…tão pouco tempo pra escrever. Vi Racionais, Céu, Quarto Negro e Silva nos últimos dias, além de estar presente nos dois dias do Sónar em São Paulo, mas me falta tempo pra escrever sobre os shows (embora os vídeos que fiz já estejam todos no ar, para quem quiser assistir – tou colando uns aí embaixo). Enquanto não escrevo, linko a resenha que o Camilo fez para o ótimo festival do fim de semana, além dos textos que o Bruno fez sobre os shows do Sónar que conseguiu levar para o Circo Voador via Queremos (Mogwai, Little Dragon, James Blake e Chromeo). O Lucas também comentou sobre o show do James Blake (que perdi :-/).
Lorena Calabria investiga este fenômeno moderno…
Sexta feira passada, Espaço da Américas, a turnê Los Hermanos chega a São Paulo. Cerca de 8 mil pessoas na plateia. O show começa e, adivinha, começa o karaokê coletivo.
Esperei um pouco e fui furando a multidão. Ninguém dificultou, passei tranquila e fiquei bem no miolo. Ao lado, quatro amigas cantavam se olhando no olho. Dois casais abraçadinhos. Um menina chorava. Três amigos gritavam todas as letras. Esses, confesso, quase me fizeram mudar de lugar.
Um momento do show me chamou atenção em especial: o coro final de “Conversa de Botas batidas”. 8 mil pessoas na plateia cantando sem aumentar o tom. Tão certinho, como se fosse ensaiado. É bonito. Como o som crescente da torcida na hora do gol.
Aquela felicidade coletiva deve irritar também. Como essas pessoas podem delirar por uma banda que nem tá mais na ativa? Talvez seja isso: saber que pode ser a última chance de ver Los Hermanos ao vivo provoca uma comoção maior.
Lembrei dos outros shows que vi no mesmo Espaço das Américas: Morrissey e Noel Gallagher. Na boa, os fãs mais ardorosos dos gringos se comportam do mesmo modo que os do LH. Qualquer fã, de qualquer bandinha, se comporta assim.
Continua lá no blog dela…
Amarante está tocando outra música própria nos novos shows dos Los Hermanos, além da posteriormente batizada “Milhão”, que postei aqui outro dia, e que é chatíssima, uma tentativa de Clube da Esquina por alguém que acabou de aprender a tocar violão – embora o Mauval tenha falado em “Jeff Buckley” (WTF). Mas essa outra – que também não tem título – tem um quêzinho de Little Joy que a torna pelo menos mais interessante…
…pena que não dá pra entender a letra.
Dava pra defender a importância do velho Donald, que morreu no fim de semana, no Japão, dizendo apenas que ele tocou no Booker T & the MGs e na banda dos Blues Brothers…
Booker T & the MGs – “Green Onions”
Aretha Franklin – “Think”
Blues Brothers – “Rubber Biscuit”
…mas não custa lembrar que ele era nada menos que o principal baixista da gravadora Stax, a gravadora Mr. Hyde do soul norte-americano (enquanto a Motown era o Dr. Jeckyll). Veja abaixo algumas das músicas em que deixou a marca de seu instrumento e veja se o cara não pertence à primeira divisão… Feel the bass:
E quem perdeu o Silva no Sónar pode assistir ao show do capixaba nesta terça-feira no Prata da Casa, vamo? O show começa às 21h e os ingressos começam a ser distribuídos uma hora antes. Aí embaixo segue o texto que escrevi para a programação da noite:
O capixaba Lucio Silva de Souza estuda música desde os três anos de idade, é violinista de formação clássica e também passou por diferentes bandas de rock em sua cidade natal, Vitória. Mas estas referências não estão tão evidentes em seu primeiro trabalho autoral solo, batizado apenas de Silva. Com um único EP lançado no final do ano passado, ele aproxima a música eletrônica feita no quarto e no computador de uma musicalidade brasileira que o aproxima de uma nova cena de artistas cariocas, de nomes como Cícero, Dorgas e Mahmundi, que ultrapassaram o dilema que pressionou o grupo Los Hermanos a ter de escolher entre o indie rock e a MPB. Em seu primeiro disco, a canção é seu principal veículo, mas ela é filtrada por texturas eletrônicas e intervenções instrumentais que tornam sua musicalidade inclassificável. Faixas como “Imergir” e “12 de maio” conversam tanto com o pop brasileiro do século 21 quanto com a bossa nova, a chillwave e o rock brasileiro dos anos 80. Mas não é nada que você possa esperar, a partir desta descrição.
E no show de Porto Alegre, o grupo carioca tocou um clássico da Graforréia:
(Mas a foto que ilustra o post foi tirada em Salvador…)
E uma novidade dessa turnê dos Hermanos é a música abaixo, ainda sem título, que vem sendo tocada em alguns shows…
É chata, hein.
E ao passar por Belém no mês passado, o quarteto carioca desenterrou “Anna Julia” e incluiu de vez “Tempo Perdido”, do Legião Urbana, entre as músicas tocadas no show, veja abaixo:
E por falar em Los Hermanos e Legião Urbana, o Ronaldo me lembrou dessa versão:
Que tal essa? Daqueles tempos em que artista gringo no Brasil era tratado como uma visita de Jesus Cristo alienígena – ainda mais se fosse bom e estivesse no auge.
Pois pode chorar com esse show que o Nick Cave fez com os Bad Seeds em São Paulo, em 1989. A foto saiu daqui.
Olha esse setlist…
“From Her To Eternity”
“Deanna”
“City Of Refuge”
“The Mercy Seat”
“500 Miles”
“Jack’s Shadow”
“Sugar Sugar Sugar”
“Black Betty”
“Train-Long Suffering”
“Muddy Waters”
“Saint Huck”
“New Morning”









