
Finalmente consegui ir ao Quinta Lapa que a Anna Vis está organizando na galeria Lapa Lapa (no bairro paulistano de mesmo nome), quando Douglas Germano e Thiago França se encontraram para uma noite de violão e sax sobre os sambas do primeiro. Apesar da entrada discreta – uma escadaria que dá para uma sobreloja em uma rua pouco movimentado -, o espaço é pequeno e ao mesmo tempo amplo, permitindo que umas quarenta ou cinquenta pessoas se reunissem para assistir ao encontro, tocado sem amplificação, pressuposto da noite, e com uma iluminação indireta e colorida, criando uma sensação que tendia a um silêncio temeroso, logo quebrada pelo balanço dos sambas e sintonia entre os dois músicos – Douglas criando um chão sempre firme e constante para os voos de Thiago, por vezes melancólicos e taciturnos, outras completamente audazes e vertiginosos. No repertório, a sequência de novos clássicos paulistanos passeou por pérolas dos discos de Douglas (“Àgbá”, Guia Cruzada” e “Golpe de Vista”), algumas de seu novo disco, o ótimo Branco (como “Zelite” e “Bala Perdida”), parcerias dele com Kiko Dinucci (“Oranian” e “Por Favor”), outras imortalizadas pelo Metá Metá (“Damião”, “Sozinho”, “Canção Para Ninar Oxum” e “Oba Iná”, que encerrou a noite como bis) e outros clássicos imbatíveis como “Tempo Velho” e a definitiva “Vias de Fato”. E o que começou quase como uma missa quieta regida pelos dois, terminou como uma roda de samba sem percussão, despida da aura sacra original, pronta para cair na gandaia – mas sem exagerar. Grande noite.
#douglasgermano #thiagofranca #quintalapa #lapalapa #trabalhosujo2026shows 061

A Courtneyzinha lançou um discaço na semana passada (o excelente Creature of Habit, vai ouvir agora!) e está tocando-o por aí sem parar, mas quando passou pelo estúdio da Rádio Sirius, em Los Angeles, nos EUA, no fim do mês passado, tirou essa versão de “Let Me Roll It” do Paul McCartney que faz qualquer um ficar de queixo caído. E o sorrisão enquanto sola? Ela é demais!
Assista abaixo: Continue

Juçara Marçal e Agnès Varda num mesmo momento: me belisca porque parece que eu tô sonhando. São duas apresentações no IMS de São Paulo nos dias 7 e 8 de abril, quando a cantora mistura as canções próprias, de artistas brasileiros e do espetáculo que faz em homenagem a Brigitte Fontaine, além de outras de Toto Bissainthe, artista haitiana que morava em Paris e foi registrada pela cineasta e fotógrafa francesa, acompanhada por Kiko Dinucci e Juliana Perdigão, sobre a exibição dos curtas A Ópera-Mouffe (1958) e Os Panteras Negras (1968), da homenageada da noite, que ainda terá a exibição de fotografias dos filmes Salut les Cubains (1963), La Pointe Courte (1954) e Papa Bon Dieu (1958). As apresentações fazem parte da excelente mostra Fotografia Agnès Varda Cinema, que está sendo realizada no Instituto. A entrada para os shows é gratuita, com senhas distribuídas uma hora antes das apresentações (que começam às 19h30) e cada pessoa só pode retirar uma senha. Programaço!

Os ingressos já estão à venda.

Ecos da juventude sônica no ar, quando Thurston Moore juntou-se com Steve Shelley de surpresa sexta passada para um improviso livre no festival Big Ears, que aconteceu em Nova York. I want to believe…
Assista abaixo: Continue

O clássico festival de jazz de Montreux, na Suíça, chega à sua 60ª edição em 2026 e mais impressionante do que a absurda lista de artistas no elenco deste ano é a habilidade do festival em reunir duplas de artistas distintos em apresentações consecutivas em palcos específicos ampliando ainda mais as fronteiras musicais para os espectadores – e para os próprios artistas. Apesar da noite de abertura receber apenas a artista de soul da vez Raye – com convidados especiais ainda não revelados -, todas as outras noites reúnem dois artistas por dias nos dois palcos quase simultâneos do festival, uns no Auditório Stravinsky e outros no Montreux Jazz Lab. O que dizer de uma noite com Isley Brothers e The Roots? Ou Nick Cave & The Bad Seeds com Aldous Harding? Outras dobradinhas perfeitas incluem a portuguesa Maro abrindo para o Sting, Hemlocke Springs abrindo pra Pinkpantheress, a brasileira Liniker abrindo pra estadunidense de ascendência haitiana Naïka, o pop na cara de Faouzia e Zara Larrson, Joy Crookes antes de John Legend, uma noite de groovezeira italiana com Mind Enterprises e Cerrone Disco Symphony, Rival Sons abrindo pro Deep Purple, Sofia Camara abrindo pro Lewis Capaldi, a Time Machine de Billy Cobham dividindo a noite com Marcus Miller, Loyle Carner abrindo pro Wulfpeck, Van Morrison com James Taylor na mesma noite e outros shows com Moby, Gregory Porter, Angus e Julia Stone, Charles Lloyd, Danny L. Hearle, Tyla, Adriatique, Agnes Obel e a lista segue incrível. As apresentações acontecem entre os dias 6 e 18 de julho e os ingressos começam a ser vendidos nessa quarta pelo site oficial do festival.

