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Tulipa 2017: “A tecnologia mais de ponta é o ser humano”

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Encontrei com os irmãos Tulipa e Gustavo Ruiz na véspera do lançamento de seu novo disco, batizado apenas como Tu, e eles ainda estavam decidindo questões de última hora. Tulipa me mostrava a capa recém-mudada do disco (“sem as bolinhas”, dizia lembrando da versão anterior) enquanto Gustavo se orgulhava da contracapa que havia acabado de ser fechada, bem como o lançamento físico do disco. Entendo errado e pergunto se havia entrado uma versão de “Físico”, um dos carros-chefes do disco mais recente, Dancê, de última hora no disco, mas eles falavam do lançamento em CD. “Ia ser só digital, mas as pessoas começaram a pedir o CD, então a gente resolveu fazer CD”, emenda a cantora. Me espanto com o “só digital” e eles entendem na hora: “Não, vinil a gente sempre vai querer fazer”, respondem quase juntos e rindo, concordando.

Os dois são uma unidade de trabalho, que dividiu-se em duas metades por questões práticas: uma delas expande-se protagonista, a outra retrai-se coadjuvante. Mas são o mesmo ser, a divisão é natural: Tulipa foi para os holofotes e Gustavo manteve-se coautor, músico e, principalmente, produtor. A união torna-se evidente a partir do próprio conceito do novo disco, que apesar de ser batizado a partir do apelido de Tulipa, também fala da parceria ao ser nomeado como o pronome da segunda pessoa e também com a sonoridade de dois, em inglês.

Tu é um disco a dois, apenas de voz e violão. “Ia ser um disco de releituras com as minhas zonas de conforto, mas o processo levou a gente pra outro lugar”, explica Tulipa, que conta que este formato em dupla com o irmão no violão vem sendo testado desde o início de suas apresentações, antes do lançamento de seu primeiro disco, em 2010. “Principalmente quando íamos para o exterior”, completa Gustavo.

“No ano passado a gente fez bastante esse formato, que eu chamo de ‘nude'”, conta Tulipa, a partir de variações da banda que a acompanhou no lançamento de seu terceiro disco, Dancê, de 2015. “Tínhamos três formatos, o full, com a metaleira, o redux, só com a banda, e o nude. E a gente começou a fazer muito show nesse formato e as músicas foram ficando diferentes, maduras ao mesmo tempo em que elas voltavam a ser como elas já tinham sido, voltando pra sua essência, que era quando compúnhamos a dois. Ficamos com a vontade de gravar esse disco, tirar uma foto desse momento.”

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“Nossa intenção era gravar isso no México, que a gente tem ido com frequência, e lançar um disco ao vivo num teatro”, continua Gustavo. Mas um terceiro elemento entrou na equação e ajudou a mexer no destino daquele disco, que ainda era uma ideia.

“Desde quando fazíamos esse formato na época do Efêmera (seu primeiro disco), o Stepháne (San Juan, cantor, compositor e percussionista) falou que queria gravar a gente daquele jeito. Ele sempre esteve muito próximo da gente nos três discos, dando pitacos inclusive além da música, na arte. E ele sempre nos lembrava que esse formato era muito forte e aos poucos íamos percebendo isso, que ele tem uma força que chega mais perto do que com a banda, nas letras, na melodia”, lembra a cantora. “Daí o encontramos esse ano e ele está numa ponte Rio de Janeiro-Nova York porque agora ele é percussionista da banda do Bernard Purdie (um dos bateristas de James Brown) e ele tá nesse trânsito, terminando o disco dele com o Scotty Hard (produtor nova-iorquino que já trabalhou com a Nação Zumbi e Mamelo Sound Sytem). E, durante um almoço ele nos falou sobre isso e falou sobre gravar nesse formato, da conexão com o Scotty e, de repente, ‘por que a gente não grava nós três?'”

