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Só os cachorros!

Sara Não Tem Nome seguiu sua temporada Não Tem Nome no Centro da Terra nesta segunda, quando mostrou pela primeira vez a banda que inventou para esta ocasião, quando reuniu os dois Antiprismas (Elisa Moreira e Victor José, nos vocais, baixo e guitarra) a camaradas conterrâneos mineiros – a jornalista Carime Elmor, a cantora Clara Castro e o multiinstrumentista Wallace Schmidt – numa banda para celebrar a fidelidade canina à raça humana. A ideia do grupo Cachorro Pessoa surgiu da primeira música que compuseram de brincadeira, mas que funcionou de gatilho para o tema, que inspirou um show com um repertório inspirado em cães. E assim passearam por clássicos do rock sobre o tema (como o “Black Dog” do Led Zeppelin, “Martha My Dear” e “Hey Bulldog” dos Beatles, “Walking the Dog” do Rufus Thomas, e “I Wanna Be Your Dog” dos Stooges) e em outros hits de diferentes áreas da música brasileira, indo do “Cachorro Babucho” de Walter Franco a “Eu Não Sou Cachorro Não” de Waldick Soriano e “Vira-Lata de Raça” da Rita Lee até a “Cachorrinho”, de Kelly Key, sendo pontuados por vídeos de cachorros pinçados por Carime, que também lia trechos de livros sobre o tema em alguns intervalos do show. Entre latidos e ganidos, todos escaparam da carrocinha.

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Distopia rural

Nesta terça-feira, o mineiro Clóvis Cosmo nos conduziu rumo a um futuro brasileiro decadente que pouco lembra as distopias recentes que nos atormentam pois não se passa na periferia ou em bairros de alto padrão de megalópoles e sim no campo. O Vastopasto conjurado por suas canções é o cerrado do planalto central completamente acinzentado pela monocultura agrícola ao redor das ruínas de uma nova capital de um império próximo, chamada de Uberaba 2. Reunindo um pequeno supergrupo indie para desbravar o realismo deprimente de seu universo ficcional, ele buscava a complexidade da música caipira tradicional, dissecando-a em canções ao mesmo tempo simples e rebuscadas no gênero que cunhou como prognejo, ao adotar características do rock progressivo e da música sertaneja. Além de receber o público com um aviso sonoro totalitário ainda nas escadas do teatro, Cosmo ainda empilhou os dejetos digitais num canto do palco, ao lado de uma bucólica chaleira numa fogueira, e entre o canto, as falas, a guitarra e a flauta, vinha seguido por metade da dupla Antiprisma Victor José na viola, da cozinha do grupo Oblomov (o baixista José Eduardo e o baterista João Queiroz), das teclas e efeitos de John Di Lallo e do próprio dono do projeto Irmão Victor, o gaúcho Marco Benvegnú, tocando sopros e percussão. Uma formação de peso para uma apresentação épica, que além de trazer momentos quase individuais – quando dividiu uma música apenas com Victor José ou quando trouxe os Oblomov para cantar uma moda acompanhados apenas de sua flauta -, terminou com todos ao redor da fogueira cênica, ouvindo Pena Branca e Xavantinho, um dos maiores nomes da história da música sertaneja, conterrâneos de Uberlândia do dono da noite. Loucura.

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