
O sábado lindo foi de Lana Del Rey, mas os caminhos para chegar em seu paraíso, os fãs sabem, nunca acontecem sem dor e sofrimento. Mesmo com um dia maravilhoso de outono como há tempos não acontecia, a segunda edição do Mita em São Paulo primou pela confusão e bagunça, tanto em termos na programação quanto na produção, mas quem pode ver o show da cantora norte-americana com alguma condição assistiu ao seu cabaré lyncheano numa apresentação soberba, show que poderia tranquilamente acontecer fora de um festival.
Leia mais abaixo: Continue

Que maravilha esse tributo que os pernambucanos Zé Manoel e Amaro Freitas estão fazendo ao Clube da Esquina e que aconteceu nessa sexta-feira na Casa Natura. Em alguns momentos os dois dividem o piano, mas em grande parte do show os dois conduzem sua veneração a esta sagrada igreja mineira de som cada um em seu plano – um no canto, outro no piano. Zé assume seu lado crooner e canta lindamente quase todo o show, acompanhado do piano forte de Amaro, tornado delicado graças ao disco homenageado. O público acompanhou tudo quase em silêncio, sussurrando os hits mais conhecidos, a não ser quando eram instigados por um dos dois a soltar a voz ou bater palmas (ou quando Amaro sacava o celular no meio do show para filmar o público cantando junto). Uma noite de chorar.
Assista aqui. Continue

Na primeira das duas apresentações que está fazendo em São Paulo, no Sesc Avenida Paulista, a guitarrista norte-americana Ava Mendonza desconstruiu seu instrumento despedaçando riffs e solos em cima de bases tensas e fritas conduzidas pela cozinha do grupo de jazz Full Blast (uma espécie de Morphine do mal), formada pelo baixista Marino Pliakas e pelo baterista Michael Wertmueller. Os dois criam uma atmosfera densa e quase táctil: Wertmueller deixa sua bateria soar quase como IDM eletrônica, enquanto Pliakas conduz suas duras linhas de baixo em algum lugar entre o hardcore e o industrial. Esta combinação transforma-se numa rede de segurança em que a guitarrista pode atirar-se sem medo, soltando ainda mais seu instrumento e fritando todo o público com ela. Neste sábado tem mais, vale conferir.
Assista aqui. Continue

A especulação confirmou-se nessa sexta e Taylor Swift finalmente faz seus primeiros shows para o público brasileiro no fim do segundo semestre deste ano, como confirmou ao anunciar o braço latino-americano de sua turnê The Eras Tour, que tem três datas no México em agosto, duas na Argentina em novembro e mais três no Brasil no mesmo mês, quando passa primeiro pelo Rio de Janeiro, quando toca no dia 18 no Estádio Nilton Santos (Engenhão) e depois vem a São Paulo para fazer duas apresentações no Allianz Parque, nos dias 25 e 26. A única vez que ela passou pelo Brasil foi em 2012 para fazer um show só para convidados na época de seu disco Red, antes de explodir como uma artista de calibre mundial dois anos depois, com o disco 1989. De lá pra cá, ela ameaçou vir algumas vezes e faria apresentações no fatídico 2020, como parte da turnê do disco Lover, apresentações que foram canceladas, como tudo naquele ano. Agora ela retoma os trabalhos e passa por aqui com abertura da Sabrina Carpenter que apresenta-se neste fim de semana no festival Mita em São Paulo e avisa que vai anunciar novidades sobre as vendas de ingressos em seu site oficial.
Veja as datas abaixo: Continue

Thiago e Cabral mandaram avisar que os discos dos Marginals finalmente chegaram às plataformas digitais. Pra quem chegou há pouco tempo, o Marginals era um trio de free jazz formado pelos dois – Thiago França no sax e Marcelo Cabral no contrabaixo acústico – com o Tony Gordin na batera e funcionou como laboratório de fritação pros três, que sempre partiam do zero em sessões de improviso pesadas, isso há uma década. Desenterrei esse vídeo que fiz de um show que produzi com eles em uma das edições da saudosa festa Sussa – Tardes Trabalho Sujo no saudoso Neu, há quase dez anos anos – e foi a última apresentação do trio.
Assista abaixo: Continue