Os irmãos assentiram na hora – e estamos falando de agosto deste ano, três meses atrás. “Eu só começo a pensar em disco novo depois que acaba a turnê”, lembra Tulipa, explicando que a turnê do Dancê ainda tem shows marcados pra fevereiro do ano que vem. “E de repente aconteceu isso de um disco novo aparecer enquanto o outro disco ainda não tinha acabado. E no ano que vem eu quero gravar disco com banda de novo, por isso se a gente não gravasse aquilo ali, na hora, o momento ia passar. Era um negócio 1-2-3 e já, grava agora, lança agora. Porque depois pode ser que nem faça mais sentido.” Ela também gostou de ter anunciado um disco de surpresa, sem criar expectativas ou publicar foto que é o primeiro dia de gravação. “Isso parece que faz as pessoas cansarem do disco antes de ele sair. Eu mesmo canso!”

Mas o disco acabou ganhando outros contornos. “Achei que fosse ser um disco intermediário, um projeto intermediário só de releituras entre dois discos de inéditas, mas aos poucos ele foi ganhando corpo de quarto disco”, explica, enquanto lembra que, na semana anterior à ida para Nova York, ela e Gustavo compuseram cinco novas músicas. “Elas surgiram ainda aqui, na semana que a gente ia viajar” e lembra como compuseram a música em espanhol “Terrorista del Amor” durante um paad-thai oferecido por Ava Rocha em sua casa, que contou com a presença de Saulo Duarte e da fotógrafa Paola Alfamor.

“A gente tinha um monte de música a mais que íamos gravar, mas elas foram caindo. E também culpa desse 2017 transformador e difícil, que pautou muito a gente e ajudou a definir os critérios pra entender quais músicas que estariam no disco. Por conta desse momento difícil e conservador eu sabia que tinha que cantar ‘Pedrinho’ e ‘Desinibida’ de novo, que aliás são as mesmas pessoas, só que em corpos diferentes. Eu preciso me cercar desses personagens, ter eles do meu lado. A mesma coisa ‘Dois Cafés’ e ‘Algo Maior’, que têm coisas que a gente precisa dizer novamente.”

Esta última, gravada com o Metá Metá no finzinho de Dancê, nunca foi tocada ao vivo, à exceção de uma única apresentação, no Loki Bicho, quando os irmãos tocavam neste formato. “A Juçara (Marçal, do Metá Metá) estava lá e eu chamei ela na hora. E foi tão bonito, eu tava com dúvida na letra, postei a letra no Instagram e todo mundo cantou junto. Ela é uma espécie de mantra que é importante repetir, repetir, repetir…”

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A entrada de Stepháne no novo disco, gravado no estúdio de Scotty no Brooklyn nova-iorquino, foi crucial para enxugar ainda mais as gravações. “É um disco falso simples”, continua Tulipa. “Ele só tem uma voz, sem coro, e eu adoro cantar coro. Ele só tem um violão. É muita síntese. A gente criou uma série de regras e ficou meio assustado, mas ficou assim, desse jeito, e o Stepháne foi muito importante nisso, pra me fazer achar uma voz, um jeito mais flat de cantar”. Só há overdubs de percussão em todo o disco e a única participação externa do disco é a de Adan Jodorowsky, filho do mago cineasta Alejandro, que Tulipa conheceu em duas oportunidades no México, num festival de literatura e outro de cinema, sempre recebendo homenagens pelo pai. Ao gravar em espanhol, ela queria entrar no idioma com um anfitrião nativo, para não parecer intrometida, e a sugestão do nome de Adan também surgiu às vésperas da gravação. E ao conectar Adan a uma música composta com Ava, ela não deixa de notar a conexão entre os pais cineastas, ambos românticos idealistas de outra época – “terroristas del amor”, afinal.

