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Ava coletiva

Ava Patrya Yndia Yracema é um dos discos brasileiros mais importantes da década passada não apenas por revelar sua autora, Ava Rocha, como uma supernova de criatividade intensa, mas por reunir, ao seu redor, a cena que orbitava ao redor da primeira encarnação da casa de shows Audio Rebel e que, a partir deste disco, começou a explodir, por isso o show de aniversário que fez neste sábado frio e chuvoso na Casa Rockambole foi uma celebração coletiva. Ava estava à frente da mesma banda que tocou no disco – Marcelo Callado na bateria, Marcos Campello e Eduardo Manso nas guitarras (o último também tocando synth), Felipe Zenicola no baixo e participações do baixista Pedro Dantas e do percussionista e baterista Thomas Harres – e convidou um grandessíssimo elenco para a festa que anulou o tempo feio do lado de fora, transformando a noite numa extensa ebulição criativa (mais de duas horas de show!), tocando o disco com uma constelação absurda de astros: do produtor Jonas Sá ao eterno companheiro Negro Léo, passando por Iara Rennó, Assucena Assumpção, Brisa Flow e Ana Frango Elétrico, esta última caçula daquela geração que entrou para acompanhá-la numa versão “London Calling” para “Hermética” e emendaram a parceria que fizeram juntas anos depois daquele disco, “Mulher Homem Bicho”. Mas mais do que músicos e convidados, a força da noite era Ava, esse vulcão humano que domina o palco e transforma qualquer gesto em performance, dando vida a qualquer objeto (uma taça de vinho, um lenço ou sua clássica máscara de facas), transcendendo a racionalidade enquanto faz o público levitar apenas com sua voz (não por acaso terminou o show puxando o clássico suspiro de Zé Celso). Além do repertório do disco, ela também passou por “Canoa Canoa” de Milton Nascimento (que estava no repertório do show original, dez anos atrás) e encerrou a noite puxando todos os convidados – e alguns da plateia, como Juliana Perdigão, Dinho Almeida e Luiza Lian – para o bis, que começou com “Beijando Todos Vocês” (de seu último disco, Néctar), passou por uma das recém-lançadas parcerias com os Boogarins (“Memórias”) e encerrando com o hit “Você Não Vai Passar”, quando dividiu os vocais com Luiza Lian. Que noite!

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Todo o show: Jards Macalé ao vivo na Europa em março de 2024

A saudade do Jards não vai passar… E assim Thomas Harres, gênio baterista que tocava com o mestre há mais de uma década, resolveu dar uma geral em suas gravações e subiu cinco shows que vez com Macau quando ele passeou pela Europa em março do ano passado. Além de Thomas, Jards estava muitíssimo bem acompanhado pela guitarra de Guilherme Held e o baixo de Paulo Emmery, e o baterista publicou em seu canal no YouTube a íntegra dos shows que o quarteto fez em Frankfurt (dia 4 de março), Mälmo (dia 6), Copenhagen (dia 7), Bremen (dia 9) e Varsóvia (dia 11), todos com mais de uma hora de som, que vocês podem curtir abaixo:  

O Animal Invisível que transformou Guri Assis Brasil

Há anos o guitarrista gaúcho Guri Assis Brasil vem guardando esse segredo e agora começa a compartilhá-lo com o resto do mundo. Fundador da banda Pública e atualmente na banda do pernambucano Otto, ele começou a trabalhar em um projeto solo quando o mundo foi imposto ao isolamento da pandemia. Assombrado pela paranoia daquela época, ela viu-se, como todos nós, encurralado pelo vírus recém-descoberto e tal momento de reclusão foi a deixa para que ele se conectasse com outros músicos – à distância, como fazíamos naquele período de trevas – e começasse a trabalhar em um projeto solar, alto astral, que fosse o antônimo dos dias de pesadelo que atravessamos. Batizou o novo trabalho de Animal Invisível em referência à ameaça do próprio vírus e compôs uma coleção de canções instrumentais ao lado de uma big band que remonta referências ao groove e às boas vibrações de grandes nomes da música brasileira como Artur Verocai, Marcos Valle, Azymuth, João Donato e Banda Black Rio, tocando com metais, teclados, percussão e quase sem vocais num projeto que já vinha sendo comentando e ouvido por poucos, criando uma expectativa para sua vinda. Agora ele finalmente lança as primeiras pistas deste seu Animal ao mostrar uma versão ao vivo no estúdio da faixa que batiza o projeto em primeira mão para o Trabalho Sujo. A faixa foi gravada em uma sessão no Estúdio da Pá Virada com direção do Rafa Rocha, reunindo, além da guitarra de Guri, Pedro Dantas (baixo), Arquétipo Rafa (teclados), Big Rabello e Thomas Harres (bateria e percussões), Reginaldo 16 Toneladas e André Levy (trompetes), Bruno Conrado e Marcos Oliveira (trombones) numa groovezeira pesada anunciando o disco que sairá no ano que vem.

