O National já havia dito que estava em processo de composição em massa para depois fazer uma peneira e tirar algumas canções para seu novo disco, agendado para o ano que vem, e nessa sexta eles oficializaram a primeira inédita em um show beneficente em Los Angeles. A música chama-se “Roman Candle” e segue um tom mais pesaroso que o do disco mais recente da banda, Trouble Will Find Me, de 2013.
Neil Young está vivendo um grande 2015 – e parte disso vem da festejada turnê ao lado da banda Promise of the Real, com quem o velho canadense gravou o disco The Monsanto Years, contra a gigante multinacional pesticida. A dinâmica ao lado da nova banda pelo visto o fez recuperar o gosto por canções que não tocava ao vivo há décadas e no show no Inglewood Forum em Los Angeles, na quarta passada, desenterrou clássicos de diversas fases de sua carreira, como “Burned” da época do Buffalo Springfield, “Mansion on the Hill” (do disco Ragged Glory) e três outras que felizmente foram registradas por heróis com uma câmera. “Words (Between the Lines of Age)”, do disco Harvest…
…”L.A.”, que não tocava ao vivo desde 1973, naquele mesmo local…
…e como se não bastasse um setlist que ainda teve “Helpless”, “Old Man”, “Mother Earth”, “My My Hey Hey”, “Out of the Weekend”, “Cowgirl in the Sand”, “Everybody Knows This is Nowhere”, “Love and Only Love”, “Human Highway” e “From Hank to Hendrix”, o cara ainda volta pro bis tocando “Vampire Blues” pela primeira vez desde 1974.
Participei do conselho da edição de 2015 do Porto Musical, em Recife, que aconteceu em fevereiro e falei sobre a importância do evento – misto de conferência e festival – para a cena local, para o showbusiness nacional e para o contexto global.
Nem lembro se publiquei aqui os shows que assisti quando estive por lá, apresentações memoráveis do DJ Dolores, Marcelo Jeneci, O Terno, The Baggios, Cumbia All Stars e Anelis Assumpção. Filmei algumas músicas, saca só:
O grupo inglês Blur esteve em plena turnê pela América do Sul essa semana: fez show no Chile semana passada e dois na Argentina e agora volta ao hemisfério norte pelo México e depois para os EUA – e nenhuma alma brasileira se dignou a trazer o show pra cá. Nos resta nos conformar com o vídeo com a íntegra do show em Santiago, cujo setlist vem a seguir.
“Go Out”
“There’s No Other Way”
“Lonesome Street”
“Bedhead”
“Ghost Ship”
“Coffee & TV”
“Out of Time”
“Beetlebum”
“Thought I Was a Spaceman”
“Trimm Trabb”
“For Tomorrow”
“Tender”
“Parklife”
“Ong Ong”
“Song 2”
“To the End”
“This Is a Low”
Bis
“Stereotypes”
“Girls & Boys”
“The Universal”
Uma das maiores cantoras do Brasil desafia público e a si mesma com o show Mulher do Fim do Mundo. Escrevi sobre o show pro meu blog do UOL e fiz uns vídeos (no começo tá ruim porque tava difícil filmar, depois ficou mais tranquilo), aí embaixo.
E o Tame Impala toca ao vivo no programa de Stephen Colbert uma das melhores músicas de seu novo disco, a irresistível “The Less I Know the Better”.
Nós da trupe Sussa – eu, Danilo, Pattoli, Babee e Klaus – fomos chamados pra dar início aos trabalhos do Fora da Casinha, o festival de oito anos da Casa do Mancha, que consagra a atual cena independente brasileira com o primeiro festival de indie rock realizado em São Paulo neste século. Na real é uma desculpa pra aplaudirmos pessoalmente este sujeito incrível que, na raça, vem adubando cada vez mais uma cena local e autoral, além de criar uma das melhores bolhas de otimismo da cidade (a incrível foto acima, com Samurai e a Ana de papagaios de pirata, foi tirada pela Kátia e eu tunguei de uma ótima história oral do Mancha contada na Vice). São dez atrações – Twinpine(s), Gui Amabis, Carne Doce, Supercordas, Maurício Pereira, Holger, Soundscapes, Stela Campos, O Terno e Boogarins – que mostram a amplitude e especificidade deste gênero, que também reunirá um verdadeiro quem é quem do indie rock brasileiro nesta década – não apenas de São Paulo, pois tem gente vindo de tudo quanto é lugar. Pra comemorar, vamos tocar só música brasileira. O festival começa às 16h deste domingo no Centro Cultural Rio Verde e os ingressos estão quase no fim!
