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O último carnaval de Thiago França

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O incansável Thiago França queimou a largada e deu a partida no carnaval 2016 ao lançar no primeiro dia do ano o primeiro disco de marchinhas de sua inacreditável Espetacular Charanga do França. O saxofonista assumiu o papel de puxador de bloco de rua e chamou uma turma da pesada para se juntar ao seu coro, incluindo nomes como Rodrigo Campos, Tulipa Ruiz, Clima, Luiz Chagas, Juçara Marçal, Kiko Dinucci, Rômulo Fróes, Juliana Perdigão, Douglas Germano, Tika, entre outros. As composições têm títulos como “Marchinha do Pitbull (homo pitbullicus)”, “Gourmetizada”, “Cara do Apetite” e “Ferro na Boneca” e trazem o astral das velhas marchinhas para o século vinte e um: “Eu sou compositor, preciso dar o meu parecer sobre a coisa, senão não faz sentido pra mim”, ele me explica. “O repertório clássico é maravilhoso, realmente é, mas também porque dialoga com a nossa memória. A gente cresceu cantando, mas muitos assuntos precisam ser revistos, atualizados. Não quero ficar o resto da vida cantando “se a cor não pega, mulata quero seu amor”, por mais que seja um sucesso, que cumpra a sua função de fazer o povo cantar, é ofensivo. Aqui em SP estamos inventando nosso carnaval, tá tudo no começo. Os blocos mais tradicionais têm 10 anos, é muito pouco! Por que não criar do nosso jeito, como a gente acredita?”

ultimocarnaval

A preocupação política com o carnaval vem estampada no título do disco, colocado para download no site do músico, que chama-se O Último Carnaval de Nossas Vidas: “Tem dois sentidos: um, no sentido de brincar o carnaval como se não houvesse amanhã, se entregar, se permitir sem julgar, experimentar, se jogar mesmo; todo carnaval tem potencial pra ser histórico. O outro, é que, em se tratando de São Paulo, com essa onda conservadora que vem por aí, o nosso direito de fazer a festa tá sempre ameaçado. se a gente não fizer direito e não cuidar do que é nosso pode ser que seja mesmo o último carnaval de nossas vidas.” A seguir o resto da entrevista que fiz com Thiago:

Conta a história da ideia da Charanga até a realização dela no carnaval do ano passado.
Em 2013, quando a banda surgiu, já fazia uns anos que havia me distanciado de tocar samba no dia a dia, e a vontade era retomar esse repertório, fazer um furdúncio no pré-carnaval. Mas a sonoridade do sopro com a percussão, sem instrumentos harmônicos, me impactou tanto que imediatamente eu comecei a compor pra essa formação, e entendi que seria mais um projeto constante. Mesmo tendo o Pimpa tocando bateria, eu falo “percussão”, porque ele é um grande percussionista, essa linguagem tá impregnada no jeito dele de tocar, é por isso.
Imediatamente, todo mundo começou a pedir um bloco da Charanga. A princípio fui reticente, não imaginava que pudesse rolar tão bem quanto rolou. Queria que fosse tudo acústico, no chão, sem carro, sem equipamento, e não imaginava que teria quorum. Daí numa brincadeira com um grandessíssimo fundo de verdade, no finalzinho de 2014, fiz uma convocação via Facebook pro bloco, e a resposta foi imediata e muito positiva, tanto de músicos afim de tocar quando de gente querendo ajudar a coisa a acontecer. Foi lindo, desfilamos com a rua lotada, quase 2.500 pessoas, com uns 20 sopros e mais uns 30 percussionistas. Cumprimos nosso trajeto debaixo de um dilúvio bíblico e ali, debaixo daquela água toda, o Espetacular Bloco da Charanga virou pra mim um compromisso definitivo.

