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Show

Fim do sonho

Encerrando sua temporada Decantar e Decompor no Centro da Terra, Lulina já anunciou que irá reunir as músicas improvisadas pelo tecladista Chiquinho Moreira quando fez os agradecimentos nas quatro segundas-feiras que formaram esta obra em movimento, transformando-as em um EP que marcará este maio de 2023, que viu seu retorno aos palcos depois do período pandêmico com uma banda dos sonhos – além de Chiquinho, o grupo contava com Hurso Ambrifi, Katu Haí, Lucca Simões e Bianca Predieri (esta infelizmente não pode comparecer para encerrar a safra de shows nesta última apresentação). Nesta quarta segunda, Lu convidou Felipe S, vocalista do grupo Mombojó e conterrâneo de bairro da cantora no Recife, com quem dividiu o vocal por duas canções, além de fazer dois duetos com Hurso, baixista e diretor musical desta nova fase, que chegou ao fim com doses de cachaça que a cantora levou para esquentar a despedida.

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Só 2

A minha Virada Cultural de 2023 ficou reduzida a um único show, um dos três que a Céu fez no Sesc Consolação, finalmente levando aos palcos seu disco acústico, lançado no segundo ano da pandemia “com a intenção de trabalhar, de ver um horizonte, de voltar a cantar e fazer música”, como ela explicou ao público da segunda sessão de suas apresentações. Gravado em um único dia ao lado de seu velho compadre Lucas Martins (que a acompanha desde a adolescência – e que para este projeto deixou o baixo de lado para abraçar o violão acústico), o disco preparou a chegada de seu disco de intérprete Um Gosto de Sol, lançado no final daquele 2021, indo para o caminho oposto: só músicas autorais da cantora paulistana em arranjos enxutos e precisos, com o violão de Lucas partindo de lugares menos óbvios para o formato voz e violão do que o samba ou a bossa nova. Retomado no palco, o disco funciona como uma versão minimalistas para o novo show da cantora, Fênix do Amor, em que prefere dedicar-se ao seu próprio repertório do que a um disco mais específico, com o agravante de deixar Céu ainda mais à vontade para contar histórias e causos e brincar com a longa amizade com o amigo músico. No meio do caminho, lembrou que fez “Coreto” para Gal Costa cantar, mas tomou-a de volta quando percebeu que o refrão (que canta “Alpha by night” em homenagem à versão clássica rádio de sala de espera paulistana) a conectava com o universo do karaokê, que é adepta, rindo sem graça quando lembrou que cantou uma música sua num destes estabelecimentos e ganhou a pior pontuação. Lembrou também de Rita Lee, quando tocou “Menino Bonito” logo após tocar sua “Malemolência”, cujo refrão repete o título da clássica da rainha do rock brasileiro com o grupo Tutti Frutti. Um domingo maravilha.

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Música que cura

Mais um banho de axé que é esse show que o Russo Passapusso formou ao lado da sua dupla de ídolos Antonio Carlos e Jocafi aconteceu nessa sexta-feira, na Casa Natura Musical, que ainda contou com a presença de Karina Buhr em duas canções. Não bastasse o encontro mágico deste trio, que, mais uma vez, usa o recurso cênico da mesa de boteco para recuperar as energias dos veteranos da música baiana, a banda formada para acompanhar esse encontro é inacreditável: Curumin, Zé Nigro, Lucas Martins, Saulo Duarte, Maurício Badé, Edy Trombone, Estefane Santos e o maestro Ubiratan Marques, além da participação do ator Luiz Carlos Bahia. No final da noite, o vocalista baiano emendou duas faixas de seu primeiro disco solo (a faixa-título “Paraíso da Miragem” e “Paraquedas”) e transformou tudo em vibração curativa junto ao público que era exatamente o que ele estava precisando, num final emocionante. É o melhor show brasileiro atualmente, se passar por perto, não deixe passar – que a alma sai nova em folha.
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Enquanto esperamos a confirmação de mais uma vinda do Cure para o Brasil também aguardamos a materialização fonográfica das canções que se transformarão no próximo disco da banda, o primeiro desde 4:13 Dream, lançado há quinze (!) anos. O senhor Robert Smith preferiu sacramentar o lento compasso de espera mais típico de uma das bandas que influenciou (o My Bloody Valentine) e vai diluindo sem pressa o repertório do próximo álbum, que teoricamente se chamará Songs of a Lost World, no da atual turnê, batizada justamente com este nome. Canções como “Alone,” “And Nothing Is Forever,” “A Fragile Thing” e “I Can Never Say Goodbye” já foram mostradas em outras apresentações ao vivo – e agora mais uma delas vem a público no braço norte-americano da turnê: a triste e longa “Another Happy Birthday”, apresentada pela primeira vez ao vivo na quinta passada, no primeiro concerto que realizaram no Hollywood Bowl, em Los Angeles. Uma canção triste e longa assinada por Robert Smith? Cure clássico, em outras palavras:

