E hoje no Prata da Casa tem o Afroeletro, que, apesar do nome, bebe mais na música nordestina do que no eletro em si – como descrevo no texto que escrevi sobre a banda para o projeto do Sesc. Para ir no show, às 21h, basta chegar no Sesc Pompéia com até uma hora de antecendência para retirar o ingresso (o show é de graça). Vamo aê?
O quinteto paulistano é mais um dos representantes da redescoberta da música africana que vem acontecendo no início desta nova década – e pode enganar a começar pelo próprio nome, já que o sufixo “electro” remete ao batidão pós-hip hop dos anos 80 que serviu de combustível para uma cena dance music – quase sempre com vocalistas geladas – na década passada. Mas em vez de uma incursão pelas sonoridades eletrônicas modernas, a viagem proposta pelo grupo liga o continente africano ao nordeste brasileiro, quando o groove de guitarras secas, baixo no contratempo e percussão polirrítmica se encontram com o tambor de crioula do Maranhão, pontos de candomblé, cantos de capoeira, versos de cavalo-marinho do Pernambuco e até rimas de rap tipicamente paulistano. Seu primeiro disco foi lançado no início do ano e reúne integrantes do Bixiga 70, a guitarra afromacarrônica do paulistano Kiko Dinucci e a presença do pernambucano Siba, num caldeirão de ritmos e melodias que ampliam ainda mais a presença da música africana no Brasil do século 21.
Quem tá confirmando é o fã clube brasileiro da banda, que diz ter confirmado com o agente da banda. O Zé Norberto Flesch só twittou sobre:
E em seguida o Terra avisou, também via Twitter:
Bem capaz, hein.
Rita Lee, senhoras e senhores.
E o hoje o Prata da Casa recebe O Terno, que está lançando seu primeiro disco, batizado 66, neste começo de semestre. Sabe como funciona o Prata, né? Chega lá pelas 20h que é quando os ingressos (gratuitos) começam a ser distribuídos – e o show rola pontualmente às 21h. Vamo lá? Abaixo o texto que escrevi sobre o trio pro programa do projeto:
O jovem trio paulistano é um dos muitos grupos da cidade que estabeleceram suas raízes nos mesmos anos 60 que viram os Beatles e a invasão britânica nos EUA, a Motown e o nascimento da soul music, o tropicalismo e a jovem guarda no Brasil. Esse território é fértil há muitas décadas e não só bandas de São Paulo vêm beber nessa fonte; o rock gaúcho, por exemplo, é outro clássico exemplo deste parentesco musical. N’O Terno, liderado pelo filho do Mulheres Negras Maurício Pereira, Tim Bernardes (Guilherme Peixe no baixo e Victor Chaves na bateria completam o grupo), essa referênca passa para a metalinguagem e a citação à década surge tanto em disco quanto em letra – vide o primeiro disco, batizado apenas de 66, que também é o nome da primeira faixa trabalhada pelo grupo, que brinca com a dicotomia entre a nostalgia e a modernidade em letras como “Me diz meu Deus o que é que eu vou cantar? Se até cantar sobre ‘me diz meu Deus o que é que eu vou cantar’ já foi cantado por alguém?”.

“Tem Blur na foto”, disse o Piangers no Insta
Piangers, ídolo, foi pra Londres cobrir a olimpíada (cheque a hashtag #piangersemlondres) e conseguiu entrar num dos shows que o Blur tá fazendo nesse verão em Londres (eles vão encerrar os jogos olímpicos deste ano). Pedi pra ele contar como foi pra cá e eis seu relato:
Só se fala no Blur nesse verão londrino. A banda se reuniu pra fazer shows exclusivos pra BBC, pra festa de encerramento das olimpíadas e pra um show especialíssimo, no último dia 1o de agosto, apenas para 200 pessoas no 100 Club, mítico bar da Oxford Street e marco importante da cena punk londrina. Felizmente, eu estava nesse show.
Um dia antes as pessoas tinham que se inscrever no site da marca que promovia o evento. No dia do show pela manhã apenas 200 felizardos receberam a confirmação de presença. Eu tinha me inscrito com quatro emails diferentes, portanto recebi quatro negativas. “Devido à grande procura não será possível liberar sua entrada no clube”. Mais ou menos isso, tudo muito educado, mas já era o segundo show do Blur que eu era barrado (o primeiro rolou um dia antes, no Maida Studio, para uma gravação da BBC).
