
Nessa terça-feira, o Centro da Terra recebe a Competição de Cuspe à Distância proposta pelo projeto Pah! Idealizado por Theo Cecato, baterista das bandas Sophia Chablau & Uma Enorme Perda de Tempo, Pelados e Fernê, o Pah! é um projeto instantâneo que só teve uma única apresentação até agora, quando reuniu mais de uma dezena de músicos numa mesma performance de improviso livre. Nesta segunda apresentação, Theo convida seu companheiro de banda, o baixista e poeta Téo Serson, para visitar o outro extremo de seu projeto, buscando o efeito do silêncio entre as músicas enquanto um toca guitarra e o outro piano. O espetáculo começa pontualmente às 20h e os ingressos estão à venda no site do Centro da Terra.
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Mais uma segunda-feira teleguiada por João Barisbe, que nos convidou a mais um capítulo de seu Turismo Inventado, em que nos convida a conhecer lugares imaginários através de suas próprias composições, a cada semana com novos arranjos. Desta vez foi o momento em que ele exercitou o naipe de cordas, convidando o sublime Quarteto Ibá (formado pelas violinistas Leticia Andrade e Mica Marcondes, pela violista Elisa Monteiro e pelo violoncelista Thiago Faria) para voltar às músicas que apresentou na semana passada, mas sem sequer subir no palco para regê-las, juntando-se ao grupo apenas para tocar seu saxofone, deixando claro seu papel de arranjador mais do que de regente . Além do quarteto, Barisbe também convidou dois músicos reincidentes da semana passada para mostrar suas próprias canções – primeiro a maravilhosa Thais Ribeiro, que trouxe seu acordeão para mostrar sua “Meu Velho” e Gabriel Milliet, que primeiro visitou “Jardim da Fantasia”, de Paulinho Pedra Azul, que ele conheceu na versão definitiva que Renato Teixeira gravou com Pena Branca e Xavantinho no disco ao vivo que gravaram em 1992 em Tatuí, e depois a inédita “Prefiro Infinito”, parceria com o próprio Barisbe, quando apresentou-a ao lado do quarteto tocando violão. A noite terminou como a anterior, quando Barisbe voltou ao palco com o sax para cantar – sem texto, só com a voz de seu instrumento – a épica “Cometa Javali”, a mesma com a qual encerrou a primeira apresentação e cujo verso central parece não apenas resumir a temática de sua temporada quanto o que pode ser feito a partir do trabalho com a arte em seu verso central, “imaginação e possibilidade”. Bravo!
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Não esqueci da Dua Lipa não! Ela começou a perna norte-americana de sua turnê no início de setembro, quando passou primeiro pelo Canadá e depois seguiu para os EUA. E as escolhas que fez ao chegar nestes países – até agora – foram boas surpresas em homenagem ao repertório local. Primeiro com ela ressuscitando “I’m Like a Bird” da Nelly Furtado no primeiro show em Toronto e depois trazendo o rapper Mustafa the Poet para dividir “Name of God” com a presença do próprio. E ao entrar nos Estados Unidos nessa sexta-feira, Dua Lipa trouxe uma diva e tanto para acomapanhá-la em seu primeiro show em Chicago, quando convidou a mestra Chaka Khan para cantar juntas a irresistível “Ain’t Nobody”. No sábado, ela celebrou um dos maiores hits daquela cidade quando visitou a inconfundível “September”, do Earth Wind and Fire. Que maravilha.
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Sempre é um prazer poder ver nossos amigos musicais escoceses quando eles vêm ao Brasil – e felizmente o show do Teenage Fanclub segue sendo aquela celebração ao alto astral, mesmo quando puxam canções mais melancólicas. Escrevi sobre esse momento pro Toca UOL. Continue

Confesso que fiquei balançado ao ver a escalação do aniversário de 20 anos do Festival Convida, em Brasília. Afinal de contas, olha esse elenco que reúne Edu Lobo com Bixiga 70, Juçara Marçal com Sophia Chablau e Uma Enorme Perda de Tempo, Mombojó com Pelados, Mari Jasca com Varanda, Móveis Coloniais de Acaju com Gaivota e várias outras bandas pequenas locais. Infelizmente, os shows não acontecem todos ao mesmo tempo em um mesmo espaço conjunto e sim durante diferentes datas de setembro na casa de shows Infinu, parada obrigatória para quem quiser fazer shows de médio porte na capital federal. Mas já é possível notar uma mudança de postura em relação à noção de festivais que nos assolou no período pós-pandêmico, que reúnem dezenas de artistas sem o menor critério curatorial, apenas para mostrar números e quantidade para justificar investimentos e patrocínios. Apesar de trazer artistas de diferentes estaturas e gêneros musicais, o festival brasiliense deixa evidente suas armas ao apostar em uma escalação pouco óbvia e comercial, privilegiando mais nomes inventivos e ousados do que propriamente populares. É de se comemorar – e notar que estamos em meio a uma mudança em curso…