Assista abaixo:  

Céu irrepreensível

Depois do show catártico de lançamento de seu Novella no mês passado, quando reuniu o maior público para uma apresentação somente sua na Áudio, Céu fez um show irrepreensível ao apresentar-se no Sesc Vila Mariana neste sábado. Ao contrário do show anterior, em que pode passear pelo repertório de toda sua discografia e contou com participações especiais, desta vez a noite focava no disco recém-lançado e abria exceções apenas alguns hits dos quase vinte anos da carreira da cantora paulistana. O fato de ter feito uma série de shows internacionais antes de lançar o disco no Brasil a colocou em sincronia perfeita com a banda que já a acompanha há quase dois anos, com Thomas Harres na bateria e disparando efeitos, Leo Mendes no cavaquinho e na guitarra, Sthe Araújo nas percussões e o fiel escudeiro Lucas Martins no baixo, os dois últimos dividindo os vocais com Céu – e cantando muito! – sem se sentirem intimidados pela voz da dona da noite. Com um vestido preto longo chiquérrimo e de cabelo preso, esta mostrava completo domínio do palco, ainda mais com o auxílio de duas feras do backstage – o som perfeito do mestre Gustavo Lenza e o jogo de luzes mágico de Franja, cada vez mais conversando com o ritmo da banda. Mesmo com o foco em Novella, o show teve momentos dedicados a outras joias de sua coroa, como um momento dedicado ao disco Tropix e quando “Bubuia” transformou-se em “Cangote”, ambas pinçadas de seu melhor disco, Vagarosa. Seu disco de estreia, que ela lembrou que completa duas décadas no ano que vem, também foi visitado, primeiro quando “Mora na Filosofia” de Monsueto invadiu o hit “Malemolência” e depois quando ela desenterrou “Mais Um Lamento” no bis. Os dois únicos lapsos que aconteceram durante a noite (quando Céu cantou antes da hora na introdução de “Contravento” e quando Thomas não disparou os efeitos no início de “Reescreve”) não chegaram a macular a apresentação, primeiro por terem sido discretos e rapidamente corrigidos (e com bom humor) como pareceram sublinhar a natureza humana do novo disco, que Ceú fez questão de frisar logo no início do show. A noite terminou com “Rotação” e Céu despediu-se do palco certa de que é dona de um dos melhores shows do Brasil.

Assista abaixo:  

Zé Nigro: Görjeios

Nesta segunda-feira, Zé Nigro começa sua temporada Görjeios no Centro da Terra, quando expande o conceito de seu primeiro disco solo, Apocalip Se, pelas quatro segundas de abril. Nas três primeiras apresentações ele vem acompanhado de uma banda da pesada: Saulo Duarte na guitarra, Meno Del Pichia no baixo e Thomas Harres na batera. Na primeira apresentação, dia 4, ele convida as poetas convida Anna Zepa, Eveline Sin e Dandara Azvedo para acompanhá-lo em investigações líricas a partir de suas próprias músicas. Na segunda, ele recebe Annaïs Syllas e coloca Saulo Duarte como coautor de várias faixas. Na terceira, é a vez de receber Beto Villares, Alessandra Leão e uma convidada-surpresa. A quarta apresentação será uma instalação criada a partir da faixa que batiza a temporada. Os shows começam sempre às 20h, pontualmente, e os ingressos podem ser comprados antecipadamente aqui.

A faísca do encontro

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Quando a YB perdeu sua clássica sede na Vila Madalena, em São Paulo, um de seus sócios, o músico, produtor e compositor Maurício Tagliari deu a sorte de encontrar uma outra casa prontinha pra receber um estúdio de gravação no bairro de Higienópolis. Depois de transferir o equipamento para o novo imóvel, era hora de testar a acústica do local e no final do ano passado, Tagliari convidou alguns amigos para sessões de improviso no novo endereço. “Na sessão número 1 eu queria ouvir o resultado dos timbres de bateria e sopro, por isso reservei uma tarde e chamei o Thomas Garres e o Guizado. Chamei mais gente, mas como era final de ano, muita gente não podia. E eu não pensava em lotar a sala, até para entender melhor a acústica. O propósito era meramente técnico, mas com esses parceiros a probabilidade de sair algo muito bom era altíssima”, conta o guitarrista, que além de Harres e Guizado, também convidou o baixista pernambucano Pedro Dantas. Gravaram duas sessões com o nome de Tanino, trabalho que vem a público na próxima sexta. Uma destas, “Romã”, você ouve em primeira mão no Trabalho Sujo.

