Um disco sendo construído ao vivo – assim o público da temporada de maio das segundas-feiras do Centro da Terra, onde sou curador de música, vai conhecendo o disco ainda sem título que Tiê lança apenas em junho. Na segunda passada, além do recém-lançado single “Mexeu Comigo”, ela mostrou outras três inéditas, “Torrada e Café”, “Oi” e uma em que ela divide os vocais com um convidado que ela ainda não pode revelar. Hoje ela mostra outras músicas com uma pequena mudança na formação, que ela explica no papo que tivemos, ouça abaixo. Mais informações sobre o show, que começa às 20h, aqui.
Como você comparar este disco de 2017 com os anteriores?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/tie-mergulho-como-voce-comparar-este-disco-de-2017-com-os-anteriores
O que você achou da primeira noite?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/tie-mergulho-o-que-voce-achou-da-primeira-noite
O que você pode contar sobre as músicas que mostrou na segunda passada?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/tie-mergulho-o-que-voce-pode-contar-sobre-as-musicas-que-mostrou-na-segunda-passada
O pode adiantar sobre o show de hoje?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/tie-mergulho-o-pode-adiantar-sobre-o-show-de-hoje
Depois que o disco for lançado você vai tocar todas as músicas ao vivo?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/tie-mergulho-depois-que-o-disco-for-lancado-voce-vai-tocar-todas-as-musicas-ao-vivo
Atualizando mais uma rodada de republicações das minhas colunas na Caros Amigos, resgato a coluna que escrevi para a edição de janeiro deste ano, sobre o festival maranhense BR-135, que aconteceu no final do ano passado. Antes do texto, os vídeos que fiz durante a passagem por lá:
Reerguer o Maranhão
Há cinco anos, o Festival BR-135 ocupa o centro histórico de São Luís e ajuda a cultura independente local a ganhar voz
O centro histórico de São Luís, uma das cidades mais antigas do Brasil, padece. O lugar é o centro nervoso da capital maranhense e ali ficam algumas das principais instituições da cidade – a prefeitura, a junta comercial, a capitania dos portos, o centro de criatividade, o mercado, o teatro João do Vale, a igreja matriz. Construções coloniais seculares, erguidas entre ruas de calçamento numa cidade fundada por franceses no século 17, completamente abandonadas pelo poder público e político, convertida em uma região em que poucos se arriscam após a noite, devido à falta de segurança que caracteriza os centros de dezenas de cidades de grande porte no Brasil.
Mas durante alguns dias de novembro, este mesmo centro foi tomado por populares de todas as idades, classes, etnias e gêneros. Uma autêntica mistura humana espalhava-se pelas pequenas ruas de um bairro outrora abandonado sem o menor tumulto, sem o menor alarde. Por trás daquela motivação erguia-se um festival de música que, por três dias, trouxe artistas veteranos e novatos, locais e de outras cidades, para dois pequenos palcos colocados em dois pontos estratégicos daquele centro, além de promover rodadas de negócios entre agentes, empresários e bandas, debates e palestras, exibição de documentários, discotecagens e apresentações de costumes tradicionais da cultura local. Uma transformação brusca e feliz, espalhando boas vibrações para esquinas da capital maranhense que normalmente se evita.
E tudo isso começou por conta da vontade de um casal. “Nós começamos na raça, na camaradagem e vontade coletiva de fazer algo”, explica Luciana Simões, metade da dupla Criolina, responsável pela criação e produção do festival BR-135. “Cobrávamos um ingresso de R$ 10 no Circo da Cidade para pagar um bom som e organizávamos cada edição conforme a adesão dos artistas. O bacana dessa época é que reuníamos a velha guarda e os jovens artistas, brechó, poesia, cultura popular. Era um palco para quem tinha trabalho pra mostrar.”
Nesta fase, o BR-135 era um projeto local e mensal – tinha foco no futuro, mas Luciana e seu parceiro Alê Muniz sabiam que era preciso começar no trabalho de base. E ela continua, praticamente ditando um manual de como sondar uma cena e criar algo com corpo. “Ali era também um laboratório para melhorar. Iniciamos sabendo que reunir a cena era o mais urgente, então fizemos dois anos sem convidados de fora, apenas identificando a cena local, fortalecendo e tentando conectar as bandas novas aos mestres da cultura popular. Nesses dois anos homenageando compositores antigos, resgatando com shows temáticos álbuns antigos que fazem parte da nossa formação musical como o Bandeira de Aço, disco de Papete, lançado em julho de 1978, pela Discos Marcus Pereira, e show em homenagem a João do Vale interpretado pela nova cena local.”
Mas há três anos, o festival deu um salto e deixou de ser uma atração mensal para tornar-se um grande evento anual. “No terceiro ano percebemos que já conseguíamos reunir a cena e contribuir para que nossa música entrasse no mapa. Convidamos as pessoas de outros estados para conhecer o que estava acontecendo aqui, oferecendo um ambiente de encontro, de troca de ideias, de discussões e espaço para shows”, continua. “Em 2014, abrimos com show de Céu, pela primeira vez em São Luís, no Teatro Arthur Azevedo, e nos dias seguintes ocupamos duas praças do centro histórico reunindo maranhenses e artistas convidados de outros cantos do país: os paraenses Felipe Cordeiro e Dona Onete, a banda pernambucana Mombojó, além de 14 grupos selecionadas entre 273 inscritas. Paralelamente começamos o Conecta Música, com palestras, workshops, oficinas e rodada de negócios. Chamamos Roger de Renor, do Ocupe Estelita, o músico Marcelo Yuka e Maurício Bussab, da Tratore, além de André Martinez, da Aprax e Marcelo Arêde, do conexão Vivo. Nos anos seguintes: Arnaldo Antunes,Orquestra brasileira de Música Jamaicana, Siba e Curumim. No Conecta Música recebe os jornalistas Patrícia Palumbo, Otávio Rodrigues e Roberta Martinelli, os produtores musicais Melina Hickson, Otávio Argento, Paulo André, Marcelo Damaso e Anderson Foca”.
Fui convidado para participar de uma das mesas da edição deste ano – e para conferir a visível transformação que o casal está impondo à própria cidade. Criada em 2006, a dupla Criolina nasceu em São Paulo, quando os dois maranhenses Luciana Simões e Alê Muniz começaram a compor juntos para “fazer um som que desinfetasse os ouvidos da musica maçante e corriqueira da velha MPB e MPM – a música popular maranhense”, explica Luciana. A dupla lançou seu primeiro disco em 2006, talvez o ano mais complicado para quem trabalha com música desde a explosão do download livre na virada do sécul. “A Criolina nasceu na época da quebra das gravadoras e da mudança do formato de CD pra MP3, pirataria, etc. Aí veio a angústia de querer saber como a banda iria entrar em contato com o público, uma banda independente, sem contrato com gravadora, sem lenço, sem documento. Não havia estrutura pra circular, levar a gente de um lugar para outro. Aí pensamos numa saída que se mostrasse viável: formar bandas com músicos das cidades por onde a gente desejava passar, incorporando a cultura desses locais e conhecendo o país de uma forma mais profunda.”
A transformação começou lentamente e localmente, primeiro com os shows mensais e depois com o festival anual. A edição de 2016 reuniu nomes de peso tanto da velha guarda, quanto da música contemporânea e do novíssimo pop brasileiro, além de várias bandas locais. Assim, pude ver shows do veterano Di Melo, do duo Strobo, da poderosa Nação Zumbi (tocando seu clássico Afrociberdelia na íntegra), dos chapados Du Souto, a dupla de DJs Venga Venga, a cantora Lei Di Dai e da sensação Liniker e os Caramellows, que fechou o festival levando o público ao delírio. Entre as atrações de fora, locais como Nubia, Nathalia Ferro, Beto Ehongue, O Vórtice, Royal Dogs e números tradicionais como o Boi de Santa Fé, o Tambor de Crioula de Mestre Felipe, a Orquestra de Berimbaus Mandigueiros do Amanhã e o High Vibes Sound System, comandado por Tarcisio Selektor, misturavam-se a um mercado de produtos independentes, barracas de comida local, artistas de rua, performances e DJs. Tudo sob um calor firme de trinta e quase quarenta graus e um clima de paz e tranquilidade, entre pessoas de todas idades, classes sociais e orientações sexuais. “Nos surpreendemos com o público que sempre entendeu e abraçou a proposta do festival e que só cresce a cada ano”, comemora Luciana, contando quase 50 mil pessoas nos três dias de festival. “Percebemos que as pessoas estão sedentas por ver seus artistas preferidos, de perfil independente, que nunca vieram aqui e que dificilmente viriam” – e, principalmente, no centro esquecido da capital. “Escolhemos ocupar o centro histórico por ser a alma da cidade, um território cultural querido e à margem. Era uma forma de conectar as pessoas à esse espaço através da música, da arte”, conclui a produtora e artista, fazendo planos para 2017. “Ano que vem queremos ampliar a ocupação do centro histórico de São Luís e aumentar a programação, crescendo sem perder a identidade de promover diálogos, trazer a cena do Brasil e apresentar a nossa, sempre com uma festa de som, amor e paz, mantendo o diferencial de convidar artistas nacionais importantes e valorizar a cena local contemporânea que tem uma identidade rica e diversa, destacando o reggae e a cultura popular, principalmente bumba meu boi e tambor de crioula.”
