Trabalho Sujo - Home

Show

daniel-johnston

No dia 11 de setembro do ano passado perdemos o doce e alucinado Daniel Johnston, ícone do rock independente norte-americano e um dos compositores que, de uma forma improvável, bissexta e errática, fez a conexão entre o rock clássico dos anos 60 e o indie rock a partir dos anos 80. Sua família juntou fãs célebres para fazer uma homenagem ao seu legado no aniversário de um ano de morte no espetáculo online (claro) Honey I Sure Miss You – A Tribute To The Life, Art, And Music Of Daniel Johnston, que aconteceu nesta sexta. E entre popstars como Jeff Tweedy, Beck, Devendra Banhart, Phoebe Bridgers e Kevin Morby, quem brilhou mesmo foi o próprio Jonston, que roubou a festa póstuma quando, ao final da apresentação, foi revelado um vídeo do primeiro dia do ano de 1991, em que ele compõe “When I Met You”, que iria gravar três anos depois numa versão sem instrumentos, ao piano, fazendo anotações nos intervalos da composição, num momento único de criação de um gênio ímpar.

É de chorar, diz aí.

phoebebridges

“Fake Plastic Trees”, clássica balada do segundo disco do Radiohead, já havia sido revisitada há pouco tempo pela vocalista do Paramore, Hayley Williams, e agora é a cantora folk norte-americana Phoebe Bridgers quem traz uma versão de chorar da música gravada para o programa Piano Session, da rádio inglesa BBC. Ela já tinha revisitado “Everything is Free”, da Gillian Welch, em parceria com a nossa querida Courtney Barnett nesta quarentena e agora ela divide o palco com a novata inglesa Arlo Parks, que acompanha a balada ao piano.

Lindaço hein.

Nick-Cave-Idiot-Prayer

A bela apresentação que Nick Cave fez sozinho ao piano no Alexandra Palace, em Londres, em junho deste ano, para depois exibi-la pela internet no mês seguinte, vai virar disco ao vivo. Idiot Prayer chega às plataformas de streaming e aos formatos vinil e CD no dia 20 de novembro (no aniversário do Trabalho Sujo!) e no início do mês o filme será exibido em algumas salas de cinema pelo mundo (mais informações lá no site do Nick Cave). Haja coragem pra ver isso no cinema em 2020!

A capa do disco é esta acima e as músicas que estarão no álbum são as seguintes:

“Idiot Prayer”
“Sad Waters”
“Brompton Oratory”
“Palaces of Montezuma”
“Girl in Amber”
“Man in the Moon”
“Nobody’s Baby Now”
“(Are You) The One That I’ve Been Waiting For?”
“Waiting for You”
“The Mercy Seat”
“Euthanasia”
“Jubilee Street”
“Far From Me”
“He Wants You”
“Higgs Boson Blues”
“Stranger Than Kindness”
“Into My Arms”
“The Ship Song”
“Papa Won’t Leave You, Henry”
“Black Hair”
“Galleon Ship”

Billie-Eilish-tinydesk

A apresentação de Billie Eilish no Tiny Desk Concert (uma semana depois da participação do Tame Impala) traz só duas músicas – e ao escolher duas novas canções, “My Future” (infelizmente sem a parte mais dançante) e “Everything I Wanted” e concentrar seu show na parceria com o irmão Finneas (cada vez mais em cena), ela deixa aquele gostinho de quero mais…

Que maravilha…

american-utopia

O espetacular show American Utopia, que David Byrne trouxe para a Broadway no final do ano passado depois de ter circulado pelo mundo (passando inclusive pelo Brasil), vai se transformar num filme assinado por Spike Lee – e pelo trailer que acaba de ser revelado, o resultado pode ser épico, com a câmera de Lee movendo-se tão animadamente quanto os 11 músicos, cantores e dançarinos que dividem o palco com o eterno talking head.

O filme estreará em setembro no Festival Internacional de Cinema de Toronto, no Canadá, e depois chega para o público em geral através da HBO, no dia 17 de outubro.

tameimpala2020

O grupo australiano Tame Impala finalmente mostra ao vivo seu quarto disco, The Slow Rush, que iria começar a ter seus primeiros shows ao vivo um pouco antes de começarmos essa quarentena. E o grupo de Kevin Parker se apresentou no formato trio, batizando-se de Tame Impala Soundsystem, e trazendo versões mais pista para três faixas de sua safra mais recente de canções – duas de seu disco mais oitentista, “Breathe Deeper” e “Is It True”, e uma que foi lançada no começo dos trabalhos do novo disco, “Patience”. O show aconteceu dentro da programação remota do Tiny Desk Concert da emissora pública norte-americana NPR.

washedout-2020

No começo deste mês o grupo Washed Out mostrou seu novo disco, o excelente Purple Noon, em que retoma sua sonoridade já clássica depois do experimento funky Mister Mellow. E para marcar o lançamento do disco, cuja atmosfera foi inspirada no filme franco-italiano O Sol por Testemunha, de 1960, com sua vibe de por do sol no Mar Mediterrâneo, o grupo apresentou-se ao vivo na beira do mar, ao por do sol, numa apresentação deslumbrante…

“Time to Walk Away”
“Reckless Desires”
“Too Late”
“Face Up”
“Hide”
“Paralyzed”
“Leave You Behind”

De quebra, o cérebro e coração da banda, Ernest Green, apresentou novamente parte do repertório do disco em um show na cozinha de casa gravado para a rádio KEXP, ao lado de sua companheira e também integrante da banda, Blair Greene.