O que dá pra esperar da saída da Charanga esse ano?
Cara, não sei. Ano passado eu imaginei umas 400 pessoas, deu 2.500. Esse ano, o pessoal tá dizendo que vai ter mais gente. Só vamos saber depois que passar… Mas a idéia é a mesma. não tem patrocínio de cerveja de milho transgênico, não tem carro de som, é a gente no chão, todo mundo junto e misturado. Mas esse ano vai ter corda pra proteger a banda, pra evitar contar demais com a sorte como foi o ano passado.

O carnaval em SP tá melhorando?
Sim. Em comparação com os outros carnavais que conheço, Rio, Salvador e Recife, aqui o pessoal ainda é mais contido, se fantasia pouco. A retomada, aqui, passa muito por um lance político, de ocupar espaços públicos, da demanda por cultura, por eventos gratuitos ao ar livre, pra gente poder sair de casa, tirar o limo do apartamento. Esse lado a gente já aprendeu, mas agora precisa desenvolver mais o lado musical, artístico: compor, se fantasiar, começar um movimento cultural. Ainda tem muito pouco músico/artista envolvido nessa parte de criação, e é um terreno vasto, frutífero, muita coisa boa pode surgir disso.

E a Space Charanga, toca no carnaval?
Pode ser que sim, pode ser que não. Pode ser que a gente faça o SpaceFreeBloco no sábado, tocando coisas absurdas, pode ser que não. A Space é um mistério…

E o que mais você tem feito com previsão de lançar esse ano?
Depois do carnaval a gente lança a continuação do disco da Charanga, outro compacto com 4 músicas, como foi o primeiro, com repertório não-carnavalesco. Tem o disco do meu duo de sax barítono e bateria com o Sergio Machado. Deve rolar também pro meio do ano o terceiro do Metá Metá. Pro primeiro semestre é isso, mas ainda tem 2015 rendendo assunto, foram 4, entre eles o Coisas Invisíveis, que assinei como Sambanzo, você viu? E um projeto de rap com o Síntese. Mas certamente a gente vai inventar mais coisa.

A Charanga de Thiago França vai para o espaço sideral

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A usina de som chamada Thiago França não para e faz sua Espetacular Charanga deslocar-se para o espaço sideral seguindo a trilha do explorador do som galáctico Sun Ra. O saxofonista onipresente não contenta-se em ser um dos pilares do Metá Metá e da atual vanguarda paulistana e traça diferentes percursos com projetos paralelos que formam sua impressionante obra, que também inclui uma força da natureza chamada Sambanzo. Desta vez, ele levou sua tradicional charanga – um dos destaques do carnaval desse ano em São Paulo – para sair do cercado do samba e explorar outras dimensões.

“O movimento é cíclico, né?”, ele me explica, comentando seus projetos. “O Sambanzo era mais solto, bastante improviso; a Espetacular Charanga é mais comportada nesse sentido. Depois de um tempo afastado de roda de samba, deu vontade de revisitar esse repertório. Daí vem o desdobramento, a mesma galera mas num contexto diferente.” A mesma galera no caso é a Charanga que está lançando sua versão sideral, o Space Charanga, que é ele tocando sax tenor, alto, pvsax, percussão e instrumentos eletrônicos, Sergio Machado na bateria, Marcelo Cabral (outro onipresente) no baixo acústico e percussão, Anderson Quevedo (no sax barítono, atabaque, percussão), Amilcar Rodrigues (no trompete e flughelhorn) e Allan Abbadia (no trombone e percussão), além da participação de Juliana Perdigão no clarone em duas faixas. O primeiro disco – R.A.N. (rhythm and noise) – já está pra download gratuito no site do saxofonista. “A Space é um desdobramento da Charanga de carnaval, a mesma metaleira com um jeito de tocar diferente, mais solto, mas com o mesmo espírito festivo. Sun Ra é uma influência óbvia, o “space” vem daí”, explica.