“Temos muita admiração pela luta dessas cidades que conseguiram essa sinergia, como Recife, Salvador e Belém”, explica. “Por isso nos preocupamos em estimular diálogos com produtores, gestores e jornalistas desses lugares. Temos consciência de que ainda não chegamos no nível deles. Mas São Luís pela força da sua cultura popular e a vocação cultural pode num período curto ser tão conhecido quanto essas cidades. Nós temos uma voz própria e ela há de ser ouvida num tempo muito mais curto do que muita gente imagina. O Festival BR135 briga por isso e acreditamos e estimulamos em nossas falas que qualquer artista pode e deve assumir um papel de protagonismo, como vem acontecendo com outros artistas e seus projetos , outros projetos devem acontecer para fortalecer e validar a cena.”
Da ponte erguida em Rock’n’Roll Sugar Darling, seu álbum mais recente, de três anos atrás, Thiago Pethit desceu em Patti Smith. A conexão entre música, teatro e poesia que sempre esteve presente em sua obra aos poucos despe-se das guitarras para abraçar as palavras e ao imaginar um espetáculo sobre uma de suas principais musas, ele cercou-se de mulheres para seguir com a provocação sobre gênero. Assim, a banda é formada por ele, Larissa Conforto (do Ventre, na bateria), Stéphanie Fernandes (no baixo), Monica Agena (do Moxina, na guitarra) e Rita Oliva (a Papisa, no teclado), além da presença da atriz Leandra Leal, que o ajuda a declamar os textos de Patti, puxando uma vibe “sarau beatnik”, como ele mesmo define. O show acontece no Sesc Pinheiros a partir das 21h (mais informações aqui) e Thiago o vê como a semente de um projeto maior, orbitando ao redor do magnetismo da poeta punk. Conversei com ele sobre este novo show, sua influência, o processo de realização e uma possível continuidade.
Como foi a sua primeira vez com a Patti Smith?
Foi média. Acho que não nos conquistamos de cara. A segunda sim é que foi boa.
Eu escutei Patti quando era adolescente, mas não bateu. Acho que não entendi. Eu era adolescente, né? Em termos de rock, tava mais interessado em ver o Mick Jagger rebolando ou a Debbie Harry fazendo passinhos de dança e a Patti parecia estranha e profunda demais, então ela ficou no ali no canto.
Mas em 2010, nos reencontramos quando li Só Garotos. E aí sim um mar de ideias, sensibilidades, poesias, e identificações foram possíveis. Foi só então que eu voltei aos discos e saquei o que era aquilo.
E quem teve a idéia de fazer um show em homenagem a ela?
Meu namorado. Ele sabe o quanto eu sou apegado ao trabalho da Patti e o quanto ela vem influenciando meu trabalho, não diretamente musical, mas de forma conceitual. Um dia ele falou “quando é que você vai fazer um show sobre isso?” e me deu esse click: é agora!
Desde Estrela Decadente eu venho estudando ensaios e poemas e peças de teatro que ela escreveu e baseando alguns conceitos, ou personagens no meu trabalho. O próprio Joe Dallesandro, que aparece na introdução do meu disco RnR Sugar Darling, me foi ‘apresentado’ pelo Só garotos. Segundo o livro, ele era um “role model” para o Robert Mapplethorpe. De certa forma era tudo que ele queria ser e representar para entrar no mundo do Warhol, então ele seguia todos os passos do Joe. Frequentava os mesmos lugares, faziam michê juntos pelas ruas de NY… Os anjos sujos e com bocas de cowboy que o Joe cita na abertura do meu disco, são eles. E foram ideias que surgiram da peça Cowboy Mouth da Patti com o Sam Shepard.
Mas em termos musicais, eu talvez intuísse que ainda não estava pronto para acessar a Patti. Na verdade, eu ainda sinto que gostaria de fazer mais intervenções sobre o show, gostaria de estar ainda mais pronto como artista, mais completo, para realmente acessar algo que eu ambiciono sobre isso. Pelo menos agora, sinto que me aprofundei suficientemente para poder homenageá-la. Quem sabe mais pra frente eu não vá aos poucos desenvolvendo essas outras ideias.
Você viu ela ao vivo fazendo o Horses em 2015?
Infelizmente não. Mas eu vi um show pequeno, para umas 100 pessoas, em comemoração ao aniversário do Lenny Kaye – o eterno guitarrista de Patti – de 70 anos, um dia antes dela completar 70 também. E foi maravilhoso, ela fez uma participação cantando umas sete músicas com ele e banda. Contou histórias, recitou poesias, e nossa… que poder ela tem com as palavras. Saí do bar como se tivesse levado uma descarga elétrica. Enfiei os dedos na tomada.
É algo impressionante e que não se entende apenas escutando os discos. Por isso também senti a necessidade de ter uma atriz no show, que pudesse trazer essa compreensão da PALAVRA para o palco.