“O disco também vem de uma necessidade de fazer as coisas de um jeito mais simples. Precisei fazer um disco olho no olho, com o máximo de verdade e amor. A gente tá cansado, o colesterol tá alto nas hipernarrativas de tudo, as produções são todas megalomaníacas, e a linguagem, que é o básico, sempre fica por último”, continua a cantora. “Tu vem dessa necessidade de, no simples, ser muito legal. Nossa tecnologia mais de ponta é o humano”.

Tu já tem shows agendados para esse ano no Rio de Janeiro (dia 21 de novembro no Teatro Net), em São Lourenço (cidade mineira onde os dois foram criados, dia 8 de dezembro, em praça pública) e em São Paulo (no Sesc Pinheiros, dias 9 e 10 de dezembro) e no ano que vem em Salvador (no Teatro Castro Alves, dia 26 de janeiro) e no Psicodália (festival em Rio Negrinho, Santa Catarina, dia 13 de fevereiro).

Vida Fodona #560: Novembro vai ser mais tranquilo

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Começando as comemorações dos 22 anos do Trabalho Sujo.

Flora Mattos – “Perdendo o Juízo”
Tommy James & The Shondells – “I Think We`re Alone Now”
Rakta – “Memória do Futuro”
Baco Exu do Blues – “Te Amo, Desgraça”
Letrux – “Coisa Banho de Mar”
Smith – “Baby It’s You”
Boogarins – “Camadas”
Tiê + Luan Santana – “Duvido”
Lorde – “In the Air”
Spoon – “WhisperI’lllistentohearit”
War on Drugs – “Strangest Thing”
Rimas + Melodias – “Origens”
Alexandre Basa + Lurdez da Luz – “Liri Sista”
A Tribe Called Quest – “We the People”
Tulipa Ruiz – “Game”
Beta Band – “Dry the Rain”
Ventures – “Walk Don’t Run”
Cream – “Lawdy Mama”

Tulipa Ruiz chega chegando

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Tulipa Ruiz foi pra Nova York e de lá voltou com um disco: Tu foi anunciado sem aviso e sai agora em novembro, antecipado pela faixa “Game”, que brinca com a sonoridade das palavras e seus sentidos. A música foi composta ao lado do parceiro de sempre, o irmão Gustavo Ruiz, e produzida por um novo integrante na trupe, o percussionista Stéphane San Juan, que, como Gustavo, toca e assina a produção da faixa, gravada no estúdio do produtor Scotty Hard, no Brooklyn nova-iorquino.

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A faixa segue a vibe astral de seu disco mais recente, Dancê, de 2015, mas há menos cores (como sugere a arte do single) e um tom mais sério, mesmo que de brincadeira.

Resta saber o que mais vem por aí…

Tudo Tanto #30: Lanny Total

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Outra coluna da Caros Amigos atualizada por aqui – esta da edição do mês de março, sobre o incrível show em homenagem ao mestre Lanny Gordin. Abaixo, os vídeos que fiz desse show:

Reverência ao mágico
Guilherme Held, Tulipa e Gustavo Ruiz reúnem ícones do pop brasileiro para saudar a importância do guitarrista Lanny Gordin

O que une “Chocolate” de Tim Maia a “Kabaluerê” de Antônio Carlos e Jocafi? Os discos Expresso 2222 de Gilberto Gil e o primeiro disco de Jards Macalé? “Atrás do Trio Elétrico” e “Não Identificado”? Além de ícones da música brasileira, todos eles contaram com o toque elétrico de um dos grandes instrumentistas brasileiros, o guitarrista Lanny Gordin. Comumente referido como “o Jimi Hendrix da Tropicália”, Lanny, felizmente, é muito mais do que isso. Mas, infelizmente, como a maioria dos músicos no Brasil, não tem o reconhecimento público de sua importância, o que inevitavelmente se traduz em condições financeiras. E a aposentadoria do músico – quando ela acontece – quase sempre é precária, devido a inúmeros percalços da prática que não se enquadram exatamente nas leis trabalhistas. Se o artista já anda na corda bamba entre o prazer e a remuneração, a arte e o comércio, o músico é quem mais sofre nesta dicotomia, quase sempre a linha de frente desta batalha.

