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Show

E esse show da Gainsbourg Imperial, hein? Que show! A Orquestra Imperial travestiu-se de big band de jazz funk e, sob a batuta de Jean-Claude Vannier, visitaram parte da obra de Serge Gainsbourg com uma desenvoltura inacreditável. Por enquanto deixo a música (não consegui filmar o palco, ficou só o áudio mesmo) que a viúva não-oficial de Serge, Jane Birkin, dividiu o microfone com o monsieur Caetanô, “Je Suis Venu Te Dire Que Je M’en Vais” – só consegui gravar o áudio (e quando será que o Sesc irá abrir seu baú com este tipo de gravação, hein…). O delicado dueto não chegou perto da explosão de energia dos momentos mais memoráveis do show, mas foi um dos menos irônicos e mais tocantes – à exceção da interpretação final do show, quando Jane Birkin cantou “La Javannaise” a capella. Depois eu falo mais do show.

E aí, já definiu pra qual dos dois festivais você vai? Planeta Terra ou Maquinária?

Eu já: vou pro Planeta Terra. Primeiro porque o festival vem provando há duas edições que dá pra fazer um festival decente, cobrando um único preço razoável para assistir a várias atrações na mesma e única noite. Segundo porque estou curioso pra saber como fazer funcionar um festival no Playcenter às vésperas do renascimento da Barra Funda. O bairro está passando por uma evolução imobiliária de larga escala e é questão de anos para vermos aquela região dos galpões transformar-se em um dos melhores lugares de São Paulo. E terceiro porque mesmo sem fechar as atrações principais (por enquanto, além do Maximo Park, do Metronomy e do Primal Scream, a especulação caía sobre a possibilidade de trazer Neil Young – imagina… -, Snow Patrol ou Sonic Youth – e acho que essa última leva), o festival ainda me parece mais interessante do que o Maquinária.

Esse, por sua vez, me parece acumular defeitos – quase todos vindo pela via pessoal. Não estou entre as viúvas do Faith No More, muito menos das do Jane’s Addiction, dois shows facilmente perdíveis (embora esteja cogitando pegar o FNM em outra praça), mas um festival que inclui estas duas bandas e ainda adiciona o Evanescence à mistura me parece o oposto de uma boa noite. Junte isso ao fato do evento acontecer na mesma Chácara do Jóquei que viu o fiasco de produção pós-show do Radiohead esse ano e já tenho ingredientes para deixá-lo fora da minha mira.

Há quem diga que um dos festivais vai dar com os burros n’água. Exagero. São Paulo é uma cidade grande o suficiente para comportar dois – ou mais – eventos de tais proporções no mesmo dia. Fora que eu acho que, além de não competir diretamente, os dois festivais ajudam a fazer uma separação que não diz respeito especificamente a gênero musical ou a faixa etária, mas a uma combinação dos dois misturada com o momento atual do pop no Brasil.

Não são dois festivais de música pop e pronto. Um soa mais pesado e tem apelo mais juvenil, o outro soa mais indie e tem um enfoque um pouco mais adulto. O problema é que, no Brasil, não existe a possibilidade de se encarar música pop e idade adulta ao mesmo tempo. Aqui ou você gosta da Alta Cultura ou é apenas um moleque. É uma piada de mau gosto que faz com que aconteça alguns absurdos que já nos acostumamos: a ausência de uma revista de música num país essencialmente musical, a insistência de artistas juvenis de outrora em continuar insistindo no mesmo hit do passado, a existência da MPB como gênero musical (e chancela instantânea de bom gosto), o melhor da cultura brasileira dos últimos 30, 40 anos sendo tratado como descartável e passageiro, até ser descoberto por algum gringo desavisado.

E você, vai em qual dos dois?


Júpiter Maçã – “Modern Kid”


The Xx – “Crystalized”


Miike Snow – “Animal”


Beck – “Venus in Furs”


Franz Ferdinand – “No You Girls”

O cara tá só començando… Vi lá no Bruno.


Céu e Curumin – “Cordão da Insônia” (making of)


Arctic Monkeys – “Dangerous Animals”


Radiohead – “These Are My Twisted Words”


Franz Ferdinand – “Turn it On”


Cidadão Instigado – “Dói”

As voltas que o mundo dá: Los Hermanos, em 2002, cantando “Last Nite”, dos Strokes, com o Amarante cantando. Pouco mais de cinco anos depois, dois integrantes das duas bandas fundariam o Little Joy


Los Hermanos – “Last Nite” (ao vivo)

Ela fez uma participação no show dos Specials no sábado passado (mandando a clássica “You’re Wondering Now”) e mandou benzaço.

Pelo menos é isso que a Kátia tá dando a entender… Planeta Terra? Hmmmm…

E o Of Montreal?

E já que tamos falando em Franz e em possíveis shows no Brasil, mais uma vez peço meu voto ao Of Montreal – que toca “Take Me Out” em alguns shows (não só, quase todo show deles tem um cover inusitado).

Fogo na pista


Friendly Fires – “Lovesick”

Friendly Fires @ Studio SP
17 de agosto de 2009


Friendly Fires – “Jump in the Pool”

Bem bom o show dos Friendly Fires em São Paulo, que rolou nesta segunda, abrindo a semana. Já tinha ouvido que a banda tocava mal ao vivo e que, aos poucos, eles foram pegando o jeito da coisa. Nem parece. O entrosamento dos quatro principais músicos e a empolgação dos três titulares da banda (a saber: o baixista Rob Lee é músico convidado) garantiram uma explosão de excitação e adrenalina que mais têm a ver com uma pista de dança do que com um show de rock.


Friendly Fires – “Skeleton Boy”

Porque os Friendly Fires, dance ou não, são uma banda de rock – uma cruza inglesa de Talking Heads com Gang of Four com o gingado do Rapture (mentira, o vocalista Ed Macfarlane rebola mais do que todo o Rapture reunido). Se tivessem nascido em outra época, certamente não trabalhariam com grooves cavalares e percussão comendo solta nem incluiriam uma dupla de metais no show. Sorte nossa. Assim, a banda deixa de ser mais um roquinho genérico para incendiar a pista (como muitas outras bandas desta Nova Dance Music – um dia eu escrevo melhor sobre essa cena).


Friendly Fires – “Kiss of Life”

(O Copacabana Club chegou a dar o clima na mesma medida, botando no palco a mesma comoção de pista de dança dos Friendly Fires. Tá certo que eu cheguei no show na hora em que “Just Do It” transformava a platéia numa turba descontrolada, mas mesmo na última faixa eles mantiveram o público em ponto de bala para o incêndio que foi o show dos FF.)


Friendly Fires – “In the Hospital”

E incendiar Brazilian-style. Desfilando a íntegra de seu disco de estréia, o trio se jogou no palco. Além do requebro de boneco de posto do vocalista, o guitarrista Edd Gibson encarnava o guitar hero pós-punk enquanto o baterista Jack Savidge derrubava a bateria – amparado, vez ou outra, pela percussão do baixista (que, vez ou outra, assumia as baquetas para tocar tarol e vários cowbells) ou pelo agogô de Macfarlane. O público não ficou por menos e a massa pulava feliz ao assistir a um show que soava como uma discotecagem perfeita.


Friendly Fires – “Photobooth”

Ponto pro Lucio, que, na segunda edição de seu festival/festa, o Popload Gig, mostrou que dá pra trazer um artista que não é muito conhecido para o Brasil, fazer shows de médio porte (o Bruno também gostou do show dos caras no Rio) e deixar tanto público quanto crítica felizes. Que venham outros.


Friendly Fires – “Paris”