
E esse encontro dia desses numa galeria no Brooklyn, em Nova York? Tão deixando a gente sonhar…

O novo programa de entrevistas da Netflix, Everybody’s Live, apresentado pelo ator e comediante John Mulaney, conseguiu um feito e tanto em seu segundo episódio não apenas ao reunir no mesmo programa duas das maiores mestras do rock independente – Kim Gordon e Kim Deal, vocalistas, baixistas, musas e faróis do mundo indie, a partir de suas respectivas bandas, Pixies e Sonic Youth, que lançaram ótimos discos solo no ano passado – como conseguiu colocá-las juntas no mesmo palco para cantar ao vivo pela primeira vez a música que gravaram há 30 anos no subestimado disco Washing Machine que o Sonic Youth lançou em 1995. O canto fantasmagórico das duas em uma balada soul não apenas ecoa pilares da música pop como os girl groups dos anos 60 (algo que o mesmo Sonic Youth havia feito no ano anterior, ao regravar o hino “Superstar”, canção da dupla Delaney & Bonnie imortalizada pelos irmãos Carpenters) como faz ponte com artistas contemporâneas tão diferentes quanto Amy Winehouse, Lana Del Rey e Weyes Blood – e é tão bom vê-las cantando essa música em 2025 como se estivessem em 1995 ou 1965!

Imagine, só imagine, que alguém liga pro nosso compadre Lirra e pergunta se ele não quer vir pro Brasil no ano que vem – trazendo outro velho conhecido, o mano Shelley, pra tocar junto. E já que estamos aqui, dá um alô em outro chapa, o galalau Thurston, pra repetir o improv que fizeram sexta passada em Nova York numa escala um pouco maior em São Paulo (e já sopra pro agente dele e pra alguém que tenha editora por aqui pra armar o lançamento suas lembranças de 2023, Sonic Life: A Memoir, no Brasil). Quando? Em maio do ano que vem, quando a irmã Kim estará por aqui. O último show do Sonic Youth foi no Brasil, em 2013. Por que o reencontro dos quatro – nem precisa ser show, só a reconexão – não pode acontecer aqui? Questões pessoais são superáveis, Kim e Thurston não são Waters e Gilmour e ainda compartilham os mesmos valores e visões, algo que não só está em falta hoje em dia como está em xeque… Só imagine… Muitos acham impossível, mas para o impossível acontecer primeiro precisamos imaginá-lo…

Vou deixar em aberto o fato de que a audição online de Walls Have Ears, o disco ao vivo de 1985 que o Sonic Youth lançou nessa sexta-feira de carnaval, que aconteceu nesta quinta, ter reunido Thurston Moore, Lee Ranaldo e Steve Shelley depois de muito tempo, apenas para te lembrar que o disco já está em todas as plataformas e que você deveria tirar um tempinho específico (pode ser depois do carnaval, tudo bem) pra ouvi-lo, porque é um absurdo.

E o Sonic Youth, que acabou faz quase dez anos mas segue lançando discos? Desta vez é o pirata Walls Have Ears que vai ser relançado oficialmente no início do ano que vem. O disco registra a segunda turnê que o grupo fez pelo Reino Unido, quando já era a atração principal (diferente de 1983, quando abriu para Danielle Dax e SPK), e o fim da primeira fase da banda, pouco antes do baterista Bob Bert deixar o grupo para a entrada de Steve Shelley. O disco duplo foi lançado originalmente em 1986 e sua nova versão já está em pré-venda. O grupo antecipa uma das faixas do álbum, a versão encurtada (encurtada mas com oito minutos!) de “Expressway To Yr. Skull”. E quando é que o Sonic Youth volta, hein?

O papa do underground nova-iorquino Lou Reed uniu dois discípulos de diferentes gerações em uma de suas canções mais emblemáticas de sua carreira solo. A jovem Lindsey Jordan (que também atende como o grupo de uma mulher só Snail Mail) e o velho Thurston Moore (um dos pilares do Sonic Youth) se uniram para celebrar o fundador do Velvet Underground numa versão correta e bonita para o clássico “Satellite of Love”, que Reed gravou em seu disco mais memorável, Transformer, de 1972.