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Radiohead em 2025?

“Mulheres e crianças primeiro!” Do nada começaram a aparecer uns flyers anunciando shows do Radiohead – os primeiros desde 2018 – nas ruas de Londres na Inglaterra (marcando os dias 21, 22, 24 e 25 de novembro) e de Copenhague na Dinamarca (dias 1º, 2, 4 e 5 de dezembro). Não há nenhuma informação sobre os locais dos shows, se rolarão outros shows em outras cidades, nenhuma manifestação oficial da banda nem sobre a possibilidade de um novo disco estar vindo no pacote (pouquíssimo provável, mas vai saber). Mas os boatos sobre a volta do grupo esse ano já estavam circulando faz tempo, portanto aí tem…

Soberba a primeira noite da obra em processo que João Barisbe está fazendo às segundas de setembro no Centro da Terra. Seu Turismo Inventado – título da temporada – é uma desculpa para que ele possa conduzir o público a essa mescla de música popular, erudita, jazz e pop, desconstruída em quatro apresentações que mostrarão um mesmo repertório dividido em diferentes naipes, de um mesmo conjunto musical. Na primeira noite, ele dedicou-se ao seu próprio território, o do sopro (pois João é saxofonista), reunindo Fernando Sagawa, Thais Ribeiro, Guizado, Filipe Nader e Gabriel Milliet entre metais e palhetas, todos ancorados pela cozinha precisa e jazzística que foi o encontro perfeito de Helena Cruz com Biel Basile, enquanto o próprio Barisbe ficava na regência de sua pequena orquestra. Como atração vocal da noite, ele convidou Loreta Colucci, que cantou uma canção própria, “Algo Grande Me Vê”, e outra do próprio maestro, “Cometa Javali”, cujo verso-chave, “imaginação e possibilidade”, parecia resumir o ímpeto da noite, que ainda teve um cântico do século 12 na abertura e uma versão de derreter para “Starman”, de David Bowie. Um primeiro capítulo deslumbrante para uma temporada que merece ser vista na íntegra.

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Maior prazer começar o mês de setembro com a temporada que o maestro saxofonista João Barisbe apresenta todas as segundas do mês, chamada de Turismo Inventado, em que convida o público a visitar paisagens sonoras entre a música pop e a música de concerto, visitando referências tão distintas quanto Rogério Duprat, Moacir Santos, David Axelrod e Quincy Jones. Ele apresentará a cada semana o mesmo repertório arranjado para diferentes formações, sempre ancorado por famílias de instrumentos distintas. Na primeira noite, no primeiro dia do mês, ele visita os sopros e convida Thais Ribeiro (flauta), Guizado (trompete), Filipe Nader (sax alto), Gabriel Milliet (sax tenor e flauta) e Fernando Sagawa (sax barítono), todos acompanhados por Helena Cruz (baixo) e Biel Basile (bateria), além de trazer Loreta Colucci como cantora convidada. Na segunda noite, dia 8, ele chama o Quarto Ibá (formado pelas violinistas Leticia Andrade e Mica Marcondes, pela violista Elisa Monteiro e pelo violoncelista Thiago Faria) e conta com Thais Ribeiro e Gabriel Milliet como vocalista. No dia 15, ele foca em percussão com Charles Tixier na bateria, Beto Angerosa nas percussões, Pedro Abujamra no piano e Arthur Decloedt no baixo, além de ter como cantores convidados Sophia Chablau e Pedro Pastoriz. Na última segunda da temporada, dia 22, ele reúne todos os 19 convidados no formato orquestra. Vai ser épico. Os espetáculos começam pontualmente sempre às 20h e os ingressos já estão à venda no site do Centro da Terra.

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O Supergrass coroou um incrível mês de agosto com um show que será lembrado como o mais perto de uma apresentação de rock clássico que muitos dos presentes irão ver. Por mais que a tônica do grupo enfatizasse os elementos divertidos de seu primeiro disco, que comemorava aniversário e segurava mais da metade do repertório da noite, era evidente a devoção do quarteto à geração de ouro do pop britânico, ecoando Beatles, Kinks, Who, Stones e T. Rex, com acenos para diferentes concentrações de rock direto e fugaz encontradas em momentos específicos das carreiras de outros de seus conterrâneos, como David Bowie, Queen, Led Zeppelin, Clash, Black Sabbath, Cure, Roxy Music, Pink Floyd, Jam, Deep Purple e Smiths. Uma aula de rock mas sem a fleuma acadêmica (ou setentista), justamente por basear-se na cama elástica que é a vibe de I Should Coco. Escrevi sobre o show em mais uma colaboração para o Toca UOL.

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Com gosto de Sul

Bem bom o festival que a produtora de Uberlândia Cena Cerrado organizou na Casa Rockambole no sábado passado, quando pude discotecar ao lado do compadre boogarinho Dinho Almeida. A noite começou com o quarteto gaúcho Tess e quis o destino que a aura riograndense pairasse sobre o evento, que reuniu artistas de diferentes partes do país. Depois da Tess foi a vez do grupo brasiliense Corujones que, entre pérolas de rock clássico de seu próprio repertório, ainda pinçou versões para “Cenouras”, do grupo Som Imaginário, e “Pictures and Paintings”, do Júpiter Maçã, o que atraiu ainda mais gaúchos que se reuniram em São Paulo neste fim de semana para assistir ao show da banda contemporânea que mais influenciou o rock gaúcho da virada do século, o trio inglês Supergrass. A gauchada ainda fez coro quando seu conterrâneo Supervão subiu ao palco com seu indie dance à Manchester, abrindo o caminho para o encontro do pernambucano Tagore com a ótima banda mineira Cachalote Fuzz, que dividiram canções de seus respectivos repertórios, e mais uma vez invocaram Júpiter, com uma versão inspirada para “Síndrome de Pânico”, clássico do man. Por conta de um compromisso não pude assistir aos shows do Macaco Bong e dos Forgotten Boys, mas deu para testemunhar a bela mistura rocker idealizada pela produtora, que comemorou 11 anos em grande estilo. E ainda pude ouvir uma versão dubzeira para “Mario de Andrade” que Dinho tocou e que deve aparecer como material extra na comemoração dos dez anos do Manual, o segundo disco de seus Boogarins.

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Neste sábado discoteco no festival Cena Cerrado, que acontece na Casa Rockambole a partir das 19h, reunindo diferentes artistas da cena independente brasileira a partir da atuação do selo de mesmo nome, produtora formada há mais de dez anos em Uberlândia, Minas Gerais, que atua em Minas, São Paulo, Goiás, Bahia e no Distrito Federal e já teve mais de 30 projetos de artistas independentes em seu elenco. Esta primeira edição do festival conta com shows dos Forgotten Boys, Macaco Bong, Supervão, Corujones, Tess e da dobradinha Tagore com Chfzz. Toco entre as bandas na primeira parte da noite, deixando o encerramento da noite com o DJ boogarinho Dinho Almeida. Vai ser massa e ainda tem ingressos à venda.

Nem o Trent Reznor se aguentou! Quarta passada, enquanto seu grupo Nine Inch Nails tocava a penúltima música – justo “Head Like a Hole” – em sua apresentação na Filadélfia, nos EUA, um fã apareceu no meio da plateia fazendo um mosh FANTASIADO DE PAPAI NOEL. A cena foi tão bizarra que nem o líder da banda, conhecido por sua seriedade no palco, não conseguiu disfarçar o riso. Ride Trent Reznor, risonhai!

Assista abaixo: Continue

Sexta-feira duas atrações cariocas baixaram na edição desta semana do Inferninho Trabalho Sujo, que aconteceu no Picles. A noite começou com o show da Janine, que lançou o ótimo EP Muda no primeiro semestre, e mostrou músicas deste disco e outras que estão por vir, num show curto mas direto, que fez acompanhada da baixista Anna Clara e do baterista Arthur Xavier.

Depois foi a vez da banda Ente, liderada por Arthur Bittencourt na voz e violão, que ainda trouxe Victor Complido na guitarra, Ana Sofia Gonzalez no baixo e a própria Janine nos vocais e Arthur Xavier na bateria, que também optaram por um show curto sem delongas, misturando diferentes gêneros, como hardcore, indie, MPB, folk e noise em músicas direto ao ponto. Depois deles foi a vez de eu e Pérola derretermos a pista do Picles indo do pop mais bate-estaca à música brasileira mais macia, com direito à íntegra de “Marquee Moon” e um final cheio de baladas radiofônicas. Quem foi sabe.

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Pra encerrar esse agosto intenso, no dia 29 de agosto teremos mais um Inferninho Trabalho Sujo no Picles, dessa vez trazendo dois artistas cariocas em ascensao. A banda Ente, que acabou de lançar o ótimo Voltarei A Ser Parte De Tudo, e a vocalista Janine, repetindo sua participação na festa, quando mostra músicas de seu excelente EP Muda, também lançado neste ano, e outras que farão parte de seu próximo registro. E quem discoteca comigo depois das apresentações das bandas é minha comadre Pérola Mathias, quando chamamos juntos na xinxa quem quiser se acabar de dançar na pista. Os ingressos já estão a venda nesse link.

Os Fadas arrebentaram em sua apresentação Debaser que fizeram nesta quinta-feira no Belas Artes. O tributo ao vivo aos Pixies feito pela banda paulistana dentro da sessão Trabalho Sujo Apresenta coincidiu com o décimo aniversário da banda, formada em pleno levante das escolas secundaristas daquele infame 2015, quando o grupo foi formado para tocar músicas do grupo de Boston e aos poucos assumiu uma identidade própria, trabalhando desde antes da pandemia seu repertório autoral, nitidamente influenciado por Francis, Kim, Joey e David. A reverência ao grupo inspirador valeu o ingresso do público que lotou a sala de cinema, com o grupo passeando pelos cinco discos clássicos da história da banda sob os vídeos bolados pela artista Olívia Albergaria a partir do surrealismo físico das letras e das capas da banda. O show marcou a estreia de Lucia Esteves, que toca na banda Schlop, como quarta integrante do grupo, enquanto Anna Bogaciovas e Gabriel Magazza encarnaram com esmero – até no timbre das vozes – os papéis de Kim Deal e Black Francis da banda. Coube ao baterista brasiliense Augusto Coaracy o papel de mestre de cerimônias, entretendo o público com fatos sobre a banda – que também pode mostrar duas músicas próprias, a ótima “Sei Lá Vie” e a inédita “Mamata”, que devem lançar ainda este semestre. 20 músicas em uma hora de som e o público ainda pediu bis, que veio com a faixa que batiza o show, sob as imagens do filme de Luís Buñuel citado na letra original.

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