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Show

wilco-circo

Eis os vídeos que fiz nos três shows da já clássica turnê da banda pelo país.

No Circo Voador:

No Popload Festival:

No Auditório Ibirapuera

Foi demais.

Wilco clássico

wilco-sp

Escrevi sobre o show que o Wilco fez no Popload Festival para o meu blog no UOL.

O conceito tradicional de rock clássico diz respeito a uma geração de artistas que viveu seu auge entre o meio dos anos 60 e o final dos anos 70 (incluindo um pouco dos que estouraram nos anos 50 e alguns que desbravaram os anos 80) e que até hoje, quase meio século depois, vive das glórias do passado. Entre artistas decanos decadentes e heróis sobreviventes de uma época muito louca, velhos ídolos revivem seus dias de ouro entre turnês em que reciclam músicas ancestrais para seus contemporâneos e fãs das gerações seguintes, que torram dinheiro para assistir parques temáticos ambulantes sobre seus protagonistas. O melhor exemplo desta abordagem é o festival Desert Trip, que está acontecendo neste fim de semana reunindo, na Califórnia, os líderes daquela revolução cultural – Dylan, Paul McCartney, os Stones, Roger Waters, Neil Young e Who. Os piores são rádios, coletâneas, playlists e bandas cover que insistem numa caricatura disso, preferindo “Ballroom Blitz”, “Bohemian Rhapsody” e os mesmos hits gastos do Kiss e do Bachman-Turner Overdrive para se auto-afirmar como tribo numa clara tentativa de se diferenciar do resto do mundo. O rock clássico como rótulo geracional é o pai do infame roqueiro velho.

Uma abordagem mais propícia, no entanto, é a que trata o rock clássico como gênero musical. Há uma inevitável conexão com a mesma época descrita no início, mas não o compromisso com nomes, discos, músicas, e sim com uma sonoridade específica que evoluiu da colisão inicial do country com o blues que deu origem ao rock’n’roll para um tratamento mais sofisticado e musical. É este o terreno que a banda norte-americana Wilco, que apresentou-se pela primeira vez em São Paulo neste sábado, explora desde a virada do século, quando aos poucos foi largando suas raízes country (ou alt.country, como dizia-se à época) para abraçar a plenitude de um gênero musical aventureiro como os Beatles no estúdio, delicado como o auge dos Beach Boys, pesado e dramático como os vales e montanhas das guitarras de Neil Young, lírico como os arranjos e letras da The Band.

Foi a segunda apresentação da banda no Brasil este ano, após uma apresentação histórica no Circo Voador, no Rio de Janeiro, na quinta passada. O show de São Paulo perdeu para o carioca por motivos óbvios – a arquitetura da casa noturna da Lapa aproxima o público da banda de uma forma muito mais intensa e o show paulista foi dentro de um festival que contava com outras apresentações. Isso não apenas encurtou o tempo da banda no palco como não criou uma atmosfera estritamente focada no show de uma única banda. A favor do público paulista uma atenção e uma entrega muito mais fanática por parte da plateia que, no Rio de Janeiro, ficava conversando sem parar no meio das músicas.

Mas as diferenças entre as duas apresentações foram mínimas, se analisada estritamente a entrega da banda. No show de São Paulo, já familiarizado com o público brasileiro, o líder da banda, o guitarrista e vocalista, Jeff Tweedy, deitava e rolava no calor de sua recém-descoberta popularidade, pedindo para o público repetir o nome do grupo como torcida de time de futebol e entoando o “olê-olê-olê-olê Wilco, Wilco” que havia ouvido antes da banda entrar no palco. “Desculpe termos demorado tanto para vir para cá”, disse sincero para o público, este completamente entregue à banda, cantando não apenas os riffs e os refrões como os cariocas, mas a imensa maioria de todas as letras. No meio do show, Jeff reconheceu César, que subiu no palco carioca para tocar com a banda, e o cumprimentou.

O show seguiu a linha de grandes sucessos da apresentação anterior e foi uma versão compacta do que assistiu-se no Rio. Fora do repertório de São Paulo, infelizmente, canções memoráveis do grupo, como “Theologians”, “Ashes of American Flags” e “California Stars”, mas a clássica “Either Way”, “Dawned on Me”, “Side with the Seeds” e “The Joke Explained” só foram tocadas no palco do Urban Stage, na região norte da cidade. Entre estas aquele desfile de clássicos que os fãs esperavam: “Via Chicago” e “Impossible Germany” logo de cara, “Heavy Metal Drummer”, “Hummingbird”, “Art of Almost”, “Misunderstood”, “Jesus Etc.”, “I Got You (At the End of the Century)” e “Outtasite (Outta Mind)”.

E durante a apresentação do grupo percebe-se que seu conceito de rock clássico não é temporal – e aos poucos eles vão incluindo efeitos eletrônicos, ruídos e cacofonias elétricas, microfonias pós-punk, peso metal, agressividade punk. Isso reflete-se na dinâmica da própria banda e nos papéis de cada um no palco. Jeff Tweedy é o maestro graças a seu inegável carisma, mas também pela forma como conduz a banda do sussurro ao esporro, do assobio ao solo rasgado. Um mestre guitarrista, ele é acompanhado de perto por seu fiel escudeiro John Stirratt, baixista, principal vocalista de apoio e, ao lado de Jeff, único integrante da primeira formação do grupo. A liga entre os dois é o cerne da banda, tudo que acontece no palco é construído a partir da cumplicidade explícita entre Jeff e John.

Ao lado de Jeff, o guitarrista Nels Cline é o franco-atirador da banda, que eleva o título de guitar hero a um nível de pós-doutorado. Cline sozinho é um show à parte e seus solos traçam uma conexão clara entre Tom Verlaine e Neil Young, ampliando horizontes a cada nota sangrada no palco. O guitarrista Pat Sansone – outro guitar hero – é uma espécie de arma secreta do grupo, revezando-se entre teclados, guitarra, banjo e vocais de apoio. O pulso firme do baterista Glenn Kotche certifica-se que está tudo sob controle enquanto o tecladista Mikael Jorgensen prepara a atmosfera necessária para cada canção. Isso sem contar o desfile de guitarras (são 70 instrumentos de cordas, entre guitarras, baixos e violões), um deleite para os fãs do instrumento, e o apreço pelo detalhe – se eles quisessem que ouvíssemos o som de uma agulha caindo no palco ouviríamos. O som, outro ponto alto desta pequena turnê, estava tão cristalino quanto no Rio.

Por ter sido realizado em um festival, o show teve apenas um bis (ao contrário de dois no Rio) e a banda voltou com a intensa “Spiders (Kidsmoke)”, de raiz de rock alemão, em que Jeff incitou o público a cantarolar o riff explosivo, mas escolheu terminar com “The Late Greats”, deixando o público em estado de êxtase após o fim do show. Cravadas duas horas de emoção intensa que lavaram a alma dos fãs que esperaram tanto tempo por esse momento. Resta saber agora o que eles irão fazer em sua última apresentação no Brasil, que acontece neste domingo, no Auditório Ibirapuera. Será que manterão o clima de grandes sucessos dos dois primeiros shows ou farão uma apresentação mais introspectiva? Ou acústica? Ou que se aproveite mais dos silêncios? Mas não importa o que fizerem: farão de forma clássica, como de costume.

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O mágico show que o Wilco fez no Circo Voador ainda teve uma participação improvisada de um fã no palco – e o César contou o depoimento sobre como foi tocar no mesmo palco que seus ídolos lá no meu blog no UOL.

Quem esteve no Circo Voador no dia 6 de outubro de 2016 (uma data palíndroma – 6102016 – vejam só) sabe que assistiu a um dos shows de sua vida. Mesmo quem não é fã da banda norte-americana Wilco teve que dar o braço a torcer e comemorar a incrível conjunção de fatores que levaram a tal momento histórico. Mas ninguém teve uma história ou um show melhor do que o fã carioca Cesar do Couto, que subiu ao palco após uma discreta insistência, recebeu uma guitarra do próprio Jeff Tweedy e acompanhou a banda na música “California Stars”, com direto a fazer um solo junto com os ídolos.

Ninguém entendeu nada. Estava combinado? Eles já se conheciam? Quem era esse César? Será que ele iria roubar a cena ou fazer um papelão? Mas à medida em que ele começou a tocar a música que a banda compôs sobre uma letra de Woody Guthrie, os fãs perceberam que estavam vendo um dos seus realizar um sonho: tocar ao vivo com seus ídolos em sua cidade natal e delirou junto com o fã-guitarrista, que não parava de sorrir. Cesar toca na desconhecida banda Mimesis, que apesar do nome de banda hippie tem uma sonoridade equivalente à do Wilco (veja no final desse post), e vem para o show de São Paulo que conseguiu comprar o ingresso – e quer entregar um CD de sua banda para seu grupo do coração (além de ver se alguma alma caridosa lhe arruma ingresso para o show de domingo). Ele contou como foi sua aventura com o Wilco, que reproduzo – junto com algumas fotos dele mesmo – abaixo:

“Alguém saberia dizer a distância entre o sonho e a realidade? Pois bem, ontem (quinta, 6) eu percebi, mais uma vez em minha vida, que é possível nossos sonhos se tornarem realidade.

