
Abril nem acabou mas já temos a programação de maio do Centro da Terra definida. E quem ocupa das segundas-feiras do teatro é a querida Lulina, com sua temporada Decantar e Decompor, em que visita diferentes momentos de sua carreira com convidados conhecidos de épocas diferentes, trazendo a público inclusive canções que nunca foram lançadas. A temporada começa no dia 8 de maio (pois dia 1°, segunda-feira, o teatro não abre porque é feriado) e a cada dia ela chama um nome diferente para acompanhá-la: no dia 8 ela recebe Bruno Morais, dia 15 é a vez de Fabrício Corsaletti, dia 22 vem Rômulo Froes e Felipe S. encerra a temporada da cantora e compositora pernambucana no dia 29. As terças-feiras de maio estão marcadas por estreias. No dia 2 reunimos a Meia Banda dos cariocas Bruno Manso e Bruno Di Lullo à voz da alagoana Tori, em Murmúrios, o primeiro show desta formação em São Paulo. Uma semana depois, dia 9, é a vez da Rotunda, novo projeto da artista sonora Bella com o músico e produtor Thiago Nassif e o percussionista Cláudio Brito, fazer sua estreia em palcos paulistanos. Dia 16 quem também faz sua estreia em São Paulo é o cantor e compositor Gabriel Milliet, que está preparando-se para lançar seu primeiro disco solo depois de uma temporada na Europa, com o espetáculo Longe de Casa. Dia 23 é a vez do quarteto de cordas Risco, formado por Carla Raiza (viola), Erica Navarro (violoncelo), Mathilde Fillat e Mica Marcondes (violinos), mostrar a mistura de música erudita e popular proposto por estas musicistas na apresentação Cor da Corda. E, finalmente, dia 30, Manu Pereira faz sua estreia musical ao trazer suas Epifanias Noturnas para o palco do Centro da Terra. E como se não bastasse tudo isso, às quartas-feiras seguimos com a programação de cinema em parceria com o festival de documentários sobre música In Edit, que preparou uma seleção sensacional: no dia 3 exibiremos Adoniran – Meu Nome É João Rubinato, de Pedro Serrano, sobre o maior nome do samba paulistano; dia 10 é traremos Onildo Almeida – Groove Man, de Helder Lopes e Cláudio Bezerra, sobre um dos maiores nomes da história do baião, que relembra suas histórias; dia 17 é a vez A Música Natureza de Léa Freire, de Lucas Weglinsk, sobre uma das maiores compositoras do Brasil, que, mesmo sendo comparada a Villa-Lobos, Tom Jobim ou Hermeto Pascoal nunca teve sua reputação festejada como deveria; e no dia 24 vem Pipoca Moderna, de Helder Lopes, que conta a história de Sebastião Biano, líder e único remanescente da formação original da Banda de Pífanos de Caruaru. Os espetáculos começam sempre às 20h e os ingressos já estão à venda neste link.

Às vésperas de lançar o sucessor de seu Trança, Ava Rocha apresentou-se pela segunda vez acompanhada apenas de piano nesta quarta-feira na Casa de Francisca. Ao seu lado, mais uma vez, o mestre Chicão Montorfano, que ia da sutil delicadeza quase impressionista ao improviso extremo fazendo um par perfeito para os devaneios em forma de canção interpretados pela cantora carioca. Ava subiu ao palco toda de couro preto e entre suas próprias canções (“Você Não Vai Passar”, “Dorival”, “Assumpção”, “Mar ao Fundo”, “Hermética”, “Boca do Céu”, “Doce é o Amor” e as ainda inéditas em disco “Um Sonho” e “Felicidade Ébria”) soltou seu lado intérprete visitando clássicos brasileiros e internacionais: passeou por “Besame Mucho”, Capinam e Jards Macalé (“Movimento dos Barcos”), Tim Maia (“Lamento”), Edu Lobo (“Pra Dizer Adeus”), Bola de Nieve (“Déjame Recordar”), Cat Power (“Where’s My Love”) e Caetano Veloso (“Força Estranha”), sempre conduzindo o público com sua voz e seu corpo, entregue à sua tradicional intensidade cênica. Entre o sublime, o mundano e o êxtase, Ava cuspia pétalas e erguia o próprio chapéu do chão com o pé, equilibrando-se entre cadeiras e brincava com água e vinho, sem deixar que tais gestos tirassem o fôlego e o sentimento das canções, numa apresentação de lavar a alma.