“Paralyzed”
“Time To Walk Away”
“Face Up”
“Too Late”

E o disco tá lindão…

Billie-Eilish-my-future

A cada passo em direção a seu novo disco, Billie Eilish reforça a mudança que tem atravessado como artista, sublinhando que não quer mais ser vista essa caricatura de enfant terrible com it-girl da geração Z que lhe transformaram e vem aproveitando este estranho 2020 como plataforma para esta mudança. Começou ainda em 2019, quando, com a contemplativa “Everything I Wanted” mudou o tom de sua abordagem, sublinhando a presença do irmão Finneas em seu processo criativo e entrou no novo ano, quando ela mostrou “No Time to Die”, música que compôs para o próximo filme de James Bond antes de entrarmos em quarentena. Agora ela surge como coadjuvante de luxo da eleição para presidente dos EUA, mostrando a recém-lançada “My Future” pela primeira vez ao vivo na convenção do partido democrata dos EUA que oficializou o nome de Joe Biden como . Não sem antes passar seu sabão no momento político atual de seu país.

“Você não precisa que eu diga que as coisas estão uma bagunça – Donald Trump está destruindo nosso país e tudo que nos importa. Precisamos de líderes que resolvam problemas como mudança climática e o covid – não os neguem. Líderes que lutarão contra o racismo sistêmico e a desigualdade. Começa votando contra Donald Trump e por Joe Biden. O silêncio não é uma opção e não podemos ficar de fora. Todos nós temos que votar como se nossas vidas e o mundo dependessem disso – porque eles dependem. A única maneira de ter certeza de nosso futuro é fazê-lo nós mesmos. Por favor registre; por favor vote.”

Mais uma vez acompanhada do irmão e de um baterista, ela dominou completamente a cena, cantando seu novo single com leveza e desenvoltura, ciente de todo o simbolismo da situação: o fato de votar pela primeira vez por ter apenas 18 anos, o fato de representar os nascidos no século 21 que, como ela, pode votar pela primeira vez para presidente em 2020 e estar cantando uma música chamada “My Future” em um evento que poderá decidir o futuro dela, de seu país e de todo mundo.

Ela vai longe…

Crua e delicada

angelolsen20

Angel Olsen mostra mais uma música do disco-cara-metade do melhor disco do ano passado, o exuberante All Mirrors. E depois de mostrar a faixa-título deste novo trabalho, Whole New Mess, ela vem com outra inédita, a celestial “Waving, Smiling”.

Ela aproveitou para liberar uma versão ao vivo da mesma música, gravada no Masonic Temple na cidade de Asheville, nos EUA, em uma de suas lives pagas que tem feito sob o título de Cosmic Streams.

O curioso é que ela ainda não mostrou nenhuma versão de nenhuma faixa já conhecida por All Mirrors. Whole New Mess é a segunda versão para um mesmo repertório que a cantora norte-americana composto desde o fantástico My Woman, de 2016. Ela até cogitou lançar um disco duplo, mostrando as duas faces que pensava para este conjunto de músicas, um mais suntuoso e chique, outro mais cru e delicado. Ela optou por lançar a versão opulenta no ano passado, cravando o álbum no topo da minha lista pessoal de melhores discos de 2019 e agora revisita o mesmo repertório em outro ambiente, gravado em uma igreja, só com ela tocando guitarra e violão. Mas como ela não mostrou nenhuma música que já conhecíamos, apenas determinou o parâmetro musical do novo disco, mostrando que trará toda uma nova profundidade a uma obra irrepreensível. O disco sai na semana que vem e já está em pré-venda.

Sonic-Youth

Eis mais uma íntegra de show que o produtor inglês Nigel Godrich publica no canal de seu programa In the Basement, com shows gravados no estúdio londrino Malda Vale. Desta vez são os mestres indie Sonic Youth, em sua última grande fase, no final da primeira década do século, misturando o repertório do disco Rather Ripped com a turnê de aniversário de sua obra-prima Daydream Nation, com o baixista do Pavement Mark Ibold liberando Kim Gordon para tocar a terceira guitarra.

“The Sprawl”
“Incinerate”
“Hey Joni”
“Jams Run Free”
“Pink Steam”

Perfeito demais.