Ainda sobre o Steve Shelley, ele é o baterista da atual encarnação de uma das metades do Neu!, o mítico e hermético quinto elemento, ao lado do Kraftwerk, do Faust, do Tangerine Dream e do Can, da fundação do pop alemão como o conhecemos hoje. Michael Rother é a metade que comanda o Hallogallo 2010 e convidou o baterista do Sonic Youth para assumir o motorik nas músicas do Neu!, que são a base do repertório do grupo. E a primeira aparição do Hallogallo 2010 do lado de cá do Atlântico acontece em agosto, na cidade-natal de Shelley, quando o grupo toca no Lincoln Center, em Nova York, dividindo o palco com ninguém menos que Hermeto Pascoal. Shelley comemorou a coincidência blipando a incrível “Música da Lagoa”, do velho mago.
Se você estiver por lá nessa época, não perca.
E já que o clima é o pós-disco do começo dos anos 80, pare o que você está fazendo, siga este link, aperte o play e dê full-screen no player. Você está para entrar em uma outra dimensão, em que a música, conduzida pelo ritmo, ganha um valor emocional superior, transcendental. Esse show dos Talking Heads em Roma (com Andrew Belew desequilibrando na outra guitarra) já tinha sido indicado pelo Thiago no comentário sobre o show do Walkmen no Rio e foi linkado pelo Guilherme quando a Tina Weymouth pintou no jogo das T-Girls (ah, o privilégio de ter bons leitores…). Mas deixa de enrolação: assista ao vídeo de show e torne-se uma pessoa melhor. Abaixo, o repertório.
“Psycho Killer”
“Stay Hungry”
“Cities”
“I Zimbra”
“Drugs”
“Take Me to the River”
“Crosseyed and Painless”
“Life During Wartime”
“Houses in Motion”
“Born under Punches”
“The Great Curve”
Aqui, o torrent. E eu ainda verso sobre esse tema daqui a pouco.
LCD Soundsystem…
…Xx…
…Flying Lotus…
…Yo La Tengo…
…Mayer Hawthorne…
…Phoenix…
… Atoms For Peace e muito mais na resenha que o Bruno fez do Coachella desse ano. Confere lá!
Jonathan Richman – “Cosi Veloce!” / “Let Her Go Into The Darkness”
Aproveito a deixa do Coachella do Bruno para falar de dois shows que vi nas últimas semanas. O primeiro foi o de Jonathan Richman, pai dos Modern Lovers, um dos sujeitos responsáveis por manter acesa a tocha do foda-se entre o Velvet Underground e os Ramones no início dos anos 70. Desde os Modern Lovers – e isso faz teeeempo -, que o sujeito não volta ao rock de verdade, preferindo ficar na posição de trovador ao violão, cantando músicas próprias e alheias ao violão como um velho bardo da Idade Média enquanto se dirige ao público batendo papo o mesmo tanto que toca música. Além do inglês nativo, Richman já gravou em francês, italiano, espanhol e hebreu, e ele curte a conversa com sua platéia enquanto se apresenta ao lado do baterista Tommy Larkins. Eu já tinha visto o sujeito se apresentando nesse formato em Paris, cidade em que ele tem um culto forte, e o clima de reencontro pairava mais sobre o show do que qualquer outro – eram fãs revendo o velho ídolo de sempre, as músicas completadas pela audiência como um diálogo (veja versão que filmei de “I Was Dancing in a Lesbian Bar“, com um clima quase um karaokê de turma), quase todo em francês. Por isso fiquei curioso – e um tanto quanto cético – quando soube que Richman viria ao Brasil e estava sendo vendido como um velho ídolo punk. Além de ser o oposto do tipo de apresentação que ele faz hoje, some-se a isso o fato de que ele não sabia falar a nossa língua e pronto, tínhamos uma receita para uma falha de comunicação – e não para um diálogo.
Jonathan Richman – “Blowing in the Wind” / “I Was Dancing in a Lesbian Bar” / “Pablo Picasso”
Não que o show não tenha sofrido com isso, mas o atrito foi bem menor do que o possível – e em grande parte devido à benevolência do público, disposto a cooperar. E foi preciso que Richman enrolasse a letra de “Blowing in the Wind” para que os presentes entendessem a lógica do show. Desculpando-se por não falar português com frequência, Richman compensava a falta de entrosamento racional com dancinhas e cocalhos, numa tentativa ridícula – mas felizmente eficaz – de conectar-se com o público. Em vinte minutos todos já tinham entendido qual era – e depois de mais uma hora Richman fechou o show como se estivesse se despedindo de um público que já conhecia faz tempo.
Jonathan Richman – “Arrivederci”
O Custódio tá morando em Londres e passou um perrengue por causa da tal TV License e, depois de se ver obrigado a pagar o imposto inglês, resolveu entrar numas de “já que estou pagando, vou assistir” e começou a fuçar uns programas da BBC no YouTube – até que, sem querer, descobriu o velho The Word, do começo dos anos 90, que passava sexta tarde da noite no Channel 4 – e as bandas faziam o que dava na telha. Eles separou alguns vídeos, como a primeira vez em que o Nirvana tocou ao vivo na TV…
…o hit único do Daisy Chainsaw (uma favorita pessoal)…
…e essa invasão de palco na apresentação do Rage Against the Machine.
No post que ele escreveu pro site da Reverb ele conta essa história direito e linka ainda mais vídeos, vale colar lá.
Acima ela toca “Carry On Wayward Son” do Kansas. Já tinha linkado ela tocando “YYZ” do Rush mas não custa republicar…
Lembra que ele gravou uma faixa pro tributo ao Chris Knox? Pois é: o homem-Neutral Milk Hotel deve pintar na terra-natal de Knox – a Nova Zelândia – para uma rara aparição ao vivo, justamente divulgando o disco recém-lançado, em homenagem ao dono dos Tall Dwarves, cuja grana revertida no projeto ajudará o músico a se manter depois de ter sofrido um derrame. O show acontece no dia 6 de maio e, sem dúvida, esse show aparecerá online de algum jeito.
Vamos então com a mesma dupla mandando um clássico dos H&O.
Esse é mais antigo mas vale rever: é o Chromeo com o próprio Darryl Hall.
Ah, que sonzeira…