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“Aqui é o Centro da Terra, a gente pode saltar”, comemorou Alessandra Leão após um das muitas piruetas musicais no escuro que se propôs ao lado de Rafa Barreto com sua banda Punhal de Prata (“não é duo, é banda!”, esbravejou a pernambucana), que retomou as atividades nesta terça-feira. Criado para celebrar os primeiros discos de Alceu Valença, o Punhal ampliou seu repertório ao incluir canções de outros autores contemporâneos daquela safra de discos, incluindo canções de Zé Ramalho, Cátia de França e Ave Sangria, e nesta primeira apresentação convidou Bella, Thiago Nassif e Fernando Catatau para explorar estas novas fronteiras musicais – foi a primeira vez inclusive que Alessandra e Fernando dividiram o palco! Primeiro tocando com cada um dos convidados para encerrar a apresentação com “A Dança das Borboletas” de Zé Ramalho, com todos no palco, Alessandra e Bella entrelaçando efeitos enquanto Nassif, Catatau e Barreto empinavam suas guitarras no céu. E semana que vem tem mais…
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Nas últimas duas terças-feiras de abril, Alessandra Leão retoma a dupla que fazia com o guitarrista Rafa Barreto para afiá-la com convidados muito especiais no Centro da Terra. Quase dez anos depois de criar esta apresentação em que saúdam grandes nomes da psicodelia pernambucana como Alceu Valença, Cátia de França e Ave Sangria, os dois músicos visitam a programação original com a interferência de nomes de novos parceiros: Fernando Catatau, Bella e Thiago Nassif os acompanham neste dia 18, seguidos por Siba e Josyara, os convidados do dia 25, em apresentações inéditas que prometem deixar todos em ponto de bala. Os espetáculos começam pontualmente às 20h e os ingressos podem ser comprados aqui.

Que delícia a terceira apresentação de Big Buraco, a temporada que Jadsa está fazendo durante este mês no Centro da Terra, quando reuniu as duas cantoras que fazem backing vocals em seu show – Marina Melo e Marcelle – a uma de suas principais inspirações musicais – a conterrânea Josyara. Dividindo a apresentação para mostrar o trabalho de cada uma de suas convidadas, ela começou sozinha cantando as duas “big” composições que inventou para conduzir este salto no vazio, depois apresentou músicas de Marina e Marcelle para finalmente receber Josy em um dos momentos mais bonitos desta safra de shows. As duas também tiveram seu próprio momento sozinhas no palco, quando visitaram “Run, Baby”, a música do primeiro disco de Jadsa que sua conterrânea faz parte. Muitos sentimentos inflamados por este buraco que não acaba.
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(Foto: Karine Gallas/Divulgação)
Já que o clássico Dark Side of the Moon está completando 50 anos, o grupo cearense Cidadão Instigado anuncia em primeira mão para o Trabalho Sujo que resolveu voltar ao disco que celebra há dez anos juntando a apresentação do disco na íntegra com a exibição do filme O Mágico de Oz, sincronizando filme e disco para celebrar a eterna lenda urbana de que o grupo inglês teria feito o disco como uma espécie de trilha sonora alternativa para o filme de 1939. As primeiras apresentações do disco ao vivo neste novo formato acontecem dias 5 e 6 de maio no Sesc Ipiranga, em São Paulo, mas o grupo já está conversando com outras cidades para levar o espetáculo numa turnê para o resto do Brasil, passando por Rio de Janeiro, Fortaleza, Recife, João Pessoa, Natal, Teresina, Salvador e outras cidades que se interessarem pela apresentação. Os ingressos para o show de São Paulo começam a ser vendidos em breve.

Dois fundadores de clássicas escolas da guitarra elétrica nacional se encontraram neste domingo na última apresentação do evento Guitarra à Brasileira quando Armandinho Macedo recebeu Manoel Cordeiro em uma pororoca de solos e riffs que contagiaram o público que compareceu ao Sesc Avenida Paulista. Acompanhado de Yacoce Simões (teclado), Cesário Leony (baixo) e Citnes Dias (bateria), o fundador do A Cor do Som e herdeiro direto da tradição do trio elétrico começou a noite lembrando de parcerias com Fausto Nilo e Moraes Moreira e contando a história do instrumento que criou e ajudou a popularizar, a guitarra baiana, até que recebeu um dos mestres da guitarrada paraense para um dueto explosivo. A tradição baiana de Armandinho, embebida nos ijexás, no samba-reggae, no frevo pernambucano e no hard rock, iniciou um duelo instrumental com a escola caribenha carregada de soul norte-americano e temperos latinos, que poderia durar horas que o povo estaria dançando até agora. Um encontro raro e maravilhoso, que não deveria ficar só nessa apresentação.