Não hove planejamento nem regras pré-estabelecidas. “Foi passar o som e gravar. O que acontece é que houve uma confluência enorme de referências e uma capacidade de audição de cada um que foi bem mágica”, continua Maurício. “Você percebe que não tem ego, as notas vêm e vão, os timbres dialogam. um inspira o outro. E o Thomas é o grande motor da dinâmica. Eu me concentrei em timbres, o Pedro acha as pulsações escondidas e o Guizado borda as melodias. Tudo muito intuitivo.”

Comento que há uma tendência recente a se registrar em discos sessões de improviso, algo que, mesmo em pequena escala, tem tornado-se comum em São Paulo. “É um tipo de música para poucos. infelizmente. só tem rolado em espaços pequenos e alternativos. Fora disso não vejo muita gente aqui no Brasil apostando nisso. No Centro da Terra, no Leviatã, Estúdio Bixiga e um poucos em outros lugares, os malucos se encontram. Mas é algo restrito. Pra mim é mais um exercício estético do que uma onda. Cresci musicalmente ouvindo free jazz. mas tem um ponto: improvisação muitas vezes é um enorme prazer para quem toca mas nem sempre para quem ouve! há vários tipos de som que podem entrar nessa categoria. Sou muito influenciado por Miles Davis e Art Ensemble of Chicago. Toquei e produzi muita coisa na vida, mas só de uns tempos para cá tenho projetos de improvisação lançados. Já tinha feito isso na Universal Mauricio Orchestra e mais recentemente no projeto Dúvidas da Juliana Perdigão. Eu gosto muito do resultado, queria que essa onda chegasse em mais gente. Mas somos os mais underground dos independentes.”

O trabalho são apenas duas músicas, “Romã”, de oito minutos, e “Cravo”, com dezesseis. “Não gastamos mais do que duas horas no estúdio, entramos para brincar. Passamos o som, gravamos a primeira, fomos ouvir e gravamos a segunda. Dali foi sair para comemorar o resultado. Inicialmente era só um teste mas gostamos tanto que decidimos lançar.” E agora fica a dúvida sobre o futuro próximo do grupo, que ainda não tocou ao vivo com público. “Um pouco antes da pandemia atacar a gente se reuniu para uma sessão de fotos de divulgação e decidiu que iria tentar uma residência semanal em algum lugar. Pelo simples prazer de tocar. Mas agora tudo parou, vamos nos contentar em ouvir o disco, por enquanto. É um som muito orgânico. Não dá vontade, ao menos para mim, de tentar algo online ou seja la o que for. tem que ser olho no olho.”

Trabalho Sujo apresenta: Soños

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Maior satisfação receber o querido Thomas Harres na segunda sessão da série Trabalho Sujo Apresenta na Unibes Cultural, nesta sexta-feira, dia 19 de julho, a partir das 20h. O espetáculo Soños é um mergulho interior simbólico, um espelho dos céus, uma reverência à lua e ao tempo, em que Thomas Harres, músico e produtor musical, convida ritmistas para uma imersão coletiva percussiva no universo dos tambores das mais diversas origens. Na noite do dia 19 a Lua adentra o reino das águas em Peixes e Júpiter e Marte incendeiam os céus no fogo sagitariano e ariano respectivamente. Essa noite vamos mergulhar de encontro aos abismos vulcânicos submarinos, que criam a terra fresca e recém nascida da lava vulcânica que pulsa no coração da terra. Os tambores anunciam esse nascimento lento e poderoso do planeta que leva o nome de sua carne! Com a participação de Larissa Braga, Fumaça, Pablo Carvalho, Pacato e Thiago Silva, além de visuais de Alberto Harres. Os ingressos estão sendo vendidos neste link e você pode confirmar a presença no evento aqui.

Lulina: Onde é Onde?

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Imensa satisfação receber a querida Lulina com seu espetáculo em construção Onde é Onde? nesta terça-feira, 21 de maio de 2019, no Centro da Terra. A cantora e compositora pernambucana está prestes a lançar seu próximo álbum, o primeiro desde Pantim, de 2013, e chama parte dos músicos que a acompanharam neste processo – o tecladista Dudu Tsuda, o baterista Thomas Harres, o guitarrista Maurício Tagliari, o percussionista Igor Caracas e o baixista Bubu – para maturarem este novo repertório no pequeno palco do Sumaré. Conversei com ela sobre este espetáculo feito sob medida para o Centro da Terra, quando mostra suas novas canções que estarão em um seu próximo disco (mais informações aqui).

