Trabalho Sujo - Home

Show

baiana2017

Não é nenhuma novidade o cunho político das músicas e das apresentações do BaianaSystem – na verdade, a fusão entre festa e protesto está na gênese do grupo baiano e toda sua obra reflete essa dicotomia. Por isso era mais que natural que seu trio Navio Pirata cutucasse velhas feridas abertas recentemente a partir do tenso clima político no Brasil principalmente por ser um pleno carnaval. Russo Passapusso começou o protesto no meio da instrumental “Forasteiro”, enfileirando “golpistas, machistas e fascistas” para ouvir um “não passarão” em uníssono do público. E nem precisou mencionar o nome do presidente postiço para que a multidão emendasse o grito de guerra “fora Temer”. Veja só:

A manifestação pode ter valido a ausência da banda do próximo carnaval, segundo o Conselho Municipal do Carnaval de Salvador, cujo presidente disse que “o código de ética é claro, é terminantemente proibido que o artista use o carnaval para denegrir alguém, como foi feito pelo BaianaSystem. Há um risco concreto de punição grave, que seria a exclusão deles”, explicou ao Correio da Bahia (de onde também saiu a foto que ilustra este post).

Mas tem que ver pra quem essa regra vai valer, porque manifestação a favor também é manifestação política? Sem contar que Caetano Veloso puxou um “fora Temer” no Pelourinho e o prefeito ACM Neto foi vaiado em plena concentração do Ylê Ayê:

E isso que é só domingo de carnaval… Abaixo, mais Baiana em Salvador em 2017. Que delírio:

tata-aeroplano-15-anos-centro-da-terra-trabalhosujo

O espaço cultural Centro da Terra me para fazer a curadoria de shows de música em suas premissas, aqui na região entre o Sumaré, Perdizes e Pompeia. Com shows realizados todas segundas-feiras, a temporada visa dissecar diferentes facetas ou mostrar outras personalidades de artistas estabelecidos em quatro shows por mês, cada um com a sua cara. O primeiro fruto da parceria é a temporada que comemora 15 anos da carreira do músico, cantor e compositor paulista Tatá Aeroplano. São quatro shows diferentes que mostram as diferentes caras do Tatá, que já é um dos principais nomes da cena independente brasileira.

Os shows acontecem todas segundas-feiras e serão divididos com diferentes formações e projetos – clássicos e novos – da carreira de Tatá. O primeiro show é o lançamento do disco Cosmic Damião, da dupla Frito Sampler, composta também por Julia Valiengo (dia 6 de março), seguido do show inédito ao lado de Bárbara Eugênia, mostrando o disco composto em dupla que será lançado no meio de 2017 (dia 13 de março). O terceiro show é uma apresentação do projeto Zeroum, ao lado do músico Paulo Beto (dia 20 de março) e encerrando com a apresentação do disco Step Psicodélico. Você pode comprar ingressos para cada um dos shows (aqui para o do Frito Sampler, aqui para o show com Bárbara Eugenia, aqui para o show do Zeroum e aqui para o show do Step Psicodélico) ou comprar para assistir aos quatro shows (aqui) e ter a experiência completa pagando menos. Mais informações no site do Centro da Terra.

Frito Sampler

Frito Sampler

O show do Frito Sampler com sua banda chamada Hippie Hunters é uma experiência musical_/visual como poucas na obra de Tatá. Mistura cinema, teatro, quadrinhos e contracultura numa performance ousada e dançante. O Frito Sampler é um personagem criado por Tatá Aeroplano, que sobe no palco acompanhado por Julia Valiengo (Trupe Chá de Boldo), Pedro Gongom (Gustavo Galo), Otávio Carvalho (Vitrola Sintética), Marcos Till (Tigre Dente de Sabre) e Moita Mattos (Porcas Borboletas). Com esse show, Tatá Aeroplano encarnando Frito Sampler, resgata as performances nonsense e marcantes que apresentava com a banda Jumbo Elektro. Ingressos aqui.

