Trabalho Sujo - Home

Extremos aparentes

Caio Colasante começou mais uma edição quentíssima do Inferninho Trabalho Sujo na Porta Maldita com suas canções solo cada vez mais definidas, não importe com quem toque. O ex-guitarrista da banda Os Fonsecas que também acompanha o duo de hip hop Kim & Dramma veio cercado de velhos comparsas, como o baterista Thalin (outro ex-Fonsecas que vem firmando seu trabalho solo, baseado no rap, com quem Caio também tem tocado) e o percussionista Bruno “Neca” Fechini (dos Tangolo Mangos, onde Caio também teve uma breve participação como guitarrista temporário) e trouxe dois novos nomes para sua banda, o baixista do Saravá Roberth Nelson, e o guitarrista da Mundo Vídeo Vítor Terra. E mais do que compositor e guitarrista, Caio tem uma verve maestro que faz com que todos que toquem com ele o sigam em arranjos que parecem simples, mas que tem uma complexidade específica que vem de suas referências musicais, que vão do rock progressivo, ao jazz fusion e, principalmente, pela MPB dos anos 70 e 80, coroada pela influência do principal mestre do músico, o saudoso mestre Jards Macalé. Ele ainda tem uma certa timidez nos vocais, mas nada que a prática não o deixe mais à vontade, por isso é bom ficar de olho no que ele vem fazendo.

Depois do Caio Colasante, foi a vez do Tutu Naná mais uma vez apavorar no palco do Inferninho. Depois de exibir pela primeira vez o ótimo clipe de “Sobre as Aves”, o grupo fez a microfonia e o barulho tomar conta da Porta Maldita, sempre sobre vocais sussurrados, efeitos eletrônicos e percussão absurda, fazendo a aparente contradição entre suas principais influências – o noise e a MPB – cair por terra assim que o som começa. Além de tocar músicas do recém-lançado EP batizado com o mesmo nome do clipe que apresentaram, também mostraram pela primeira vez em público sua versão para “Caxangá”, de Milton Nascimento. A química entre os integrantes talvez seja sua principal arma secreta, com a guitarra fulminante de Akira Fukai misturando-se com o baixo melódico de Jivago Del Claro, as viradas de tempo absurdas de Fernando Paludo (um misto de Milton Banana com Keith Moon) e os vocais e flauta transversal de Carolina Acaiah, que vem se soltando cada vez mais nos efeitos, fazendo a bruxaria eletrônica pairar sobre o furacão eletroacústico do grupo. Pra variar, outro showzaço.

#inferninhotrabalhosujo #tutunana #caiocolasante #aportamaldita #noitestrabalhosujo #trabalhosujo2026shows 045 e 046

Inferninho Trabalho Sujo apresenta Tutu Naná e Caio Colasante @ Porta Maldita (13.3)

Vamos a mais um @inferninhotrabalhosujo na Porta Maldita, reunindo duas atrações já conhecidas da casa. Quem abre a noite é o Caio Colasante, que já esteve na festa tocando com sua antiga banda Os Fonsecas e agora mostra sua carreira solo ao lado de uma superbanda do novo indie paulistano formada por Vítor Terra (Mundo Vídeo) na guitarra, Bob Nelson (da Saravá) no baixo, Bruno “Neca” Fechine (dos Tangolo Mangos) na percussão e Thalin na bateria. Depois é a vez dos Tutu Naná, que mostram o novo EP que acabaram de lançar, chamado Sobre as Aves, e também exibem o clipe de mesmo nome antes de sua apresentação. Depois das bandas, o palco torna-se a já tradicional jam infinita da casa enquanto eu discoteco até altas madrugadas. Os ingressos já estão à venda.

Inferninho clássico

Um festa clássica nessa sexta-feira quando baixei o Inferninho Trabalho Sujo no Picles trazendo duas bandas que já haviam tocado em outras edições da festa, mas nunca no sobrado da Cardeal Arcoverde. A noite começou com o trio Saravá em ponto de bala, incendiando a sexta-feira com seus hits instantâneos que em breve estarão prontos para conhecer seus ouvintes para além dos shows quando Joni, Roberth e Ito finalmente lançarem seu primeiro álbum, no começo do ano que vem. Sua apresentação ainda contou com duas participações já conhecidas de seus shows, quando primeiro trouxeram Bru Cecchi, vocalista da banda irmã Devolta ao Léu para o palco para em seguida chamar outra participação familiar, essa literalmente cossanguinea, quando a irmã do baixista subiu no palco para cantar duas músicas. E a galera foi ao delírio.