Gilberto Gil retomou sua turnê de despedida neste fim de semana, quando tocou em Porto Alegre e, como de praxe, convidou um artista local para dividir uma canção – e desta vez a escolhida foi Adriana Calcanhotto, com quem dividiu os vocais de “Punk da Periferia”. “Cálice” com Chico Buarque, “Estrela” com Djavan (ou será que ele vai preferir o dueto que fez coma Sandy em São Paulo?), “A Paz” com Marisa Monte, “Superhomem – A Canção” com Caetano Veloso, “Extra II (O Rock do Segurança)” com Arnaldo Antunes, “Andar com Fé” com Lulu Santos, “Funk-se Quem Puder”/”Aquele Abraço” com Anitta, “Vamos Fugir”, com Samuel Rosa, “A Gente Precisa Ver o Luar” com Nando Reis, “Realce” com Liniker, “Extra”, com Alexandre Carlo do Natiruts, “A Dança” com MC Hariel, “Não chore mais (No Woman, No Cry)” com Marjorie Estiano, “Refazenda” com a neta Flor Gil, “Drão, com a filha Preta Gil. Ele ainda passa por São Paulo (duas vezes), Rio (outras duas), Santiago no Chile, Fortaleza (duas vezes), Recife (três vezes), Salvador e Belém e ainda não gravou versões com participações em músicas como “Palco”, “Banda Um”, “Tempo Rei”, “Aqui e Agora”, ‘Eu Só Quero um Xodó”, “Eu Vim da Bahia”, “Procissão”, “Domingo no Parque”, “Back in Bahia”, “Refavela”, “Extra”, “A Novidade”, “Se Eu Quiser Falar com Deus”, “Esotérico”, “Expresso 2222”, “Emoriô”, “Toda Menina Baiana” e “Esperando na Janela”. Façam suas apostas! As minhas: “Toda Menina” com Daniela Mercury em Salvador, “Xodó” (ou “Janela”) com João Gomes no Recife e “Emoriô” com a Fafá em Belém.
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Em sua passagem por São Paulo nesta sexta-feira, o duo ítalo-brasileiro Hate Moss atordoou o público que foi assisti-lo com sua fusão agressiva e envolvente de dance music eletrônica com rock industrial. Formado pelo baterista italiano nascido no Brasil Ian Carvalho, que conheceu sua parceira de banda Tina, que toca sintetizadores e eletrônicos, quando os dois trabalhavam com produção cultural, a dupla forjou a sonoridade que hoje exploram ao mesmo tempo em que se desprenderam de raízes territoriais, vivendo uma vida nômade que os leva a shows pela Europa, América do Sul e Oriente Médio. Esta série de shows que trouxeram para o Brasil antecipa o novo álbum que será lançado no ano que vem e tem como base o EP Mercimek Days, uma live que fizeram em Istambul, na Turquia, que foi lançada como disco no meio de 2025, quando também estão experimentando novas canções, como o funk brasileiro que fizeram com letra em português e tocaram no bis de sua apresentação.
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E por falar no Tiny Desk, vocês viram que a Pink Pantheress (dona de um dos melhores discos de 2025) fez uma senhora apresentação no programa? Ela reuniu uma senhora banda para traduzir suas bases eletrônicas em instrumentos analógicos em versões maravilhosas para seus hits curtos e irresistíveis – e temperou suas músicas com suas já conhecidas e deliciosas gracinhas, como quando ela puxa uma gaita pra acompanhar o final da primeira música, “Attracted to You”, ou quando pede um aplauso para a banda entre as ótimas “Illegal” e “Girl Like Me”.
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O Radiohead não é a única banda com cabeça no nome a dar sinais de vida em 2025. Depois que o grupo de Thom Yorke marcou uma pequena turnê por cinco cidades europeias, quem ressurgiu foi o Portishead que, fora a participação em um show beneficente em 2022, não toca mais ao vivo desde 2015. E o grupo voltou a se reunir por um bom motivo: para não ficar de fora do festival que Brian Eno idealizou contra o genocídio que Israel esta submetendo a população palestina em uma das pautas mais importantes desta década e que cada vez mais ganha apoio de artistas de todo o mundo. O festival Together for Palestine acontecerá no dia 17 de setembro em Londres, na Inglaterra, quando serão reunidos diferentes artistas contemporâneos (que vão do vocalista Blur Damon Albarn, a Jamie Xx, Bastille, Hot Chip, James Blake e King Brule) no estádio de Wembley. E mesmo que não pudessem participar do festival por conflitos de agenda, a vocalista Beth Gibbons, o guitarrista Geoff Barrow e o produtor Adrian Utley voltaram a se reunir para gravar um vídeo que será exibido no dia do festival e Barrow postou fotos do ensaio com um quarteto de cordas em sua conta no Instagram, avisando que “como não poderemos estar lá e queríamos desesperadamente estarmos envolvidos”. Assim, a solução foi participar remotamente, como outros artistas mais novos (como Rina Sawayama, PinkPantheress e o ator Riz Ahmed). Por enquanto é só uma música (uma nova versão da eterna “Roads”), mas vai que eles lembram de como era bom e voltem a fazer shows por aí (e por aqui) – e como Barrow saiu de sua outra banda (o ótimo Beak>) e a turnê da carreira solo de Beth Gibbons estar chegando ao final, não duvide se eles voltem à estrada. Aí só vai faltar os Talking Heads…


Assisti ao primeiro show da breve temporada de cinco apresentações que Tim Bernardes está fazendo no Auditório Simon Bolívar, no Memorial da América Latina, repetindo o riscado que desenhou no final de 2023, quando recriou seu Mil Coisas Invisíveis com uma pequena orquestra no Theatro Municipal. Há dois anos ele estava tenso e receoso ao materializar o sonho de pop de câmara entregando um concerto pop maravilhoso. Desta vez, ele estava mais à vontade com o formato e mais tranquilo por estar no meio dos músicos – em vez de na frente, como nos shows anteriores -, mas alguns erros de produção o deixaram um tanto irritado e chegaram a comprometer a segunda sessão da noite, que deve meia hora a menos de show que a apresentação que vi. Escrevi sobre o show lá pro Toca UOL.
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