Vamos chegando em maio e essas são as atrações musicais no Centro da Terra neste próximo mês. Quem toma conta das segundas-feiras é o trio fluminense Crizin da Z.O., que baixa um mês em São Paulo para fazer a temporada Acontecimento, em que exploram novas fronteiras trazendo diferentes convidados a cada nova apresentação, reunindo Kiko Dinucci (dia 4), Deaf Kids (dia 11), MNTH, Lcuas Pires e Mbé (dia 18) e Juçara Marçal (dia 25). Nas terças-feiras, a programação começa dia 5 com o coletivo Enchante, formado por Gylez (viola), Anna Vis (voz e ruídos), Mari Crestani (sax alto e contrabaixo), Sue (guitarra e eletrônicos), que convida a percussionista Valentina Facury para a apresentação chamada de Sombras N’Água. Na terça seguinte, dia 12, é a vez de Gibaa apresentar seu álbum-player no espetáculo batizado com o nome deste seu projeto-objeto: Fagogo, um tocador de áudio digital open source que é uma das únicas formas de ouvir este novo trabalho, que não será publicado nas plataformas de streaming. Nas duas últimas terças do mês, o pianista Chicão Montorfano apresenta dois formatos distintos no palco do teatro: no dia 19, ele se une a André Abujamra em uma noite chamada de Verséculos, em que celebra a fraternidade siamesa de vidas passadas entre ele e Abu; e no dia 25, ele vem com o trabalho batizado de CAT, sigla para Chicão Acústico Trio, em que, ao lado da vocalista e percussionista Marcela Helena e do percussionista e vocalista Nicolas Farias, ele reveza-se entre o piano e o violão com suas próprias canções. Os espetáculos começam pontualmente às 20h e os ingressos já estão à venda através do site do Centro da Terra.

Sem dirigir nenhuma palavra ao público até o final da apresentação e emendando canções instrumentais próprias com a de autores tão distintos e improváveis quanto o coletivo islandês ADHD, Milton Nascimento, o sueco Peter Sandberg e o trio dinamarquês Hvalfugi, Victor Kroner transformou o palco do Centro da Terra em uma paisagem de contemplação ambient que flertava tanto com o folk quanto com o jazz, o blues e a melancolia que atravessa a solidão nórdica e a saudade latina. Dividindo-se entre efeitos eletrônicos, a guitarra e até uma kalimba, ele abriu a noite acompanhado de uma banda formada por velhos colaboradores como o guitarrista Gabriel Quinto, a violoncelista Francisca Barreto e o baterista Gabriel Eubank, até receber os convidados Pedro Bienelmann no baixo e vocais (quando fizeram a música “Feather” do Ishmael Ensemble) e depois a cantora Nina Fernandes (com quem primeiro dividiram “Habana” do cubano Yaniel Matos, gravada por Francisca e depois “Hey Who Really Cares” de Linda Perhacs). Com a casa lotada para acompanhar sua estreia autoral, Kroner disfarçou bem a timidez ao preferir um show sem texto e hipnotizou o público com uma apresentação que está pronta para correr por outros palcos.
#victorkronernocentrodaterra #victorkroner #centrodaterra #centrodaterra2026 #trabalhosujo2026shows 060

Muita satisfação ao receber o primeiro show autoral de Victor Kroner no palco do Centro da Terra nesta terça-feira, ele que já trabalha há anos como guitarrista e produtor resolveu tirar as próprias composições da gaveta e reuniu um time de músicos de confiança para essa apresentação Entrepulso, título tirado dos intervalos entre um pulso e outro. Ele vem acompanhado de Gabriel Quinto (violão e guitarra), Francisca Barreto (violoncelo) e Gabriel Eubank (bateria), além de contar com visuais de Bruna Braga para esse primeiro ato de sua carreira autoral. O espetáculo começa pontualmente às 20h e os ingressos já estão à venda no site do Centro da Terra.
#victorkronernocentrodaterra #victorkroner #centrodaterra #centrodaterra2026

Saiu a escalação da próxima edição do Darker Waves, festival oitentista (que dá um passinho pra frente ao chamar os Smashing Pumpkins e os Manic Street Preachers) que acontece em novembro deste ano na Califórnia, nos EUA, que até hoje não sei como não copiaram pra fazer uma versão brasileira por aqui (ou será que é esse festival que tá trazendo o Echo & The Bunnymen?). A dúvida para esse ano é saber se o headliner vai…