Depois foi a vez do quarteto de Maringá Tutu Naná soltar sua bruma densa e doce sobre o público, hipnotizando a todos com doses cavalares de microfonia entremeadas por canções sussurradas. A química entre os integrantes da banda é invejável e eles mal precisam se olhar para cavalgar sobre o pulso de suas canções. E sempre é impressionante ver como suas personalidades individuais musicais crescem à medida em que se amalgamam ainda mais: Akira deixando sua guitarra mais pesada e clássica, com solos e riffs que vão do virtuosismo hard rock ao ruído branco elétrico, Jivago alternando entre o baixo e a guitarra e buscando os pontos em comum entre os dois instrumentos, com graves linhas circulares de ritmo, Fernando alternando entre os espasmos de rock clássico, bossa nova acelerada e free jazz e Carol enfeitiçando todos com seu vocal, flauta transversal e efeitos sonoros, várias vezes ao mesmo tempo. O grupo ainda ousou embarcar na onda do Massive Attack ao reler a versão que o grupo inglês fez para “Girl I Love You” do Horace Andy na apresentação que fizeram esse mês em São Paulo e não deixaram a bola cair. Absurdo. Depois restou a mim e a Fran domar a rebelde pista daquela noite, visitando extremos distintos da música para dançar.

#inferninhotrabalhosujo #tutunana #sarava #picles #noitestrabalhosujo #trabalhosujo2025shows 268 e 269

Inferninho Trabalho Sujo apresenta Saravá e Tutu Naná @ Picles (21.11)

Vamos a mais um Inferninho Trabalho Sujo no Picles nessa sexta-feira, quando recebemos duas bandas que já passaram por diferentes palcos da festa, mas que tocam pela primeira vez no sobrado da Cardeal Arcoverde! A primeira delas é o trio fulminante Saravá, que antecipa o que será seu primeiro álbum, que será lançado no ano que vem, num show em que mistura rock clássico, MPB e indie brasileiro. Depois é a vez do quarteto Tutu Naná, que também mistura as mesmas referências mas por um outro viés, enterrando suas canções em camadas de microfonia e vocais sussurrados. Depois dos shows é a vez de eu e a Fran nos reencontrarmos mais uma vez no Picles para incendiar a pista de lá até altas da madrugada. E quem comprar ingresso antes paga mais barato. Bora?

#inferninhotrabalhosujo #tutunana #sarava #picles #noitestrabalhosujo

Entre o noise e a música brasileira

Muito bom ver o Tutu Naná ampliando suas fronteiras musicais para além de gêneros – mas fisicamente, quando apresentaram-se no palco do Centro da Terra, distante da aglomeração próxima de pessoas de pé característica dos shows da banda. Tocando para um público sentado e podendo expandir o volume de seu som para além da interação com a audiência, o quarteto catarinense transitou entre o sussurro e a rugido sonoros ao intercalar doces melodias cantadas por todos seus integrantes ao volume crescente de ruído elétrico, criando mantras gigantescos que inspiram rodopios enquanto alternam a dinâmica do próprio som. Apesar de imersos num pós-punk bem amplo, bebem bastante da música brasileira e do rock clássico, temperando tudo com o humor infame característico da banda – tanto nos intervalos entre as músicas, nas letras e nas citações, como quando emendaram “Samurai” do Djavan e “Isto Aqui, O Que É?” de Ary Barroso em cima de um transe com várias camadas de microfonias que, de repente, pode soar como um samba. Só isso já seria o suficiente para garantir uma ótima noite (e abrir uma possibilidade novíssima para o quarteto, shows em teatros), mas eles ainda recriaram seu quarto disco, Masculine Assemblage, composto a partir de colagens de sessões de improviso que fizeram na casa que moram juntos, apenas para esta apresentação. Foi foda.

#tutunananocentrodaterra #tutunana #centrodaterra #centrodaterra2025 #trabalhosujo2025shows 210

Tutu Naná: Masculine Assemblage

Encerramos a programação de música de setembro no Centro da Terra com a estreia do grupo catarinense Tutu Naná em nosso palco, quando apresentam pela primeira vez o disco que batiza seu espetáculo, Masculine Assemblage, que será lançado ainda essa semana e não deverá ser mostrado neste formato tão cedo, quando o grupo formado por Akira Fukai (guitarra e vocal), Carolina Acaiah (flauta transversal e vocal), Jivago Del Claro (baixo, guitarra e vocal) e Fernando Paludo (bateria e efeitos) mostra o seu quarto álbum ainda inédito na íntegra, entre a intensidade elétrica e a delicadeza da música brasileira, em paisagens sonoras densas e contrastantes. O espetáculo começa pontualmente às 20h e os ingressos estão à venda no site do Centro da Terra.

#tutunananocentrodaterra #tutunana #centrodaterra #centrodaterra2025

Chama acesa

Que maravilha o #chamafestival2025 neste sábado na Casa Rockambole. Tudo funcionou lindamente e juntos transformamos uma noite fria de sábado numa celebração festiva de uma parcela considerável comunidade musical paulistana em formação. Artistas e bandas que estão, em sua maioria, nos primeiros anos de carreira, mostraram serviço enquanto se divertiam e faziam sua arte. A Orfeu Menino tacou fogo no festival de cara, botou todo mundo pra dançar e os sopros de Lalá Santos acentuaram o groove do quinteto. Depois o Saravá encaixou-se bem com Ricardo Paes, do Naimaculada, e seu tom meio blues e soul funcionou lindamente com a melancolia pesada do trio. Em seguida, o grupo D’Artagnan Não Mora Mais Aqui trouxe seu noise pós-punk torto e melódico, em que o guitarrista do Nigéria Futebol Clube, Rodrigs, não teve dificuldade para entrar – e prometeu a vinda de seu primeiro álbum. A Monstro Bom trouxe seu indie pop com as intervenções eletrônicas do Lauiz e também falou da vinda de seu disco de estreia. A alternância entre palcos funcionou e todos conseguiam ver tudo, sem perder o show anterior ou o seguinte. O Tutu Naná derreteu todos com ruído e melodia e Karin Santa Rosa tornou-se quinta integrante do grupo. Mas ninguém estava preparado pro que o Gabiroto iria fazer: ele começou o show tendo suas mãos tatuadas no palco (enquanto cantava) e, depois de convidar Trash para a noite, abriu uma clareira no público para a entrada de uma garota pendurada no teto por num tecido, um cara de pernas de pau e bailarinas com, um verdadeiro circo freak. A noite terminou com duas doses pesadas de rock: a psicodelia do Applegate com o hard rock do Malvisto e a crueza do Ottopapi com a presença efusiva da estreante da Isabella Gil. Shows que deixaram todos extasiados e felizes, com a casa cheia pra ver nomes que sequer tinham ouvido falar. E assim a curiosidade vence a apatia. Missão cumprida!

#chamafestival2025 #gabiroto #trash #sarava #ricardopaes #orfeumenino #lalasantos #applegate #malvisto #tutunana #karinsantarosa #monstrobom #lauiz #dartagnannaomoramaisaqui #rodrigs #ottopapi #isabellagil #inferninhotrabalhosujo #aportamaldita #casarockambole #trabalhosujo2025shows 191 a 198

Chama Festival | 13.9.2025

Ottopapi, D’Artagnan Não Mora Mais Aqui, Gabiroto, Orfeu Menino, Monstro Bom, Tutu Naná e Applegate são as atrações da primeira edição do Chama Festival, que tem como o intuito mostrar as novas bandas brasileiras que estão surgindo nesta década. Idealizado por mim e pelo Arthur Amaral (que criamos estes celeiros de talentos no Inferninho Trabalho Sujo e no Porta Maldita), o festival reúne oito bandas – que por sua cada uma delas recebe seus respectivos convidados: Ottopapi recebe Isabella Gil, D’Artagnan Não Mora Mais Aqui convidou o Rodrigs do Nigéria Futebol Clube, Gabiroto chamou o Trash, Orfeu Menino veio com a Lalá Santos, Monstro Bom trouxe o Lauiz, Tutu Naná convocou Karin Santa Rosa e Applegate acionou o Malvisto. O festival acontece no sábado dia 13 de setembro de 2025 a partir das 16h20 na Casa Rockambole. Os ingressos já estão à venda.

Centro da Terra: Setembro de 2025

Chegando ao final de agosto, é hora de anunciarmos as atrações musicais que subirão ao palco do Centro da Terra nas segundas e terças-feiras de setembro. A temporada do mês fica por conta do saxofonista e arranjador João Barisbe, que aproveita as quatro primeiras segundas-feiras do mês para desenhar uma mesma obra dividida em quatro versões. Turismo Inventado terá diferentes convidados a cada primeiro dia da semana. Na primeira terça do mês (dia 2), o baixista Valentim Frateschi comemora seu aniversário no palco do teatro, antecipando o lançamento de seu primeiro disco solo, Estreito, numa apresentação com vários convidados. Na semana seguinte (dia 9), é a vez do baterista Theo Ceccato mostrar uma versão de câmara de seu projeto impetuoso chamado Pah!, em que divide a noite com o xará Téo Serson num espetáculo batizado de Competição De Cuspe A Distância. Na terceira terça do mês (dia 16), é a vez do homem violeta de outono Fabio Golfetti mostrar todo seu ar ambient e progressivo em uma apresentação solo chamada de Música Planante. Na quarta terça-feira do mês (dia 23), a artesã sonora Lea Taragona apresenta a nova fase de seu projeto Dibuk no espetáculo Uivo. Encerrando o mês, na última segunda de setembro (dia 29), a dupla Luli Mello e Leo Bergamini mostram o trabalho que vêm desenvolvendo a dois no espetáculo Planeta Antiguinho e o mês termina na última terça (dia 30), quando o quarteto catarinense Tutu Naná antecipa mais um disco que lançam esse ano, chamado de Masculine Assemblage. Os espetáculos começam pontualmente sempre às 20h e os ingressos já estão à venda no site do Centro da Terra.

#centrodaterra2025