Lanny não é reconhecido como compositor, mas por sua personalidade musical. O timbre elétrico rasgado até poderia ser característico dos grandes guitarristas de sua geração, mas Lanny o temperava com música brasileira, música erudita, free jazz e músicas do leste europeu, o que torna o título que o compara ao grande guitarrista da história do rock limitado. Enquanto Hendrix buscava as profundezas do blues de forma vertiginosa, Lanny ampliava o horizonte de sua paleta, mais próximo de um guitarrista de jazz do que de rock. Mais do que o timbre gritado ou os voos audazes que o músico fazia pelas cordas de seu instrumento, era o fraseado pontual, solos transformados em melodias (e vice-versa), riffs que praticamente abriam um diálogo com o resto da canção. Era uma voz presente que, uma vez percebida, torna-se uma das assinaturas musicais mais importantes daquele período, entre os anos 60 e 70, da música brasileira.

Um de seus discípulos, o guitarrista Guilherme Held, resolveu mexer-se para consertar esta falha da história. Em vez de esperar o reconhecimento póstumo que é caracteristicamente reservado a grandes artistas que morrem no ostracismo, o jovem músico começou a pensar numa homenagem em vida ao músico com quem morou junto em dois endereços diferentes – na Vila Mariana e em Perdizes -, além de ter tido uma banda com o mestre, no início do século.

A homenagem contou com a adesão imediata de outro discípulo ferrenho, o também guitarrista Gustavo Ruiz, irmão da cantora Tulipa Ruiz, e responsável pela presença do próprio Lanny no disco mais recente da irmã, Dancê, de 2015, produzido por Gustavo. É de Lanny o solo de “Expirou”, registro mais recente do guitarrista até agora, que está impossibilitado de tocar devido a problemas de saúde. Gustavo chamou a irmã de bate-pronto e em menos de um mês, os três levantaram o show Lanny Total, a homenagem hiperbólica que o músico merecia.

A vida de Lanny Total começou em um show na antiga choperia do Sesc Pompeia – que agora chama-se de Comedoria – que aconteceu em duas noites. Só a banda base já era de arregalar os olhos: Guilherme e Gustavo cada um com uma guitarra, Fábio Sá no baixo, Sérgio Machado na guitarra, Pepe Cisneros nos teclados, José Aurélio (que foi da banda de Lanny e Held, Projeto Alfa, no início da década passada) e Maurício Badé na percussão, além dos metais que incluíam Thiago França (sax alto e barítono), Amilcar Rodrigues (trompete e flugel), Filipe Nader (sax alto e barítono) e Allan Abbadia (trombone). Além destes subiram no palco Chico César, Mariana Aydar, Negro Leo, Péricles Cavalcanti, Rômulo Fróes, o irmão de Lanny Tony Gordin e Tulipa Ruiz, acompanhados também por Arnaldo Antunes, o hermano Rodrigo Amarante e Edgard Scandurra no primeiro show – o que assisti – e Heraldo do Monte, Juçara Marçal e Kiko Dinucci, no segundo. A discotecagem de abertura ficou por conta do DJ Nuts, um dos maiores especialistas em música brasileira do país, e a apresentação da banda a cargo do apresentador Luiz Thunderbird, além de uma performance do artista Aguillar.

No repertório, uma aula de psicodelia brasileira: “Back in Bahia” de Gilberto Gil, “Eu Vou Me Salvar” de Rita Lee, a versão que Caetano fez de “Eu Quero Essa Mulher Assim Mesmo” de Monsueto em seu Araçá Azul e várias de Gal Costa, de quem Lanny era uma espécie de arma secreta durante sua fase de ouro – “Hotel das Estrelas”, “Não Identificado” e “Love ,Try and Die”, além de composições de Lanny com os novos músicos, como “O Peixinho Triste” com Rômulo Fróes, “Evaporar” com Rodrigo Amarante e a já citada “Expirou” de Tulipa Ruiz.

