Duas bandas instrumentais – uma, a Camarones Orquestra Guitarrística, inspirada pela surf music e outra, o Huey, pelo metal – se apresentam nesta quinta, às 21h, no Centro Cultural São Paulo (mais informações aqui).
Quando o contrabaixista Marcos Paiva definiu o conceito de Slamousike, espetáculo que ele apresenta nesta terça-feira no Centro da Terra com seu sexteto e os MCs Max B.O e Kivitz, ele tinha plena convicção que a sobreposição entre jazz e rap ia para além do casamento musical. Observava os dois gêneros – cada um à sua maneira – como vertentes musicais radicais que funcionavam como músicas de protesto negro e o parentesco musical das duas culturas encontra-se no palco do teatro do Sumaré a partir das 20h (mais informações aqui). Bati um papo com ele sobre as origens do espetáculo e as inevitáveis conotações políticas desta fusão musical.
Domingo é dia de pós-punk, synth pop e dark wave no Centro do Rock do Centro Cultural São Paulo, com shows das bandas Scarlet Leaves e Der Baum na Sala Adoniran Barbosa a partir das 18h (mais informações aqui).
Neste segundo dia do Centro do Rock 2019, as bandas paulistas The Mönic – esta lançando seu primeiro disco, Deus Pício – e Violet Soda apresentam-se neste sábado, às 19h, no Centro Cultural São Paulo (mais informações aqui).
É disso que as lendas são feitas: os poucos registros em vídeo do Velvet Underground em sua breve existência ajudam a aumentar a aura que o torna uma das bandas mais importantes dos últimos cinquenta anos. Por isso é sempre motivo para comemorar quando surge algum trecho da banda em vídeo – e foi o que acabou de acontecer nos Estados Unidos, quando, ao digitalizar parte do acervo da Southern Methodist University, em Dallas, foram descobertas imagens do grupo ao vivo – e a cores – em um show em 1969.
Os registros trazem a banda em sua formação final, com Doug Yule substituindo John Cale. Mas três de seus pilares iniciais estão lá: o cantor e compositor Lou Reed, o guitarrista Sterling Morrison e a baterista Maureen “Mo” Tucker. A banda foi chamada para participar do Dallas Peace Day, um protesto contra a guerra do Vietnã realizado no dia 15 de outubro daquele ano e, infelizmente, a maior parte dos registros não tem som. Os que tem mostram a banda tocando “I’m Waiting for the Man”, “Beginning to See the Light” e “I’m Set Free” e uma entrevista com Sterling Morrison. Mas só de ter imagens em movimento e a cores da banda já é um achado e tanto, saca só:
Vi no Dangerous Minds.
A edição 2019 do Centro do Rock do Centro Cultural São Paulo começa nesta quinta-feira com as apresentações das bandas Ema Stoned e Glue Trip, a partir das 21h (mais informações aqui).
O cantor e compositor carioca Manoel Magalhães fala sobre o espetáculo Consertos em Geral, inspirado em seu ótimo disco de mesmo nome que chega ao Centro da Terra neste dia 9 de julho. “Mais do que reproduzir o disco de uma forma fiel, tentei readaptar pra que a minha trajetória soasse como uma ode ao ofício de fazer canção”, me explicou em entrevista antes do show, que também trará músicas de suas bandas anteriores – como Polar e Harmada -, além de uma homenagem a João Gilberto provocada por este que vos escreve (mais informações aqui). Conversei com o Manoel sobre esta apresentação.
Eis a íntegra do penúltimo show que João Gilberto fez em São Paulo, o único show dele que vi ao vivo, no dia 14 de agosto de 2008. 29 clássicos da música brasileira – a maioria da primeira fase de sua discografia – na voz de seu maior intérprete. Cada segundo deste vídeo é uma aula de história, de música e de estilo.
“Aos Pés da Santa Cruz”
“Treze de Ouro”
“Wave”
“Caminhos Cruzados”
“Doralice”
“O Amor, o Sorriso e a Flor”
“Preconceito”
“Disse Alguém”
“O Pato”
“Corcovado”
“Samba do Avião”
“Lígia”
“Você já foi á Bahia?”
“Rosa Morena”
“Morena Boca de Ouro”
“Desafinado”
“Estate”
“Não Vou Pra Casa”
“Chega de Saudade”
“Isso Aqui o Que é?”
“Chove lá Fora”
“Esse Nosso Olhar”
“Bahia com H”
“Da Cor do Pecado”
“Retrato em Branco e Preto”
“Samba de Uma Nota Só”
“Guacyra”
“Pra Machucar meu Coração”
“Garota de Ipanema”
João Gilberto não morre nunca. E um salve ao pirateiros!
Apesar de inevitável, a notícia da morte de João Gilberto veio como uma pedra no peito – doeu fundo. Ele é o maior nome da música brasileira e talvez o maior de nossa cultura, um autor que inventou um Brasil em que vivemos até hoje, Brasil que infelizmente vemos se despedaçar no momento de sua morte. Pude vê-lo em uma de suas últimas apresentações (obrigado mais uma vez Lillian), no dia 14 de agosto de 2008, no Auditório Ibirapuera, num show perfeito, em que ele visitou minha parte favorita de seu repertório (seus três primeiros discos). Temendo ser flagrado filmando e comprometer aquele contato supremo, liguei a câmera apenas no final, registrando sua despedida.
Mal sabia que estava vendo o primeiro de sua última série de shows. Ele faria mais um show no dia seguinte em São Paulo, no dia 24 no Rio de Janeiro e no dia 5 de setembro, em Salvador. Mal sabia que estava me despedindo de um dos meus maiores ídolos. Obrigado, João.
Desde a primeira conversa, deu pra ver que Lia Paris não para. Resumir sua atuação como cantora e compositora é só uma forma de sintetizar seus talentos mais aparentes, mas ela gerencia a própria carreira como um dínamo, cuidando dos shows, de turnês internacionais, de projetos paralelos e parcerias de forma intensa e incansável. O fruto mais recente desta usina de criatividade – seu segundo disco MultiVerso, que ela lançou na semana passada – é mais um passo na construção de sua carreira e seu trabalho mais pop e ela começa a colocá-lo em prática nesta sexta-feira, dia 5 de julho, no Auditório Ibirapuera, quando traz pela primeira vez este trabalho para o palco, com as presenças de convidados como o rapper Luccas Carlos, o produtor Daniel Hunt e o vocalista John Evans, alguns dos convidados do disco – que ainda conta com as presenças de L_cio, Dudu Marote, Ugot, entre outros. Assino a direção artística deste lançamento, que ainda terá a luz de Helô Duran, som de Polako Brandão, produção das Pepper Cultural e cenário de Rose Bazo e Zé Carratu. Os ingressos estão à venda aqui e há mais informações sobre o show aqui. Abaixo, o release que escrevi sobre este novo disco de Lia, que segue em turnê pela Europa logo em seguida.
“Salto em plena escuridão, segue outra direção, sentimento” – a voz de Lia Paris flutua sozinha sem gravidade num vazio musical contornada apenas por um teclado. Ao seu redor, aos poucos, elementos musicais vão construindo o cenário de “Coração Cigano” – ecos, estalos, a levada de um violão, beats eletrônicos -, o primeiro single de seu novo álbum, lançado ainda em 2018. É o começo de MultiVerso, que parece abrir-se em diferentes facetas, gêneros musicais e participações especiais para construir uma personalidade artística a partir de fragmentos de experiências da cantora, compositora e performer paulistana.
“Coração Cigano” é o início desta nova fase que é seu segundo disco independente. Lançado com um clipe gravado na Islândia no meio de 2018, o single encerrava o ciclo que Lia abrira com Lva Vermelha, EP de 2016 que a levou para diferentes cantos do planeta a criar rituais que lhe deram a compreensão da performance em sua arte. Com o Lva Vermelha realizou diferentes formatos de performances artísticas musicais passando por Portugal, pela cidade medieval da Tuscania na Itália, França, Alemanha, Colômbia, Espanha, Portugal, Estados Unidos, além de passear por muitos palcos do Brasil, sempre criando situações artísticas com parceiros locais que somaram visual e musicalmente com seu trabalho. “Eu vou te levar pra outra dimensão”, resume em outro verso.
O novo álbum sintetiza esta nova fase em um disco com múltiplas personalidades, que paradoxalmente mostram sua coesão estética e musical, cada vez mais afiada – e pop. Ele mantém a abordagem lúdica, surrealista e misteriosa da artista, mas pousa em solo terrestre com canções cada vez mais diretas ao mesmo tempo que desafiam gêneros musicais. É um caldeirão orgânico e eletrônico que funde música brasileira, dance music, trip hop, soul music, reggaeton, rap e dream pop. Trabalhando com produtores e parceiros musicais com bagagens e influências diferentes entre si, ela coproduziu todo o álbum, como vem fazendo com toda sua carreira.
MultiVerso proporciona encontros improváveis como a produção de L_cio e Dudu Marote em (“Inocente Violência”), do produtor U-Got com o rapper Luccas Carlos (“Meus Caminhos”), do vocalista John Evans com o produtor Dudinha (“No Name”), dos produtores Spaniol e Daniel Carlomagno (“Nosso Trato”), do produtor Daniel Hunt com o trompetista Felipe Aires (“A Roda”). “Gosto muito de promover esses encontros e chegar a resultados inusitados a partir da
intersecção do meu universo de criação com o desses caras”, lembra a Lia. São paisagens etéreas surreais e experiências intensas que se contrapõe a diferentes temperaturas de sotaques e grooves, arriscadas misturas que poderiam fazer com que o disco soasse díspar e desconexo.
Mas é justamente o contrário. MultiVerso junta as pontas da carreira de Lia mostrando uma artista ciente de sua missão e de sua natureza plural. “Meu trabalho é bastante autobiográfico, mas busco me conectar com as pessoas explorando as metáforas e sutilezas dos sentimentos e sensações misteriosas que muita gente também pode se identificar”, conta. A sofisticação palpável de seus trabalhos anteriores permanece intactas, ainda com proposta conceitual mas mais palatável, aberta a um público ainda mais amplo. O corte transversal deste novo disco reúne diferentes parceiros e compadres que ela conheceu na carreira, unindo suas “diferentes vidas” – que já foi trapezista, estilista e roqueira – em uma cantora pop pronta para abraçar o Brasil – e o mundo.
No show de lançamento de MultiVerso, que acontece no dia 5 de julho de 2019 no Auditório Ibirapuera, em São Paulo, ela conta com as presenças do rapper Luccas Carlos, do produtor Daniel Hunt, do vocalista John Evans (do grupo Lumen Craft) e do dançarino Ricardo Januário, além de iluminação de Helô Duran, cenário de Zé Carratu e Rose Baso e figurino assinado por Rodolfo Beltrão. De lá, ela segue para a tour europeia do disco com estreia no icônico clube de David Lynch, Silencio, em Paris na França. A segunda data será no Festival Tangerine em uma floresta nos arredores de Paris, e a terceira no festival Sonido Tropico em Berlim, selo conhecido por exportar ao mundo música brasileira eletrônica contemporânea. A segunda parte da turnê acontecerá em Portugal onde Lia se apresenta na clássica Casa Da Música em Porto, no Music Box em Lisboa, no Texas Club em Leiria até o último show em Ponte de Sor, no anfiteatro de Montargil.











