Este é o último mês da minha curadoria no Prata da Casa – e pra começar vamos de jazz, com o saxofonista Raphael Ferreira. Os shows no Prata acontecem sempre às 21h e os ingressos – gratuitos – começam a ser distribuídos uma hora antes. Quem vai? Abaixo o texto que escrevi para o projeto.

A classificação musical, por mais que sirva para guiar ouvintes pelos territórios sonoros que serão desbravados antes da audição, muitas vezes restringe os limites de atuação do artista. Para este, no entanto, rótulos e gêneros musicais são meras etiquetas que tentam grudar ao som e que podem ou não ter sua funcionalidade didática, mas não o restringe das novas possibilidades. É um terreno habitado pela música instrumental brasileira, que cada vez mais extrapola as fronteiras de gênero para além das influências do choro, da bossa nova ou da MPB, rumo à sonoridade universal do jazz, que engloba todos os ritmos e harmonias. É o caso do trabalho do saxofonista Raphael Ferreira, com formação em música na Unicamp e na USP, que, ao lado de Sidiel Vieira (baixo acústico), Fábio Leal (guitarra), Sérgio Machado (bateria) e Felipe Silveira (piano), alça longas incursões instrumentais que partem do jazz contemporâneo para mirar em novos horizontes – da música popular à música erudita dos séculos 19 e 20 – , bebendo inclusive nas águas brasileiras, ao ungir sua musicalidade livre nos ritmos do afoxé, do samba e do baião. Em seu primeiro disco, Ultramar, ele mostra porque a música instrumental brasileira sequer precisaria ter estes dois últimos adjetivos.

Quase duas horas da atual turnê do Radiohead. O setlist vem logo abaixo:

O clipe de “O Cabeção”, do Cidadão Instigado, captura a banda em diferentes palcos e condições para montar um clipe com qualidades de áudio e vídeo que variam à medida em que a música é executada.
Psicodelia na ribalta. Bom dia.

Dezembro de 1983: Talking Heads no auge, David Byrne endiabrado, Jonathan Demme afiadíssimo, Hollywood – Stop Making Sense é um dos melhores filmes de música já feitos, ao ser encontrado na íntegra por acaso ao navegar pelo YouTube, pediu para ser revisto. O vídeo e o setlist seguem abaixo:

Vamos começar bem o dia, com esse cover que a Norah (um dos discos do ano, hein) gravou no natal do ano passado…

Gravar com o Pearl Jam é totalmente compreensível, mas cantar com o Guns’N’Roses?
Deprê.

Você já viu o Cidadão Instigado tocando Legião Urbana, mas que tal um Legião Urbana cantando Cidadão Instigado?
O vocal do Bonfá consegue deixar ainda melhor o do Catatau.
E a atração do Prata da Casa de hoje é o pernambucano Tibério Azul. O Prata começa às 21h no Sesc Pompéia e os ingressos, gratuitos, começam a ser distribuídos uma hora antes. Abaixo, o texto que escrevi sobre o artista.

Apesar de ser um dos novos nomes da cena pernambucana da nova década, Tiberio Azul não é propriamente um novato. Com passagens por grupos como Mula Manca & a Fabulosa Figura (onde lançou os discos O Circo da Solidão e Amor e Pastel) e Seu Chico (em que dividiu o palco com o jovem virtuoso Vítor Araújo, tocando versões para músicas de Chico Buarque), ele finalmente lançou-se em carreira solo este ano. Bandarra, seu primeiro disco – em download gratuito em seu próprio site -, foi lançado pelo selo Joinha Records, do vocalista China e do tecladista do Mombojó Chiquinho, e inevitavelmente traz referências da música pernambucana pós-mangue beat, mas também bebe na fonte dos cariocas dos Los Hermanos, fazendo a ponte entre o rock independente e a velha música brasileira. De voz doce e composições que funcionam como crônicas, Tibério não é apenas um nome recifense para se ficar de olho e já está entre as principais novidades ainda não ouvidas pelo resto do Brasil.


Comentei que os Chromatics tinham feito a trilha para o desfile da coleção primavera/verão 2013 da Chanel desse ano e disse que ia voltar ao assunto. Pois segue abaixo o vídeo feito durante a apresentação, que teve, no repertório “Tick of the Clock”, “Lady”, a nova “I Want Your Love”, “Running Up That Hill” da Kate Bush e a faixa título de um dos melhores discos de 2012, “Kill for Love”.