Mas a descrição do espetáculo não chega próximo da intensidade do sentimento. Mais do que celebrar a personalidade de um músico ímpar, o que acontecia naquele palco era uma conexão intensa com a música em si. Todos os envolvidos canalizados e conectados tanto com a musa – entidade maior que parece magnetizar músicos e espectadores – como entre si. A catarse mútua do rompante dionísico da canção de Monsueto transformava Scandurra, Arnaldo, Rômulo, Péricles e Amarante numa mesma voz. Tulipa e Mariana Aydar canalizavam a energia mais roqueira de Rita Lee e a mesma Tulipa hipnotizava o público num dueto jazzy com Negro Leo. O público se esbaldava extasiado com aquele delírio coletivo. A impressão que dava era que todo mundo ia sair se abraçando.

A última música – “Chocolate”, de Tim Maia – foi cantada por todos os convidados inclusive por um Criolo penetra, que não havia sido escalado oficialmente mas deixou-se levar pela força da música. Todos com seus maiores sorrisos, surfando na onda boa que o mestre guitarrista provocou há décadas. E agora o show pode ir para outros palcos e outras praças, tornando mais gente consciente da importância deste músico mágico.

Feminística

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Iara Rennó estava procurando um lugar para experimentar um novo projeto e conseguimos o Centro da Terra para ela lançar o conceito de seu Feminística, um espetáculo multimídia para sublinhar a importância e a pluralidade da produção artística feminina atual. Neste take zero, que acontece na próxima segunda, dia 29 de maio, no Centro da Terra, ela convida Tulipa Ruiz, a poeta Mel Duarte, Juliana Perdigão e a dupla Lambe Buceta para uma apresentação inicial, que Iara quer continuar num futuro próximo, como comentou no papo que tivemos abaixo. Os ingressos para o show estão sendo vendidos neste link e na página do evento no Facebook há mais informações sobre a noite.

Conta a história do Feminística.
https://soundcloud.com/trabalhosujo/iara-renno-2017-conta-a-historia-do-feministica

Existe uma criação artística feminina?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/iara-renno-2017-existe-uma-criacao-artistica-feminina

Como o Feminística conversa com essa onda feminina que vem acontecendo de uns anos para cá.
https://soundcloud.com/trabalhosujo/iara-renno-2017-como-o-show-conversa-com-essa-atual-onda-feminina

Qual vai ser a dinâmica do espetáculo?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/iara-renno-2017-qual-vai-ser-a-dinamica-do-espetaculo

Fale sobre as convidadas deste take 0.
https://soundcloud.com/trabalhosujo/iara-renno-2017-fale-sobre-as-convidadas-deste-take-0

A ideia é ter uma continuidade?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/iara-renno-2017-a-ideia-e-ter-uma-continuidade

Qual a expectativa para esta primeira apresentação?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/iara-renno-2017-qual-a-expectativa-para-esta-primeira-apresentacao

Tudo Tanto #018: Nova música brasileira, fase 2

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Mais uma coluna para a Caros Amigos do começo do ano ressuscitada aqui, esta sobre o show que Jeneci e Tulipa fizeram juntos em janeiro. Abaixo, os vídeos que fiz no show. A foto acima, de divulgação, é da Beatriz Besseler,

A maturidade de uma geração
Reencontro no palco de Tulipa Ruiz e Marcelo Jeneci consagra o início de uma nova fase da atual cara da música brasileira

2016 começou com um show duplo apaixonado, quando as carreiras de Tulipa Ruiz e Marcelo Jeneci se reencontraram mais uma vez em uma pequena turnê realizada no início de janeiro. Os dois cantores e compositores começaram suas carreiras meio que ao mesmo tempo, no final da década passada. Se embrenharam na picada aberta por Céu alguns anos antes e começaram a pavimentar o terreno e começar a erguer os alicerces para uma nova geração de artistas brasileiros, que a preguiçosa crítica musical da época ainda se referia como “nova MPB”.

