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Finalmente estou tirando um velho projeto da manga: Rádio Trabalho Sujo não é apenas o meu primeiro programa que apresento sozinho no meu canal (além do CliMatias, claro), como também o primeiro que faço sobre música, algo que me cobro faz tempo. Rádio Trabalho Sujo começa como um programa em vídeo, mas seu intuito é incluir músicas e se tornar um programa em áudio que também pode se tornar um podcast – antecipando uma das grandes mudanças que veremos no canal durante 2021. A ideia é sempre contar histórias da história da música – e resolvi começar pelo final de uma das histórias que mais gosto de contar, o dos Beatles. E esta versão em áudio também aparece no Dublab, na primeira parceria que fecho com a rádio online.

“Estado de guerra”

O casal de DJs Maurício Fleury e Giu Nunez reuniu synths, beats, discos e samples para nos conduzir a uma viagem instrumental extrassensorial de uma hora de grooves do mundo, com os pés fincados no Brasil, num set feito para a Rádio Tempo Não Para.

Coisa fina…

bodymusic

A dupla Body Music, que conta com o Rapture Vito Roccoforte na formação, põe todo mundo pra dançar com o single de “Head in the Clouds”, inspirado no mestre Roy Ayers.

Não dá pra ficar parado!

johnlennon-heatwave

O Wilson Farina me chamou para participar de seu programa Heatwave, que ele apresenta na rádio Antena Zero, em homenagem aos 80 anos do beatle John, dá uma sacada:

Eis o Carabobina

Carabobina

Os dois se conheceram na lendária temporada de sete shows consecutivos que os Boogarins fizeram na Casa do Mancha, em 2017. “Quando a noite acabou eu botei uma playlist e dancei sem camisa”, lembra Fefel, baixista e prefeito da banda goiana. “Causei muito com Prince, Michael Jackson, Bowie…Dancei muito bem por uns vinte minutos. Assim consegui a atenção dela, que estava com outro boy na noite.” A técnica de som Alejandra Luciana completa: “Raphael tava soltão e chamou atenção dançando sem camisa no meio da pista”, se diverte.

Os dois começaram a namorar e o namoro aos poucos, e inevitavelmente, foi evoluindo para um lado mais musical. “Sempre foi uma possibilidade, mas na hora que se concretizou eu estava visitando Ceres pela primeira vez”, lembra Alejandra sobre a visita à cidade-natal do namorado. “Ficamos no quarto de infância do Raphael na casa dos pais, no computador, e muito despretensiosamente começamos a fazer uma música. O processo foi bem natural e divertido, gostamos muito do resultado. Essa música não entrou no disco agora mas quem sabe mais pra frente…” E assim nasceu o projeto Carabobina, que chega às plataformas digitais nesta sexta com seu primeiro single, “Pra Variar”, que pode ser ouvido em primeira mão no Trabalho Sujo.

“Mostrei pra ela como eu gravava toscamente algumas demos no Ableton Live, ela uma garota de ProTools, mas bastava gastar cinco minutos na tela pra dominar outro programa”, lembra Fefel. “O primeiro som nem entrou no disco, mas determinou uma cartilha válida pra várias outras canções. Qual seja: não almejaremos nenhum resultado, só vamos adicionar arranjos espontâneos e ver no que dá.” “Gravamos alguma coisa e fomos criando e adicionando mais elementos”, continua Alê. “Quem tivesse alguma ideia legal fazia e construímos juntos as linhas. Bem leve e lúdico.”

O resultado pode ser vagamente definido como psicodélico, mas há mais elementos musicais, que ajudam a se distanciar da banda original do baixista. Para começar, soa mais eletrônico e lo-fi, um caminho que os Boogarins até trilharam sem superpor sobre suas guitarras. Já as guitarras e violões no Carabobina são quase discretos e funcionam mais como acessórios para beats, linhas de baixo e texturas eletrônicas, que estruturam as canções. Mas o forte são as melodias, cantaroladas pelas doces vozes do casal – e que grata surpresa que é o vocal de Alejandra, que inevitavelmente remete à argentina Juana Molina, influência confessa do grupo, quando canta em espanhol, seu idioma natal. Dá para ouvir ecos de chillwave e até uma vibração Warpaint, enquanto Alê cita artistas como Broadcast, Breeders e Animal Collective, entre outros.