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Corpo de todos

Finalmente Guilherme Held pode lançar seu Corpo Nós devidamente no palco. Fora parcas aparições com uma banda reduzida em que pode mostrar músicas de seu disco primeiro solo lançado em 2020, um dos grandes nomes da guitarra elétrica de sua geração debutou seu álbum como se deve, nesta quinta-feira, no Sesc Pompeia. Puxando uma banda formada por Fábio Sá (baixo), Sergio Machado (bateria), Rômulo Nardes (percussão), Cuca Ferreira (sax), Allan Abadia (trombone) e Dustan Gallas (teclados), Held ainda contou com as presenças de quatro vocalistas para representar os inúmeros convidados que recebeu em seu disco – e um time considerável, com Ná Ozzetti, Iara Rennó, Marcelo Pretto e o diretor artístico do álbum, Rômulo Fróes -, podendo finalmente considerar seu disco efetivamente lançado numa apresentação cheia de músicos na platéia. Foi demais.

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(Foto: Victor Cohen/divulgação)

Outro dia a ex-baterista do Lava Divers, Ana Zumpano, que mudou-se para São Paulo em 2019 e vem jogando em diferentes posições da cena indie, me procurou para falar de seu novo projeto, que começou como uma sessão de ensaios com o guitarrista Beeau Goméz e aos poucos foi ganhando corpo, apertando ainda mais o pedal da psicodelia garageira que paira sobre a cena indie brasileira desde o início do século. A dupla finalmente estreia no mundo fonográfico nesta sexta-feira, quando lançam seu primeiro single, “Voo”, nas plataformas digitais e dividem o palco com os grupos Monchmonch e Bumbomudo nessa sexta-feira, no Fffront, em São Paulo. E ela descolou o primeiro clipe da banda em primeira mão para ser visto aqui no Trabalho Sujo, que já dá um gostinho da lisergia que vem por aí…

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Mais um dos discos abatidos pela pandemia, o excelente Corpo Nós, primeiro disco solo do guitarrista Guilherme Held, finalmente será lançado ao vivo. O disco, dirigido por Rômulo Froes, reúne não apenas a produção musical do guitarrista discípulo de Lanny Gordin, como boa parte dos artistas com quem ele colaborou nas primeiras décadas de sua carreira – um elenco estelar que inclui Criolo, Curumin, Tulipa Ruiz, Kiko Dinucci, Mariana Aydar, Rubel, Marcelo Cabral, Daniel Ganjaman, Thalma de Freitas, Juliana Perdigão, Fernando Catatau, Pericles Cavalcanti, Dudu Tsuda, Filipe Catto, Simone Sou, Thiago França, Bruno Buarque, Bixiga 70 e tantos outros, além de mestres como Milton Nascimento, Jards Macalé e Letieres Leite. Para o show que acontece nesta quinta-feira, no Sesc Pompeia, Held reuniu uma banda de peso, formada por Sérgio Machado (bateria), Fábio Sá (baixo), Dustan Gallas (teclados), Allan Abaddia (trombone), Cuca Ferreira (sax), Rômulo Nardes (percussão) e participações de Ná Ozzetti, Romulo Fróes, Iara Renó e Marcelo Pretto. O disco foi lançado em 2020, durante a pandemia, e por isso não teve um show de lançamento de fato, falha que será corrigida nesta quinta-feira, às 21h30, no Sesc Pompeia, e Held aproveitou a deixa para mostrar o clipe que fez para “Tempo de ouvir o chão”, que tem as participações de . Juliana Perdigão e Romulo Fróes, lançado em primeiro mão aqui no Trabalho Sujo. “É uma produção simples, com efeito super 8, que traz os convidados da canção e a participação dos meus cachorros John e Yoko”, explica o guitarrista. “São cenas na minha laje e na janela do Rômulo, sem muito roteiro e só no bom gosto do Mihay, diretor do clipe”.

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Que beleza a estreia do Risco Quarteto, que aconteceu nesta terça-feira, no Centro da Terra, quando as quatro instrumentistas colocaram seu projeto em pé no espetáculo Cor da Corda. Transitando por um repertório tão tradicional quanto contemporâneo (equilibrando composições próprias com arranjos específicos feitos para canções de Zequinha de Abreu, Léa Freire, Luiz Gonzaga e Zé Gramani, entre outros), Mathilde Fillat, Mica Marcondes, Érica Navarro e Carla Raiza transitaram entre o formato tradicional do quarteto de cordas (dois violinos, viola e violoncelo) a variações deste com a inserção de diferentes rabecas, explorando texturas musicais que conversam com as canções que escolheram para apresentar. O grupo ainda contou com a colaboração de Marcelo Segreto (da Filarmônica de Pasárgada), com quem as quatro gravaram um disco de quarteto de cordas, violão e voz que será lançado no ano que vem, e da baterista Priscila Brigante, cuja participação, a princípio inusitada (o que uma bateria faria num quarteto de cordas?), funcionou lindamente. Uma vez que o barco saiu do porto, agora é ver este quarteto singrar pelos palcos da música. Vida longa!

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É um prazer receber o Risco Quarteto no Centro da Terra, que apresenta-se nesta terça-feira, mostrando seu espetáculo Cor da Corda, uma experiência a partir do formato tradicional do quarteto de cordas que mistura música erudita a popular e traz instrumentos como a rabeca para esta formação. Tocando composições próprias, tradicionais e contemporâneas de nomes como Zequinha de Abreu, Léa Freire, Luizinho Duarte, Luiz Gonzaga e Zé Gramani, Mathilde Fillat (violino e rabeca), Mica Marcondes (violino e rabeca), Érica Navarro (violoncelo, rabeca e violão) e Carla Raiza (viola e rabeca) recebem convidados como Marcelo Segreto (da Filarmônica de Pasárgada, que cantará e tocará violão) e a baterista Priscila Brigante, além da luz de Camille Laurent e as máscaras de crochê de Jamille Queiroz, criadas para o espetáculo. A apresentação começa pontualmente às 20h e os ingressos podem ser comprados por este link.

Afiando cada vez mais a formação que montou para sua temporada Decantar e Decompor no Centro da Terra, Lulina abriu mais uma segunda-feira no teatro do Sumaré mostrando a eficácia melódica esperta que construiu ao lado de seu parceiro, o baixista e maestro Hurso Ambrifi, reunindo dois sintetizadores (um tocado por Chiquinho Moreira, do Mombojó, e o outro por Katu Haí, que também reveza-se entre a flauta transversal e o trompete), baixo, bateria (de timbres analógicos e digitais, disparados por Bianca Predieri) e pelas notas delicadas da guitarra de Lucca Simões. Esta formação consegue criar uma sonoridade que ecoa o minimalismo de bandas alternativas americanas e europeias favoritas do grupo (dá pra ouvir Yo La Tengo, Stereolab, Durutti Column, Pato Fu, Galaxie 500, Brian Eno, Saint Etienne, Flaming Lips, Belle & Sebastian, Charlotte Gainsbourg e Beta Band) atreladas a uma escola da canção brasileira escolhida por Lulina (que mistura os lados cronistas de Caetano Veloso, Jorge Ben e Gilberto Gil com o experimentalismo lírico de Tom Zé, Walter Franco, Pato Fu e Fellini). Tudo deixando-a cada vez mais à vontade – inclusive para tocar músicas sem a guitarra, algo raro -, como quando convidou o velho parceiro Rômulo Froes para tocar, pela primeira vez no palco, duas canções que trabalharam juntos há mais de dez anos. “A gente é da velha guarda indie”, brinco o paulistano. “Resistência indie!”, comemorou a dona da noite, que encerra sua temporada na próxima segunda, quando convida Felipe S. – e anunciou alguns convidados a mais, surpresa…

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