Rapture
Cine Joia @ São Paulo
25 de janeiro de 2012
“House of Jealous Lovers”
Que show foda foi esse do Rapture, no dia do aniversário de São Paulo. Nem o calor e o som (ainda) embolado do Cine Joia foram suficientes para apagar o excesso de adrenalina feliz que a banda nova-iorquina injetou num público naturalmente empolgado, mostrando que a evolução de clone do Cure rumo a uma abordagem mais séria da dance music erguessem a banda a um posto como uma espécie de reserva do LCD Soundsystem na seleção deste novo rock do século 21. Não é pouco.
Ainda mais quando se leva em consideração que um dos integrantes toca sax – e caminha pelo palco tocando o sax, como num clipe dos anos 80 (faltou o keytar, mas tudo bem). E quando os quatro colocaram para funcionar músicas que não foram feitas para a pista – “Sail Away”, “Children”, “Come Back to Me”, “Never Die Again” e a faixa-título do terceiro álbum da banda, In The Grace of Your Love -, o show voltava a ser uma apresentação de rock moderno, sem os clichês ou chavões que a tempos contaminam a versão tradicional do gênero. Até os ecos de Cure ressurgiam nos timbres de guitarra ou nas linhas de baixo, mas bem diluídos pelos beats que deram o tom da noite.
Mas houve momentos em que público e banda se envolviam num uníssono de vozes e energia, que tornaram o show memorável – como em “House of Jealous Lovers”, “Get Myself Into It”, “W.A.Y.U.H.” e “How Deep is Your Love”, esta última estrategicamente tocada no final de forma a deixar claro sua função na atual fase da banda. O resultado foi um público fatigado e sorridente, suado e sem acreditar direito no que havia acabado de acontecer no palco. E ao ver os rostos dos músicos, a impressão era que havia reciprocidade no sentimento. Imagina isso no Rio…
Abaixo, alguns vídeos que fiz do show:
SST era uma das principais gravadoras independentes dos anos 80 e o vídeo acima registra a turnê que ela organizou com alguns dos principais nomes de seu elenco. O vídeo começa com o SWA e depois entra o Saccharine Trust, ambos chatos, mas aos 26 minutos entra o Meat Puppets, aos 43 entra o Minutemen (rasgando a música que ficou conhecida como “o tema de Jackass”, décadas depois) e o Hüsker Dü começa aos 54.
E aí, meu amigo… Fica pequeno.
“Eu conheço essa cara…”
E esse papo que a Rita Lee anunciou a aposentadoria dos palcos nesse fim de semana?
É o Lucio que levanta a lebre sobre quatro shows de Morrissey por aqui, ainda em fevereiro.
E ao que parece o Portishead vai pro Sonar mesmo… Que deve aumentar consideravelmente seu número de atrações – e, talvez, roubar a cena de melhor festival de 2012.
Uma horinha de Underworld ao vivo no Morning Becomes Eclectic.
Morreu na segunda, Camilo que avisou.
Bracin linkou “Luzes da Cidade”, inédita que o Camelo tocou no show voz e violão que fez sexta passada aqui em São Paulo.
O Bragatto repercute o boato de que o grupo estaria prestes a fechar contrato pra tocar por aqui. Dedos cruzados.
E eu nem contei que vi show deles ano passado, né? É, aquele de três horas e meia, só que os de Nova York…
Nem preciso dizer que foi incrível. A voz do cara tá intacta e, putz, que guitarrista!
Nem me interessa se é todo o show ou não, mas perceba: SÃO DEZOITO MINUTOS DE BOB DYLAN AO VIVO COM A BAND.