Thomas Harres: Soños

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Maior prazer em ter como dono das segundas-feiras de maio o baterista e percussionista carioca Thomas Harres, que sempre me instigou como um autor, mesmo estando ao fundo, segurando a batida ou esmerilhando o ritmo em diferentes cenários da atual cena contemporânea brasileira, tocando com nomes como Gal Costa, Gilberto Gil, Céu, Anelis Assumpção, Ava Rocha e Jards Macalé, além de ter colaborado com Metá Metá, JosyAra, Rodrigo Ogi, Saulo Duarte, entre outros. Filho do mítico astrólogo Antonio Carlos Bola, ele deixou as ciências ocultas guiarem a temporada ao misturar música e astrologia, evocando os quatro elementos em cada segunda-feira a partir do desenho do céu daquela noite, nesta temporada que chamou de Soños. Na primeira segunda-feira, dia 6, que ele chamou de A Pele, ele se reúne a outros sete percussionistas (Kastrup, Fumaça, Victória dos Santos, Rodrigo Maré, Pablo Carvalho e Pacato) e Negro Leo nos vocais e Manuela Eichner fazendo colagens ao vivo. Na segunda segunda-feira, dia 13, ele vai ao oriente com uma caravana cigana formada por Ava Rocha (dançando), Thiago França (sopros), Fabio Sá (baixo e sampler), Dudu Tsuda (bacias e piesos), Klaus Sena (baixo cigano) e Igor Caracas (percussão), numa noite que chama de A Manifestação. No dia 20, ele se reúne com a vocalista Lenna Bahule e a percussionista Sthe Araujo para a noite Água Ardente, encerrando a temporada no dia 27, ao lado de Kiko Dinucci e Juçara Marçal, revivendo a única colaboração do trio, Abismo, gravada em estúdio e nunca mais reproduzida, com artes feitas por Lucas Pires. Durante toda a temporada, o irmão de Thomas, Alberto Harres, trabalha com a parte visual do espetáculo, misturando projeções, colagens e algoritmos de computador. Conversei com Thomas sobre esta temporada e abaixo ele detalha a vibração de cada segunda-feira (mais informações aqui).

O Fogo, a Terra, a Água e o Ar estarão presentes. Um pacto com a calma de ouvir o outro quando a mente insiste em partir. Olhar para dentro e acordar!

6.5 | A Pele
Lua e Marte em Gêmeos, os tambores elevam a mensagem com os céus. Um palco geminado por peles que tocam peles e ressoam seus sonhos em forma de ritmo.

Uma conversa inconsciente, profunda, sincera.

Uma mensagem carregada pelas gerações dos antigos ao mais novos pelo tambor.

A voz rasga e talha a carne das almas.

Manuela Eichner: colagens ao vivo
Alberto Harres: intervenção visual
Negro Leo: voz
Kastrup: percussão
Fumaça: percussão
Victória dos Santos: percussão
Rodrigo Maré: percussão
Pablo Carvalho: percussão
Pacato: percussão
Thomas Harres: percussão

13.5 | A Manifestação
Lua e Lilith em Virgem, o sonho do corpo em movimento, entidades se manifestam e celebram os corpos que sustentam seus símbolos. O barro da onde a vida fez seu berço.

A roda que na lama nada carrega o comboio, leva seu ritmo e gira tranquilo.

Ava Rocha: dança
Alberto Harres: intervenção visual
Thiago França: sopros
Fabio Sá: baixo e sampler
Dudu Tsuda: bacias e piesos
Klaus Sena: baixo cigano
Igor Caracas: percussão
Thomas Harres: percussão

20.5 | Água Ardente
Lua e Júpiter em Sagitário, destilar a voz, reduzir o sonho e o sumo da alma. Lavar a alma. A água que queima a garganta, traz o absurdo e expulsa a angústia.

Um mergulho do canto de dor e amor, natureza canta e ruge.

Lenna Bahule: voz
Sthe Araujo: voz e percussão
Thomas Harres: voz e percussão

27.5 | O Abismo
O Abismo. O Vazio.

Juçara Marçal: voz e synth
Kiko Dinucci: guitarra e sampler
Thomas Harres: bateria
Lucas Pires: arte