Frito Sampler – “Cosmic Damião”

Frito Sampler – “Aladins Bakunins”

Bárbara Eugênia & Tatá Aeroplano

Tata_Barbara

Em novembro de 2014 Tatá Aeroplano e Bárbara Eugênia passaram alguns dias na Fazenda Serrinha com o objetivo de compor material para um álbum inédito da dupla. Eles voltaram pra sampa cheios de músicas na bagagem e agora se preparam para registrar esse novo álbum com Bruno Buarque, Dustan Gallas e Junior Boca. Antes de entrar em estúdio, eles apresentam as novas canções em show intimista, dia 13 de março, no Centro da Terra. Ingressos aqui:

Bárbara Eugênia & Tatá Aeroplano – “Vida Ventureira”

Zeroum

Zeroum-1

Zeroum é um projeto idealizado pelo mestre Paulo Beto, que também dirige as bandas Anvil Fx e Frame Circus e é um dos principais produtores musicais atuando no Brasil. Atualmente como duo, Tatá Aeroplano e Paulo Beto, Zeroum é uma experiência psicosônica rock/eletrônica inspirada na cena alemã dos anos 70, na cena No Wave de Nova York nos anos 80. O conceito do trabalho é baseado em estruturas simples que se sobrepõem formando desenhos complexos. Uma inflamada mistura de inspiração, improvisação e bases eletrônicas contagiantemente dançantes. Bases demolidoras com sons digitais e analógicos e vocais altamente insanos. A dupla entrou em estúdio recentemente e lançam o disco no segundo semestre. Ingressos aqui:

Zeroum ao vivo

Step Psicodélico

step-tata

Acompanhado de Dustan Gallas (Cidadão Instigado), Junior Boca (Otto), Bruno Buarque (Karina Buhr), Dj Marco (Criolo) e Julia Valiengo (Trupe Chá de Boldo), Tatá Aeroplano aterrissa cantando canções dançantes, alegres e envolvente, presentes no álbum Step Psicodélico, indicado como um dos melhores lançamentos de 2016 pela APCA. No repertório, além das músicas do novo disco, ele faz um passeio por seus dois discos anteriores com músicas emblemáticas como “Tudo Parado na City”, “Night Purpurina” e “Entregue A Dionísio”, entre outras. Nesse show Tatá resgata o espírito festivo e maluco beleza das bandas Cérebro Eletrônico e Jumbo Elektro! Ingressos aqui:

Tatá Aeroplano – “Step Psicodélico” (ao vivo no Cultura Livre)

Tatá Aeroplano – “Eu Inezito” (ao vivo no Cultura Livre)

Temporada 15 anos de Tatá Aeroplano
Local: Centro da Terra (rua Piracuama, 19, Sumaré)
Horário: 20h
Capacidade: 100 pessoas
Preço: R$30 Inteira
R$15 Meia

troca-eletrica-

Dois ícones da música pernambucana se reúnem para brincar o carnaval paulistano no Vale do Anhangabaú, quando a Naçao Zumbi recebe Siba para a segunda edição de sua Troça Elétrica: “As troças carnavalescas são agremiações onde amigos se juntam para saírem pelas ruas animando os foliões com instrumentos acústicos e estrutura menor que os grandes blocos de carnaval”, explica o baterista da Nação, Pupilo. O termo “troça” escancara o aspecto zombeteiro da brincadeira, que a Naçao transformou em uma versão elétrica no ano passado.

“A primeira edição aconteceu em 2016, no Rio de Janeiro, com a participação da banda Eddie e a Orquestra de Frevo Henrique Dias. O intuito é fazer de forma intinerante para interagir e ajudar a formatar o carnaval em outras cidades”, continua o baterista, que explica a conexão com o convidado deste ano, Siba. “Siba é um amigo e parceiro de longa data. É um folião e uma figura importante no resgate da cultura popular, inclusive no carnaval, com um trabalho maravilhoso junto aos maracatus rurais da zona da mata pernambucana.” Além de Siba, a Orquestra de Frevo Henrique Dias repete sua participação.

A Troça Elétrica de 2016 (Foto: Alfredo Alves/Dom B Produções)

A Troça Elétrica de 2016 (Foto: Alfredo Alves/Dom B Produções)

Mas a brincadeira não disfarça o tenso clima político pelo qual o Brasil atravessa, pauta dos dois artistas, que não deve ficar de fora do carnaval: “A arte sempre estará pronta para apontar e se manifestar contra o que é nocivo ao povo. Mas é preciso construir algo que saia do campo das manifestações e entre na consciência política como um fator de mudanças concretas. Estamos orfãos de lideranças com capacidade intelectual para nos representar lá onde as decisões são tomadas.”

A edição deste ano da Troça Elétrica acontece neste domingo, dia 19, no Vale do Anhangabaú, a partir das 19h e a entrada é gratuita. Mais informações aqui. O grupo também faz outra versão da Troça na quinta-feira antes do carnaval, desta vez no Recife, ao lado do grupo Bixiga 70 (mais informações aqui).

Autoramas-Antena3

O programa No Ar, da emissora de rádio estatal portuguesa Antena 3, registrou um especial sobre a passagem do grupo Autoramas por terras lusitanas em que eles aproveitaram para eternizar sua versão que fazem para o clássico new wave tuga do grupo Salada de Frutas, “Robot”, que tocam quando se apresentam no país.

E aqui vem a íntegra do programa, que ainda traz apresentações ao vivo das músicas “Quando a Polícia Chegar”, “Paciência”, “Música de Amor” e “Verão” e uma entrevista em que o casal Érika Martins e Gabriel Thomaz defende sua já clássica filosofia sobre rock’n’roll e diversão.

E se você não conhece o “Robot” original, prepare-se:

metameta-vincentmoon

Clássico palco para diferentes cenas musicais de todo o país, a Casa de Francisca despediu-se do bairro dos Jardins em São Paulo, no final do ano passado, quando mudou-se para o palacete no centro da cidade. A última noite da casa original foi também a primeira em que o Metá Metá – uma conjuração curada e curtida na própria Casa – apresentou-se em sua formação completa, como um quinteto, no palco da Rua José Maria Lisboa. Esta última apresentação, na véspera da véspera de natal do ano passado, foi registrada pelo francês Vincent Moon:

seujorge-kexp

Não consigo deixar de admirar esse sujeito: canta um sambinha e emenda três covers do Bowie… Quem mais?

warpaint-nts-

Os ingressos já estão esgotados, mas não podia passar o registro da noite deste 4 de fevereiro, quando eu, Luiz e Danilo tocamos antes das Warpaint no MAC USP, dentro do no projeto The Art of Heineken.

elzasoares-galcosta-2016

Continuando o resgates das minhas colunas da Caros Amigos para o Trabalho Sujo, segue o texto que escrevi para a edição de dezembro do ano passado sobre o festival brasiliense Satélite 061, que reuniu Elza Soares e Gal Costa debaixo da mítica torre de TV da capital do país.

Duas estrelas sob a Torre
Festival brasiliense Satélite 061 superou os problemas de produção com dois shows históricos de Elza Soares e Gal Costa

“Vida dura de quem trabalha acreditando na arte independente e que faz na raça mesmo”, ri Marta Carvalho, presidenta da Ossos do Ofício, associação multicultural que realiza o festival Satélite 061, a cuja quinta edição pude comparecer no final do mês de setembro, em Brasília. Ela ri quando peço para que ela conte a história de que ouvi falar, sobre como ela conseguiu pagar os artistas que se apresentaram em seu festival dois anos antes. “No ano de 2014, o festival contava somente com um pequeno patrocínio da Petrobras e para que acontecesse eu tinha que utilizar verba da Secretaria de Cultura para estruturas e cachês artísticos”, conta.

“Logo após o festival, o governo contingenciou as verbas para cultura inclusive vetando os pagamentos de eventos já executados. Sem opção, me uni a vários artistas do movimento cultural do Distrito Federal e fi zemos um plano radical: entramos na Secretaria de Fazenda do DF e nos acorrentamos. Só sairíamos de lá após termos as datas concretas da liberação dos recursos. Foi difícil, mas necessário para que pudéssemos honrar com os nossos compromissos.”

O festival também passou por maus bocados na edição deste ano, quando uma improvável tempestade no início da primavera – época em que não chove em Brasília –, danificou o equipamento no primeiro dia, atrasando a programação. “Com o atraso, tivemos que cancelar o show do BaianaSystem, mas que já marcamos nova data para acontecer. Será dia 18 de novembro, no Museu da República, dentro da programação do Festival Favela Sounds, que eu contribuo com a direção artística”, explica Marta. A queda do BaianaSystem da programação foi um baque num elenco maravilhoso.

O festival, que reunia várias bandas da cidade, entre grupos de rap, bandas de rock e sambistas, tinha escalado uma seleção de artistas que fazia a ponte entre a tradicional música brasileira e a atual música independente moderna, fazendo um contraponto ao outro grande festival da cidade, o Porão do Rock, por não se basear no rock como gênero-base. Assim, tínhamos o veterano Di Melo ao lado do novato Fióti, o irmão de Emicida, que agora lança sua carreira como soulman (com direito a participação do irmão como percussionista e vocalista de apoio ele só foi rimar em “África Nossa”, versão para o hino da diva caboverdiana Cesária Évora). O rock dos Autoramas – que agora é um quarteto – e o rap / R&B de Drik Barbosa. O free jazz elétrico do trumpetista Guizado e a MPB teatral de As Bahias e a Cozinha Mineira.

O raggatech samba-reggae do BaianaSystem seria a liga perfeita para misturar estes diferentes gêneros ancestrais e modernos, principalmente pelo fato do grupo estar lançando um dos melhores discos deste ano, o elétrico Duas Cidades. Mas as duas maiores estrelas do festival foram dois monstros sagrados de nossa música popular, duas divas de histórias díspares que vivem momentos semelhantes nesta segunda década do século 21.
“Elza Soares e Gal Costa têm biografias distintas, mas nunca tiveram seus títulos colocados em xeque, estrelas de dois Rios de Janeiros e de dois Brasis de épocas diferentes, encarnações de mulheres fortes relativas a recortes específicos de nossas culturas”

Elza Soares e Gal Costa têm biografias distintas, mas nunca tiveram seus títulos colocados em xeque, estrelas de dois Rios de Janeiros e de dois Brasis de épocas diferentes, encarnações de mulheres fortes relativas a recortes específicos de nossas culturas. As duas tiveram um ótimo 2015 quando, cercadas de novos músicos, fizeram álbuns ousados para suas carreiras: Elza Soares cercou-se da nova vanguarda paulistana (Rômulo Froes, Kiko Dinucci, Marcelo Cabral, Rodrigo Campos, Celso Sim, José Miguel Wisnik, Thiago França, Douglas Germano, os metais do Bixiga 70 – todos sob a batuta do percussionista Guilherme Kastrup) para lançar o poderoso Mulher do Fim do Mundo, talvez o disco brasileiro mais importante desta década.

Gal fez seu Estratosférica um oposto solar, diurno e carioca do disco paulista de Elza, reunindo composições de Céu, Mallu Magalhães, Marcelo Camelo, Lirinha, Alberto Continentino, Antônio Cícero, Arnaldo Antunes e Caetano Veloso, sob a produção de Kassin e Moreno Veloso. Elza trouxe seu espetáculo pleno, inclusive o cenário de Anna Turra que a coloca central, num trono, cantando a íntegra de seu disco intenso, além de músicas clássicas de seu repertório, como “A Carne” e “Malandro”. Gal foi intimista e, em vez da apresentação de seu novo disco, preferiu desfi lar seu rosário de clássicos ao lado do músico Guilherme Monteiro, no espetáculo Espelho D’Água. É uma sequência de clássicos sem par na música brasileira – “Baby”, “Vaca Profana”, “Tigresa”, “Negro Amor”, “Coração Vagabundo”, “Passarinho”, “Folhetim”, “Sua Estupidez”, “Meu Nome é Gal”, “Dom de Iludir”, “Tuareg” – todas entre a guitarra e o violão e voz intacta da cantora, que completava 71 anos (“54”, brincou) naquele mesmo 26 de setembro.

O público, entregue à sua majestade, não acreditava no que assistia e cantou parabéns para a baiana no palco mais de uma vez. Satisfeita com o resultado da quinta edição do festival, que mesmo com o tropeço do sábado conseguiu reunir 50 mil pessoas aos pés da monumental Torre de TV de Brasília, um dos cartões postais da cidade, a organizadora Marta nem acredita o quanto já conseguiu neste tempo, mas esquiva-se da modéstia. “Esse ano eu fui bem além e vi que é possível ir cada vez mais”, comemora, cravando a sexta edição do festival para o ano que vem, sonhando com dois grandes nomes: o rapper ganês Blitz The Ambassador e o cantor Ney Matogrosso. “Afi nal sonhar não me custa nada”, conclui, rindo.

boogarins-desvio-onirico

Eis o falado EP ao vivo Desvio Onírico, que reúne quatro faixas dos Boogarins tocadas ao vivo em quatro cidades diferentes, Nova York, Vancouver, Lisboa e Austin. Prepare-se para derreter…

E assim o grupo ganha tempo para maturar ainda mais seu terceiro disco.

RodrigoAmarante2017

O hermano Rodrigo Amarante volta para São Paulo com a turnê de seu primeiro disco solo em três shows no primeiro fim de semana de fevereiro, no Sesc Pinheiros. Depois de passear com seu disco Cavalo pelo Brasil, Estados Unidos e Europa, ele topa encerrar o ciclo do disco sozinho no palco, somente ao piano e ao violão, tocando músicas que foram agregadas ao repertório na turnê. Ele aos poucos prepara o lançamento de seu segundo disco solo, o terceiro depois do hiato eterno dos Los Hermanos, se contarmos o que ele gravou como integrante da banda Little Joy. Mais informações no site do Sesc.