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Show

Marty McFly voltou à vida no sábado passado, quando Michael J. Fox, organizador do evento A Funny Thing Happened On The Way to Cure Parkinson’s, empunhou novamente uma guitarra e revisitou o clássico de Chuck Berry que encerra seu filme mais emblemático, De Volta para o Futuro.

Não façam piadas sobre a câmera tremida, por favor, é feio.

Realizado no Sesc Santo André sempre no início de dezembro, o Batuque é o novo nome festival que até há dois anos se chamava de Indie Hip Hop e que havia varado os anos 00 trazendo alguns dos principais nomes do rap underground dos EUA para São Paulo, além de consagrar toda a geração do hip hop brasileiro pós-Racionais. Em sua nova versão, o festival inclui elementos afro em seus ingredientes e ano passado trouxe um dos filhos de Fela Kuti, o Femi, que já havia tocado em São Paulo num Free Jazz, e que se apresentou na mesma noite que viu shows do Kiko Dinucci, da Anelis Assumpção, do Maquinado, do Takara e do Elo da Corrente. E pra edição desse ano, o produtor Daniel Ganjaman já antecipou, via Twitter, que o festival recebe, além de duas das principais revelações nacionais do ano (o próprio Criolo que Ganja produziu e o grupo Bixiga 70), dois dos principais nomes da história do rap: o MC Q-Tip, que fez fama no A Tribe Called Quest, e o DJ Prince Paul, produtor do De La Soul.

Nada mal…

Além do genial encontro chamado Rocket Juice and the Moon (em que o ex-vocalista do Blur assume a responsa, o vocal e os teclados de uma banda que tem o Tony Allen na batera e o Flea no baixo), Damon Albarn segue sua cruzada pela expansão de sua área de atuação em uma expedição à República Democrática do Congo, o maior país da África, em uma expedição musical ao lado de bons compadres (Dan the Automator e Richard Russell, da gravadora XL, como nos conta a Rolling Stone gringa. E não custa lembrar que Damon já produziu um disco inteiro em um país africano

Só fui pra ver o Sonic Youth, mas tá aí o show da tchurma do Mike Patton.

Agora sim!

Não sou chegado nesse Horrors, mas como essa música é muito foda, aumenta o som…

Dessa vez, em Glasgow, com mais uma música nova…

Que beleza…

Mais um projeto paralelo, mais uma banda que dura um só disco… Damon Albarn é uma espécie de Dangermouse avant-la-lettre, um artista e um ativista cultural ao mesmo tempo, parâmetro pra música do século 21. Olha esse projeto novo dele com o Flea e o Tony Allen:

Dica do Rafael, num comentário do Vida Fodona.

Muito foda. O cara não erra?

Dentro do projeto Observa e Toca.

Ele foi fazer uma palestra no dia do seu aniversário e só cantou “parabéns a você” pra Terra (wtf) em sua apresentação no SWU.

Peguei o vídeo num texto do Claudio Tognolli em que ele espinafra o conceito de sustentabilidade:

Um fantasma ronda o mundo: a farsa de que o superaquecimento global só ocorre por fatores endógenos, ou a emissão de poluentes na terra. No Brasil só há dois intelectuais que apontam a ideologia por detrás disso: Gildo Magalhães dos Santos Neto, da História, e Aziz Ab Saber, da Geografia, ambos da USP. Fatores extra-terra conduzem ao superaquecimento: como as fases de hiper-expansão do sol, a cada seis mil anos, como a que ora vivemos. Os vikings, antes de descerem Mar do Norte abaixo, paravam, para construir seus barcos, num local chamado Terra Verde, por acaso Groenlândia, que vem de “Green Land”. A natureza na Terra Verde era laboriosa em construir madeiras de primeira cepa. Mas ela se congelou. Uai: por que se congelou? A quem interessa dizer que a Terra pode acabar por superaquecimento gerado por fatores apenas “internos”? Interessa a uma elite neoliberal. Há 80 anos começaram a tramar a ideia de que oferecer um literal e figurativo fim do mundo pelo superaquecimento era a forma de congelar os futuros países desenvolvidos. Queriam, e ainda querem, que Brasil, Índia e China sejam eternos exportadores de matéria prima. Trata-se da mais nova-velha ideologia: fazer o povão engolir goela abaixo que o desenvolvimento já atingiu os seus limites. Querem ver na Amazonia um território “internacional”. Eis todo o babalaô do ex-vice dos EUA, Al Gore, com aquela cascata (comprada por ele de uma assessoria de imprensa), lastreado em seu “Uma verdade inconveniente”.

O festival SWU (“Starts with you” ou “Começa com você”), que movimentou milhões com inserções pagas, mas disfarçadas na mídia, é um subproduto desse tipo de golpe. Não é para menos que Neil Young abriu o cascatol cantando “parabéns” para a Terra. Querem tornar o rock algo passivo, com babacas defendendo a todo o custo a preservação da terra, e o conseqüente congelamento do desenvolvimento do parque industrial brazuca. Querem-nos eternos exportadores de grãos. Querem-nos enxergando que o superaquecimento global só se dá por fatores da terra e do homem. Isolam a Terra do resto do universo. Veja você: até James Lovelock, criador da famosa Hipótese Gaia (segundo a qual o ser humano é um dos “órgãos” do corpo que é a Mãe Terra), agora defende a energia nuclear. E expõe ao osso os babacas do Partido Verde (que usam em suas propagandas políticas os moinhos de vento eólicos). Saiba você: um moinho de vento eólico consome dez mil toneladas de concreto para ser construído. Em toda a sua existência, o moinho de vento eólico jamais produzirá energia limpa que compense a poluição gerada para poder produzir as milhares de toneladas de concreto que o erigiram…

E ele continua lá no Brasil 247.