A Polysom está fazendo um belo favor à música brasileira e tem relançado sistematicamente parte importante da discografia do mestre baiano Tom Zé em vinil. Depois da estreia A Grande Liquidação (1968), Todos os Olhos (1973), Estudando o Samba (1975), Correio da Estação do Brás (1978) e Se o Acaso é Chorar (1972), a fábrica de vinis carioca quase encerra a primeira parte da discografia do guru com este segundo álbum (lançado com encarte original, que traz um protesto contra a prefeitura de São Paulo, cobrando uma dívida pelo uso da música “São São Paulo”), deixando de fora apenas Nave Maria, de 1984, que é o disco que falta para completar a safra de Tom antes dele ser descoberto por David Byrne no início dos anos 90. O disco de 1970 traz hits do compositor como “Jimmy Renda-se” e “Qualquer Bobagem” e foi criado dentro de exercícios que ele colocava em prática em sua Escola Popular Sofisti-Balacobaco – Muito Som e Pouco Papo.
A gravadora inglesa Warp, uma das principais referências musicais das últimas décadas, anuncia a comemoração de seu trigésimo aniversário lançado uma caixa com dez vinis cheia de raridades, com mixes, documentários, apresentações ao vivo e outras pérolas de um elenco que inclui nomes como Aphex Twin, Flying Lotus, Oneohtrix Point Never, LFO, Bibio, Mount Kimbie, Seefeel, entre outros. E o anúncio vem com uma das raridades mais esperadas pelos fãs: a versão na íntegra da Peel Sessions que o grupo Boards of Canada gravou em 1998 – que virou um EP em vinil lançado no ano seguinte, mas que teve de ser recolhido pois uma das faixas, “XYZ”, teve problemas com a utilização de direitos autorais alheios. A sessão ao vivo na BBC contou com quatro faixas ao vivo – “Aquarius”, “Happy Cycling”, “Olson” e a referida faixa problemática, que agora ressurge inclusive como teaser da caixa, direto no YouTube:
A caixa já está em pré-venda (e custa 150 dólares) e, além dos 10 vinis com raridades dos principais nomes do selo (veja abaixo), ainda traz peças impressas (oito cartazes feitos pela dupla ucraniana de fotógrafos experimentais Synchrodogs, quatro offsets, entre outros) e dez adesivos.
Na edição desta semana da minha coluna Tudo Tanto, conversei com Rafa, João e Fred, donos dos selos Assustado, EAEO e Goma Gringa, que se uniram com o nome de Três Selos relançar velhos e novos clássicos da música brasileira em vinil – começando pelo último disco de Sérgio Sampaio, Sinceramente. Lê lá no Reverb.
A nova edição para o único e raro disco de Amado Maita, relançado pela Patuá Discos em vinil com uma tiragem superior à que ele teve na época, é um dos exemplos desta nova tendência que mostra lojas de discos brasileiras em busca de clássico ou raridades de nosso passado musical para eternizá-los em vinil – escrevi sobre isso em minha coluna Tudo Tanto desta semana, leia aqui.
Na Máquina do Tempo do site Reverb, o dia 21 de outubro lembra o último show de Keith Moon com o Who, as mortes de Shannon Hoon e Elliott Smith e o primeiro vinil com dois lados – por aqui.
O grupo paulista Garotas Suecas lança a versão em vinil de seu disco mais recente, Futuro do Pretérito, neste domingo, no Centro Cultural São Paulo, a partir das 18h, com show completo, com direito a metais e percussão (mais informações aqui).
E o Noize Record Club acaba de anunciar seu mais novo lançamento: a materialização em vinil do disco de estreia do grupo Liniker e os Caramellows, Remonta, que tem sua entrega agendada para o disco 20 de agosto. Mais informações no site da Noize.
Tudo indica pra que as irmãs Wachowski voltem ao cânone de seu Matrix – desta vez é a trilha sonora do filme sair em vinil – falo deste lançamento no meu blog no UOL.