Às 18 horas fui até a frente do local. Uma fila de hipsters, indies, shoegazers e dickheads se formava civilizadamente. Minha amiga fotógrafa já conversava com os organizadores – o truque era dizer que nosso nome estava na lista. Às 18:30 a porta abriu. Educação inglesa, todos calmamente entrando pela minúscula porta do clube, um cara gordo organizando a entrada. “Guess list!” mandou minha amiga pro cara. Ele inacreditavelmente estendeu o braço para segurar a fila, permitiu nossa passagem pelo lado, e com um sorriso no rosto disse: “Enjoy”.
Pode parecer idiota mas eu pensei em cair fora porque abomino esse tipo de babaquice. Mas, poxa-vida, era o Blur. No 100 Club. Com um palco baixinho. E eu na primeira fila porque entrei cedo. Dessa vez vou me permitir ser brasileiro. Pedi duas Guiness e esperei por 3 horas até começar o show do Blur.
As bandas de abertura eram Swiss Lips, uma boy band eletro-rock cabeça que frequenta Bricklane e canta em falsete malzassa; Savages, uma banda só de garotas legal pacas com uma vocalista que é a cara da Mallu Magalhães, mas faz show como se fosse o Iam Curtis; e The Bots, dois irmãozinhos de Los Angeles, um de 18 que toca guitarra como se fosse a reencarnação do Hendrix e um de 14 anos que toca bateria e tenta ser o Mitch Mitchell. E finalmente, o Blur.
A banda entrou no palquinho e começou um empurra-empurra insano, a pequena multidão se apertando no palco, os seguranças empurrando a pequena multidão, a multidão empurrando um fotógrafo, o fotógrafo empurrando o PA – que quase caiu em cima do Graham Coxon. O Damon Albarn jogando água em todo mundo – molhou todo o meu iPhone que registrava o momento histórico – e o Alex e o Dave rindo de tudo. Aparentemente apenas o Coxon não se divertia, pra variar.
Do meu lado tinham uns ingleses gordos (“Nos conhecemos na fila”, disseram) e um deles usava um óculos completamente embaçado pelo calor. O Blur foi de “Girls and Boys” pra abrir, a primeira música de Parklife, depois “Jubille” do mesmo disco. O lugar estava completamente insustentável, as paredes suadas, as pessoas apertadas como numa disputa por comida no Zimbábue. Veio a minha favorita “Beetlebum”, o lado B “Young and Lovely”, “Colin Zeal”, “Oily Water” e “Bugman”, quando eu tive certeza que ia morrer esmagado.
Nesse som o Albarn pegou os óculos do gordo do meu lado e cantou “Advert” toda de óculos. Entre esse tipo de brincadeira com a platéia (“This is fun? Ãh? This is fun?”) ele jogava água em todo mundo. A farra terminou com a linda “Under the Westway”. Os gordinhos bêbados choravam abraçados do meu lado. Eu tinha Guiness por toda a minha camiseta. Meu tênis não vai se recuperar dessa tão cedo. E pra fins de divulgação, meu nome estava na lista.
Abaixo, os vídeos que achei do show citado.
Essa é velha (do carnaval desse ano), mas eu não tinha visto.
Quero ver todo mundo cantando no refrão!
Lembra aquele show de terça-feira em que o Blur tocou no estúdio Maida Vale da BBC? Pois então, o Felipe deu o toque que a primeira parte dele apareceu online – olha aí embaixo.
Foi a primeira vez que eles tocam “Caramel”, do 13, ao vivo. Quando pintar a parte 2 eu aviso aqui.
Quem crava é o José Norberto Flesch, que normalmente só divulga suas informações quando a fonte é quente.
Será?
Atualização: ele conta que o SWU havia sondado o Pearl Jam, veio o Lollapalooza e garfou a turma do Eddie Vedder. Leia mais aqui (o link estava fora do ar, mas foi passado pelo próprio Flesch.
Não é um Photoshop Disaster e sim um simulacro de tragédia feito a partir do programa da Adobe.
E assim ficção parece realidade.









