
O lendário Jello Biafra, fundador e antigo líder do clássico grupo de hardcore Dead Kennedys, participou do show do grupo Cavalera Conspiracy, formado pelos ex-Sepultura Max e Iggor Cavalera, nesta segunda-feira, no Marquis Theater, em Denver, nos EUA, e aproveitou o encontro — e o momento bizarro que seu país está atravessando — para atualizar o clássico hino de sua antiga banda, “Nazi Punks Fuck Off”, mas não sem antes soltar o verbo, como ele sempre faz. “Somos uma família há muito tempo, cara. Eu vi (o Sepultura) pela primeira vez em Denver com o Ministry e o Helmet. Aquele show aconteceu neste lugar que na época ainda era chamado de Mammoth Gardens. Agora a Live Nation também tem suas garras neste lugar. Eu não venho pra cá desde que eles compraram este lugar; essa empresa é o Elon Musk das empresas de show. E muitos de vocês conhecem essa música. Ela foi escrita originalmente sobre pessoas sendo realmente violentas no meio do público e agindo como um bando de nazistas. Então, quando chegou a lugares que tinham ditadores e fascistas de verdade, como o Brasil e a Europa Oriental, se tornou mais do que isso, se tornou uma espécie de grito revolucionário. Então, nada de deixar a música de lado, especialmente porque, pela primeira vez, estamos olhando para ditaduras fascistas reais e vivas com camisas vermelhas, brancas e azuis por todo o país. Vai demorar um pouco para eles me pegarem, mas já estou na lista negra o suficiente pelo que disse sobre o sujo Donnie Trump… e tudo mais, nunca se sabe. Então, agora, essa música tem um nome um pouco diferente, acho que todos podemos nos identificar. Nazistas trumpistas, vão se foder!”
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Já está virando tradição. A primeira foi há um ano, em fevereiro do ano passado, quando a dupla formada pelo ator Michael Shannon e pelo guitarrista Jason Narducy (que toca com Bob Mould) passaram pela cidade-natal do R.E.M. com o show que estavam fazendo em homenagem ao disco de estreia da banda, Murmur, mas naquela ocasião, embora Michael Stipe, Peter Buck, Mike Mills e Bill Berry tivessem subido ao palco, eles participaram de algumas canções e nunca estiveramm os quatro ao mesmo tempo. Isso foi resolvido meses depois, quando o grupo foi entronizado ao Songwriters Hall of Fame, em junho do ano passado, em Nova York, e subiram juntos no palco como não faziam há 17 anos para tocar “Losing My Religion”. A cena se repetiu nessa quinta-feira, na nova versão do show de Shannon e Narducy, que agora revisita o disco Fables Of The Reconstruction, de 1985, e mais uma vez passou pela cidade do grupo, tocando outra vez no mesmo 40 Watt que passaram no passado. E desta vez os quatro estiveram no palco ao mesmo tempo para cantar “Pretty Persuasion”. A noite ainda contou com a presença do guitarrista de Patti Smith, Lenny Kaye, que subiu ao palco para acompanhar a dupla e Peter Buck em duas versões para músicas do Velvet Underground, “Femme Fatale” e “There She Goes Again”. Será que eles voltam algum dia a fazer shows juntos? Assista abaixo: Continue

E o New Order, que está em plena turnê pelo Japão, desenterrou, nesta terça-feira, em Ozaka, uma música que não tocava ao vivo desde 1987! “State of the Nation” saiu originalmmnte como uma faixa-bônus da versão em CD do disco da banda de 1986, Brotherhood, mas tornou-se mais conhecida ao entrar na clássica coletânea que o grupo inglês lançou no ano seguinte, Substance 1987. Será que eles estão aprontando alguma coisa, pra recuperar essa música sem nenhum motivo aparente?
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Um dos shows mais clássicos da história do rock volta às telas de cinema em 2025 – inclusive no Brasil! Pink Floyd at Pompeii MCMLXXII traz o grupo britânico tocando nas ruinas de Pompeia em 1971, sem público, numa das apresentações mais memoráveis da história e será relançado pela primeira vez em áudio (em versões em vinil, CD e Dolby Atmos com áudio remixado e remasterizado); além de versões em Blu-ray, DVD e projeções em salas Imax por todo o mundo, no dia 24 de abril. As vendas começam no dia 6 de março e basta cadastrar-se no site do grupo para saber mais informações sobre as salas de exibição e sobre as vendas. É preparar-se do jeito certo e ir pro cinema. Vamo?