Se tem um canal no YouTube pra se ficar de olho é o esqueletolavrador, dedicado a desenterrar clássicos de todas as fases do maior artista brasileiro, João Gilberto, como essa versão para “Estate” (canção napolitana de Bruno Martino, que eternizou no clássico Amoroso, de 1977) registrada ao vivo no festival Umbria Jazz, na cidade italiana de Perugia.
Assista aqui. Continue

Casa lotada para assistir à primeira apresentação solo de Manuela Pereira, que misturou dramas da adolescência com o fato de ter participado de um reality show com canções que pintavam à medida em que as cenas surgiam. Epifanias Noturnas – O Show é, na prática, uma peça musical em que a atriz destila seus medos e inseguranças usando canções como veículo, com uma trilha sonora hábil para entretê-la no palco – ao mesmo tempo em que ela conecta-se com o público através da música. Tomara que entre logo em cartaz.
Assista aqui. Continue

E nesta última terça-feira de maio, quem encerra as atrações musicais no Centro da Terra é Manuela Pereira, com seu Epifanias Noturnas – O Show. A filha de Maurício Pereira já vinha desenvolvendo este quadro em sua conta no Instagram, sempre tratando questões que afligem uma jovem artista a partir de canções que puxava sozinha e desenvolveu com a amiga Helena Fraga uma apresentação para levar suas Epifanias Noturnas para o palco. O espetáculo começa pontualmente às 20h e os ingressos já estão esgotados.

Encerrando sua temporada Decantar e Decompor no Centro da Terra, Lulina já anunciou que irá reunir as músicas improvisadas pelo tecladista Chiquinho Moreira quando fez os agradecimentos nas quatro segundas-feiras que formaram esta obra em movimento, transformando-as em um EP que marcará este maio de 2023, que viu seu retorno aos palcos depois do período pandêmico com uma banda dos sonhos – além de Chiquinho, o grupo contava com Hurso Ambrifi, Katu Haí, Lucca Simões e Bianca Predieri (esta infelizmente não pode comparecer para encerrar a safra de shows nesta última apresentação). Nesta quarta segunda, Lu convidou Felipe S, vocalista do grupo Mombojó e conterrâneo de bairro da cantora no Recife, com quem dividiu o vocal por duas canções, além de fazer dois duetos com Hurso, baixista e diretor musical desta nova fase, que chegou ao fim com doses de cachaça que a cantora levou para esquentar a despedida.
Assista aqui. Continue

A minha Virada Cultural de 2023 ficou reduzida a um único show, um dos três que a Céu fez no Sesc Consolação, finalmente levando aos palcos seu disco acústico, lançado no segundo ano da pandemia “com a intenção de trabalhar, de ver um horizonte, de voltar a cantar e fazer música”, como ela explicou ao público da segunda sessão de suas apresentações. Gravado em um único dia ao lado de seu velho compadre Lucas Martins (que a acompanha desde a adolescência – e que para este projeto deixou o baixo de lado para abraçar o violão acústico), o disco preparou a chegada de seu disco de intérprete Um Gosto de Sol, lançado no final daquele 2021, indo para o caminho oposto: só músicas autorais da cantora paulistana em arranjos enxutos e precisos, com o violão de Lucas partindo de lugares menos óbvios para o formato voz e violão do que o samba ou a bossa nova. Retomado no palco, o disco funciona como uma versão minimalistas para o novo show da cantora, Fênix do Amor, em que prefere dedicar-se ao seu próprio repertório do que a um disco mais específico, com o agravante de deixar Céu ainda mais à vontade para contar histórias e causos e brincar com a longa amizade com o amigo músico. No meio do caminho, lembrou que fez “Coreto” para Gal Costa cantar, mas tomou-a de volta quando percebeu que o refrão (que canta “Alpha by night” em homenagem à versão clássica rádio de sala de espera paulistana) a conectava com o universo do karaokê, que é adepta, rindo sem graça quando lembrou que cantou uma música sua num destes estabelecimentos e ganhou a pior pontuação. Lembrou também de Rita Lee, quando tocou “Menino Bonito” logo após tocar sua “Malemolência”, cujo refrão repete o título da clássica da rainha do rock brasileiro com o grupo Tutti Frutti. Um domingo maravilha.
Assista aqui. Continue