Muitos conhecem Alejandra pilotando mesas de som em diferentes shows indies do país, mas ela não é estranha aos palcos. Venezuelana de nascença, ela morou um tempo na Austrália onde lançou sua primeira banda, “Coloquei um anúncio de graça numa revista de música e uma galera muito legal, todos uns 10 anos mais velhos que eu, responderam, e foi assim que comecei a minha banda post punk lá”, ri ao lembrar. “A gente nunca nem saiu da garagem deles, que estava condicionada como sala de ensaio, onde tocávamos e bebíamos uma toda semana. O único registro são umas gravações de ensaio que o guitarrista fez.” Jà Fefel, além dos Boogarins, também passou pela banda Luziluzia, “onde cumpre o sonho da juventude de ser cantor e baixista igual Humberto Gessinger”, brinca Alê. “Nossos últimos lançamentos estão no Bandcamp e nosso último show foi em 2017”, lembra o baixista. “É uma extensão das bandas interioranas adolescentes que tive com meu parceiro João Victor. Passamos a tocar pouco porque eu e Benke andávamos ocupados com Boogarins, e João e Ricardo com o Carne Doce.” E emenda que, apesar da banda de Alejandra não ter decolado, “rendeu um caderno de letras em inglês com jovens devaneios.”

O disco, que sai no dia 6 de novembro, começou a ser gravado há mais de dois anos. “Começávamos as músicas de improviso”, lembra Fefel. “Tentávamos criar arranjos pop que nunca ouvimos, com sons eletrônicos de sintetizadores e com nosso jeito meio rock alternativo de pensar as canções. Uma vez que a música parecia estruturada, tentávamos criar melodias de voz. Cada um tinha uns quinze minutos pra registrar as primeiras ideias. Depois ouvíamos juntos e combinávamos as linhas que entrariam. Depois de uns 2 anos, vimos que tínhamos material suficiente pra um disco e em algumas semanas terminamos todos esses esqueletos pra Alê começar a mixar.”

Alê detalha a parte técnica do processo, que aconteceu no estúdio que criou em casa. “Os sons foram variando também porque fomos comprando alguns instrumentos: a Drumbrute da Arturia, Mother 32… Uma das músicas do disco inclusive fiz logo depois que comprei um Yamaha Reface DX numa das viagens com Boogarins e gravei a maioria das linhas melódicas e harmônicas nele. Como eu trabalhava no estúdio da Red Bull, um dia entrou uma parceria com a Roland e ganhamos um monte de teclados e instrumentos eletrônicos. Peguei um sábado e montei vários tecladinhos boutique e a TR-8, fiquei compondo o dia inteiro e gravando voz num 57. Depois o Raphael pegou esse material e editou, deu uma estrutura, e trabalhamos com algumas dessas coisas.”

O nome da dupla vem das raízes de Alejandra, que reside há seis anos no Brasil. “Nasci numa cidade chamada Valenciaa, que fica no estado de Carabobo, e desde que comentei isso pro Raphael ele gostou muito, além de rir da minha cara. Aí um belo dia ele chegou com esse nome e eu achei lindo, porque parece que tivesse várias palavras escondidas nele: bobina, carabobo, carabina… e bobina já dá essa sensação de elétrico, flutuante, magnetismo.” “É uma homenagem a Alejandra, autêntica carabobeña que até agora ainda não lançou um disco… inventei esse nome porque é um prazer ter um projeto com essa talentosa.”

Sem tempo de pensar em como transformar o projeto em show, embora tenham cogitado algumas ideias. “Começamos a esquematizar, mas acho que vai ser um processo que vamos descobrir fazendo. A ideia é trabalhar com camadas/loops de voz, e quero ter processamento de efeitos na mão durante o show para usar eles como instrumento. O Raphael continuará no seu famigerado moog, e a guitarra deve ficar trocando de mãos.” “A vontade é dublar tudo”, emenda o baixista. “Como sempre toquei com banda, e até por isso mesmo, fico travado ao pensar em como levar esse som pro palco. Mas ainda temos um tempo pra pensar nisso.” Enquanto isso, cogitam clipes e colaborações que já estão em processo. “Sem falar que já tem muita música nova também, o seguinte disco não deve demorar”, completa.

Rakta sem parar

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Mesmo durante a quarentena, a dupla Rakta, formada por Carla Boregas e Paula Rebellato, que agora conta com Maurício Takara como terceiro integrante, não fica parada elança música e clipe novos. O clipe da faixa-título de seu disco mais recente foi lançado no fim do mês passado e traz toda atmosfera tensa feminina, mística e aterradora do grupo, capturada com estilo pela diretora mexicana Michelle Garza Cervera.

Já o épico ambient “Rubro Êxtase”, com mais de dez minutos, foi lançado na semana passada para download pago, mas só agora elas abriram para a audição.

Vão bem, como sempre.

