Eis que o show do SWU foi mesmo o último da banda. Pelo menos de sua biografia oficial. Lee Ranaldo, na Rolling Stone:
You just came back from a tour of South America with Sonic Youth and as you said, Kim and Thurston just recently broke up. How did that affect that tour? Was it something that had been going on for a while, or was this a sudden thing for you?
Well, it’s not as sudden for me as it’s been in terms of the press and what not. Actually, the tour went really well. It really didn’t affect it all that much. It was a pretty good tour overall. I mean, there was a little bit of tiptoeing around and some different situations with the traveling– you know, they’re not sharing a room anymore or anything like that. I would say in general the shows went really well. It kind of remains to be seen at this point what happens to the future. I think they are certainly the last shows for a while and I guess I’d just leave it at that.Are you optimistic about the future of the band?
I’m feeling optimistic about the future no matter what happens at this point. I mean, every band runs its course. We’ve been together way longer than any of us ever imagined would happen and it’s been for the most part an incredibly pleasurable ride. There’s still a lot of stuff we’re going to continue to do. There’s tons and tons of archival projects and things like that that are still going on, so there are so many ways in which we are tied to each other for the future both musically and in other ways. I’m just happy right now to let the future take its course and I guess I’m kind of thankful that I’ve got this other project that kind of came about on its own. It wasn’t kind of like, well, “Oh the band is ending for a while and I’ve got to figure out what to do.” It kind of naturally happened in the course of things so that was a nice way for that to come about. I played my first show the day after Kim and Thurston announced [their separation.] That was completely weird.
Quem assistiu ao último show dos caras?
O líder do Foo Fighters e um dos pais do Hüsker Dü se reuniram para uma celebração à banda de Bob Mould, que pode ser considerada responsável pela ascensão do hardcore melódico e, por tabela, avó dos emos. Daí ser normal a presença de Davie Grohl, já que os Foo Fighters são a maior banda emo de todos os tempos.
E na batera, o imortal Jon Wuster do Superchunk (imortal porque ele não envelhece, pode reparar).
A participação que o carioca fez no show do catarino-alagoano, semana passada, no Sesc Belenzinho, em São Paulo.
Ninguém pediu, mas aí vai ela de novo.
Será que o Sonic Youth não acaba com o fim do casamento de Thurston e Kim? Aparentemente sim, como o Fabio comentou no post em que eu perguntava sobre isso. Olha o que ele diz:
Li o relato de dois caras que foram para o Uruguai ver o show (que aliás foi em lugar pequeno e fechado, com 1h50min de duração) e encontraram o Thurston dando rolê na rua sozinho. Ele quis saber o que dois brasileiros estavam fazendo em Montevidéu já que eles tocariam por aqui também. Os caras disseram que queriam ver um show completo (fora de festivais) do que seria provavelmente a última turnê da banda. O Thurston respondeu que duvida que a banda vá terminar, ele não acredita que isso possa de fato acontecer.
Pelo pegada que foi o show no SWU eu também duvido um pouco. Um amigo aposta que se banda não acabar, a Kim vai sair, pelos relatos de que ela gostaria de ter mais tempo para seus trampos em arte plástica. Até entendo, ela tá com 58 anos, deve estar de saco cheio de viver no rolê sem parar.
Eu aposto, no mínimo, em uma diminuição do tempo em turnê e espaçamento maior entre os discos (o que já passou a acontecer nos últimos 10 anos).
Tomara. Mas isso é só especulação.
Matéria do Lado B sobre a série de shows que o trio fez no Brasil há dez anos.
Grandes shows, a propósito. Alguém sabe se o áudio disso tá digitalizado em algum lugar?
O saxofonista Thiago França é um dos músicos mais ativos na São Paulo de 2011. Toca com o Criolo, com o Kiko Dinucci, com os Marginals, no Metá Metá e com o Rômulo Fróes – e com todos eles lançou discos responsa, todos esse ano (além de participar do disco do Gui Amabis). Agora é a vez de seu próprio projeto, o Sambanzo, que começa a ver a luz do dia. Porque a da noite, já conhecia faz um tempo:
E além dos shows, quem vem por aí é o próprio disco do grupo, que ainda conta com o Kiko na guitarra, o baixista Marcelo Cabral (também produtor do disco do Criolo, junto com o Ganjaman), Pimpa na batera e Samba Sam na percussa. França explicou o conceito por trás de Sambanzo: Etiópia, o primeiro CD, em entrevista ao Radiola Urbana. O disco só aparece de fato em 2012 – mas que já teve uma palhinha disposta online:
O Sambanzo é o meu projeto solo, criei pra tocar as minhas músicas. Partiu da vontade que eu tinha de fazer uma gafieira universal (isso não é uma citação à Banda Black Rio!!!). No geral, a gafieira está ligada só ao samba, mas outros gêneros próximos são tocados com a mesma intenção, o carimbó, o forró, a guitarrada… Eu sempre achei que tudo isso cabia no mesmo balaio. Tecnicamente, é possível entender o trabalho assim: são composições simples, melodias intuitivas, rudimentares, compostas num esquema básico de “pergunta e resposta”; harmonias com dois acordes, geralmente tônica e dominante, ou até mesmo músicas com um único acorde, que o caso de “Etiópia”. E, por trás disso, muito suingue, muito veneno. Estruturas elásticas, descompromissadas, pra fazer um belo baile. Além disso, o encontro dos cinco — eu, Marcelo Cabral (baixo), Kiko Dinucci (guitarra), Samba Sam (percussão) e Pimpa (bateria) — gerou uma sonoridade única, todo mundo tem personalidades musicais muito fortes. Além das minhas composições, eu inclui no repertório duas adaptações de pontos de umbanda, que dão a pista da espiritualidade presente nas músicas. Cada show é um ritual.
