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Show

sebadoh1995

E já que falei em Sebadoh, que tal um show deles no meio dos anos 90?

Coisa finíssima.

leeranaldo-sightunseen

Depois de dois shows com o pé na música pop, o sonic youth Lee Ranaldo mostrou seu lado artsy ao se apresentar na semana passada no mesmo Sesc Pompéia em que mostrou seu disco solo mais recente, só que atravessando o lado da rua, no Teatro da unidade, e não mais na Choperia. Sozinho no palco do teatro, ele desbravou o terreno da microfonia e do barulho sem as muletas da melodia, do refrão ou de letras. Dedicou sua apresentação ao puro ruído elétrico, transformando sua guitarra em uma antena reverberadora de sons muito mais do que um instrumento musical. Mexendo nos botões dos pedais e de dois amplificadores espalhados pelo palco, ele usava um arco de violoncelo e baquetas para vibrar a eletricidade sonora pelas cordas da guitarra, além de arrastá-la no chão, pendurá-la numa corda no palco e girá-la sobre a própria cabeça. O teatro só tinha uma das metades abertas pois a apresentação – chamada “Sight Unseen” contava com uma apresentação em vídeo, feito pela esposa Leah Singer, projetada num telão atrás de Lee. O filme intercalava cenas de árvores ao vento a cenas de diferentes platéias em situações distintas, colando as imagens com sons de diálogos, ruídos de multidão e palavras repetidas. Na primeira performance, na terça-feira passada, ele ficou sozinho no palco e não sentou em momento algum. No dia seguinte, empunhou seu instrumento como guitarra por poucas vezes, convidou um grupo de percussionistas brasileiros (Maurício Takara entre eles) para tocar aleatoriamente ampliando o próprio caos elétrico, além de passear pelo público. Dois shows distintos e bem diferentes do que ele fez na semana anterior. Em comum, apenas o entusiasmo em conversar com o público ao final e, claro, paredes de microfonia, marca registrada do sujeito. Fiz uns vídeos aí embaixo, olha só:

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bruce

Pra mim essa notícia não quer dizer muito, mas como tem uma galera que gosta…

backintown

Que tal uma horinha de Thin Lizzy?

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O fim do Sonic Youth parece ter liberado seus integrantes do ruído e da microfonia – pelo menos foi isso que deu para entender a partir dos primeiros trabalhos que dois de seus fundadores lançaram. Demolished Thoughts, o segundo disco solo de Thurston Moore, lançado em 2011, era quase todo composto ao violão e a produção do Beck enfatizava o lado bucólico e solitário das canções. O de Lee Ranaldo, Between the Times and the Tides, também segundo disco, lançado no ano passado, também tinha maior foco em canções quase sessentistas de tão perfeitinhas. Mas os shows dos dois guitarristas no Brasil mostrou que o que eles gostam mesmo é de barulho. Thurston, em abril do ano passado, trouxe uma banda de apoio que meses depois se tornaria o Chelsea Light Moving, uma banda elétrica o suficiente para não ter nada a ver com o disco que a reuniu. Agora é a vez de Lee Ranaldo, que se apresenta no Brasil em quatro datas – duas no formato rock e a banda The Dust, e duas no formato arte, ao lado da esposa Leah Singer.

Na tradição do Sonic Youth, Lee Ranaldo era o cientista maluco, o desbravador das fronteiras da eletricidade sonora, enquanto Thurston era o maníaco do punk rock, o autor de “Teen Age Riot”. E por mais que seu disco mais recente soasse domesticado e pop, quando ele o trouxe para o palco da choperia do Sesc Pompéia, abria espaços entre refrões, introduções e letras para espasmos sonoros descontrolados e eufóricos, sendo acompanhado por músicos na mesmíssima sintonia de sua antiga banda – um deles, o mestre baterista Steve Shelley, eterno baterista do SY. O guitarrista Alan Licht ia da microfonia e ao discreto apoio ao líder da banda, enquanto o baixista Tim Luntzel criava contrapontos musicais impensáveis na formação do Sonic Youth, com um dedo no jazz e outro no rock clássico. Mas por mais que brilhassem como músicos, o holofote caía sempre em Lee Ranaldo.

Muito à vontade, ele não apelou para o populismo de tentar falar em português e assumiu que seu público entendia o inglês que falava – e não parava de falar. A cada nova música, conversava com a platéia explicando a origem da música (“Xtina as I Knew Her” era sobre sua colega adolescente mais promissora, uma pessoa que ninguém nunca mais sobre dela; “Shouts” foi composta a partir do movimento Occupy Wall Street, etc.) e todos reagiam como se estivessem assistindo a um velho conhecido contar o que fez da vida o tempo todo que esteve fora. Além das músicas do disco do ano passado, emendou algumas que ainda não existem em disco, como “Lecce”, “Keyhole”, “Fire Island (Phases)” e “Last Night on Earth”.

E matou a vontade do público brasileiro de ouvir suas faixas no Sonic Youth mesmo sem tocar nenhuma música da banda há mais de ano em seus shows. Na sexta-feira foi de “Genetic” e no sábado foi de “Karen Revisited (Karenology)”. No mesmo sábado ainda brincou com o público, anunciando “Teen Age Riot” antes de rir dizendo que era uma piada. E além do Sonic Youth, discorreu por outras versões, ao lembrar que, quando tinha apenas as músicas do primeiro álbum, gostava de tocar músicas que o influenciou – e para não perder a oportunidade, tocou “She Cracked” dos Modern Lovers na sexta-feira e outras três – “Everybody’s Been Burned” dos Byrds, “Thank You for Sending Me an Angel” dos Talking Heads e “Revolution Blues” do Neil Young – no sábado.

Ao final dos dois shows, correu para falar com os fãs. No primeiro dia, estava conversando com um amigo quando Lee Ranaldo, seguido de Steve Shelley, saiu correndo dos bastidores para o público, perguntando “cadê as pessoas?”. Conversou, tirou fotos e autografou discos – demorou tanto tempo que, no sábado, a casa de shows achou melhor organizar o encontro do lado de fora. E, mais uma vez, cruzei com ele quando estava saindo, ele fazendo a mesma pergunta (“cadê as pessoas?”) com os olhos esbugalhados e ar impaciente. Era ainda o mesmo cientista louco que tornou o Sonic Youth uma das bandas mais importantes de sua geração.

Agora é a vez de seus shows performáticos. Vamos ver o que acontece.

Fiz uns vídeos aí embaixo, saca só:

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momo-cicero-wado-camelo

Wado apresentou seu Vazio Tropical ao vivo esta semana em São Paulo, no Sesc Pompéia, e recebeu Cícero, Camelo e Marcelo Frota, do Momo (e Fafá de Belém!), em canções que foram registradas em vídeo abaixo, pelo Mac:

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Nirvana + Beatles

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Paul McCartney voltou a se reunir com os integrantes vivos do Nirvana para mais uma sessão ao vivo, na sexta da semana passada, no bis do show de sua turnê Out There. Estava passando por Seattle e chamou Dave Grohl, Krist Novoselic e Pat Smear para repetir a versão da música que fizeram juntos no final do ano passado (a fraca “Cut Me Some Slack”) e tocar músicas dos Beatles (“Helter Skelter”, “Get Back”, “The End” e uma versão para “Long Tall Sally”, de Little Richards, que também foi gravada pelo quarteto inglês). Veja os vídeos aí embaixo:

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Vanessa_Paradis

E por falar no Velvet, que tal essa versão feita para “I’m Waiting for the Man” com a cantora francesa Vanessa Paradis (autora da canção que originou “Vou de Táxi”, da Angélica; ícone teen francês aos 14 anos)? Na guitarra, o ator e futuro marido Johnny Depp:

girltalk

A associação de “Get Lucky” com a fase disco music de Michael Jackson foi tema de vários comentários e mashups, mas o mestre da fusão de hits Gregg Gillis cogitou a mutação do hit do Daft Punk com “Remember the Time” e ficou finíssimo…

…outro mashup apresentado no mesmo show no início da semana passada misturou “Black Skinhead” (do disco novo de Kanye West) com “Beautiful People” do Marilyn Manson. Além de melhorar consideravelmente as duas músicas, a proposta ainda traça uma proximidade do MC hipster com o gótico chic do fim do século passado.