4) O show é só o Horses? Fala sobre o conceito do show.
Não é só Horses. Tem outras fases. O Horses é o meu preferido e é a maior parte do show, mas eu fui selecionando as músicas – e os trechos poético-literarios – por afeto mesmo. Perguntei para algumas amigas próximas, que também veneram a Patti como eu, pedi sugestões. Peguei tudo o que eu mais gosto de todos as fases, e apenas uma música que eu odeio. Sempre faço isso em shows de versões. Acho que o maior desafio para entender um artista é quando cê tem que se colocar fazendo aquela música que você não gosta mesmo. Então, essa também está e eu jamais direi qual é.
No princípio era só um show de música. Mas a imagem dela ao vivo, a impressão que tive sobre a força das palavras, aliado ao fato de que ela me conquistou pela literatura, acabaram abrindo esse desejo de trazer isso junto ao espetáculo. E esse foi um dos motivos pelos quais eu não quis fazer o Horses inteiro. Porque eu compreendi que existe uma força ali, que é da poesia. São as palavras e os sentidos, a poesia. O rock’n’roll é a arma de comunicação, mas são as palavras que importam. Quando você estuda os arranjos, isso fica nítido. Eles não existem, eles certamente foram gravados em forma de jam session onde a banda acompanhava o sentido das palavras e frases em músicas de três acordes. E para fazer isso, com a mesma ambição eu precisaria ‘versionar’ para o português grande parte das músicas-poesias. E é algo diferente das músicas de poetas compositores como Cohen, ou Chico Buarque. O Horses é um disco de poesia falada. Quase que acidentalmente musical.
Essa é a tal da ambição que falei antes. Virou um pequeno desejo pretensioso guardado aqui para o futuro: chamar pessoas que eu considero gênias das palavras, gente como o Zé Miguel Wisnik, que tem um poder de uso das palavras e seus sentidos, e/ou Helio Flanders, meu pequeno poeta parceiro da minha geração, sentarmos juntos e fazer esse projeto em português. Quem sabe.
Eu até arrisquei sozinho a tradução de alguns poemas que nunca tiveram publicação no Brasil. E alguns trechos estarão no show. Mas mais como forma de trazer ao público alguma dimensão dos significados. Não estou pronto para assumir isso como ‘nossa, fiz uma versão’.
Como a Leandra entrou nessa história?
Leandra, Leandra! Bom, no processo de ensaios eu entendi que alcançar o que eu queria era algo mais ambicioso do que eu havia planejado. As músicas em si já exigem bastante preparação, não em termos de canto e técnica, mas de compreensão. A mente da Patti é complexa e cheia de sobreposições de ideias. São alusões infinitas a Rimbaud e Verlaine e Jimi Hendrix, de Jean Genet aos faroestes americanos e a Bíblia. Impossível cantar essas músicas sem mergulhar o mínimo que seja nesses “autores”. Fazer isso e ainda achar um espaço adequado paras leituras, seria demais. Por isso senti a necessidade de uma atriz.
Mas isso também representava outra dificuldade. Porque eu não queria uma encenação, tipo, a atriz interpreta a Patti Smith. Não é isso que acontece. As leituras são muito mais no sentido de um sarau beatnik do que de uma encenação teatral. E para isso, eu precisaria de alguém que fosse razoavelmente conhecida do público e fosse também conhecida por ter um trabalho e uma persona pública tão legitima, fiel a certos valores artísticos e enfim…. Como eu disse esses dias, eu precisava de uma atriz que tivesse poesia em si, como a pensa e enxerga a Patti e como eu sempre vi a Leandra. É uma mega honra ter a participação dela. Até porque atrizes assim, jovens, conhecidas do público e cheias de poesia, parecem ser uma espécie raríssima hoje em dia.
O show vira uma turnê?
Adoraria que virasse uma turnê. Adoraria que virasse um grande projeto ambiciosamente artístico como o que descrevi. Quem sabe? São possibilidades. Estou crescendo aos poucos com isso, uma hora ficará maduro o suficiente. The infinte Land is surrounded by a sea of possibilities.
A banda curitibana Ruído/mm volta a São Paulo, desta vez para despedir-se do disco Rasura num show na Sala Adoniran Barbosa, no Centro Cultural São Paulo, neste sábado, cedo, às 19h (mais informações aqui). Abaixo, os vídeos que fiz quando o grupo lançou o disco, um dos melhores de 2014, em março do ano retrasado.
O processo de composição e criação de uma obra de arte não pode ser automático. Mesmo que haja uma engrenagem de produção envolvida que exija prazos e estabeleça regras, o momento da criação é emotivo e sentimental, transcende a razão, a pressa e uma lógica racional. É essencialmente humano. E é no fim deste ciclo que chamei Tiê para nos apresentar a um mergulho em seu quarto álbum, que, apesar de ser lançado apenas em junho, será dissecado em mais uma temporada no Centro da Terra, com a minha curadoria. Por três segundas do mês (dias 8, 15 e 22 de maio), enquanto retoca a arte final de seu disco no estúdio, a cantora e compositora abre sua cabeça e seu coração para contar sobre este processo criativo num ensaio aberto, em que mostra, a cada show, um punhado das músicas que seus fãs ainda não conhecem. Falei com ela sobre este processo, que começa na segunda-feira.
Em que fase do disco você está?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/tie-mergulho-em-que-fase-do-disco-voce-esta
O que dá para adiantar do disco sem estragar a surpresa?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/tie-mergulho-o-que-da-para-adiantar-do-disco-sem-estragar-a-surpresa
Como os três shows serão diferentes um do outro?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/tie-mergulho-como-os-tres-shows-serao-diferentes-um-do-outro
O quanto o primeiro single conversa com o resto do disco?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/tie-mergulho-o-quanto-o-primeiro-single-conversa-com-o-resto-do-disco
O primeiro single do disco ainda sem título é a faixa “Mexeu Comigo”, que já está disponível nas plataformas digitais. Abaixo, a Tiê preparou uma série de vídeos contando a história deste disco que vamos ver nascer.
Os ingressos podem ser comprados aqui. O Centro da Terra fica na Rua Piracuama, 19, no Sumaré.
Céu, Tulipa, BaianaSystem, Boogarins, Far from Alaska, Mutantes, Mano Brown, Rakta, Karol Conká, Maria Gadu, The Baggios, Scalene, Forgotten Boys, E a Terra Nunca Me Pareceu Tão Distante, Carne Doce, My Magical Glowing Lens, Liniker e os Caramelows, Luiza Lian, Teto Preto, Ventre… A lista de bandas do Bananada deste ano não estava nem pela metade e parecia o elenco de três festivais diferentes, de portes diferentes, que fotografam diferentes versões da cena pop brasileira de 2017. Capitaneado pelo intrépido Fabrício Nobre há quase duas décadas, o festival não apenas colocou Goiânia no mapa da música independente brasileira como transformou-se em um dos principais palcos para os artistas brasileiros em diferentes fases de ascensão. Bati um papo com o Fabrício sobre a edição do festival deste ano, que acontece entre os dias 8 e 14 deste mês (veja a escalação completa abaixo – e mais informações lá no site oficial deles) e como ela reflete o estado atual do mercado independente brasileiro.
Qual o principal desafio ao pensar na edição 2017 do festival?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/fabricio-nobre-qual-o-principal-desafio-ao-pensar-na-edicao-2017-do-festival
O festival é um reflexo da atual música pop brasileira?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/fabricio-nobre-o-festival-e-um-reflexo-da-atual-musica-pop-brasileira-1
Em que pé que está a cultura independente no Brasil?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/fabricio-nobre-em-que-pe-que-esta-a-cultura-independente-no-brasil
Você acha que o mercado de música brasileiro vive uma boa fase?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/fabricio-nobre-voce-acha-que-o-mercado-de-musica-brasileiro-vive-uma-boa-fase
Como você compara a trajetória do Bananada com a deste momento atual do mercado?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/fabricio-nobre-como-voce-compara-a-trajetoria-do-bananada-com-a-deste-momento-atual-do-mercado
Segunda, 8 de maio
22:30 – Mellow Buzzards
21:30 – Sheena Ye
20:30 – Cherry Devil
22:30 – Sarah Abdala
21:30 – Niela
20:30 – Chell
21:30 – Raul Majadas
20:00 – Nick Mafra
21:00 – Bruna Mendez
20:00 – João Canta Brandão
Terça, 9 de maio
23:00 – Dogman
22:00 – Gregor
21:00 – Sótão
23:00 – Lúcio Ribeiro (popload Dj Set)
22:00 – Brvnks
21:00 – Peixefante
20:30 – B. Abdala + Convidados
22:20 – Manso
21:20 – Components
20:30 – Lutre
23:00 – My Magical Glowing Lens
22:00 – Supervão
21:00 – Honeyband
23:00 – Papisa
22:00 – Miêta
21:00 – Lari Pádua
Quarta, 10 de maio
21:30 – Lava Divers
20:30 – Justine Never Knew the Rules
22:00 – Perrosky (Chile)
21:00 – Magaly Fields (Chile)
21:00 – Ventre
20:00 – E a Terra Nunca Me Pareceu Tão Distante
22:30 – Esdras Nogueira
00:15 – Far from Alaska
23:00 – Black Drawing Chalks
22:30 – Trem Fantasma
Quinta, 11 de maio
00:00 – Nevermind
23:00 – Boogarins
22:00 – Rollin Chamas
21:00 – Orquestra Filarmônica De Goiás
02:00 – Hierofante Púrpura
01:00 – Clearance (EUA)
00:00 – Ombu
01:00 – Síntese
00:00 – Luiza Lian
03:00 – Carol Sterica (Sapabonde)
01:30 – Athena Ilse
00:00 – Lulu Praxedes + Gustavo Bill
23:00 – Lipy B.