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Mais um passo importante dado por Tim Bernardes nesta escalada que é sua carreira solo ao lotar o Espaço Unimed – o antigo Espaço das Américas – e domar o público tão grande com uma destreza que poucos artistas conseguem atualmente, especificamente puxando para o silêncio, o ponto oposto mais extremo da regra do mercado de música contemporâneo. Conduzindo a apresentação com a mesma delicadeza – e virulência – que toca seus instrumentos (seja a guitarra, o violão ou o piano), Tim regeu as expectativas da plateia como um diretor de cinema, transformando tensão e expectativa em sentimento por quase duas horas de apresentação, que seguiu o padrão de seus shows recentes, à exceção de uma leve mudança na paleta de cores graças a um telão de led (além do verde temático, houve mais branco, azul e até um bem-vindo laranja). Tenho cá minhas reservas por ele ter mantido o mesmo padrão de disco e show entre sua excelente estreia Recomeçar e o Mil Coisas Invisíveis do ano passado, mas justapostos no show deste último, os dois álbuns transformam o show numa longa sessão de terapia em conjunto com o público e foi bonito ver o compositor segurar sussurros e suspiros (sem contar o serviço de bar, suspenso durante o show, só isso já valeu metade da noite) de um público completamente entregue. Ao atingir esse novo patamar mantendo essa formação única, sozinho no palco, resta saber quais os próximos passos que Tim irá dar – mas ele mesmo deu a dica durante este show: trabalhar com mais músicos no palco e voltar a tocar rock com O Terno. A dúvida é saber em qual escala ele irá operar. Até aqui, tudo ótimo.
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Um dos principais grupos de rock progressivo do Brasil está prestes a ver sua discografia aumentar consideravelmente, quando a gravadora londrina Fat Out anunciou o lançamento do quarto disco do Som Imaginário, gravado ao vivo em 1975, mas arquivado desde então. Formado para acompanhar Milton Nascimento em sua turnê de 1970, o grupo era liderado pelo tecladista Wagner Tiso e acompanhou, tanto em estúdio quanto ao vivo, nomes como Gal Costa, Marcos Valle, MPB4, Taiguara, Odair José e Simone, entre outros, além de contar com sumidades da música instrumental brasileira em suas diferentes formações, como Naná Vasconcelos, Zé Rodrix, os guitarristas Toninho Horta, Fredera e Vitor Biglione, o violonista Tavito, o baterista Robertinho Silva e o baixista Luiz Alves. O grupo lançou três discos ainda no começo dos anos 70, culminando com o clássico Matança do Porco, que completa meio século este ano, mas quando propôs lançar o quarto, gravado ao vivo em Brasília, teve seu lançamento engavetado. Banda da Capital vê a luz do dia quase 50 anos depois de sua gravação, no dia 4 de outubro de 1976, em Brasília (no colégio que eu mesmo estudaria alguns anos depois!), e traz Tiso acompanhado pelos cobras Nivaldo Ornelas (sax, flauta e violão), Jamil Joanes (baixo e vocais) e Paulinho Braga (bateria e percussão). O disco traz oito faixas, entre elas “Cafezais Sem Fim”, disponibilizada nesta sexta-feira, gravadas naquela apresentação, além de duas outras, “Armina” e a então inédita “Manuel, o Audaz” (de Toninho Horta), gravadas pelo grupo um ano antes, no dia 6 de outubro de 1975, em um show no Museu de Arte Moderna, no Rio de Janeiro. Banda da Cidade será lançado dia 2 de junho e já está em pré-venda no site da Far Out.
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Show dos Pin Ups hoje em dia quer dizer reencontrar velhos amigos que festejam a existência desta banda que por muito tempo foi um dos bastiões do indie paulistano e que parece ter acertado seus próprios ponteiros quando anunciou sua última apresentação ao vivo, no final de 2015. Aquele momento, celebrado no Sesc Pompeia, não foi importante apenas pela consciência que o grupo teve de que seu ciclo havia se encerrado, mas também foi seu show mais histórico, quando décadas no palco se refletiram numa maturidade tanto musical quanto técnica, que fez com que o grupo ganhasse uma sobrevida e passasse a fazer shows esporádicos para celebrar sua carreira, gravando inclusive um improvável disco de inéditas. Atualmente este hiato tornou-se ainda mais extenso depois que, durante a pandemia, a baixista e vocalista Alê Briganti mudou-se para Israel e o show que aconteceu nesta quarta-feira no Sesc Avenida Paulista foi o primeiro da banda desde que o covid-19 entrou em nossas rotinas. E seguindo o padrão estabelecido nos últimos anos, o grupo formado por Alê, Zé Antônio Algodoal, Adriano Cintra (de volta ao Brasil e talvez o guitarrista base definitivo da história da banda) e Flávio Cavichioli, fizeram mais um show redondinho e muito barulhento, passando por diferentes fases de sua carreira, chamando convidados importantes para sua biografia (o eterno Mickey Junkie Rodrigo Carneiro e o guitarrista dos Twinpines Bruno Palma) e tocando versões para músicas do Superchunk (“Detroit Has a Skyline”) e My Bloody Valentine (“You Made Me Realize”), além de reunir fãs de diferentes gerações – e de gerações de bandas – que sempre se encontram em eventos da banda, que, apesar de cada vez mais raros, seguem firmes e fortes.
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