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De volta a 1996

Tom Zé é o próximo homenageado da série Relicário do Selo Sesc, que traz à luz apresentações célebres que foram gravadas em unidades da rede. E para comemorar seu aniversário de 90 anos, a série resgatou um show que o mestre baiano fez em 1996 que reúne standards de seu repertório (como “Nave Maria”, “Dois Mil e Um”, “Hein?” e “Augusta Angélica e Consolação”) com dois clássicos da música brasileira (“Taí” de Joubert de Carvalho e “Trem das Onze” de Adoniran Barbosa) e outras de seu então recém-lançado disco, The Hips of Tradition, quando teve sua carreira ressuscitada por David Byrne através de sua gravadora Luaka Bop, que lançou este disco. É justo deste que sai o primeiro single deste Relicário (que será lançado no dia 9 de outubro): ouça abaixo “Ogodô, Ano 2000”.  

Não existe ninguém como Tom Zé

Tom Zé é patrimônio nacional. Não importa que o gênio quase nonagenário esqueça trechos das próprias letras, confunda a própria banda, arraste-se em longos devaneios sem rumo, esqueça-se onde está ou queira ir embora pra casa antes da hora. Seu valor pra nossa cultura é inestimável justamente por isso: ele nunca se conformou, nunca se ajoelhou pra quem paga a conta, nunca fez concessões, nem se autocensurou por motivo algum. Sempre fez o que e como quis e, como todos que embarcam nessa aventura no Brasil, pagou um preço por isso. Mas mesmo assim sua energia vital é emblemática e está no palco, um de seus principais lares e centro de comunhão com o público. E assim ele esteve em sua apresentação no Auditório Simon Bolívar do Memorial da América Latina neste domingo, dentro do palco paralelo do festival Coala, que acontecia lá fora e, justamente por isso, demorou para encher, com o público entrando até a metade do show. Acompanhado da banda que o segue desde a volta da pandemia (o guitarrista Daniel Maia, a tecladista e vocalista Cristina Carneiro, o baixista Felipe Alves, o baterista Fábio Alves e a vocalista Andreia Dias), ele seguiu o roteiro até o que seria a metade do show, quando anunciou que iria embora e retornou algumas vezes à pitoresca canção que compôs em homenagem ao marsupial que batiza o evento de MPB (diferente da música que fez recentemente sobre a Casa de Francisca, que celebra o local), antes de passar por seus inevitáveis hits – “Tô”, “Hein”, “Menina Amanhã de Manhã” e “Augusta, Angélica e Consolação” – e desandar a conversar sobre qualquer coisa com os dois lados da plateia do auditório. E o público foi entregue ao Tom Zé bruto, sem filtros, intenso e autêntico como poucos artistas brasileiros conseguem ser – e é um privilégio gigantesco poder vê-lo assim, às vésperas de completar 90 anos. Não existe ninguém como Tom Zé.

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Tom Zé vem aí!

Outro dia Marcelo Segreto publicou uma foto em seu Instagram em que atravessava a rua ao lado de Tom Zé, da cantora Loretta e da fotógrafa Sofia Colucci (numa foto tirada pela Laura Pina) e neste sábado a intenção da foto foi revelada, quando a coluna da Mônica Bergamo na Folha de São Paulo, trouxe a notícia que o quase nonagenário cientista musical baiano irá lançar um single chamado “Futuro Fruto” (daí as frutas da foto) ao lado de Segreto e Loretta no próximo dia 20 de agosto. Mas será só um single ou tem disco vindo aí?

Ave Tom Zé!

Mais um encontro com o mestre Tom Zé, desta vez na Casa de Francisca, onde ele já é de casa – a ponto de começar o show com uma música escrita em homenagem ao local. Prestes a começar o início de sua nona década neste planeta, ele segue com a mesma espontaneidade que lhe é característica e combustível para sua criatividade, contando com o guitarrista Daniel Maia e a vocalista Andréia Dias, que estão em sua banda desde antes da pandemia, como guias para ajudá-lo a seguir o repertório. E que repertório! Mesmo que há tempos (felizmente) insista em algumas composições clássicas como “2001”, “Jingle do Disco”, “Jimmy Renda-se” (que voltou à baila graças à trilha do filme Ainda Estou Aqui), “ Nave Maria”, “Tô”, “Hein?”, “A Felicidade”, “Politicar”, “Augusta, Angélica e Consolação” e “Um ‘Oh!’ e um ‘Ah!’”, ele ainda encontra espaço para pinçar experimentos menos conhecidos de seu impressionante cancioneiro, como “A Boca da Cabeça”, “Curiosidade”, “Happy End”, “Não Tenha Ódio No Verão”, “Aviso aos Passageiros” e “Amarração do Amor”. Fingindo sair do palco para acelerar o bis, ele encerrou a noite voltando mais uma vez à canção que fez para a Casa de Francisca e amarrou a noite com o hino “Parque Industrial” a pedidos do público. Viva Tom Zé!

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A benção, Tom Zé!