Sexta, 12 de maio
03:00 – Selvagem
02:00 – Jaloo
01:00 – Neguimbeats
01:00 – Baiana System
00:00 – Engroove
23:50 – Céu
23:00 – Chicotripp
23:00 – Akua Naru (EUA)
22:30 – Hierofante Púrpura
22:20 – Scalene
22:00 – Plutão Já Foi Planeta
21:40 – Fióti
21:30 – E a Terra Nunca Me Pareceu Tão Distante
21:05 – Sinara
21:00 – The Baggios
20:30 – Ventre
20:30 – Luziluzia
20:00 – Barro
20:00 – Magaly Fields (Chile)
19:30 – Raça
19:00 – Branda
Sábado, 13 de maio
03:30 – Patricktor4 (Baile Tropical)
02:00 – Viní + Sants
01:00 – Cesrv + Cybass (Beatwise Recordings)
01:00 – Os Mutantes
00:00 – Maria Gadú
00:00 – DJ Barata (criolina)
23:10 – Liniker E Os Caramelows
23:00 – Ávner Andrade
22:30 – Carne Doce
22:30 – Tagore
22:00 – Outro Eu
21:50 – Romperayo (Colômbia)
21:30 – Luiza Lian
21:10 – Clearance (EUA)
21:00 – Perrosky (Chile)
20:30 – Aeromoças E Tenistas Russas
20:30 – Ultra Vespa
20:00 – Terno Rei
20:00 – Bruna Mendez
19:30 – Jp Cardoso
19:00 – Consuelo
Domingo, 14 de maio
01:00 – DJ Patife
00:00 – Come & Hell Live
23:30 – Mano Brown
23:00 – Alex Justino + Morgana
22:30 – Karol Conká
22:00 – Gabb Borghetti + Lucas Arr
21:30 – Tulipa Ruiz
21:00 – Laurent F.
20:40 – Teto Preto
20:30 – Wry
20:00 – Overfuzz
20:00 – Black Drawing Chalks + Hellbenders
19:30 – Koogu
19:10 – Forgotten Boys
19:00 – Mad Monkees
18:40 – Far from Alaska
18:30 – Brvnks
18:00 – Rakta
18:00 – Poltergat
17:30 – El Toro Fuerte
17:00 – Wine B
Show dos Talking Heads dirigido pelo recém-falecido Jonathan Demme também redefiniu o conceito de música com imagens – escrevi sobre isso no meu blog no UOL.
Jonathan Demme, cuja morte foi anunciada nesta quarta-feira, era um diretor de trajetória única na história do cinema. Foi cult e pop, célebre e desconhecido, comercial e alternativo, embora não tenha uma filmografia robusta para exibir. É autor de filmes importantes como Filadélfia e O Silêncio dos Inocentes ao mesmo tempo em que flerta com o trivial em comédias aparentemente leves (Totalmente Selvagem, Melvin e Howard e O Casamento de Rachel) ou com o meramente comercial (como o remake desnecessário – mas bem executado – de Sob o Domínio do Mal). Do ponto de vista estritamente cinematográfico, ele é um Ridley Scott menos comercial, um Ron Howard com voz própria, um Spielberg menor. Mas sua importância cresce quando vemos que sua relação com a cultura vai além do cinema e que ele é destes raros cineastas que entende tanto de cinema quanto de música.
Demme dirigiu videoclipes no início de sua carreira, como o de “The Perfect Kiss” do New Order, o da versão de “I Got You Babe” que o UB40 fez com a Chrissie Hynde nos anos 80 e o de “Streets of Philadelphia” de Bruce Springsteen, que trouxe para a trilha sonora de seu filme sobre Aids, o primeiro a tratar do assunto. Sua relação com a música seguiu nos anos seguintes, quando dirigiu uma trilogia de documentários com Neil Young (Neil Young: Heart of Gold, Neil Young Trunk Show e Neil Young Journeys), outro sobre o músico inglês Robyn Hitchcock e acompanhando a turnê do disco mais recente de Justin Timberlake, em seu último filme, Justin Timberlake + the Tennessee Kids, do ano passado.