Suas primeiras temporadas de show aconteceram no pequeno Grazie a Dio, casa de shows na Vila Madalena, em São Paulo, que viu aparecer toda esta geração que hoje toma conta do cenário musical brasileiro. Os dois revezavam shows naquele palco pelos idos de 2009, bem antes de lançarem seus respectivos discos de estreia – o Efêmera de Tulipa aparece no meio de 2010, o Feito Pra Acabar de Jeneci do mesmo ano. E consagraram a infância de suas carreiras com um show conjunto, em que apresentaram uma canção feita a dois – “Dia a Dia, Lado a Lado”.

Lançaram seus discos, trilharam seus rumos e ergueram suas próprias carreiras separados um do outro. Nos últimos cinco anos, firmaram suas discografias – Tulipa lançou o terceiro disco no ano passado, Jeneci está rascunhando seu terceiro disco neste semestre – e se estabeleceram como dois dos principais nomes da música brasileira desta década. Mas pairava sobre eles a expectativa não apenas pelo reencontro nos palcos mas também da oficialização da parceria de 2009, registrada apenas em vídeos no YouTube feitos por fãs.

A hora aconteceu no final de 2015. Os dois artistas se reuniram para finalmente registrar a versão da música e anunciar uma pequena turnê juntos. Passaram por Salvador, Rio de Janeiro e São Paulo, quando tocaram três vezes no Sesc Pompeia. Pude assistir à noite de estreia do espetáculo no Teatro do Sesc.

Mais do que um simples reencontro das duas carreiras, o show também serviu de balanço para os dois artistas. Cada um trouxe uma dezena de canções de seu próprio repertório para o show, que foi encadeado de forma que as músicas mais simples se encontrassem mais próximas entre si enquanto os momentos mais arrebatadores foram deixados para o fim do espetáculo. Assim “Efêmera” e “Felicidade” abriram a noite que foi chegando para o final juntando “Nada a Ver” com “Like This” e “É” com “Sorriso Madeira”.

A banda de apoio – “banda híbrida”, brincou Tulipa – reunia dois músicos de cada banda, além de ter Jeneci como instrumentista, indo dos teclas do acordeão às dos teclados elétricos. E o show teve dois momentos em que a dupla visitou a canção que deu origem ao encontro: uma primeira versão tímida e distante, quase teatral, com os dois cantando alternando o cantar de frente e de costas um para o outro. E uma última, final, no bis, quando improvisaram um mergulho em separado no público. Logo que a música começou Tulipa e Jeneci se separaram no palco e cada um foi para um dos lados do anfiteatro duplo imaginado por Lina Bo Bardi. Cada embrenhou-se em uma dos lados da plateia dupla e atravessou as galerias laterais para descer na plateia oposta e se reencontrar novamente no palco, dando ao público a oportunidade de ver seus ídolos bem de perto. Num bis emocionante.

E embora o show fosse um longo dueto, cada um deles pisava um pouco atrás para deixar o dono de cada canção brilhar. Uma bela dança em que os dois se alternavam entre os papéis de protagonista e coadjuvante para realçar a primazia de cada composição, ocasionalmente dividindo refrões e cantos livres. Jeneci até pode apresentar uma música inédita – “Rei do Tempo”, em que Tulipa recolheu-se backing vocal -, mostrando que ambos sabiam que o show não era só um encontro, mas um reconhecimento mútuo da importância dos dois.

E um sinal de maturidade de toda uma geração. E não apenas nos dois protagonistas da noite. A tal banda híbrida é outro sintoma perfeito deste momento. Um dos guitarrista é Gustavo Ruiz, irmão de Tulipa e diretor artístico de seus trabalhos, além de seu principal parceiro, e sua trajetória antecede à da irmã, quando ele tocava no DonaZica, que tinha Anelis Assumpção, Iara Rennó e Andreia Dias (hoje todas em carreiras solo estabelecidas). O outro guitarrista, Regis Damasceno, toca com Jeneci além de ser um dos fundadores do grupo cearense Cidadão Instigado e parceiro do compositor Pélico. O baterista de Jeneci, Samuel Fraga, também toca com Regis em projetos como Lamber Vision e Catatau e o Instrumental, além de tocar com Marcia Castro. O baixista de Tulipa, Marcio Arantes, é produtor do excelente Ná e Zé, disco que reuniu Ná Ozzetti e José Miguel Wisnik no ano passado.

Não é só Tulipa e Jeneci, mas toda uma geração. Os dois são apenas os nomes mais conhecidos de uma safra de músicos que inclui nomes como Emicida, Karina Buhr, Siba, Mariana Aydar, Apanhador Só, Tiê, entre outros, e que já pode ser considerada a atual cara da música brasileira. Uma geração que já está consolidada e que está prestes a compor seus primeiros clássicos.

O reencontro de Tulipa com Jeneci é claramente isso. Eles já têm a consciência que não sao mais novidades, não são mais apostas. Percebem cada vez mais como desequilibraram a história da música brasileira com o início de suas carreiras – e não se intimidam. É o início de uma nova fase, o fim da adolescência e o começo da maturidade artística de toda essa geração.

Tulipita

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Tulipa surfa na onda levantada pelo Grammy que ganhou no ano passado e aproveita uma miniturnê pela América Latina para lançar um single “en español”.

A tour começa neste sábado em Quito, no Equador, e segue para o México, com shows dia 25 em Guadalajara, dia 28 em Puebla e dia 1° de junho na capital daquele país.

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E, pensando bem, dá pra fazer uma bela coletânea dela a partir dos seus três discos pra mostrar para os hermanos, não?

The Copan Connection: Bixiga 70 inna dub style

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Em comemoração ao Record Store Day, o grupo Bixiga 70 entregou algumas faixas de seu terceiro disco, lançado no ano passado, ao produtor Victor Rice para que ele desse aquele tratamento especial característicos de seus dubs. O resultado é o disco The Copan Connection, que será lançado neste sábado, na loja Patuá Discos, em tiragem limitada em vinil. A capa foi feita pelO MZK, que assina todas as capas do grupo, e que também estará discotecando no lançamento, que começa às 15h e vai até à noite. Além do Zk, também discotecam Magrão, Ramiro Z (da Patuá), Peba Tropikal e Maurício Fleury (do Veneno Soundsystem – e Maurício é tecladista e guitarrista do Bixiga). O evento é de graça e a Patuá fica na Rua Fidalga, 516, Vila Madalena (mais infos no 11-2306-1647). Ouça abaixo a versão que Rice fez para a faixa “Machado”.

E aproveito pra linkar os vídeos que fiz do Baile do Bixiga, no final do mês passado, quando o grupo apresentou-se do lado da Tulipa Ruiz e de seu irmão Gustavo. Foi quente!

Vida Fodona #522: Recomeçando (de novo)

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Supergrass – “Moving”
Pink Floyd – “Dogs”
Bárbara Eugenia – “Recomeçar”
Tulipa Ruiz – “Jogo do Contente”
Céu – “Varanda Suspensa”
BaianaSystem – “Lucro:Descomprimindo”
João Donato – “The Frog”
Banda Black Rio – “Na Baixa do Sapateiro”
Bixiga 70 – “Machado”
Apples – “Killing”

Este é o link desta playlist e neste link você me segue no Spotify. Lembrando que todas as playlists novas entram na enorme playlist (ainda em construção) com a maioria das músicas que toquei nestes dez anos de Vida Fodona (que dá pra seguir por aqui).