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E vamos para mais um mês de atrações musicais no Centro da Terra e uma vez em março depois do Carnaval já podemos falar que 2025 está à toda. Às segundas-feiras quem segura as quatro apresentações de março é a banda Os Fonsecas, formada por jovens talentos da cena paulistana (o guitarrista Caio Colasante, o vocalista Felipe Távora, o baterista Thalin e o baixista Valentim Frateschi), que dividiu suas apresentações de sua temporada Quem Vê, Pensa em quatro noites distintas, dedicadas especificamente a uma leitura profunda de seu disco de estreia (Estranho pra Vizinha, com direito a convidados), outra só para releituras de autores contemporâneos, uma outra para improvisos e a última para apresentações de canções inéditas. Na terça (dia 11), os músicos Cacá Amaral e Paula Rebellato apresentam seu novo projeto, chamado Qamar, cujo título da apresentação (Significa Lua) traduz seu sentido. Na terça seguinte (dia 18), é a vez de Rômulo Alexis e Anaïs Sylla mostrarem um novo trabalho que estão desenvolvendo juntos, o coletivo de improviso Luz Negra, que reúne inúmeros artistas (Daisy Serena, Marcela Reis, Henrique Kehde, Monaju, Giba Fluxus, Ana Dan, Belle Neri, Cris Cunha, Du Kiddy Artivista, Minarê, Beatriz França, Lucas Brandino e Ivan Batucada, além dos dois) para misturar diferentes disciplinas, sob poética e política em um movimento contínuo de viabilização de novas estéticas, inspirados nas vanguardas experimentais afrodiaspóricas dos anos 1950 e 1960, no espetáculo Axioma. E a última terça-feira do mês assisti ao rebatismo da antiga Monstro Amigo, que agora torna-se Monstro Enigma, no espetáculo Rebatismo do Monstro, ritual sônico em que misturam dissonâncias e rítmicas tortuosas, do punk progressivo ao erudito neandertal a poesia urbana paulista, com a participação da cantora Daíra. Os espetáculos acontecem sempre pontualmente às 20h e os ingressos já estão à venda no site do Centro da Terra.
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Daniel Murray fez um recital impecável nessa quinta-feira, encerrando a programação de música de fevereiro, no Centro da Terra. Só no palco com seu violão, mostrou pela primeira vez ao vivo as 24 minipeças de seu Vista da Montanha, ciclo autoral que compôs para seu instrumento e que confessou ter sido batizado pelo Google, pois quando registrou a primeira destas obras pelo celular, ainda de forma caseira, o aplicativo de gravação sugeriu a localização que se encontrava – batizada de “vista da montanha” por ser literalmente isso – como título do arquivo, batizando de forma lúdica peças complexas e delicadas, passeando entre o violão erudito e o popular para formar uma linda paisagem instrumental que calou o teatro por mais de uma hora, para ser ovacionado de pé por alguns minutos após a execução. O calor da recepção desta primeira audição de sua obra forçou o autor a voltar para um bis, quando trabalhou um tema tradicional italiano seguido de uma versão pessoal para “Água e Vinho”, de Egberto Gismonti. Sublime.
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Encerramos, nesta terça-feira a programação de apresentações musicais de fevereiro no Centro da Terra com o violão solo de Daniel Murray, que mostra pela primeira vez no palco seu ciclo autoral Vista da Montanha, composto por 24 miniaturas compostas para seu instrumento como um contraponto às obras do artista plástico Gabor Geszti e propondo uma escuta da diversidade, através de melodias que nascem de uma leitura livre do perfil das montanhas, se atendo a sonoridades e texturas que reaparecem variadas a cada peça. O espetáculo começa pontualmente às 20h e os ingressos estão à venda no site do Centro da Terra.
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Que noite maravilhosa que foi este encerramento da temporada Adupé que Lenna Bahule nos proporcionou nesta última segunda de fevereiro no Centro da Terra – um encontro de duplas transcendentais que respiravam como um mesmo organismo. Os irmãos Kiko e Ed Woiski misturando harmonia e ritmo no encontro de seus instrumentos elétricos – a guitarra e o baixo -, os percussionistas Ari Colares e Kabé Pinheiro deitando a mão no couro para dar o equilíbrio e a tensão rítmica da noite, as vozes – e percussões – de Lenna e Juçara Marçal se encontrando em picos e vales emocionais, que horas exprimiam força, outras transpiravam delicadeza, nos levando para dimensões extracorporais e fazendo todo mundo se segurar nas poltronas no limite para sair dançando junto, como foi o caso das três intervenções corpóreas puxadas pelas danças de Kabé, uma delas com chocalhos nos tornozelos, outra com sapatos de sapateador e a última ao lado da dona da noite, que lavou a alma de todos os presentes que lotaram o teatro com sua liderança, encanto, leveza e rigidez, tudo encarnado numa mesma pessoa maravilhosa. Uma noite que todos guardarão na memória.
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Domingaço no Cine Joia, quando a Associação Cecília reuniu a nata do underground brasileiro atual para um evento histórico. O festival Cecilia Viva foi criado para arrecadar fundos para o renascimento da casa que fechou suas portas no ano passado por motivos de força maior e era um dos principais focos de resistência e criação da cena alternativa de São Paulo. E foi bonito ver o Cine Joia ir enchendo lentamente até praticamente lotar sua parte inferior para ouvir artistas que abraçam o risco e o experimento como matéria-prima de suas apresentações. O festival começou ainda de dia, com o show dos cariocas do Crizin da Z.O., que infelizmente não consegui chegar a tempo, mas consegui pegar o Test – que nunca tem erro. A dinâmica entre a guitarra e o vocal de João Kombi e a bateria de Barata é um casamento único que deixa o público com os nervos à flor da pele, de tanta tensão. Como a maioria das apresentações da noite, o Test fez um show curto e direto, sem espaço para descanso, deixando claro que esse clima – essencialmente paulistano – era a tônica do evento.
Depois do Test foi a vez de Kiko Dinucci subir ao palco do Cine Joia para defender seu primeiro disco solo, Cortes Curtos, sozinho na guitarra. Houve quem se frustrasse ao perceber que o compositor de Guarulhos tocaria seu disco de 2017 sem banda, mas… Sinceramente? Nem precisava. Só o reencontro de Kiko com seu instrumento-base já seria motivo para comemoração (quanto tempo que ele não toca guitarra num show? Nem lembro mais…), mas o sambista-punk foi além e segurou boa parte das músicas de seu disco no clima tenso que instaurou-se no palco durante o festival: emendando uma música atrás da outra, sem conversa nem tempo pra respirar. E como é bom ver o Kiko na guitarra, principalmente quando ele liga o modo noise, invocando o espírito Glenn Branca para o contexto da vanguarda de São Paulo, misturando suas referências-chave (Lira Paulistana, punk rock e samba paulistano). Volta pro noise, Kiko!
No meio da noite, a referência rock ficou em segundo plano quando o DJ Nuts apresentou um set autoral, misturando bases de diferentes pontos da sua vasta coleção de música brasileira com vocais sampleados de rappers brasileiros, criando um clima pesado e tenso com o daquela noite de domingo. E ao trajar uma camiseta do clássico disco primeiro disco solo do ultramagnetic MC Kool Keith como Dr. Octagon (projeto criado ao lado do produtor Dan the Automator), Nuts deixou clara as intenções daquele set, que era menos para dançar e mais para entrar em nossas mentes enquanto mexia no inconsciente com samples levemente reconhecíveis e timbres vocais que todos conhecemos, numa apresentação que mostrou que, mesmo a Associação Cecília tenha nascido num contexto punk, sempre estava aberta a outras formas de experimentação musical.
Os Boogarins vieram quase no final do festival, puxando mais uma de suas sessões de cura e libertação, improviso extremo em que Fefel, Dinho, Benke e Ynaiã passeiam por diferentes recônditos de sua psicodelia brasileira como se estivessem compondo músicas na hora – e enfatizando, como Dinho sempre diz, o poder de cura da música. Os goianos abriram uma exceção para aquela sessão específica e até tocaram músicas num formato mais tradicional, mas sempre abrindo pontes instrumentais em que poderiam voar para onde quisessem. Sempre lavam a alma.
Mas a noite era delas. O reencontro de Paula Rebelatto e Carla Boregas no palco do Cine Joia não foi a primeira atração a ser anunciada do festival à toa – era o primeiro show das Rakta em cinco anos (!!!) e, acompanhadas pela bateria absurda de Maurício Takara, integrante da formação mais recente do grupo, as duas mostraram que não tinha pra ninguém. O surto elétrico de noise e pós-punk das duas acabou por sintetizar a expectativa da noite, reunir o maior público e eletrizar corações e mentes com seu ritual mágico único, que faz uma falta danada pra noite de São Paulo e pra cena underground brasileira. O final perfeito para uma noite histórica para o underground paulistano. Quem foi sabe.
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Guilherme Cobelo e Tagore fizeram uma noite quentíssima na edição desta sexta-feira no Inferninho Trabalho Sujo no Picles, quando trouxeram versões de uma psicodelia brasileira influenciada pela cultura do sertão, cada um à sua maneira. Cobelo trouxe seu Caubói Astral pela primeira vez para São Paulo, acompanhado do guitarrista Jota Dale, do baterista Dinho Lacerda e do baixista André de Sousa, e ainda cantou músicas inéditas, como minhas favoritas “Asa Soul” e “Conversando como Sábado”, esta última dividindo os vocais com sua irmã de Joe Silhueta, Gaivota Naves, que subiu no palco para abrilhantar ainda mais a noite.
Depois foi a vez de Tagore passear por seus discos e invocar a psicodelia nordestina, puxando Alceu Valença e Ave Sangria entre seus vários ídolos musicais em meio às músicas de seus discos clássicos como Movido a Vapor, Maya e o mais recente Barra de Jangada. Ele veio com uma banda azeitadíssima, que contava com seu fiel comparsa João Cavalcanti no baixo, o ás Arthur Dossa na guitarra, o baterista Arquétipo Rafa e o tecladista Gustavo Garoto, e ainda convocou o capixaba André Prando para a celebração de uma noite quente! Showzaço!
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