E, claro, sua grande obra, Stop Making Sense, que também é o melhor registro em filme de uma banda ao vivo, gravado com os Talking Heads em 1984. É por O Silêncio dos Inocentes que Demme sempre será lembrado, principalmente por levar o grand slam do cinema comercial norte-americano ao ser dos raros filmes que ganharam os cinco prêmios principais do Oscar (melhor filme, melhor ator, melhor atriz, melhor diretor e melhor roteiro). A sombra da influência do filme que conta a história de um canibal elegante paira sobre nossa cultura pop até hoje – desde a sobriedade firme dos agentes do FBI depois da Clarice Starling de Jodie Foster até a violência gratuita e gráfica que permeia as principais obras norte-americanas deste século.
Mas Stop Making Sense, o filme em que Demme filma um show dos Talking Heads em seu auge, é mais do que isso: é a obra-prima de Demme. Ele está sim contando uma história, a história não-verbal que é um show de rock. Vai desenvolvendo um crescendo literal ao colocar músico a músico no palco ao mesmo tempo em que mostra um show sendo montado no palco, com os instrumentos entrando pouco a pouco enquanto o palco também vai sendo montado. É como se o show fosse também o making of do show.
Ele também encontra em David Byrne o ator perfeito para seus delírios visuais. O gestual de Byrne e seu olhar perdido, sua dança robótica e sua interação com o público (“alguém tem alguma pergunta?”, diz após o súbito fim de uma música) acompanhada de um groove pós-punk pesado, em que a edição e a forma como os músicos são mostrados acompanha o ritmo de perto. O ritmo do show é incessante e tanto a banda quanto seus convidados (o tecladista do Parliament-Funkadelic Bernie Worrell, o guitarrista dos Brothers Johnson Alex Weir, o percussionista Steve Scales e as vocalistas Lynn Mabry e Ednah Holt) não param de dançar um minuto. Sem contar os elementos de palco inventados pelo diretor junto com a banda, como os telões monocromáticos, o hoje clássico enorme paletó de David Byrne ou a inclusão de um abajur como objeto cênico – e parceiro de dança.
Stop Making Sense é como o show reage a era do videoclipe, novidade comercial do mundo da música no início dos anos 80, mas também reposiciona o espectador de volta à plateia. Antes dele, filmes de shows clássicos – como o Last Waltz que Scorsese dirigiu para a The Band ou The Song Remains the Same do Led Zeppelin – colocam o espectador bem próximo da banda, criando uma cumplicidade inexistente em shows daquela proporção. São filmes que mostram o público como a banda o vê, uma situação que, de verdade, a audiência nunca irá passar. Demme posiciona a maioria de suas câmeras no público e assistimos ao show como se estivéssemos na plateia. E assim ele isola uma sensação que a maioria dos diretores de shows tenta recriar até hoje: a que realmente estamos assistindo a um show como se estivéssemos lá. Poucos diretores chegaram perto disso (Scorsese mesmo é um deles, principalmente no Shine a Light que filmou com os Stones), mas nenhum conseguiu de forma tão empolgante quando o falecido Johnathan Demme.
Veja com seus próprios olhos:
O grupo pop francês Phoenix prepara seu retorno em uma versão diurna com sotaque italiano, avisando que seu próximo disco chama-se Ti Amo e reflete “um paraíso perdido formado de eternos verões romanos (com muita luz, muita claridade, gelato de pistache), jukeboxes nas praias, Monica Vitti e Marcello Mastroianni, desejo implacável e antigas estátuas de mármore”, como escreveram ao anunciar a capa, a ordem das faixas (abaixo), a data de lançamento – dia 9 de junho e o primeiro single, repleto de teclados, chamado apenas de “J-Boy”:
“J-Boy”
“Ti Amo”
“Tuttifrutti”
“Fior Di Latte”
“Lovelife”
“Goodbye Soleil”
“Fleur De Lys”
“Role Model”
“Via Veneto”
“Telefono”
O grupo já havia mostrado o trecho de uma de suas músicas novas (“Fior Di Latte”) em um comercial de roupas íntimas da Calvin Klein dirigido por Sofia Coppola, esposa do vocalista da banda, Thomas Mars, e estrelado por atrizes como Rashida Jones, Kirsten Dunst e Lauren Hutton.
E a faixa-título já foi registrada no show que a banda deu na Antuérpia, na Bélgica, na semana passada:
Molto bene.
Mais do que um grande diretor, Jonathan Demme, que morreu nesta quarta, também foi um dos grandes diretores de vídeos musicais – em especial de um favorito pessoal, o impressionante Stop Making Sense, dos Talking Heads, que pode ser assistido na íntegra neste vídeo abaixo:
Grande perda.
