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Celebração progressista

Mais impressionante que saber porque, do nada, uma banda do deserto do Saara e pouco conhecida no Brasil ter tornado-se o assunto do mês e o hype da semana em São Paulo é saber que três dos integrantes do Tinariwen que apresentaram-se nestas quinta e sexta na comedoria do Sesc Pompeia fundaram o grupo há quase 50 anos, quando, depois de exilados do Mali por conta da guerra civil iniciada nos anos 60, foram repatriados na Líbia do Coronel Gaddafi e criaram o grupo quando serviam o exército daquele país. O líder e fundador da banda, Ibrahim Ag Alhabib, único dos três guitarristas a tocar violão no show, viu seu pai ser assassinado com quatro anos de idade e criou um instrumento com um pedaço de pau, uma lata de óleo e o fio de um freio de bicicleta depois de ver, num filme americano de faroeste, alguém tocando violão. E lá estavam, nesta sexta-feira, três de seus fundadores, Ag Alhabib, Alhassane Ag Touhami (o único que só canta, mas é um poço de carisma) e Abdallah Ag Alhousseyni (na segunda guitarra), todos com quase 70 anos de idade, acompanhados dos novatos Iyad Moussa Abderrahmane (na terceira guitarra), Eyadou Ag Leche (groove firme no baixo) e Said Ag Ayad (nas percussões) devidamente paramentados com suas túnicas frente a uma plateia extasiada que entupiu o Sesc Pompeia depois de esgotar os ingressos em literalmente 15 minutos. Não sei se foi a vinda do Etran De L’Aïr em 2025, a crescente conscientização sobre a causa árabe, o contínuo pensamento decolonialista destes anos 20 ou uma mistura disso tudo que fizeram estes shows bombarem tanto, mas o sexteto da África Central mostrou a que veio, induzindo o público a um transe mágico que vou poucos celulares sendo erguidos para registros, enquanto todos dançavam uma música estrangeira em uma língua desconhecida. Os BPMs da noite começaram baixo e foram aumentando até culminar no bis, quando um certo alguém plantou um boné do MST na cabeça de Abderrahmane, fazendo a noite de sexta tornar-se, além de tudo, uma celebração do pensamento progressista em altíssimo nível, ainda mais após a proibição das bets no início do fim de semana. Um sextou épico!

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Tinariwen no Brasil!

Tá reclamando que tem pouco show? Então segura esses cinco shows que os magos tuaregs vêm fazer no Brasil, quando o grupo Tinariwen anuncia mais uma vinda ao país em setembro, com direito a dois shows gratuitos no festival Mimo (no Rio e em Olinda) e três em São Paulo, um no Sesc Franca e dois no Sesc Pompeia. Pesadíssimo!

Vida Fodona #379: Que eu puder ver ao vivo nessas últimas duas semanas

vf379

Momento “minhas férias”.

Poolside – “Harvest Moon”
Tame Impala – “Feels Like We Only Go Backwards”
Do Make Say Think – “Do”
Dinosaur Jr. – “Freak Scene”
Bob Mould – “Star Machine”
Postal Service – “Clark Gable”
Deerhunter – “Monomania”
Christopher Owens – “Riviera Rock”
Breeders – “I Just Wanna Get Along”
Tinariwen – “Imidiwan Matanam”
Jesus & Mary Chain – “Reverence”
Wedding Present – “Kennedy”
Blur – “This is a Low”
The Knife – “Raging Lung”
Wu-Tang Clan – “C.R.E.A.M.”
Thee Oh Sees – “Carrion Crawler”
Nick Cave & the Bad Seeds – “The Mercy Seat”
Phosphorescent – “Song for Zula”
My Bloody Valentine – “New You”
Los Lobos – “Chuco’s Cumbia”
Neil Young & Crazy Horse – “Like a Hurricane”

Por aqui.