E por falar em Patti Smith, quem também resolveu aproveitar os quarenta anos da obra-prima que inaugurou o punk como o conhecemos foi o Melbourne Festival, que reuniu um supergrupo de músicos australianos para tocar a íntegra do disco de estréia da senhora Smith ao vivo. A querida Courtney Barnett encabeça um quarteto que ainda conta com a cantora Jen Cloher, Adalita do Magic Dirty e o vocalista dos Drones Gareth Liddiard. O show acontece no próximo dia 18 e a procura foi tanta que eles abriram uma nova sessão, mais cedo, para quem quiser garantir o evento. Os ingressos estão à venda no site do festival, se alguém estiver por aquelas bandas nessa época.
Dono de um dos melhores discos deste excelente 2015, o grupo de Chaz Bundick, Toro y Moi, incluiu a faixa-título do disco do Unknown Mortal Orchestra deste ano, “Multi-Love”. O resultado não poderia ser melhor:
Tanto que a banda autora do hit aprovou:
hearing about @ToroyMoi covering Multi-Love is making me feel so happy
— UMO (@UMO) October 2, 2015
Se você postou algo no Facebook sobre o disco novo de Karina Buhr – o enfurecido Selvática, que ela disponibilizou essa semana e que lança hoje e amanhã na choperia do Sesc Pompéia – deve ter passado um dia na cadeia da rede social, impossibilitado de postar, comentar ou curtir qualquer coisa na aldeia de Mark Zuckerberg. Foi o que aconteceu comigo no fim desta semana – por culpa única e exclusivamente dos peitos de fora que a cantora baiano-pernambucana exibia na capa de seu novo disco.
A caça às tetas via Facebook (que começou no ano passado com o Encarnado de Juçara Marçal e que deve continuar em discos, fotos e vídeos nos próximos anos) é um bom sintoma do 2015 quente que Karina tem passado, ela que, além do disco, também lançou livro (Desperdiçando Rima, pela Rocco) e participou da Flip (ao lado de Arnaldo Antunes) este ano, se firma como uma das principais vozes do novo feminismo na atual cultura brasileira. Ela, no entanto, não acha que o disco seja mais feminista que os anteriores: “Se for pensar nos dois discos anteriores, eles são bem feministas também: ‘Eu menti pra Você’, ‘Não me ame tanto’, ‘Amor Brando’, ‘Avião Aeroporto’… De todo jeito, acho que tudo o que eu fizer, independente do tema que eu abordar vai ser feminista porque eu sou. Então posso falar do barquinho com a lua, relax, mas quem descreve esse barquinho e essa lua pensa de um jeito que é esse.” Ela define o novo disco como “rock and roll, mesmo quando é tranquilo e com toques de ciranda.”
Você chegou com o disco pronto em estúdio ou o compôs durante a gravação?
Cheguei com tudo pronto, só a letra de Selvática que fiz no último dia de gravação. Tinha ideia pra ela mas não tinha feito, passei a madrugada escrevendo e gravei no dia seguinte.
Ter feito o disco depois da sua participação na Flip e de lançar o seu livro o influenciou de alguma forma?
O livro influenciou, era um outro disco que ia rolar, mas quando peguei o livro com forma de livro, ali, capa e tal, sem ser o PDF frio ou a xerox grampeada, várias coisas se ressignificaram e acabei pegando vários textos dele e transformando em música. A Flip não, a Flip foi maravilhosa mas de outra forma, não influenciou no disco.
Como tem sido a repercussão da capa? Até eu fui proibido de usar o Facebook por um dia por sua causa…
Hahhaaa! Pois é, acabou tendo tiro pela culatra do Facebook! Nunca uma capa minha rodou tanto como essa, ela estava em todos os lugares, mais de 2 milhões de acessos na página em três dias. Fora que gerou uma discussão maravilhosa e profunda sobre censura, machismo, direito das mulheres sobre o próprio corpo, bem massa. Fui bloqueada, minha produtora também, um monte de gente também, mas era digitar “#selvática” no search do Facebook e ficar chorando, emocionada, como tanta gente postando pinturas antigas e coisas novas, capas de vinil aos montes, mulheres postando fotos dos próprios peitos, Beto Figueiroa e Aline Feitosa e o ensaio lindo que eles fizeram por conta disso… Começou como uma coisa muito ruim e se transformou completamente.
E o que dá para esperar do show de lançamento?
Não sei o que esperar, espero que seja bom hahaha. Vai ter Denise Assunção, deusa, junto comigo. A banda é minha banda deusa de sempre: Mau no baixo, Bruno Buarque na bateria, André Lima nos teclados, Guizado no trompete e Catatau e Edgard nas guitarras.