Este sábado o evento Record Store Day completa dez anos e é indiscutível que ele foi crucial para que a indústria fonográfica começasse a ver que o velho vinil – tido como morto para a maioria das pessoas àquela época – poderia ser reencarado como um produto viável, inclusive comercialmente. Um novo interesse pelo formato, temperado com uma forte dose de nostalgia, fez o disco voltar à franca circulação, primeiro como curiosidade, depois como modismo e finalmente como uma das fontes de renda de artistas, tanto jovens quanto veteranos e defuntos.
Mas a renascença do vinil só aconteceu devido a uma resistência analógica que manteve-se firme mesmo quando parecia que o digital ia dominar tudo. Enquanto todos se desfaziam de suas coleções de discos, estes personagens – DJs, técnicos, colecionadores, artistas – guardavam as suas como seu maior tesouro, enquanto criavam uma rede de troca e de interrelações que permitiu que o vinil renascesse pleno. Ele não ressuscitou do nada – e sim de um terreno que nunca deixou de ser alimentado.
São estes os heróis celebrados no evento Cultura do Vinil, que acontece no Centro Cultural São Paulo nos dias 22 e 23 de abril, das 14h até o início da noite. Chamei os caras da Patuá Discos – Paulão, Ramiro e Peba – para me ajudar a criar um evento que falasse da importância cultural do disco, não apenas do ponto de vista mercadológico, e assim reunimos bambas de todas as estirpes para dissecar este objeto cada vez mais clássico. O fim de semana começa com o pioneiro Seu Osvaldo, um dos primeiros DJs do Brasil, contando seus tempos de Orquestra Invisível e ainda tem um debate sobre fuçar discos em sebos, com dois mestres no assunto, Rodrigo Gorky (Fatnotronic) e Edson Carvalho (Batuque Discos); uma aula de limpeza e manutenção de discos, com César Guisser; e outra sobre masterização para vinil, com Arthur Joly. Além disso teremos apresentações de cobras como DJ Nuts, Erick Jay e o braço paulistano do núcleo Vinil é Arte, Formiga e Niggas. O evento será encerrado com uma homenagem ao querido Don KB, que faleceu no mês passado, quando seu irmão, Marcio Cecci, apresenta-se ao lado do grande MZK, recriando o clima das Jive Nights, e apresentando o filho do Don, Enzo Cecci, dando continuidade à linhagem nos toca-discos.
E o melhor: tudo de graça. Chega cedo pra garantir a presença. Abaixo, a programação completa (tem mais informações aqui):
Sábado, 22 de abril
14h: Naquele tempo, com Seu Osvaldo
Seu Osvaldo começou a discotecar em 1958 com sua Orquestra Invisível e é considerado o primeiro DJ do Brasil. Ele conta um pouco de sua experiência e mostra o som que rolava nas festas de sua época.
15h: Nos toca-discos: DJ Nuts
DJ Nuts é um dos DJs brasileiros mais reconhecidos fora do Brasil tanto pela técnica como por sua pesquisa. Ele fala um pouco sobre sua trajetória e exibe sua habilidade nos toca-discos.
16h: Busca sem fim, com Edson Carvalho e Rodrigo Gorky
Edson Carvalho (Batuque Discos) é reconhecido como um dos melhores “record dealers” do Brasil. Rodrigo Gorky, além de DJ e integrante do Bondê do Rolê, é um voraz colecionador de vinil. Os dois conversam sobre os macetes de como fazer um bom garimpo de LPs e compactos.
17h: Limpeza e Manutenção, com Cesar Guisser
Nem sempre um vinil que está pulando, está riscado. Cesar Guisser, especialista em limpeza e conservação de discos de vinil, apresenta as melhores técnicas e produtos para manter sua coleção em bom estado de conservação.
18h: Nos toca-discos: Vinil é Arte
Vinil é Arte é um coletivo que reúne 6 DJs, com três duplas que representam as cidades de São Paulo, Belo Horizonte e Rio de Janeiro. A programação de sábado termina com uma discotecagem dos DJs residentes em Sampa: Formiga e Niggas.
Domingo, 23 de abril
15h: Nos toca-discos: Erick Jay
Erick Jay é o DJ residente do programa “Manos e Minas” e atual campeão mundial do DMC, o principal campeonato de DJs do planeta. Ele faz sua performance de “turntablism”, a arte de invenção musical a partir de dois toca-discos.
16h: Masterização em vinil, com Arthur Joly
Arthur Joly (Reco Master) é especialista no Brasil na complexa ciência da produção de um vinil. Ele divide com o público a sua experiência nessa rara atividade.
18h: Homenagem a Don KB
Don KB, falecido aos 47 anos em março deste ano, foi uma das figuras por trás da casa noturna Jive, que fomentou a vida noturna paulistana e a cultura de vinil no começo dos anos 2000. Ele é homenageado com discotecagem de dois de seus principais parceiros na Jive (MZK e Marcio Cecci) e também do seu filho, Enzo Cecci.
