Haim sem frescura

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O diretor norte-americano Paul Thomas Anderson assume a direção de mais um clipe das irmãs Haim, desta vez colocando a vocalista Danielle sozinha para cantar enquanto trabalha no balcão do Canter’s Deli, em Los Angeles. A bela e crua versão para a ótima “Man From the Magazine” coloca o grupo cada vez mais como um trio de musas de um cultura norte-americana que segue intacta, como se ainda fossem os anos 50 ou anos 80, dentro do caos político social dos EUA nestes últimos anos, tornando-se um Normal Rockwell deste século a partir das canções das três.

deerhoof

Sem avisar ninguém, o grupo indie norte-americano Deerhoof lançou Love-Lore, um impressionante exercício em que enfileiram quarenta e três músicas alheias em trinta e cinco minutos, misturando versos, riffs, melodias, solos, grooves e efeitos sonoros ao superporem pedaços de clássicos do rock, hits new wave, temas de seriado, experimentos de vanguarda, hits pop, trilhas de filmes e obras eruditas, misturando Velvet Underground, Sun Ra, Caetano Veloso, Beach Boys, Baden Powell e Vinícius de Moraes, Police, Gary Numan, John Williams, Parliament, Silver Apples, Ennio Morricone, B-52’s, e muito mais. De tirar o fôlego – a bula com todos os nomes das músicas vem abaixo:

Ornette Coleman – “in All Languages”
J.d. Robb – “Excerpt from Spatial Serenade”
Voivod – “Macrosolutions to Megaproblems”
Earl Kim – “Earthlight”
Stu Phillips – “Knight Rider”
Raymond Scott – “Ohio Bell”
Mauricio Kagel – “Music for Renaissance Instruments”
Eddie Grant – “Electric Avenue”
Gary Numan – “Cars”
Karlheinz Stockhausen – “Kontakte”
The Beach Boys – “Wonderful”
Gerald Fried – “Star Trek: Balance of Terror”
Pauline Oliveros – “All Fours”
Paul Williams – “Rainbow Connection”
James Tenney – “for Ann (rising)”
Silver Apples – “Oscillations”
The Police – “Driven to Tears”
Kraftwerk – “We Are the Robots”
John Williams – “Close Encounters of the Third Kind”
Morton Feldman – “Patterns in a Chromatic Field”
Sun Ra – “They Dwell on Other Planes”
Parliament – “Unfunky Ufo”
Asha Puthli – “Space Talk”
Ennio Morricone – “Ottave Comandamento: Corri Veloce”
Milton Babbitt – “Homily for Snare Drum”
The B52s – “Song for a Future Generation”
Sofia Gubaidulina – “Mechanical Accordion”
Vinicius De Moraes & Baden Powell – “O Astronauta”
Dionne Warwick – “Do You Know the Way to San Jose?”
David Graeber – “of Flying Cars and the Declining Rate of Profit”
Derek Bailey – “Improvisation”
William Hanna & Hoyt Curtin – “The Jetsons”
Anthony Braxton – “C-m=b05”
Gyorgy Kurtag – “Shadows for Contrabass Solo”
Eric Siday – “The Perking Coffee Pot”
Igor Stravinsky – “Variations Aldous Huxley in Memoriam”
Caetano Veloso – “Pulsar”
Luigi Nono – “Uno Espressione”
Krzysztof Penderecki – “Threnody for the Victims of Hiroshima”
John Cage – “Empty Words”
George Brecht – “Drip Music”
The Velvet Underground – “All Tomorrow’s Parties”
Laurie Anderson – “Example #22”

anafrangoeletrico2020

Lembram daquele single novo que a Ana Frango Elétrico falou que estaria lançando em breve quando eu a entrevistei há pouco mais de um mês? “Mama Planta Baby” segue o clima do ótimo Little Electric Chicken Heart que ela lançou no ano passado, embora ainda mais bucólico e sossegado que o disco de 2019. O single chega às plataformas digitais nesta quarta, mas já dá pra ouvir aqui.

É a primeira produção que ela assina sozinha, reunindo um grupo que inclui Vovô Bebê tocando flauta, Alberto Continentino no baixo, Dora Morelembau e Lucas Nunes nos vocais e Joca na percussão eletrônica, além de violão, bateria eletrônica, órgão, Glockenspiel e efeitos tocados pela própria Ana. O single sai no mesmo dia em que seu disco foi indicado para o Grammy Latino de melhor álbum rock/alternativo brasileiro, quando concorre com o Aos Prantos da Letrux, o Amarelo de Emicida, o Universo do Canto Falado do Rapadura e Na Mão As Flores do Suricato. O Grammy Latino acontece no dia 19 de novembro e vários outros artistas brasileiros legais (Zeca Pagodinho, João Bosco, Pabllo Vittar, Ney Matogrosso, BaianaSystem, Maria Bethânia, Elza Soares, Céu, Marcelo Jeneci, Caetano Veloso, As Bahia e a Cozinha Mineira, Martinho da Vila) estão concorrendo a outros prêmios.