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Show

O segundo dia da versão paulistana do Primavera Sound correu ainda mais suave do que o primeiro. Talvez por não ter atrações tão midiáticas quanto Arctic Monkeys ou Björk, o domingo do festival atraiu um público mais afeito ao trabalho dos artistas – ou, melhor dizendo, das artistas. O festival consagrou uma versão feminina do pop contemporâneo que se traduzia tanto no público quanto no astral coletivo, deixando tudo mais receptivo e suave, tolerante e acolhedor. O domingo foi das mulheres e mesmo que Travis Scott tenha atraído uma enorme massa para o palco do patrocinador principal (o pior palco do evento, disparado), corações e mentes foram tragados pela alma fêmea do festival, que no segundo dia foi representada especificamente por Phoebe Bridgers, Jessie Ware (o melhor show de todo o fim de semana!), Lorde e Arca.

Vamos aos shows… Continue

Saldo do primeiro dia do Primavera Sound em São Paulo? Bons shows, boa estrutura interna, preços razoáveis, som funcionando bem em todos os palcos, uma multidão gigantesca mas dócil e respeitosa, um festival confortável uma vez que você estava lá. Mas nem tudo são flores: a localização no Anhembi tornou tanto a chegada quanto a saída do festival complicada: o enorme trânsito e a distância entre os portões obrigou muita gente a caminhar bastante antes de entrar no festival, além de ficar preso em um engarrafamento que poderia ter sido evitado. A saída então foi ainda mais tensa e além do evento não ter sincronizado com o metrô a possibilidade de deixar o transporte público funcionando por mais tempo, a quantidade de pessoas esperando táxi na saída do festival fez com que as taxas dos aplicativos disparassem e muita gente ficasse sem sinal para pedir condução. A falta de sinalização (tanto dentro quanto fora do evento) e de preparo para que os funcionários pudessem indicar os locais de saída deixaram ainda mais gente perdida. E isso que eu saí antes do festival acabar…

Mas vamos aos shows.

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Sesc Vila Mariana @ São Paulo
4 de novembro de 2022

Essa sexta-feira foi especial. Dia 4 de novembro de 2022 não foi apenas a primeira sexta-feira em anos que pudemos suspirar aliviados, mas também a data que o Mestre Ambrósio escolheu para retomar as atividades. Não é exagero dizer que é uma das voltas à atividade mais importantes da música brasileira recente. Mais do que um dos principais faróis do movimento que fez com que Recife voltasse ao mapa do mainstream brasileiro, o grupo pernambucano também é um dos principais responsáveis pela revalorização da cultura popular do país – aquela que não vende discos nem toca nas rádios, nem gera plays ou likes pela internet.

É uma cultura, como o próprio Siba explicou durante o primeiro show da volta, que aconteceu no Sesc Vila Mariana, que mantém-se viva a despeito de ter sobrevivido apenas com as sobras da riqueza que entregou ao país. Uma cultura que mistura linguagens, símbolos e etnias que normalmente são associadas ao oposto do conceito de progresso (esse “progresso” destruidor que normalizou uma figura tão abjeta quanto o futuro-ex-presidente), mas que, em sua essência, são a maior vanguarda cultural já produzida por aqui. Para além do mangue beat, o Mestre Ambrósio fez renascer o orgulho ao redor destas manifestações tão rica e vê-los de volta ao palco, vinte anos depois da separação que aconteceu no início do século, mantendo a mesma formação e energia que sempre mantiveram foi de encher os olhos.

Siba, Maurício Bade, Helder Vasconcelos, Sergio Cassinado, Eder O Rocha e Mazinho Lima estavam melhores do que nunca e estão retomando uma carreira que certamente correrá o Brasil num momento em que o país tanto precisa disso. O show foi emocionante em muitas camadas e, apesar dos ingressos já terem se esgotado, vale dar uma passada um pouco antes do show começar por lá, sempre tem algum ingresso que sobra… Não irá se arrepender – isso é história sendo feita.

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Enorme prazer de iniciar as atividades de novembro no Centro da Terra com uma das principais bandas psicodélicas do país. O trio paulistano Violeta de Outono sobe ao palco do teatro do Sumaré nesta terça-feira, quando apresenta o espetáculo Outro Lado, em que visitam parte de seu repertório dos anos 90 com a formação clássica da banda: Fabio Golfetti na guitarra e vocal, Angelo Pastorello no baixo e Claudio Souza na bateria. O espetáculo começa pontualmente às 20h e os ingressos podem ser comprados neste link.