“Ninguém me retira do Bom Retiro!”, Tom Zé começou o show que deu nesta quinta-feira celebrando o bairro em que a unidade do Sesc onde se apresentou fica instalada. Para receber a quase nonagenária lenda viva da música brasileira – o baiano acaba de completar 89 anos! -, o Sesc Bom Retiro preferiu fazer o show fora de seu teatro fechando a área livre da unidade para comportar mais gente, num espetáculo cujos ingressos esgotaram-se rapidamente. E a alegria contagiante do protagonista da noite começou quase instantaneamente, mesmo que tenha preferido ir de forma comedida, chamando um novo músico a cada nova música no início da apresentação. Mesmo em apresentações mais intimistas (quando dividiu “A Boca da Cabeça” apenas com o guitarrista Daniel Maia e depois quando fez “Curiosidade” com Andréia Dias, que está cantando na banda do mestre). Quando toda banda subiu no palco, pode passear, sem regras pré-estabelecidas, diferentes fases de sua carreira, emendando “Nave Maria” com “Jimmy Renda-se”, “Um ‘Oh!’ e Um ‘Ah!’” com “Jingle do Disco”, sua “2001” composta com Rita Lee com “Tô” e “Hein?” com “Politicar”. O público, boa parte formada por fãs de Tom, não fez cerimônia e fez coro em várias músicas, deixando Tom Zé à vontade para colocar todo para cantar. E dançar! Tão empolgante quanto vê-lo sorrindo enquanto canta é notar como Tom Zé mexe com seu corpo continuamente, sempre entregando-o à música, fazendo a própria dança parte de sua sonoridade. A idade pareceu pedir para encurtar o show antes da hora, mas Tom Zé voltou animado para um bis não apenas como uma, mas duas músicas, quando emendou a envolvente “Xique-Xique” com a implacável “Parque Industrial”, uma música que parece fazer ainda mais sentido em 2025 do que no ano em que foi lançada, 1968. A benção, Tom Zé!

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E se o Tom Zé tocasse com o Tortoise 25 anos depois?

Já garantiu seu ingresso pro show de 25 anos do TNT que o Tortoise irá fazer nesta quinta-feira no Cine Joia? Se não, deu mole: os ingressos estão esgotados! Resta saber se o grupo de Chicago convidará para a apresentação o velho mestre com quem dividiu palcos há um quarto de século, quando apresentou-se, primeiro nos EUA e depois no Brasil ao lado de Tom Zé. O velho tropicalista vivia o ápice de sua popularidade após ser redescoberto por David Byrne no início dos anos 90 quando foi apresentado ao Tortoise por um amigo do grupo, o professor Christopher Dunn, da Universidade de Louisiana, nos EUA, que na época escrevia um livro sobre música brasileira. Levou o baiano, que na época estava lançando o disco Com Defeito de Fabricação, para os EUA e uma das apresentações está na íntegra no canal do YouTube do próprio Dunn (assista abaixo). Depois da passagem pelos EUA, o grupo de Chicago veio para a América Latina e além de shows por Buenos Aires e Santiago, também passou por Belo Horizonte e São Paulo, quando dividiu o palco com Tom Zé. Pude assistir às duas apresentações realizadas em dezembro de 1999 no teatro do Sesc Pompéia e foram momentos únicos para quem gosta de música, independente de rótulos, uma vez que o grupo de jazz rock experimental norte-americano entrosou-se bem com o mestre de Irará, que tocou um esmeril usando capacete e óculos de seguraça enquanto as faíscas espalhavam-se pelo palco. Bem que o Tom Zé podia subir no palco do Cine Joia por apenas uma música, celebrando aquele primeiro encontro.

Assista à íntegra do show em Chicago abaixo:  

Ave Tom Zé!

Não consegui assistir à estreia de Tom Zé na Casa de Francisca no mês passado, mas felizmente (e graças a um bem-vindo ingresso em cima da hora, valeu Leoni!) pude ver o mestre em ação num dos palcos mais emblemáticos da cidade nesta quinta-feira, em sua segunda aparição num dos palcos mais emblemáticos de São Paulo. E como o mestre baiano cai bem naquele lugar. Mais à vontade do que na média de seus shows, ele aproveitou a intimidade com o público para esticar longas conversas sobre assuntos mais diversos entre – e às vezes durante – suas músicas. Sem um show recente específico, Tom Zé passeou por pérolas de seu repertório que passeiam tanto por clássicos de sua discografia quanto discos mais recentes, acompanhado da mesma banda que reuniu depois que conseguimos sair do pesadelo da pandemia, com o guitarrista Daniel Maia, a tecladista e vocalista Cristina Carneiro, o baixista Felipe Alves, o baterista Fábio Alves e a vocalista Andreia Dias, todos atentos ao velho mago entre suas estrepolias e causos contados no palco. Ele abriu o show lembrando do desfile do bloco de carnaval em sua homenagem, o Abacaxi de Irará (e cantou a música que deu origem ao nome do bloco), que sai neste sábado e aproveitou para lembrar histórias do tempo em que sua cidade tinha só três mil habitantes, enquanto percorria por pérolas como “Hein?”, “Não Urine no Chão”, “Jimi Renda-se”, “Xique-Xique”, “Tô”, “2001”, “Não Tenha Ódio no Verão”, “Jingle do Disco”, “Menina Amanhã de Manhã”, “Aviso Aos Passageiros”. “Politicar” e “Amarração do Amor”, antes de reverenciar Adoniran Barbosa em duas músicas que diz ter se inspirado no clássico sambista paulistano, “Augusta, Angélica e Consolação” e “A Volta do Trem das Onze”, e nesta última Tom Zé puxou uma longa conversa sobre sua infância e sobre a ausência de ferrovias no Brasil. Sério e austero quando começava a falar, parecia estar passando um pito no público que só queria se divertir, mas logo em seguida derretia-se em gingado e sorrisos assim que começava a cantar, uma usina de energia que o tempo todo nos faz esquecer que ele está com quase 90 anos de idade. Um patrimônio vivo da cultura brasileira. Ave Tom Zé!

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Assista abaixo: