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Isiah Whitlock Jr. (1954-2025)

Isiah Whitlock Jr. morreu no última segunda-feira do ano e embora não seja um nome conhecido da maioria das pessoas, interpretou o Senador Clayton, um dos personagens mais carismáticos (e autor de um bordão impecável) da série The Wire, uma das melhores de todos os tempos, que lhe garantiu papéis em produções posteriores diferentes como nas séries Veep, Lei e Ordem, O Nevoeiro, Atlanta e Assassinato na Casa Branca, além de seguir sua parceria com Spike Lee, com quem fez cinco filmes desde 2002 (A Última Noite, Elas Me Odeiam Mas Me Querem, Chi-Raq, Infiltrado na Klan e Destacamento Blood)

Todas as frases de abertura de The Wire

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Cada episódio de The Wire, uma das melhores séries de todos os tempos, começava com uma frase escrita na tela, que sempre seria dita por um dos personagens durante aquele capítulo. Um feliz desocupado deu-se ao trabalho de editar todas as frases de abertura quando elas são ditas por seus autores em um único vídeo:

É o mesmo método que uso para dar título para todos os Vidas Fodonas – gravo a abertura e tiro uma frase do texto para batizar o podcast da vez. E, sim, eu sei que eu tô devendo atualizar os VFs…

E se você quiser matar saudade de The Wire, olha esse vídeo cheio de spoilers:

Que série!

A tautologia de The Wire

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Explica, Wikipedia:

A tautologia (do grego ταὐτολογία “dizer o mesmo”) é, na retórica, um termo ou texto que expressa a mesma ideia de formas diferentes. Como um vício de linguagem pode ser considerada um sinônimo de pleonasmo ou redundância. A origem do termo vem de do grego tautó, que significa “o mesmo”, mais logos, que significa “assunto”. Portanto, tautologia é dizer sempre a mesma coisa em termos diferentes.

Em filosofia e outras áreas das ciências humanas, diz-se que um argumento é tautológico quando se explica por ele próprio, às vezes redundante ou falaciosamente. Por exemplo, dizer que “o mar é azul porque reflete a cor do céu e o céu é azul por causa do mar” é uma afirmativa tautológica. Um exemplo de dito popular tautológico é “tudo o que é demais sobra”. Da mesma forma, um sistema é caracterizado como tautológico quando não apresenta saídas à sua própria lógica interna.

Pois alguém reuniu todos os exemplos dessa figura de linguagem na melhor série de todos os tempos, a soberba The Wire:

The Wire e a volta da melhor série de todos os tempos

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“Omar is coming…” em HD. The Wire, também conhecida como a melhor série de todos os tempos, está vindo aí em alta definição. No início do mês o seguinte teaser apareceu na TV:

A HBO logo negou que o seriado iria ser reexibido a partir deste mês, mas confirmou que a série está passando por um processo de adaptação para o formato em alta definição (o que pode picotar em cima e embaixo a tela original da série, gravada no formato 4 x 3, para adaptar-se ao formato 16:9). A remasterização também deve estar sendo feita para uma nova caixa da série, desta vez em Blu-ray.

Oportunidade perfeita para entrar numa série difícil, mas irresistível. A complexa teia de ligações entre os personagens de The Wire aos poucos desenha todas as engrenagens de uma cidade de médio porte e como os homens da lei se misturam com os bandidos. É uma série sem protagonistas e as relações entre os personagens são mais importantes do que eles mesmos, peças num xadrez violento, quase surreal. É uma reunião de personalidades incríveis, desde o núcleo policial (reunindo mestres como Jimmy McNulty, Kima Greggs, Bunk Moreland e Lester Freamon, entre outros) ao núcleo dos traficantes e justiceiros (Omar Little, Bubbles, Stringer Bell e companhia), passando por políticos impagáveis (Tommy Carcetti, Clay Davis – “sheeeeeeeit!”) e outros ratos e cidadãos de péssima índole que fazem a cidade de Baltimore funcionar de fato. Perto de The Wire, Sopranos é uma série sobre uma família que vive uma vida dupla entre os cidadãos de bem e o crime organizado, simples assim.

E funcionar como uma complexa metáfora para todo o sistema ocidental, de armas, política, cadeias, drogas, imprensa, sexo, violência, álcool e joguetes de poder. Uma aula de política disfarçada de seriado policial, The Wire está para os Estados Unidos como a trilogia Cidade de Deus e os dois Tropas de Elite está para o Brasil – só que com sutilezas e brutalidades muito mais tensas e específicas daquela país.