo…analfabetismo político é assim. Arte é arte…engraçado é que o machismo encontra-se em outras áreas e letras de musicas da famosa MPB cantada por Chico, Caetano e tantos outros e ninguem repara…estou sentindo uma pontinha de racismo aí ou estou enganada???? Se fosse Caetano ou Chico cantando essa música a repercussão seria a mesma???? ” Joga pedra na Geni…”

  7. Carla disse:

    Vale a pena ler o texto abaixo da Lucila Brito.

    http://arvoresdenatal.wordpress.com/2013/08/23/o-desamor-a-critica-e-o-sansevieria/

    Em resumo, a canção conta a desventura amorosa de um rapaz que, enamorado de uma moçoila exuberante, vê seu sentimento amargar no falatório alheio a respeito dos hábitos libertinos de sua amada. A amargura é grande e, lá pelas tantas, com o coração partido, os pensamentos do rapaz entram, com cores violentas, em fantasias sobre desforra mística.

    Acontece que as moças feministas não gostaram. E não entenderam a referência a religiões afro-brasileiras. Mas, como todos sabemos, a Etnobotânica está aí para resolver esses assuntos, mesmo.

    Isso porque o trecho mais polêmico da canção diz o seguinte:

    “E tu vem, meu coração parte e grita assim:

    ARRASA BI…SCATE!!!

    Merece era uma surra de espada de São Jorge,

    um chá de comigo ninguém pode.

    (É, eu vou botar teu nome na macumba viu?! se segura!)”

    As feministas interpretaram como uma alusão a agressão física. Sei, o discurso é ambíguo, mas a realidade é ambígua, também. Eu mesma achei se tratar, a primeira vista, de uma metáfora sexual… Freud explica. Mas, talvez, com um pouco mais de interesse em conhecer outras visões de mundo, nossa leitura possa ser mais proveitosa. E, até, mais rica que a do letrista, com o perdão da pretensão.

    Espada de São Jorge e Comigo-Ninguém-Pode são plantas herbáceas. E podem ser usadas em rituais de religiões afro-brasileiras, ou, mesmo, na cultura popular, para fins de purificação. Não sei vocês, mas eu acho que um amante pretensamente traído não teria pudor nenhum de usar uma crença para se curar de seu ex-amor. E, isso, não é machismo. É dor de cotovelo, mesmo.

    Se houve uma alusão à violência física, a própria canção tratou de desfazer a ambiguidade, com uma citação de um samba de Zeca Pagodinho (“É, eu vou botar teu nome na macumba viu?! se segura!“”). Não nos custa fazer a leitura por inteiro, a não ser que não queiramos isso, mesmo.

    Se há ódio no discurso do rapaz, não é se afastando do conflito que isso irá mudar. Oxalá que todas as entidades nos livrem de uma arte panfletária, ausente de conflitos!

    Houve, ainda, crítica a forma depreciativa que uma mulher com hábitos poligâmicos estaria sendo apresentada, como no refrão, por exemplo:

    “Você era o cravo e ela era a rosa,

    e cá entre nós, gatinha, quem não fica bravo

    dando sol e água, e vendo brotar erva daninha.

    Chamei de banquete era fim de feira,

    estendi tapete mas ela é rueira.

    Dei todo amor, tratei como flor,

    mas no fim era uma trepadeira.”

    As feministas da internet argumentam que esse trecho reflete a visão misógina do patriarcado, dando conotação negativa aos hábitos sexuais da moça preterida. E reflete isso, mesmo. Mas isso gera alguma empatia?

    Ouvi a canção algumas vezes (e, confesso, cada vez gosto mais), mas, desde a primeira audição, simpatizei com a moça, não com o rapaz.

    A moça, com o mundo gritando “arrasa, bi!”, parece linda, livre e confiante. O rapaz, com seu vício por vigiar, sua atenção exagerada à falação dos manos e da mamãe e seu desejo por uma Madre Teresa, só deu a impressão de ciumento, inseguro e falso cristão, que, ao se desencantar, parte da fantasia de casamento católico para a de colocar o nome da nega na macumba.

    Não quero diminuir a causa, mas acho que essa é só mais uma canção de desamor da MPB. E das boas, minhas companheiras. Até para a luta feminista. Temos um “corno” salgueiro-chorão, e uma “biscate” florescida.

    Para terminar, alguns exemplos de rapazes imaturos desencantados, agora, pelas mãos de Chico Buarque, a quem, pelo que li no twitter, as feministas de lá  amam idolatrar, assim como eu.

    “Ah, Rosa, e o meu projeto de vida?

    Bandida, cadê minha estrela guia?

    Vadia, me esquece na noite escura

    Mas jura

    Me jura que um dia volta pra casa”

    A Rosa

    “Você só dança com ele

    E diz que é sem compromisso

    É bom acabar com isso

    Não sou nenhum pai-joão

    Quem trouxe você fui eu

    Não faça papel de louca

    Prá não haver bate-boca dentro do salão”

    Sem Compromisso*

     “A Rita matou nosso amor

    De vingança

    Nem herança deixou

    Não levou um tostão

    Porque não tinha não”

    A Rita

     

    “Aliás,

    Aceite uma ajuda do seu futuro amor

    Pro aluguel

    Devolva o Neruda que você me tomou

    E nunca leu”

    Trocando em Miúdos

    * Canção de Geraldo Pereira e Nelson Trigueiro, famosa na interpretação de Chico Buarque.

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  8. nathalya disse:

    E falta do que fazer em
    vcs criticam a musica sendo ki nem foi feita diretament pra vcs. .. Fika se duendo atoaa
    pq nao criticam o funk tbm caralho

  9. Karine disse:

    Hoje em dia tudo é usado como pejorativa. O que é uma pena, porque está fazendo com que a arte perca seu real sentido. Sua essência.
    É como já cantou Gonzaguinha: “liberdade virou prisão”.

    Eu apoio toda e qualquer luta social. Porém, eu, como artista fico envergonhada em ver o rumo que o extremismo está tomando.

  1. 11/09/2013

    […] E continua – ” Mulheres devem ser livres, pra dizer quanto custa, mandar, seja na presidência ou na Rua Augusta. Mulheres devem ser livres, das que inspiram o cântico, tipo as mulher preta, que eu lembrei em ‘Crisântemo’.  Mulheres devem ser livres, pra ser mina, mana, e ser respeitada, pois antes de tudo é humana. Mulheres devem ser livres, soltas no mundo, jamais pra virar brinquedo de vagabundo. Mulheres devem ser livres, pra ser alma gêmea, candura, ou pra descer do salto, igual a Dona Jura. Mulheres devem ser livres, pra escolher, viu, es-co-lher, jamais pra encolher. Mulheres devem ser livres, pra ser fraca ou guerreira, pra ser o que quiser, INCLUSIVE trepadeira”, encerrou, antes de convidar ao palco Wilson das Neves, que tocou com ele a polêmica cançao ‘Trepadeira’. Confira no vídeo acima. Dica do Trabalho Sujo. […]

  2. 13/09/2013

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