O disco foi gravado em agosto do passado no Red Bull Station e impressiona a paciência do prolífico Thiago para lança-lo: “Tem aquela coisa de mixagem e masterização que é sempre mais delicada, leva um tempo, e nesse meio tempo o Metá ocupou bastante a agenda, com viagens e o EP. No começo do ano teve o bloco, que foi um parto, janeiro e fevereiro eu só tinha isso na cabeça. Eu poderia ter soltado o disco antes, porque tá pronto faz um tempo, mas preferi sincar com a chegada do vinil, que já está em pré-venda no site da Goma Gringa.” O show de lançamento vai acontecer dia 23 de agosto, no Sesc consolação ,”com vinil na mão!”, comemora.

O resultado é um amálgama sonoro de sopros e percussão (sobre o baixo torto de Cabral) em transe que começa quase abstrato e aos poucos vai perseguindo padrões e cores sonoras específicas, como se visitasse planetas. O jazz é o inevitável ponto de partida, mas R.A.N. percorre mares caribenhos, africanos e polinésios, por vezes revoltos, por outras plácidos e serenos, mas nunca sem parar. O movimento é sempre contínuo, por mais bucólica que seja a passagem. O som segue à deriva por lugares reconhecíveis e inusitados da alma e do cérebro, usando a música apenas como pretexto para impulsionar uma viagem de autoconhecimento. Houston, você tem um problema – nós não.

Dá pra baixar o disco aqui, encomendar o vinil aqui e ouvir o disco abaixo:

E o disco novo do Passo Torto chama-se Thiago França

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Você já sabia que o quarteto Passo Torto – formado por Kiko Dinucci, Rômulo Fróes, Marcelo Cabral e Rodrigo Campos – estava prestes a lançar um disco com a Ná Ozzetti e a presença do saxofonista Thiago França na primeira foto de divulgação do trabalho alertava que ela não seria a única participação no disco lançado nesta terça, que chama-se… Thiago França – mas a participação Thiago resume-se ao título. O disco pode ser baixado gratuitamente no site da banda, que lança o álbum nos dias 7 e 8 do mês que vem no Sesc Santo Amaro.

Vida Fodona #501: Não tou conseguindo manter a rotina

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Mas vamos ver se eu consigo ajeitar isso em breve.

Saint Pepsi – “I Tried”
Supercordas – “Maria³”
My Magical Glowing Lens – “I Will Never Find”
Yumi Zouma – “Catastrophe”
Unknown Mortal Orchestra – “Necessary Evil”
Ava Rocha – “Beijo no Asfalto”
Thiago França – “Bolero de Marly”
Courtney Barnett – “An Illustration Of Loneline”
Dr. Dre + Snoop Dogg – “Still D.R.E.”
Rita Lee + Tutti Frutti – “Agora é Moda”
Tulipa Ruiz – “Jogo do Contente”
Daft Punk – “Fragments of Time”
Jamie Xx + Young Thug + Popcaan – “I Know There’s Gonna Be (Good Times)”
Blur – “My Terracota Heart”
Jamie Lidell – “Believe in Me”

Por aqui.

Rodrigo Campos da Bahia para o Oriente

rodrigocampos

Quando entrevistei o Cidadão Instigado pra Folha de S. Paulo pude olhar através do vidro de gravação daquele que promete ser um dos discos brasileiros de 2015, o de Rodrigo Campos, que redireciona seu canto da deslumbrante Bahia Fantástica de seu álbum mais recente pra uma aventura do outro lado do planeta, como ele antecipou pelo Facebook:

Disco novo chegando! Novos e antigos parceiros se juntando, os arranjos ganhando corpo, a coisa toda ganhando forma e esse personagem obscuro, que permeia o disco, se revelando; Toshiro! Uma espécie de astronauta arquetípico do inconsciente, navegando completamente à deriva, se agarrando a qualquer espaço/tempo possível, a qualquer memória difusa, a qualquer falta de compreensão de si.