Chegando nos finalmentes do ano, eis a programação de música de novembro do Centro da Terra, último mês do ano em que usamos todas as segundas e terças do mês para fazer espetáculos únicos no já clássico teatro do Sumaré. Quem domina as segundas-feiras do mês é Ava Rocha, com sua temporada Femme Frame, em que desconstrói seu cancioneiro ao lado de convidados especialíssimos como Victoria dos Santos, Chicão, Negro Leo, entre outros. São quatro segundas-feiras sob os encantos da maga, que ainda realizará um workshop durante esta programação – semana que vem ela dá mais detalhes desta jornada. Na primeira terça-feira do mês quem pousa pela primeira vez no Centro da Terra é o Violeta de Outorno, clássico grupo psicodélico brasileiro, que visita canções compostas nos anos 90 com sua formação clássica: Fabio Golfetti, Angelo Pastorello e Claudio Souza. Na segunda terça, dia 8, é a vez da cantora e compositora Helô Ribeiro dissecar os descaminhos de seu primeiro disco solo, A Paisagem Zero, em que visita a obra de João Cabral de Melo Neto, e vai além. A terceira terça do mês é feriado, por isso jogamos a noite de música para a quarta-feira, dia 16, quando o cantor e compositor capixaba Juliano Gauche começa a mostrar o que será seu próximo disco, Tenho Acordado Dentro dos Sonhos, assumindo de vez a guitarra como instrumento condutor, em vez do violão. Na terça dia 22 é a vez do duo Marques Rodrigues, formado pelo trumpetista Amílcar Rodrigues e pelo baterista Guilherme Marques, de explorar possibilidades sonoras desta formação a partir do disco que lançaram no início deste ano, (I)Miscível. E encerrando o mês, recebemos o vocalista e fundador da banda baiana Maglore, que lançou o ótimo V, Teago Oliveira, que faz seu primeiro show solo depois da pandemia no dia 29. Os ingressos já estão à venda neste link. Curtiu?

Tô de olho no Eiras e Beiras há um tempo e chamei o septeto paulistano para reinventar seu próprio show em uma apresentação no Centro da Terra. Em Dixculpa, Tava Dixtraída – título de uma das músicas de seu primeiro e homônimo EP, o grupo formado por Alice Rocha e Nina Maia (vocais), Rafael Zammataro (baixo), Thalin Tavares (percussão), Vitor Park (bateria), Felipe “Enow” Serson (guitarra), e Edu Barco (teclado) viajam entre a nostalgia da MPB pós-tropicalista dos anos 70 com referências do pop moderno e do indie rock. Os ingressos já estão à venda neste link e o espetáculo começa pontualmente às 20h.

Radicado em Portugal desde 2017, o cantor, compositor e músico carioca Ricardo Dias Gomes volta ao Brasil por um breve período e aproveitou este deslocamento para mostrar algumas músicas novas em uma apresentação no Centro da Terra. Acompanhado de Gabriel “Bubu” Mayall e Bianca Godói, o guitarrista e baixista da banda Do Amor, que também passou pelo grupo que acompanhou Caetano Veloso em sua fase Cê, Dias Gomes mostra músicas de seus trabalhos solo bem como canções inéditas em uma apresentação única que também um convite à simplicidade, nestes tempos tão intensos que atravessamos. O espetáculo Missão/Emoção começa pontualmente às 20h desta terça-feira, dia 18, e os ingressos já podem ser comprados neste link.

Daqui a pouco, às 19h, Pedro Pastoriz finalmente lança ao vivo seu ótimo Pingue-Pongue com o Abismo, que foi lançado originalmente no longínquo 2020. Tenho feito a direção artística deste momento da carreira do ex-vocalista do Mustache e os Apaches, que começa a engrenar um novo momento de seu trabalho a partir desta terça-feira, quando apresenta este trabalho numa apresentação gratuita na mitológica Sala Adoniran Barbosa, no nosso querido CCSP. Quem vai?

Conheci a baiana Paula Cavalcante quando ela estava prestes a lançar seu primeiro EP no final do ano passado e de lá pra cá acompanhei a evolução de seu trabalho solo instrumental, Corpo Expandido, em que ela cria paisagens áridas e ambiências ambivalentes apenas com seu violão. Do lançamento de Entre Ruínas e Devaneios ao recente A Cor do Fim, ela foi descobrindo-se como autora musical ao mesmo tempo em que conciliava este novo trabalho com sua história na fotografia e é esse o ponto de partida do espetáculo que apresenta nesta terça-feira no Centro da Terra. Em Imagem Sonora ela apresenta seus transes instrumentais ao mesmo tempo em que explicita suas referências musicais, que vão de trilhas sonoras de filmes brasileiros ao free jazz. A apresentação começa pontualmente às 20h e os ingressos podem ser comprados neste link.

Convidado para assumir as segundas-feiras de outubro no Centro da Terra, o cantor, compositor e guitarrista Fernando Catatau inventou Frita – uma série de encontros com velhos e novos compadres e comadres através de apresentações ao vivo em que visita composições que ainda não saíram da gaveta, engrena novas parcerias e revisita velhas canções com novas roupagens. Nas próximas semanas, ele se encontra com Juçara Marçal, Edson Van Gogh, Jadsa, Mateus Fazeno Rock, Yma e Anna Vis em apresentações feitas para o palco do teatro do Sumaré – e a temporada começa nesta segunda, dia 10, com o encontro entre Catatau e Kiko Dinucci, numa noite que reúne dois dos maiores nomes da música brasileira contemporânea. Os ingressos podem ser comprados neste link e o espetáculo começa pontualmente às 20h.