Minhas emoções estavam afloradas desde o anúncio da vinda do Wilco ao Brasil e isso contagiou as pessoas à minha volta. Como todo fã desesperado, comprei o ingresso no primeiro minuto de venda do festival Popload e desde então começou a contagem regressiva para finalmente assistir os caras ao vivo e em cores.

Logo depois, a surpresa de um show na minha cidade. Fiquei louco! “Mais um show?! Que maravilha!” Da mesma forma, comprei o ingresso no primeiro minuto de venda.

Quis o destino que os irmãos uruguaios tivessem seu show cancelado (César se refere ao show que o Wilco faria no Uruguai à época da vinda ao Brasil, que foi cancelado), e abriu mais uma data na agenda dos caras. E aí vocês já sabem o que aconteceu!

Só estou contando tudo isso, porque foi aqui que nasceu a ideia do que fiz ontem.

Como muitos fãs mortais da banda, montei uma operação para comprar os ingressos para o show do dia 9 de outubro. Minha esposa ficou no aplicativo e eu no PC. Aquele dia foi o momento triste da turnê. Não foi triste só para mim, muitos foram lesados pela incompetência da Popload e Ingresso Fácil. Não preciso entrar em detalhes que todos os fãs, até os que estão com ingresso em mãos, sabem o quanto foi escroto o que fizeram conosco. Minha indignação foi externada no Facebook. Logo percebi que não tinha mais o que fazer; era se conformar e ponto. Então comecei a procurar ingressos, mas… nada! Percebi que iria ficar de fora.

Minha frustração era enorme, mas ‘eu queria sonhar meus problemas pra fora’* e então surgiu a ideia de tentar fazer algo que iria marcar positivamente minha vida.

Eu duvido de que alguém, principalmente músico, nunca tenha sonhado em dividir o palco com seus ídolos referenciais. Eu sempre sonhei isso… e, no dia 6 de outubro de 2016, vislumbrei a oportunidade de realizá-lo. E realizei!

Como tudo em minha vida, dividi com minha esposa Roberta Magalhães e, como sempre, ela prontamente comprou a ideia, apoiou-me e encorajou-me a todo instante. Definitivamente eu ‘senti sua mão tocando a minha, e me dizendo por que deveria continuar trabalhando’. E é por essa e outras que eu a amo tanto.

Daí escolhi a música ‘California Stars’, por ser uma música de que eu sempre gostei, e também é a música que vez ou outra há participações. Além disso, não seria uma música que comprometeria a performance da banda, afinal a única coisa que eu não queria era atrapalhar banda e fãs.

Eu já sabia tocar a música como Jeff (Tweedy, líder da banda), mas eu não iria fazer o que ele faz na música, por isso a estudei algumas vezes. Cheguei a fazer umas linhas de guitarra ao estilo Nels (Cline, guitarrista do Wilco), fiz o solo e tudo! Estava tudo de muito bom gosto.

Minha esposa entrou em cena mais uma vez e fez o cartaz. Partimos cedo para o Circo Voador e ainda vimos a chegada da banda, quando conseguimos tirar uma foto, às pressas, com Jeff. Mas até aí ele nem imaginava que eu tinha um cartaz, quanto mais o que nele estava escrito.

Reprodução: Facebook

Reprodução: Facebook

Chegou a hora do show… Eu e minha esposa estávamos em frente ao Jeff. Éramos os primeiros da fila. Começou a todo vapor, e após ‘Art of Almost’ mostrei timidamente o cartaz ao Jeff. Ele leu e deu um sorriso. Eu não queria parecer chato e nem “entrão”, por isso recolhi o cartaz, afinal ele já sabia da minha intenção.

Decidi mostrar o cartaz a todos os integrantes e, quando cada um olhava em minha direção, o mostrava. O John (Stirratt, baixista) também deu uma risada ao lê-lo. Como disse, não queria ficar sufocando os caras.

Antes de iniciar ‘Late Greats’, percebi que Jeff estava com o violão e o capotraste na segunda casa, pensei : ‘babou. Ele vai tocar Califórnia Stars e eu vou ficar de fora.’ Mostrei o cartaz, ele riu e falou: ‘Wait.’ (Espera) Ali, me enchi de esperança… sentia dentro de mim o paradoxo da certeza de que iria rolar e do medo de que não acontecesse.

Eles saíram e eu coloquei o cartaz no palco. Quando voltaram, Jeff olhou e riu de novo. Tocaram ‘Jesus, Etc.’ e, ao terminar, Jeff foi falar com Nels sobre minha intenção, o qual olhou o cartaz, fazendo uma expressão duvidosa, em seguida olhou para mim, que estava com cara de pedinte e mãos de súplica. Talvez por isso, por ter externado meu imenso desejo de estar entre meus ídolos, concordara. Jeff veio me perguntar se eu sabia tocar guitarra e autorizou a minha subida ao palco.

Eu só sabia agradecer. A primeira coisa que falei com ele foi: ‘Obrigado por ter vindo ao Brasil!’ Fiz questão de cumprimentar todos. E aí fui marrento, pedi a ele a guitarra SG. Aquela guitarra é um sonho. Aposto que cairia muito bem em mim! Mas ele disse que aquela não estava preparada, perguntou se eu me importava em usar a Strato – como o cara é humilde! ‘Como assim?! Eu? Me importar? No Problem, Jeff’.

E começou a música. Aí, eu pergunto: ‘Quem, em sã consciência, vai conseguir manter o equilíbrio ao estar do lado de seus ídolos?’ Todo meu estudo foi por água abaixo, então pensei: ‘Vou fazer o trivial, sem medo de ser feliz!’ Afinal, estava me sentindo intimidado com as olhadas do Nels em minha direção. Senti-me sob o julgamento de um professor caxias, mas que, a cada acorde meu, acenava com a cabeça, como quem diz: ‘Você está indo bem, meu aluno’.

Não consegui conter o sorriso, tamanha era a felicidade. Eu só pensava: ‘Não posso decepcionar os caras e nem os fãs’. Eu senti que naquele momento eu devia representar muito bem os fãs brasileiros, deixar a melhor impressão possível, para que eles se sentissem em casa.

Ao terminar aquele momento mágico, só queria mais uma vez agradecê-los. Fiz questão de cumprimentar cada um deles, pois todos têm tamanha importância para a música que fazem. Minhas palavras no palco eram: ‘Thank you, guys! Thank you for coming to Brazil! I love yours songs!’

Foram cinco minutos marcantes na história da minha vida, inclusive acho que consegui desfrutar bem de cada segundo que vivenciei no palco. Ainda deu tempo da minha esposa voar no palco e agradecer também ao Tweddy por ter me oportunizado aquele momento, e em seguida tiramos uma foto.

Reprodução: Facebook

Reprodução: Facebook

Dito isso pessoal, gostaria de agradecer a todos os fãs do Wilco que me receberam como um ‘herói’. Senti que vocês ficaram felizes junto comigo. Posso garantir que foram uma plateia sensacional. A energia no palco estava fantástica, era muita vibração boa que estava ali e isso quem proporcionou fomos nós, fãs. Vocês viram a cara deles em cada música? Tipo: ‘Que porra é essa que está acontecendo aqui?’, ‘Que plateia é essa?’, ‘Por que demoramos tanto para voltar?’

Fizemos a nossa parte, pessoal!

Parabéns para todos nós!

E muito obrigado pelo carinho.

PS.: Ainda não tenho ingresso para o show do dia 9 de outubro, se alguém tiver sobrando para vender, eu compro, ou se a Popload se sensibilizar com a minha história, doe-me um par de ingressos, para eu ir com a minha esposa.

Ainda há ingressos para o show de hoje, que acontece dentro do Popload Festival (e, mesmo num festival, terá a duração de mais de duas horas como o show do Rio) e reforço o que disse o Barcinski em sua resenha de estreia aqui no UOL: o preço está salgadaço, mas se você quiser assistir ao melhor show internacional em solo brasileiro em 2016 não perca a oportunidade.

Olha a banda do César aí:

Na torcida pro César conseguir seu ingresso para o domingo. Ou será que ele já gastou sua cota de sorte? Tomara que não.

cumberbatch-gilmour

Benedict Cumberbatch sobe ao palco de David Gimour para cantar um dos hinos do Pink Floyd – vê lá no meu blog no UOL.

É inevitável que um dos grandes momentos de qualquer show do guitarrista David Gilmour sejam as músicas que ele eternizou ao lado de sua banda original, o Pink Floyd – especificamente “Comfortably Numb”, um dos muitos épicos do clássico The Wall, palco para um de seus solos mais dramáticos. Mas imagine ir a um show do guitarrista e, logo depois dos acordes de introdução do hino, outro vocalista entra no palco, recitando uma letra mais falada que cantada. Apesar da silhueta esguia, não é Roger Waters, o outro cabeça do Pink Floyd durante seu auge nos anos 70 – e sim o ator inglês Benedict Cumberbatch. Foi isso que aconteceu na quarta passada, quando, durante um show de Gilmour no Royal Albert Hall em Londres, Gilmour abriu espaço, sem anunciar, para o intérprete mais famoso de Sherlock Holmes e futuro Doutor Estranho. E apesar da música não exigir muito do ator (o refrão ficou a cargo de Gilmour, como na música original), Cumberbatch segurou bem a onda – e o risinho entre os versos dava para perceber que ele estava realizando um sonho juvenil.

Afinal, quem nunca…?

ibeyi-julia-holter

O Audio Club, em São Paulo, reuniu duas estrelas em ascensão de dois universos independentes diferentes que provoca possíveis conexões entre artistas tão distantes: a californiana Julia Holter e as gêmeas cubanas Ibeyi nunca tocaram no Brasil e fazem isso pela primeira vez em dose dupla, no próximo dia 13 de outubro. E quem quiser concorrer a um par de ingressos para o show, basta dizer qual música quer mais ver ao vivo do show de uma das duas e por quê. Na semana que vem eu anuncio quem ganhou. Mais informações neste link.

daftpunk

Pode parecer só um trote, alguém que comprou um domínio e jogou umas pistas escondidas fáceis de se descobrir só pra aproveitar o boato que tem rolado, que já tinha comentado no meu blog no UOL: que o Daft Punk seria o nome secreto da edição do ano que vem do Lollapalooza, apresentando-se em várias grandes cidades do mundo com o festival ao mesmo tempo em que consagram o ano 7 como o ano de seus discos ao vivo. O fato é que apareceu esta semana um certo site chamado www.alive2017.com que não traz nada além da palavra ALIVE escrita em branco sobre o fundo preto.

alive2017

Mas quando você entra no código da página, vemos isso:

daft-punk-2017

Que, traduzindo, é isso:

CONTATO CONFIRMADO
IMPRIMA A TRANSMISSÃO
48 51 24 2 21 03
34 03 118 15
51 30 26 N 0 7 39
40 7128 74 0059
35 6895 139 6917
23 5505 46 6333
39 0200 1 4821
33 7206 116 2156
TRANSMISSÃO INTERROMPINDA
…OUVINDO…
NENHUM SINAL DETECTADO, TENTANDO NOVAMENTE EM 10s…
TENTANDO NOVAMENTE EM 9s…
TENTANDO NOVAMENTE EM 8s…
TENTANDO NOVAMENTE EM 7s…
TENTANDO NOVAMENTE EM 6s…
TENTANDO NOVAMENTE EM 5s…
TENTANDO NOVAMENTE EM 4s…
TENTANDO NOVAMENTE EM 3s…
TENTANDO NOVAMENTE EM 2s…
TENTANDO NOVAMENTE EM 1s…
SINAL DETECTADO… CONECTANDO
CONTATO CONFIRMADO
IMPRIMA A TRANSMISSÃO
RA 0h 42m 44s Dec 41 16 9
TRANSMISSÃO INTERROMPIDA REMOTAMENTE
…OUVINDO…
SINAL DETECTADO… CONECTANDO
CONTATO CONFIRMADO
IMPRIMA A TRANSMISSÃO
“ALIVE”
TRANSMISSÃO INTERROMPIDA REMOTAMENTE
…OUVINDO…
…OUVINDO…
NENHUM SINAL DETECTADO, TENTANDO NOVAMENTE EM 10s…
TENTANDO NOVAMENTE EM 9s…
TENTANDO NOVAMENTE EM 8s…
TENTANDO NOVAMENTE EM 7s…
TENTANDO NOVAMENTE EM 6s…
TENTANDO NOVAMENTE EM 5s…
TENTANDO NOVAMENTE EM 4s…
TENTANDO NOVAMENTE EM 3s…
TENTANDO NOVAMENTE EM 2s…
TENTANDO NOVAMENTE EM 1s…
NENHUM SINAL DETECTADO
ENTRAR EM MODO SLEEP
DATA DE ACORDAR 2016-10-27

Fácil de descobrir, ainda mais quando você percebe que os números são coordenadas geográficas para as seguintes cidades: Paris (48 51 24 2 21 03), Los Angeles (34 03 118 15), Londres (51 30 26 N 0 7 39), Nova York (40 7128 74 0059), Tóquio (35 6895 139 6917), São Paulo (23 5505 46 6333), Ibiza (39 0200 1 4821) e Indio (33 7206 116 2156). E que saberemos se isso é verdade no próximo dia 27 de outubro.

E, realmente, com o Daft Punk como headliner o Lollapalooza ganha ooooutros contornos…

daft-punk-2017

Uma série de dicas aponta para uma possível turnê mundial dos robôs franceses – com passagem pelo Brasil! Comentei sobre isso lá no meu blog no UOL.

Foi só sair a escalação do Lollapalooza do ano que vem no meio desta semana para ouvir o misto de suspiro de alívio com grunhido de raiva da enorme multidão através das redes sociais, que contrastava-se com alguns milhares de fãs de algumas das principais atrações comemorando a vinda de seus ídolos e de outros tantos que gostam mais da atmosfera do festival do que das atrações em si.

lollapalooza-2017

Esse enorme suspiro-grunhido coletivo desdobrava-se em diferentes reclamações, que iam dos preços à ausência de nomes importantes, da repetição de bandas manjadas, do lugar coadjuvante de artistas brasileiros e do local realizado. E, logo em seguida, vinha a materialização desta reclamação coletiva na forma de piada, como aquele manjado meme que substitui o nome das bandas por exclamações do público em relação a cada um dos anúncios.

lollameme

E, realmente, um festival deste porte cujas principais atrações são ícones velhos e que não lançam discos importantes há anos (em alguns casos, décadas). Metallica, Strokes e The Xx caminham para se tornar o que se tornou o Duran Duran, talvez o nome mais interessante da escalação de fato, por ser uma banda fora do radar de obviedades cuja carga de hits valeria esticar de um palco para o outro. Mas ele está ali na terceira linha da escalação e se, daqui a dez anos, o Metallica, os Strokes ou o Xx estiverem em um festival neste mesmo nível de importância, tudo bem dar uma olhada. Mas muita gente reclamaria caso o Duran Duran fosse o principal nome deste festival, como reclamou dos três principais nomes do elenco. Só o canadense Weeknd foge da nostalgia e chega ao país na turnê de lançamento de seu novo disco, Starboy, que vem sendo aguardado como o grande lançamento de sua curta carreira. Mas é um artista cujo apelo popular não é tão forte quanto o dos outros três – pelo menos por enquanto, mesmo com o hit “Can’t Feel My Face”, uma das grandes faixas do ano passado.

Falta ao lineup do Lollapalooza 2017 um nome de peso, um nome que seja tão unânime quanto os nomes da primeira linha mas que ainda esteja lançando discos e músicas relevantes para esta década. Nomes de artistas que eu nem acho tão interessantes, mas que são claros headliners de um festival deste porte, como Kanye West, Adele, Lady Gaga, Bruno Mars ou Muse. Ou nomes que estejam mais alinhados com meu próprio gosto musical e que tenham este mesmo peso popular: Beyoncé, Radiohead, Arctic Monkeys, Taylor Swift, LCD Soundsystem ou Lana Del Rey. Enfim – não faltam opções.

Até que nota-se um certo nome ali no meio, tapado, com anúncio marcado para daqui a duas semanas. Pela posição no cartaz não parece ser alguém de peso. E pelas pontas de letras que aparecem, parece que ali tem um V e depois um E… e é um nome curto. Tem gente vendo até W pra ver se encaixa o Weezer.

lollapalooza-2017-escondido

Mas acho que não são essas letras as do nome escondido. Como pode ser que ele não seja tão terceira linha assim.

No canal rede Reddit dedicado à dupla francesa Daft Punk já há uma especulação constante sobre a volta do grupo aos palcos. Desde o lançamento de seu excelente Random Access Memories de 2013 o grupo não sai em turnê e sua única aparição ao vivo foi ao lado de ninguém menos que Stevie Wonder no Grammy do ano seguinte, defendendo seu hit “Get Lucky” ao lado dos comparsas Pharrell e Nile Rodgers.

Acontece que apareceu o nome da dupla exposto no site do Lollapalooza norte-americano. O nome desapareceu logo em seguida, mas conseguiram tirar um print da tela, comprovando a mudança no site.

daft-punk-lolla

Outra imagem que surgiu no Twitter no fim do mês passado mostrava o nome da dupla num pôster impresso da edição chilena do festival, que tem dois nomes encobertos (o segundo seria o Jane’s Addiction, banda do criador do Lolla, Perry Farrell):

lolla-2017-twitter

Mas será que o Daft Punk entra em turnê no ano que vem?

daft-punk-2017

Porque faz sentido. Por mais que suas duas únicas turnês mundiais tenham começado em anos que terminam em 6, seus registros – os discos Alive 1997 e Alive 2007 – foram publicados em anos que terminam com 7 (mesmo porque as turnês entraram ano sete adentro). Assim, eles consagrariam um padrão de lançar discos ao vivo a cada dez anos, lançando turnês pouco antes deste lançamento. Some a isso o rumor de que a dupla (além de Lady Gaga, Radiohead, Kraftwerk e Stone Roses) está sendo cotada para tocar no festival inglês de Glastonbury do ano que vem ao desequilíbrio que o Daft Punk daria ao atual elenco do Lollapalooza e cruzem os dedos. E não custa lembrar que o hit que o Weeknd acaba de lançar – “Starboy”, que batiza seu novo disco, ainda não lançado – foi composto ao lado da dupla francesa…

aninha-coquetel-molotov

Há treze anos na ativa, o Coquetel Molotov já é uma tradição pernambucana e uma data de referência no calendário indie brasieiro, ao misturar novatos em ascensão, gringos de destaque e novos talentos da música nacional. Em sua edição 2016, o festival indie pernambucano chega ao equilíbrio perfeito destas qualidades, reunindo, num mesmo dia (22 de outubro), parte da nata da atual cena independente brasileira (Céu, BaianaSystem, Karol Conká e Boogarins), nomes promissores desta mesma cena (Jaloo, Rakta, Baleia e Ventre), gringos de médio porte (os franceses do Moodoid, os ótimos norte-americanos Deerhoof e os espanhóis Los Nastys – que também fazem shows em São Paulo e Belo Horizonte, saiba mais aqui) e os pernambucanos da vez (como Barro, que toca ao lado de Juçara Marçal, Amp, Luneta Mágica e Tagore). Bati um papo com a Ana Garcia, que há treze anos produz o já tradicional festival ao lado do incansável Jarmeson de Lima, sobre a produção do festival, a cena independente brasileira em 2016 e as bandas que ela ainda queria ter no palco de seu evento.

coquetel-molotov-2016

Treze anos de Coquetel Motolov
https://soundcloud.com/trabalhosujo/ana-garcia-coquetel-molotov-2016-treze-anos-de-coquetel-motolov

Evolução da cena independente
https://soundcloud.com/trabalhosujo/ana-garcia-coquetel-molotov-2016-evolucao-da-cena-independente

A edição 2016 do Coquetel Molotov
https://soundcloud.com/trabalhosujo/ana-garcia-coquetel-molotov-2016-a-edicao-2016

Recife depois do mangue beat e o Coquetel Molotov
https://soundcloud.com/trabalhosujo/ana-garcia-coquetel-molotov-2016-pos-mangue-beat

Coquetel Molotov em São Paulo
https://soundcloud.com/trabalhosujo/ana-garcia-coquetel-molotov-2016-coquetel-molotov-em-sao-paulo

A cena independente brasileira em 2016
https://soundcloud.com/trabalhosujo/ana-garcia-coquetel-molotov-2016-a-cena-independente-brasileira-em-2016

Quem você ainda quer trazer para o festival?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/ana-garcia-coquetel-molotov-2016-quem-voce-ainda-quer-trazer-para-o-festival

dylan

E lá vem mais caixa do Dylan. The 1966 Live Recordings é uma caixa com 36 discos que inclui apenas gravações ao vivo em um dos anos mágicos do então jovem bardo, 1966. É um período tão específico e um esforço tão grande que nem entrou na série de piratas oficiais que ele lança desde o início dos anos 90, The Bootleg Series – é um projeto à parte de pirataria oficializada. E um esforço gigantesco, jamais visto para nenhum outro artista. “Enquanto fazíamos a pesquisa de arquivo para a caixa The Cutting Edge 1965-1966: The Bootleg Series Vol. 12 do ano passado, ficávamos constantemente pasmos sobre como eram ótimas suas apresentações em 1966”, disse o presidente da Legacy Records, Adam Block. “A intensidade das apresentações de Bob e a forma fantástica como ele entregava essas músicas em shows acrescentam um outro elemento perspicaz no entedimento e na apreciação da revolução musical que Bob Dylan iniciou 50 anos atrás.”

dylan66-live

Além da caixa monumental, também haverá o lançamento à parte de um dos shows daquele ano, o verdadeiro show que Dylan deu no Royal Albert Hall em Londres (ao contrário do pirata conhecido por este nome, que foi gravado na verdade no Manchester Free Trade Hall e compõe o volume 4 das Bootleg Series), o The Real Royal Albert Hall 1966 Concert, que conta com sete músicas no disco acústico e oito no disco elétrico, como era o padrão dos shows de Dylan naquele período. Entre as elétricas está essa brusca “Tell Me, Momma”, que Dylan nunca gravou em seus discos oficiais.

Eis a relação de todos os shows que entram na caixa, que sai apenas em novembro mas já está em pré-venda em seu site oficial.

Disco 1 – Sidney, 13 de abril de 1966 (da mesa de som do canal TCN 9 TV Australia)
Disco 2 – Sidney, 13 de abril de 1966 (da mesa de som do canal TCN 9 TV Australia)
Disco 3 – Melbourne, 20 de abril de 1966 (da mesa de som / Transmissão desconhecida)
Disco 4 – Copenhague, 1° de maio de 1966 (da mesa de som)
Disco 5 – Dublin, 5 de maio de 1966 (da mesa de som)
Disco 6 – Dublin, 5 de maio de 1966 (da mesa de som)
Disco 7 – Belfast, 6 de maio de 1966 (da mesa de som)
Disco 8 – Belfast, 6 de maio de 1966 (da mesa de som)
Disco 9 – Bristol, 10 de maio de 1966 (da mesa de som e do público)
Disco 10 – Bristol, 10 de maio de 1966 (da mesa de som)
Disco 11 – Cardiff, 11 de maio de 1966 (da mesa de som)
Disco 12 – Birmingham, 12 de maio de 1966 (da mesa de som)
Disco 13 – Birmingham, 12 de maio de 1966 (da mesa de som)
Disco 14 – Liverpool, 14 de maio de 1966 (da mesa de som)
Disco 15 – Leicester, 15 de maio de 1966 (da mesa de som)
Disco 16 – Leicester, 15 de maio de 1966 (da mesa de som)
Disco 17 – Sheffield, 16 de maio de 1966 (gravação da CBS Records)
Disco 18 – Sheffield, 16 de maio de 1966 (da mesa de som)
Disco 19 – Manchester, 17 de maio de 1966 (gravação da CBS Records)
Disco 20 – Manchester, 17 de maio de 1966 (gravação da CBS Records à exceção da passagem de som, da mesa de som)
Disco 21 – Glasgow, 19 de maio de 1966 (da mesa de som)
Disco 22 – Edimburgo, 20 de maio de 1966 (da mesa de som)
Disco 23 – Edimburgo, 20 de maio de 1966 (da mesa de som)
Disco 24 – Newcastle, 21 de maio de 1966 (da mesa de som)
Disco 25 – Newcastle, 21 de maio de 1966 (da mesa de som)
Disco 26 – Paris, 24 de maio de 1966 (da mesa de som)
Disco 27 – Paris, 24 de maio de 1966 (da mesa de som)
Disco 28 – Londres, 26 de maio de 1966 (gravação da CBS Records)
Disco 29 – Londres, 26 de maio de 1966 (gravação da CBS Records)
Disco 30 – Londres, 27 de maio de 1966 (gravação da CBS Records)
Disco 31 – Londres, 27 de maio de 1966 (gravação da CBS Records)
Disco 32 – White Plains, NY, 5 de fevereiro de 1966 (gravação da plateia)
Disco 33 – Pittsburgh, PA, 6 de fevereiro de 1966 (gravação da plateia)
Disco 34 – Hempstead, 26 de fevereiro de 1966 (gravação da plateia)
Disco 35 – Melbourne, 19 de abril de 1966 (gravação da plateia)
Disco 36 – Estocolmo, 29 de abril de 1966 (gravação da plateia)

Ave King Crimson

crimson2016

Uma das bandas mais complexas e completas da história, o King Crimson vem passando discretamente por uma fase inacreditável, que começou como um rumor sobre uma formação com vários integrantes, boatos sobre um possível primeiro show desde anos 70, que materializou-se em não apenas um, mas alguns shows, transformou-se em turnê e agora chega ao disco numa versão da banda com sete cabeças tocando ao mesmo tempo. O guitarrista maestro Robert Fripp reuniu integrantes de diferentes fases da banda (o saxofonista e flautista Mel Collins, o baixista Tony Levin, o guitarrista Jakko Jakszyk e três bateristas, Pat Mastelotto, Gavin Harrison e Bill Rieflin) numa formação dos sonhos que tem revivido alguns dos momentos mais emblemáticos da carreira do grupo ao vivo. A caixa Radical Action to Unseat the Hold of Monkey Mind reúne três discos com gravações da banda do ano passado no Japão, na França e no Canadá e tem versões que trazem registros em vídeo desta apresentação, como a impressionante versão ao vivo para “Starless”. Como o produtor e parceiro de longa data de Fripp David Singleton escreve no encarte do box:

“É uma espécie de truísmo na história do Crimson que qualquer show que seja filmado não será aquele em que o céu encontra-se com a terra e descem os anjos. A presença de câmeras e de operadores introduz um elemento intrusivo na relação entre o artista, a música e o público. Nossa solução foi voltar ao conceito de “TV pirata” e priorizar a música e a performance mais do que as imagens. Tínhamos um único câmera – Trevor Wilkns, que sofreu! – nesta turnê e ele filmava todas as noites com uma série de câmeras escondidas discretamente no palco onde a elas não atrapalhariam nem o artista ou o público. O compromisso portanto não é o visual e sim o da música.”

Aos céticos ou não-iniciados na banda que se convenceram pela balada inicial sugiro que joguem o cursor lá praquele tempo mágico, 4:20 – e boa viagem.