E o próximo acontece sexta-feira, na Afro Blitz, festa do Ramiro na Serralheira. Boa pedida.
Vocês lembram das irmãs suecas Johanna e Klara Söderberg, que começaram a frequentar nosso imaginário em uma versão tocante de uma das melhores músicas do Fleet Foxes, não? Pois as duas tiveram a oportunidade, no Polar Music Prize que aconteceu em agosto, de cantar “Dancing Barefoot”, da Patti Smith, PARA a Patti Smith. E ela, da platéia, não conteve a emoção:
Quem mostrou foi a Babee.
Duas fotos (uma oficial, do Marcus Hermes, e outra da cobertura da Soma, da Caroline Bittencourt)…
…e uma pergunta: e agora?
Fui ao SWU só pra assistir ao show do Sonic Youth (os vídeos tão subindo, hehe). Entrei na muvuca quando eles começaram a segunda música e zarpei fora ouvindo o Primus tocando ao fundo. Havia o boato, ainda não confirmado, de que aquele seria o último show da banda. Não importava – era um show do Sonic Youth, vê-los era uma obrigação.
O que ninguém soube responder foi se aquela, de fato, era a última apresentação do grupo – afinal, seu casal central, Thurston Moore e Kim Gordon, não é mais um casal (há quem culpe a banda da filha deles, mas acho que é maldade). Mas não parecia um último show. O nível de catarse e despojamento instrumental foi característico de outras apresentações da banda. Não houve sinal de despedida definitiva, no máximo o “nos vemos em breve” dito por Thurston Moore no final, que não decifra nada – ele podia estar falando de sua carreira solo. Houve quem sentisse uma tensão no palco entre os dois e quem notasse que Kim ainda estava usando aliança. Tive a impressão de estar vendo um show normal dos caras e tenho a sensação de que eles não fariam sua última apresentação longe de casa, em Nova York.
Mas isso sou eu. Alguém sabe de mais algo?
Culpa do Facebook, que agora tem uma página em homenagem ao clássico festival campineiro. Um resumo bem 3 x 4 na matéria abaixo, da EPTV.
Traduzindo: foi o início do rock alternativo no Brasil de fato, quando o movimento paralelo às gravadoras e rádios começou a se tornar nacional a partir de um festival realizado fora de uma grande capital. O Junta foi imaginado pelo Marcelão, que na época tocava com o Waterball, e executado pela dupla Sérgio Vanalli e Thiago Mello, que editavam o fanzine Broken Strings. O festival teve duas edições, ambas na Unicamp: na primeira, em 93, mais guitar e hardcore, a principal revelação foi os Raimundos, mas a banda de Brasília já estava no radar do jornalismo musical brasileiro há alguns meses e o show no Juntatribo (marcado em cima da hora) foi quase que a explosão de uma banda relógio. A principal atração da primeira edição foi reunir a primeiríssima geração daquele novo rock independente brasileiro (que cantava em inglês e existia basicamente entre o Rio e São Paulo) num mesmo evento: Mickey Junkies, Killing Chainsaw, Pin Ups, Second Come, Safari Hamburgers e Low Dream (a outra representante de Brasília). Os Raimundos funcionaram quase como um brinde para o festival. Assisti à maioria dos shows sem nenhum distanciamento crítico: era apenas estudante da Unicamp e a realização de um festival daqueles, feito na raça por pessoas que eu conhecia pessoalmente, era exatamente o que eu esperava da vida na universidade.
No ano seguinte, já estava trabalhando em jornal (no Diário do Povo) e ajudei a pensar a edição especial que cobriria a segunda edição do evento, que já ampliou seu leque musical e cuja principal atração era um grupo de rap novíssimo do Rio de Janeiro, um certo Planet Hemp. A edição de 94 foi marcada pela desorganização em alta escala, uma vez que a popularidade posterior do primeiro Junta trouxe dezenas de carros cheios de malucos da capital e de todo o interior de São Paulo para o festival. Já no primeiro dia, o palco desabou. O que transformou o segundo dia em uma maratona que começou ao meio-dia e terminou às cinco da manhã do dia seguinte, algumas horas antes dos shows do último dia começarem.
Foi um festival importante pra muita gente, que passou a aprender o que era rock alternativo, cultura independente e a lógica do faça-você-mesmo na prática e que cultivou sementes que brotariam no decorrer da década e que até hoje estão aí. E isso num tempo sem internet, sem MP3, sem blog, sem rede social, sem podcast, sem YouTube. Era tudo na base da carta, do xerox, do VHS, da fita cassete e do flyer. Parece que se passaram uns cinquenta anos.