E por falar em Tame Impala, tava precisando escrever sobre eles (não só). Cheguei de volta das “minhas férias“, começou a rolar toda aquela onde de protestos e não pude recapitular o que assisti na gringa, nessas duas semanas que estive fora. Começo essa retrospectiva agora, lembrando alguns dos shows que vi no velho continente quando passei esses dias fora do ar – alguns desses shows que vi passarão pelo Brasil esse ano e uns deles merecem o bis. Primeiro comento alguns shows do Primavera para depois falar do festival como um todo – e do show do Neil Young. Mas começo pelo Tame Impala, um dos shows mais importantes da edição do evento nesse ano, da carreira da banda e de 2013 – lembrando que o Tame Imapala é um desses que volta ao Brasil ainda este semestre:

ariel pink

Todas estes adjetivos vêm do fato de que o Tame Impala foi o primeiro grande show do festival catalão. O Primavera começa com shows esporádicos nas noites anteriores à abertura oficial, que aconteceu numa quinta-feira e a banda de Kevin Parker marcava justamente este início, afinal era a primeira grande atração em seu palco principal. Em nítida ascendente evolutiva, é possível ver que a intimidade dos músicos com o palco e com a platéia ultrapassou aquela timidez simpática de seu líder que assistimos nos shows aqui no Brasil, há um ano. Kevin não ri mais de vergonha, mas de orgulho do que está fazendo em pleno 2013 – revivendo os anos áureos da psicodelia como se o Lennon de 67 tocasse com o Pink Floyd de 72. Não é mais uma referência ou uma citação – Kevin SABE que pertence a esse cânone technicolor com a grande vantagem de já ter visto o que de ruim pode acontecer com uma banda de rock clássico pelos motivos mais mesquinhos – dinheiro, mulher, álcool e drogas. Ele vive o sonho psicodélico da infância perdida como se ela nunca tivesse sumido – e o brilho da inocência pudesse chegar à maturidade intacto.

Ao contrário disso, ele entrega sua banda à fluidez do idioma lisérgio elétrico sessentista, intercalando riffs e solos como se tais fraseados instrumentais não fossem elementos à parte na estrutura da canção. Uma das grandes diferenças do Tame Impala que vimos no Brasil em agosto de 2012 para o Tame Impala no Primavera este ano era o fato de que a banda se sente mais à vontade como instrumentistas, não se prendendo necessariamente às canções. O show começou com o riff de “Led Zeppelin” que não deixou a canção começar – em vez disso, a introdução da faixa tornou-se apenas uma introdução à próxima música, “Solitude is Bliss”. E seguiu assim, com a banda criando pequenas vinhetas e alongando compridas jams sempre para voltar para suas músicas mais sólidas (principalmente as do segundo disco, Lonerism, que não foi tocado ao vivo nas apresentações daqui, fora “Elephant” e “Apocalypse Dreams”, as únicas faixas que haviam vazado na época).

A sinergia musical entre os cinco integrantes da banda é conduzida também pela guitarra (e pela presença de palco) de um Kevin cada vez mais seguro de si e dos rumos que tem tomado. É visível perceber que estamos frente a uma banda com um futuro brilhante pela frente, não é preciso muito esforço para imaginar que o terceiro disco talvez possa superar o impacto dos dois primeiros.

Mas basta o presente para sentirmos esperança – não no futuro do rock ou no da música pop, mas esperança pura e simples a partir do fato de que ainda há gente boa disposta a passar boas vibrações para mais gente e melhorar nossa estada neste planeta. E se essas vibrações vêm como o timbre de uma guitarra psicodélica, melhor ainda.

Fiz uns vídeos no show, saca aí embaixo. Há até o momento farofa-brasil quando o Mutlei puxou o corinho de “PROGUÊ, PROGUÊ” no momento mais “Set the Controls to the Heart of the Sun” do disco, procuraê:

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