E antecipa uma primeira letra:

Toshiro Reverso
Uma nebulosa
Engoliu Toshiro ontem
Expeliu de volta
Um planeta esquisito
De fato, bonito
Pura coincidência
Numa esquina de São Paulo
Foi alçado com violência
À origem do universo
Toshiro reverso
Não dói, não
Toshiro reverso
Não dói, não
Toshiro uma estrela

Na gravação estavam velhos cúmplices como Rômulo Fróes, Curumin, Marcelo Cabral, Juçara Marçal, Thiago França e Ná Ozetti. O disco promete.

rodrigocampos2015

Emicida, Thiago França e Rodrigo Campos reverenciando o primeiro disco do Cartola

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Emicida estava tão tenso que mal conseguiu conversar com o público no início. Justo ele, um MC tão afeito ao diálogo – nem a presença de seu fiel escudeiro (e escada para conversas impagáveis) DJ Nyack nas picapes o deixou à vontade. Afinal, não era pouca coisa: era a primeira noite do 74 Rotações, o projeto do Radiola Urbana que celebra discos clássicos de quarenta anos atrás, e Emicida havia sido provocado por Thiago França, à sua direita no palco, revezando-se entre a flauta, o sax, percussão e geringonças elétricas, para recriar ao vivo o primeiro disco de Cartola. Ao seu redor, uma banda de peso: Rodrigo Campos no violão e cavaquinho, Doni, da banda de Emicida, no violão de sete cordas, o endiabrado Fábio Sá entre os contrabaixos acústicos e elétrico, Nyack entre as picapes e a percussão, esta toda a cargo de Carlos Café, também da banda de Emicida.

O principal desafio era do rapper – afinal não sabíamos se ele iria rimar ou cantar as músicas do mestre carioca. E a introdução deixou bem claro que seguiria os dois rumos – começou rimando a letra de “Alvorada” sobre uma base reta que se equilibrava entre um funk tenso e um samba mecânico, mas ao chegar no refrão, revelou-se cantor e entoou a primeira das melodias de Cartola. Na segunda parte pôs-se a improvisar como sabe e, pouco a pouco, o misto de responsa e importância foi se dissipando e a noite foi ficando mais à vontade.

O clima de homenagem também era o de desconstrução, proposta principalmente a partir da batuta de Thiago, que por mais que fosse o principal maestro da noite, preferiu dar autoria conjunta a arranjos que entortavam completamente os originais (uma suave e noturna “Disfarça e Chora”, uma robótica e poética “Acontece”, o ad lib de “Tive Sim”, uma delicada “Corra e Olhe o Céu”) ou os celebravam ipsis-literis (como “Alegria” emendada com “A Sorrir”, “Quem Me Vê Sorrindo”, “Sim”, “Amor Proibido” e uma fantástica “Ordenes e Farei” vertida em dança latina de salão). O disco de 74 era sampleado e invertido, citado e virado do avesso, reverenciado e relido com ouvidos de fã e instrumentos de cientista, daqueles apaixonados pela intensidade daquele laboratório vivo. O show terminou com dois salves a Adoniran Barbosa (“Saudosa Maloca” e “Despejo na Favela” cujo tema original foi ressuscitado sem o glamour da nostalgia – são duas músicas que falam sobre ocupação e os sem teto), um samba original do próprio Emicida (a irresistível “Hino Vira Lata”) e a completa entrega a “Preciso Me Encontrar”, de Candeia, vertida em uma jam session de tirar o fôlego.

Um show histórico, quem viu sabe. Que é mais um passo na evolução de Emicida – pois ele mostrou que sabe cantar… Dá pra melhorar? Sempre, mas só o fato de não fazer feio (salvo alguns deslizes no início do show) já mostra que esse menino vai longe…

Filmei o show quase todo, inclusive as piadas e os causos que Emicida talvez preferisse que ninguém filmasse. Mas, tudo bem, é do jogo 😉

Metá Metá @ La Blogothèque

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Os franceses do Blogothèque vieram registrar o trio Metá Metá (a melhor banda de São Paulo hoje? Briga boa com o Bixiga 70) em seu território-natal e o resultado foram duas apresentações memoráveis gravadas no meio da rua: