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Show

Nesta terça-feira recebemos Sessa mais uma vez no palco do Centro da Terra, quando faz um Ensaio Aberto do que será seu terceiro disco solo, programado para ser lançado em novembro deste ano. Ele vem acompanhado de Marcelo Cabral (baixo), Biel Basile (bateria) e Ina (vocal) e mostra como as novas músicas funcionarão no palco mesmo antes do público conhecê-las. O espetáculo começa sempre às 20h e os ingressos já estão à venda no site do Centro da Terra.

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Só Buhr


(Foto: Priscilla Buhr)

Ou apenas “Bu”, como já lhe chamam. Um dos grandes nomes da música contemporânea brasileira abandona o prenome Karina para tornar-se apenas seu sobrenome e aproveita um show em comemoração aos dez anos de seu Selvática, que acontece no Sesc Pompeia, no dia 22 de agosto (os ingressos começam a ser vendidos nesta terça, às 17h neste link), para marcar essa transição. “Eu já queria fazer isso há um tempo e no meu mergulho no universo do Selvática, de meu lugar hoje dentro dos feminismos, entra minha vontade de falar na rua que sou uma pessoa não-binária e, no meu caso, isso mexe com meu nome também”, me explica por email. “Não é uma coisa nova pra mim eu não me definir como mulher e questionar gênero e suas atribuições, mas antes eu não tinha algumas palavras na prateleira, depois fui encontrando palavras com as quais eu me identificava fortemente – como pessoa não-binária, agênero… -, mas entendia que não precisava falar disso publicamente, que era uma coisa pessoal, até que entendi que sim, preciso e quero falar sobre isso, que é também coletivo, mostrar que falo desse ponto de vista onde me encontro.” Ela cita “Eu Sou Um Monstro”, do disco de 2015, como um dos indícios de que isso já estava sendo dito anteriormente. “Quis reler as músicas e letras da minha perspectiva hoje, daqui, de 2025”, continua. “Pensar, cantando e falando, dentro dos feminismos onde me encontro agora, e relembrar, por exemplo, nas entrelinhas que sempre falei que na capa do disco, censurada até hoje pelo instagram e companhia, era um personagem sem camisa e não uma mulher ‘exibindo os seios’, frase bem cafona, aliás, que circulou bastante na época do lançamento.” Sobre o novo nome, como a atual condição de gênero, não é propriamente uma novidade: “Muita gente já me chama assim, desde criança, pronunciando ‘Bu’ mesmo, inclusive assino assim meus desenhos há bastante tempo e me sinto mais representada sonoramente, e visualmente”, completa. “Talvez venham outras mudanças, mas, por enquanto, tá de bom tamanho. Sempre tive um incômodo com o nome Karina e um dia eu entendi por quê.”

“Quanto mais escura a noite, mais claro fica o que tem por dentro.” Rita Oliva atravessou a metade de sua temporada Em Brisas nesta segunda-feira no Centro da Terra, quando pela primeira vez deixou sua persona Papisa ser levada para o território do texto falado, entregando-se à poesia guiada pelo poeta Bobby Baq, único convidado desta noite. Além do texto – que incluía com poemas de Marina Colasanti, Clarice Lispector, Yoko Ono e obras dos dois -, Papisa ainda tocou guitarra, teclados e disparou samples, citando Lulu Santos, Sidney Magal e Radiohead e suas próprias canções, entre inéditas e desenterradas, dividindo a apresentação, que usava a água como fio condutor, em quatro partes e conversando com o público entre essas partes – abrindo, inclusive uma roda de sonho em pleno teatro. Foi sua noite mais experimental, em que o encontro da música com a poesia abriu portas para o ocultismo e a psicanálise.

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Bob Dylan segue usando seu repertório para comentar os acontecimentos recentes como tem feito em seus shows deste ano – e não foi diferente neste fim de semana, quando abriu os três shows de sua Outlaw Tour, que vem fazendo ao lado de de seu compadre veterano Willie Nelson, entre outros artistas, com a desafiadora “Masters of War”, tocando-a pela primeira vez ao vivo desde 2016. A faixa foi composta nos anos 60, quando a crise dos mísseis em Cuba e a guerra do Vietnã atormentavam os cidadãos estadunidenses, e segue atual mais de 60 anos depois, à luz das ameaças que o presidente de seu país vem fazendo a outras naçoes, da guerra na Ucrânia e da situação cada vez mais trágica em Gaza.

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O festival argentino Music Wins acabou de anunciar seu elenco este ano, quando, num único dia (2 de novembro) reúnem, no Mandarine Park de Buenos Aires, artistas como Yo La Tengo, Primal Scream, Whitest Boy Alive, a australiana Tash Sultana e a banda francesa L’Impératrice, entre outros nomes menores. Todos citados já têm seus shows marcados no Brasil: o Yo La Tengo toca no Balaclava Fest no dia 9 no Tokio Marine Hall, o Primal Scream vem no dia 11, o Whitest Boy Alive no dia 30 de outubro, L’Imperatrice no dia 4 e a Tash no dia 5, todos estes últimos na Áudio. Só um nome ainda não anunciou sua vinda para o Brasil, justamente o principal nome deste evento – o Massive Attack. Ainda – pois tudo indica que eles estão mais próximos de falar sobre a vinda pra nossa área. Imagina…

O fato dos ingressos pro show que Mac DeMarco fará em São Paulo em abril do ano que vem terem se esgotado tão rápido – em menos que um dia -, acelerou a novidade que a Balaclava revela nesta quarta-feira, ao anunciar que o herói indie canadense fará outros oito shows pelo Brasil entre os dias 4 e 16 daquele abril. Além de abrir mais uma data em São Paulo (mais uma vez na Áudio, dia 5), a excursão passará pelo Rio de Janeiro (dia 3, no Sacadura 154), Brasília (dia 8, no Toinha), Recife (10, na Concha Acústica UFPE), Belo Horizonte (12, na Autêntica), Curitiba (14, no Tork), Floripa (15, no John Bull) e Porto Alegre (16, no Opinião), quando Mac tocará o disco que lança este agosto, batizado de Guitar. Os ingressos já estão à venda neste link.

Arrasa-quarteirão

A força vital de Marcela Lucatelli é o motor do espetáculo Necromancy, que ela apresentou ao lado dos comparsas escandinavos Lars Bech Pilgaard e Ole Mofjell, convidando Marcelo Cabral para integrar-se ao grupo na sessão de improviso no Centro da Terra a partir de temas pré–estabelecidos pelo trio em registros anteriores. Mas por mais que o instrumental acompanhe a avalanche ruidosa que a vocalista transforma em presença física, eles não chegam aos limites explorados por Marcela e trabalham dentro de gêneros bem definidos, em vez de demolir tais barreiras instrumentais. Cabe à vocalista buscar as fronteiras da noite, expandindo sua voz para os limites do corpo, tanto ao testar seu timbre de forma extrema quanto na performance de se atirar no palco – e do palco – por vezes literalmente. Arrasa quarteirão.

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Mais uma vez recebemos no palco do Centro da Terra a inclassificável vocalista Marcela Lucatelli, que volta ao Brasil desta vez com um de seus projetos escandinavos – o trio Necromancy, que criou quando morava em Copenhagen ao lado do dinamarquês Lars Bech Pilgaard (que toca guitarra e teclados) e do norueguês Ole Mofjell (que toca bateria) e a ajuda expandir a atmosfera maximalista e ritualística de suas apresentações. Entre o free jazz, o ambient, o improviso e noise, os três recebem o baixista Marcelo Cabral para deixar a noite ainda mais intensa. O espetáculo começa sempre às 20h e os ingressos já estão à venda no site do Centro da Terra.

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Ícone da new wave, Billy Idol vem mais uma vez ao Brasil este ano, quando trará sua It’s a Nice Day To…Tour Again! para duas datas no Brasil, dia 8 de novembro em São Paulo (no Vibra São Paulo, o antigo Credicard Hall) e dia 12 em Curitiba. Os ingressos começam a ser vendidos nessa sexta por esse link. Alguém anima?

Brisas ou brumas?

Que noite mágica foi a primeira apresentação da temporada que Papisa está fazendo nestas segundas-feiras de agosto no Centro da Terra. Ao chamar a carioca Janine (dona de um dos discos que mais amei este ano, o EP Muda), ela sintonizou-se com os primeiros anos de sua carreira solo, quando fez suas primeiras apresentações naquele mesmo teatro, transformando um projeto de estúdio feito no quarto num trabalho coletivo com uma banda formada apenas por mulheres, em duas apresentações batizadas de Tempo Espaço Ritual, quando tocou à frente de uma banda formada por Laura Wrona, Luna França, Sílvia Tape e Larissa Conforto. Oito anos depois, Rita Oliva aproveitou a primeira noite da temporada para ecoar aquela época, de sonoridade mais rock e psicodélica, sem perder a carga dramática. E o que seria uma apresentação em dupla com as duas empunhando guitarras, cresceu em outra banda de mulheres, desta vez com Irina Bertolucci nos teclados e vocais e Francisca Barreto no cello, percussão e vocais, ritualizando mais uma vez o encontro em uma espécie de conciliábulo público feminino, em que suas duas sacerdotisas cantavam suas primeiras orações – Janine soltando voz e guitarra nas músicas de seu EP e algumas inéditas e Rita abrindo vozes e rasgando sua guitarra nas canções de seus primeiros anos de carreira solo (a sequência que emendou “Uníssono” de Janine com “Fenda”, faixa-titulo do primeiro álbum de Rita foi um dos vários momentos especiais da noite), criando uma superposição de repertórios e personalidades musicais, endossadas e adoçadas pelo teclado e cello de Irina e Chica. Adornadas pela bela luz encarnada de Beeau Gomez, foi uma apresentação que não apenas funcionou como uma bela introdução às próximas segundas como um número à parte que pode inclusive funcionar fora do contexto da temporada, que embora batizada de Em Brisas, tinha uma atmosfera mais Em Brumas nesta primeira noite.

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